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La révolution galiléenne

Gusdorf : duas racionalidades no berço da modernidade

Tome I

dimanche 12 septembre 2021

G. Gusdorf, La révolution galiléenne, p. 94.

A Europa é atingida, no final do século XVI, por uma profunda crise intelectual e moral?, afetando o pensamento?, científico, a teologia?, a literatura e as artes. No domínio científico, duas racionalidades estão em confronto : a) a Aristotélica, pretendendo ser? uma racionalidade? das essências?, não? consegue sobreviver à crise barroca, acreditando na inacessibilidade de uma essência? das coisas? ; b) a nova racionalidade, de tipo? geométrico, para sobreviver, sofre algumas transformações : não é mais certo que a linguagem? matemática? exprime verdadeiramente a essência das coisas ; mas permite ao sábio? organizar as aparências, vale dizer, os fenômenos. O termo? "fenômeno?" sofre uma evolução? semântica? : lentamente, perde seu sentido? negativo? de "aquilo que não é a essência das coisas" e adquire o sentido positivo? de "aquilo sobre o qual se funda a ciência?". E com dificuldades que a nova ciência consegue seu equilíbrio, um? século depois, com Newton. Enquanto isso, prolifera o mundo? sensível? das aparências, escapando à racionalidade geométrica : os monstros invadem a literatura médica, o mundo se povoa de qualidades ocultas, de simpatias magnéticas e de ações? à distância. Descartes? tenta salvar o conhecimento? racional? da natureza? das coisas graças à geometria? e à bondade? de Deus?. No entanto, o futuro? pertence àqueles que, como Pascal? e Gassendi?, contentam-se em racionalizar apenas as aparências e em colocar entre parênteses? o insondável mistério? das coisas. Por isso, a ciência moderna só será realmente fundada no dia em que Newton formular? a lei? matemática da gravitação universal?, mesmo ignorando em que consiste a força? de gravitação.


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