Página inicial > Antiguidade > Paul du Breuil – Zoroastro

Zoroastro - Religião e Filosofia

Paul du Breuil – Zoroastro

segunda-feira 22 de agosto de 2022, por Cardoso de Castro

    

 Retiro   de Zoroastro  

Começou, então, para o Sábio  , um longo retiro de uma dezena de anos (vinte anos segundo Plínio, o Velho), tendo como único discípulo   consigo seu querido primo Maidiomaha (YC. 13.95). Certo dia os dois   homens reencontraram o rio Daitia (O-xus) e ali o profeta   entrou em profunda meditação  , até o dia em que Vohu Manah, o Bom Pensamento   divino, se revelou ao seu espírito  . Zoroastro devia receber   a revelação no curso de sete «entrevistas» com Ahura Masda, no cimo dessa montanha   mística do qual falam, também, Porfírio e Dion e na «floresta das entrevistas sagradas» (Vd. XXII. 19).

No limiar de êxtases grandiosos e autênticos (sem drogas), o Sábio colocava questões patéticas sob a seguinte forma: «Eu tenho algo a te pedir. Diz-me a verdade, Ahura» (Y. 44), ou então «Tu, cujo olhar protetor vela por toda a eternidade   a Ordem   e o Bom Pensamento, ó Masda Ahura, ensina-me pela tua boca celeste as leis do mundo primitivo» (Y. 22.11). Na volta a si de cada iluminação  , sua alma   conhecia a resposta   divina: «Eu proclamarei aquilo que me disse o Altíssimo Benfeitor» (Y. 45), ou ainda: «Tu me disseste, tu Masda, que sabes o melhor» (Y. 46). E o diálogo   místico   continuava: «No começo do mundo o mais santo dos dois Espíritos disse ao Destruidor:»Nem nossos pensamentos, nem nossos ensinamentos, nem nossas inteligências, nem nossas escolhas, nem nossas palavras, nem nossos atos, nem nossas consciências, nem nossas almas se conciliaram" (Y. 45.2). Ahura Masda ocupa-se em aumentar a vida, Ahra Mainiu, (Ahriman  ) em fazê-la morrer  .

Entre cem questões sobre a origem   do mundo e do bem e do mal, seus exercícios espirituais se realizavam, assim, misturando às vezes as questões cosmogônicas: «Quem abriu um caminho   ao sol e às estrelas? Quem fez com que a lua   cresça e decresça? Quem, sem apoio, sustentou a terra   para não cair? Quem fez as águas e as plantas, os ventos e as nuvens?» «Qual é o criador do Bom Pensamento, ó Masda?» (Y. 44.4) Ele via, então, o sobrevoo da humanidade por poderosos anjos   dirigidos por prodigiosas entidades, cada uma delas respondendo por um domínio  , que governavam segundo o Reino de Ahura Masda. Zoroastro as definirá em sete expressões divinas: Sabedoria   (Masda), Bom Pensamento (Vohu Manah), a Ordem Justa (Asha Vahista), Reino Divino (Khshatra), Devoção (Armaiti), Saúde   (Haurvatat), Imortalidade (Ameretat). Arquétipos supremos do Deus   único Ahura Masda: «Foi ele que, antes de tudo, pensou o mundo, ele que pôs a felicidade   na luz celeste... Tu fizeste aparecer   divinamente os dois mundos (o espiritual e o material) e tu és sempre o Soberano universal  » (Y. 31.7).

Qual é a primeira das coisas no mundo do bem? pergunta Zoroastro. «A melhor das boas obras é, em relação ao céu, adorar o Senhor, e em relação à terra é tratar bem o gado... O homem   de devoção é santo; pela inteligência, pelas palavras, pela ação, pela consciência   ele faz justiça... Aquele que faz o bem ao justo, ao parente, ao confrade, ao servidor e vela ativamente pelo bem do rebanho, esse pertence ao bem, é um operário   do Bom Pensamento» (Y. 33.3). «Eu te pergunto qual é a punição para aquele que dá o império para o mau, para o malfeitor, ó Ahura Masda, para aquele que mata pelo prazer de matar, para aquele que oprime o trabalhador que não maltrata nem o rebanho nem os homens?» «Já que eles não se convertem, os surdos e os cegos serão aniquilados...» (Y. 31.15/32.15).

Zoroastro invectiva os homens demoníacos, que ele também chama daevas, os quais desprezam a vida animal   e humana e cujas devastações tomam incultos os campos. Ele se revoltava sobretudo diante do sacrifício de reses dos carapans, que invocavam Aesha, o Furor deificado. O Sábio assumia a condição do advogado do gado perseguido, do qual ele ouvia o queixume silencioso (Y. 29.1). E portanto ele, o Spitama, que fará conhecer aos homens seus deveres para com os animais. Mas a alma do boi (sic) lamenta sua impotência em se defender: «Quando virá aquele que lhe dará toda poderosa assistência?» (Y. 29.9). Zoroastro pensa que somente um poder favorável à sua reforma poderá dar-lhe os meios de tomar razoáveis os maus pastores, os ladrões de gado, os sacerdotes   mágicos, e que somente uma ruidosa demonstração de sua doutrina   fará um cavi honesto protegê-lo e armar sua terra contra a ameaça permanente dos nômades pilhadores, levando a paz   para o interior, pela restauração   de uma nova ordem. Era claro para o Sábio que o terrorismo dos ataques que arruínam uma economia   agrícola, massacrando bestas e gente em nome de tenebrosas divindades antropomórficas, manifestava a permanência do mal. Mal constantemente imbricado no meio de raros elementos   bons, como a dramaturgia de frequentes sismos, secas e invernos rigorosos traduzia o mal do universo  . O conjunto   disso irá criar a psicose da ansiedade catastrófica das Gâthâs. Mas, transportada para o plano ético, ela estimulará a ação moral e transfiguradora do homem, em lugar de enterrar nas ruínas de uma fatalidade inelutável. Levada para o plano espiritual, esta angústia   do bem abrirá as perspectivas apocalípticas de um mundo novo, transfigurado, herança prodigiosa de todas as religiões influenciadas pela gnose zoroástrica.

 Nova ordem do mundo

Com Zoroastro o pensamento religioso efetua um progresso tal que a ideia de fazer uma simples reforma no masdeísmo tradicional dá lugar à de uma verdadeira revolução teológica e ética. Zoroastro criou uma ordem inteiramente nova e estigmatizou os costumes cruéis e mágicos dos sacerdotes de seu tempo, Mas, preocupado em ser compreendido por todos, utilizou os nomes do politeísmo ariano, para transpô-los para o domínio abstrato de uma revolução espiritual em que as novas entidades servem unicamente para designar as qualidades do deus único Ahura Masda. A recuperação do antigo fundo religioso fez com que durante muito tempo o zoroastrismo parecesse um acontecimento   reformador do antigo masdeísmo, embora ele já o houvesse metamorfoseado totalmente.

Do antigo panteão indo-iraniano o Sábio conservou apenas o único grande Ahura/Varuna, divindade uraniana cujo corpo, identificado com a abóbada celeste, é salpicado de olhos-estrelas que tudo veem e observam todas as ações terrestres. Varuma aparecera já, desde -1380, ao lado de Mitra, de Indira e dos gêmeos Nasatias (Mitras, Uruvrta, Itidara Nashationa), num trabalho   concluído em Bogazqueni (Anatólia) entre o rei dos hitias e o dos mitanis, indo-europeus parentes dos árias indo-iranianos. Paralelamente ao duo Mithra-Ahura no Irã, na índia elaborou-se o de Mitra-Varuna. Mithra/Mitra, divindade solar, não se limitava ao astro   luminoso e foi assimilado «à vista   de Ahura Masda» (Yt. 13), ao passo que as estrelas representavam seus «espiões».

No Egito   a inovação monoteísta de Amenófis IV no culto de Aton, simbolizado pelo disco solar, não teve o mesmo futuro do monoteísmo   zoroástrico de Ahura Masda porque ali onde o novo clero foi intolerante a ponto de perseguir os politeístas egípcios, os fiéis de Zoroastro inauguraram uma dimensão religiosa nova, sem opor um novo sacerdócio teocrático aos pregadores dos cultos populares do antigo Irã. Além disso, no Egito como no Irã, as preocupações sobre a vida no além tinham uma importância que o faraó reformador negligenciava, o que lhe foi fatal, ao passo que o autor das Gâthas purificava o outro mundo ao moralizar seu acesso, sempre reafirmando sua existência.

Ahura/Varuna conservava, antes de Zoroastro, as características naturalistas e antropomórficas da mitologia arcaica, traços   partilhados com seus cruéis associados Indra  , na índia, e Mitra, no Irã, os quais prejudicavam a obra moralizadora do Profeta.

O culto solar egípcio de Ra, Hórus e Aton oferecia grande semelhança   com o do Masda pré-zoroástrico. Aton afirma um monoteísmo e uma preocupação moral inédita e Hórus apresentava uma figuração (disco solar alado com cabeça   de falcão) e um simbolismo (o sol e a lua eram seus olhos) próximo do Ahura-masda das inscrições aquemênidas. Na Grécia, Apoio, deus solar que levava o qualificativo de Febus (o resplandescente), foi um dos profetas, uma vez que a luz de seus raios   dissipa as trevas, clareia ao longe e vê, conseqüentemente, o futuro. O sol Hélio fora diferente de Apoio antes de ele ser identificado, como se verá pela osmose dos cultos de Apoio e Mitra elaborada no Irã helenizado. Na índia, Indra deu à luz ao sol e à aurora   (Rig-Veda  ). Esta enumeração sucinta mostra simplesmente a universalidade do culto solar e, mais ou menos diretamente, todos os deuses uranianos, do Diaus das tribos arianas ao Varuna da Índia antiga, tinham a luz do sol e dos fogos estelares como principal atributo divino.

O que se deve notar é que os povos do norte  , do hiperbóreo, de onde procediam as tribos indo-europeias, atribuíram ao sol, à luz, ao fogo  , qualidades inerentes aos seus deuses, uma natureza benfeitora, em virtude da longa noite polar invernal e do clima, ao passo que os povos das regiões quentes onde o sol arde e não falta só tardiamente viram essas qualidades ou continuaram a atribuir-lhe uma natureza reclamadora de horríveis sacrifícios humanos (México), sobretudo no momento de pânico provocado pelos eclipses solares.

Para Zaratustra, Deus não é somente a fonte da luz física   do sol e dos astros cintilantes. Ele é o apelo secreto que desperta na consciência toda luz moral e espiritual.

 Ahura Masda

Com a divisão   do povo ária em Índia e em Irã no segundo milênio, ergue-se também uma oposição dos deuses e dos demônios. Indra, deus luminoso da função guerreira, venerado junto com Varuna, torna-se no Avesta o próprio tipo de daeva, o demônio obstinado em romper a ordem cósmica (Rta/Asha). Os deuses indianos, devas, tomam-se nas Gâthâs, como mais tarde para Xerxes, daevas, os demônios da corte ahrimaniana. De seu lado a índia transformou os Asuras em diabos mentirosos em oposição a seus devas nascidos da verdade. Mas ao passo que Varuna se torna uma divindade menor ao lado de Indra, de Vishnu   e de Rudra na Índia, o Irã pré-zoroástrico faz de seu ahura principal, parelha de Varuna, o grande deus Ahura Masda, cujo segundo nome corresponde ao védico medha (sabedoria), onisciência que Zoroastro irá espiritualizar totalmente. Da mesma forma Vaiu, divindade indo-iraniana importante do ‘«vazio   atmosférico» entre o céu e a terra, da natureza que assume o gênio do vento   para o bem ou o mal (Ram Yt. 15), terá provavelmente ajudado Zoroastro a conceber a luta   de seus dois Espíritos.

Ahura Masda existia sob seus dois nomes como deus proto-iraniano antes do Profeta? Ele foi identificado sobre uma placa de prata do Luristão (século VIII/VII a.C.) ao lado de Zervan e Ahriman, formando uma tríade não zoroástrica com Zervan; do mesmo modo que, sobre uma placa em ouro de Hamadan do rei Ariaramme (v. -640/-590), ancestral dos aquemênidas, que proclamava: «Este país dos persas que eu possuo, provido de belos cavalos e de bons homens, foi o grande deus Ahuramasda quem me deu. Eu sou   o rei deste país.» A forma Ahuramasda, utilizada por Ariaramme, como por seus sucessores até Xerxes, não pode ser senão posterior   à estilização em duas palavras por Zoroastro, que citava indiferentemente Ahura e Masda ou na ordem Ahura Masda ou Ahura (Sábio Senhor ou Senhor Sábio), indicação de uma primeira fase instável do nome divino. Mesmo que Zoroastro tenha encontrado seu deus supremo já munido do qualificativo Masda, que encarna a sabedoria, esse deus seria ainda feito muito à imagem dos homens para lhes servir de Príncipe imaculado da sabedoria. Não somente o Sábio iria purificá-lo de seus elementos naturalistas, como iria, com a transcendência  , conferir-lhe uma sabedoria tal que o «Senhor Sabedoria» sairá completamente transfigurado de sua natureza precedente.

Zoroastro foi, sem dúvida, o primeiro profeta a pregar a unidade  , o esplendor e a bondade de Deus com mais força e num plano transcendental mais elevado do que fez o místico faraó Aquenaton no Egito do século XIV a.C. Se Ahura Masda já era, anteriormente, revestido de aspectos morais idênticos aos de seu alterego indiano Varuna, guardião   da ordem cósmica mas também justiceiro a quem os homens se submetiam como diante de um déspota, esse deus exigia ainda sacrifícios propiciatórios que precisamente Zoroastro iria rejeitar energicamente. Da mesma forma Mitra, que permaneceu ignorado pelo Sábio por seus aspectos antipáticos de deus da guerra presidindo ao Sacrifício ritual do touro e da embriaguez pelo haoma será introduzido posteriormente no culto zoroástrico, que não tinha adotado nenhum outro deus a não ser Ahura Masda. Nas Gâthâs aparece, antes dos filósofos da Atica, a primeira noção   espiritualizada de Deus. O deus único de Zoroastro não preservou para si nada a não ser sua soberania sobre o cosmos que o envolve e que sua transcendência moral irá dominar completamente. O aspecto uraniano se vê fortemente penetrado de moralização zoroástrica. Ahura Masda diz: «A mim   os bons pensamentos, as boas palavras, as boas ações, e eu tenho por vestimenta   o céu, que foi o primeiro a ser criado deste mundo material... os bons pensamentos, as boas palavras, as boas ações são meu alimento  ». (Dr. IX, 30.7).

A dualidade de aspectos panteístas e morais apresenta a clivagem teológica efetuada por Zoroastro na sublimação de Ahura Masda, pois dali em diante ele não mais se identifica com o universo que não faz mais do que vesti-lo. Entretanto, se ele transcende os elementos da criação física, não continua sendo o Pai   do Fogo primordial (Atar), o Polo da Luz essencial que precede e engendra os fogos estelares do cosmos.

Mas a «luz» do grande deus masdeísta torna-se, para o Autor das Gâthâs, sinônimo de «pensamento puro».

 Tríade de Zoroastro

Esta promoção de Ahura Masda opera uma transformação   radical, levando a natureza divina a uma dimensão que transcende todo o conceito. O deus único de Zoroastro toma-se o menos objetivado e o menos formal de todos os deuses, situando Ahura Masda isento de todas as trevas e de toda implicação direta no conflito cósmico  .

Ahura Masda (Ormasd em pálavi) domina o duelo dos dois Espíritos: Spenta Mainyu (Espírito Santo) e Ahra Mainyu (Espírito Mau; Ahriman - Y. 45.2), seu irmão gêmeo (Yema), combate do qual Ahura Masda não participa diretamente no espaço-tempo desdobrado por ele como parapeito e armadilha contra o Espírito Mau, Ahriman, nome pelo qual é mais conhecido. A criação ideal, portanto, permanece pura de todo o mal de toda a eternidade, pois é por livre-arbítrio   que um dos dois Espíritos primitivos, o antigo Lúcifer, mergulhou numa via Tenebrosa (Y. 30.3). Ahura Masda/Ormasd só aparece como criatura espiritual pela virtual existência da matéria erigida em suporte do Reino divino, Khshatra. Ele não podia criar um ser livre limitando uma autonomia cujo profundo sentido repousa numa escolha da qual vai depender   o destino do mundo. Deus não podia manter Ahriman no Reino que, por definição, não pode conter a mínima parcela tenebrosa. Conservá-lo seria correr o risco de eternizar a ameaça ahrimaniana. Aprisioná-lo no espaço-tempo limitaria a atividade   deletéria. Eis por que a criação se desenvolve em dois tempos: criação espiritual (Menôk) e criação material (gete) tomada necessária pela má escolha e a obstinação do Mau Espírito, também chamado Akoman, espírito negativo, o espaço-tempo tomando-se um gigantesco campo   de batalha no qual os elementos puros devem, sob a inspiração do Espírito Santo, vencer e reconduzir os elementos decaídos à Luz primordial, transfigurados por uma tomada definitiva de consciência sobre a natureza do bem e do mal. O mundo físico não é, pois, senão uma cópia imperfeita da criação espiritual em que os elementos bons e maus estão misturados ao extremo: «Ormazd criou antes o universo espiritual, depois fez o universo material e misturou o espiritual ao material».

Tendo perdido sua glória   celeste (Xvarnah), Ahriman «esquece» Ahura Masda/Ormazd e enfrenta apenas as forças de Spenta Mainyu, o Espírito Santo, que, tendo permanecido integralmente puro, vê-se obrigado a perseguir uma criação misturada pela hipotética ahrimaniana. Mas enquanto Zoroastro via o universo como criação mista do bem e do mal, o dualismo zervanista, nascido na Babilônia, acentua a oposição do mundo divino e do mundo material, agora criado unicamente pelo mau demiurgo  , de onde a identificação da matéria com o mal e da carne   com o pecado  , dicotomia que vamos encontrar na gnose marcada de zervanismo e no judeu  -cristianismo marcado de dualismo esseniano.

 Fim de Zoroastro

Os primeiros discípulos muito cedo formaram grupos de «Pobres» nos quais muitos vêem os predecessores dos dervixes. Se as primeiras fontes do Avesta informam pouco sobre um «Clero» da nova fé cujo sucessor de Zoroastro, na qualidade   de chefe da comunidade, foi Jamaspa, seu genro4, o antigo chefe sacerdote do fogo, o athravan, que permanecerá sacedote do fogo no Irã (Strabon), tomou-se também, com a reforma zoroástrica, o sacerdote ambulante portador da boa palavra. Pela tradição   Zoroastro foi o primeiro entre os athravans (Yt. 13.94). Aos 65 anos Zoroastro teria dado ainda lições de filosofia na Babilônia, na época de Cambises, mas aí há, provavelmente, uma confusão   com um certo Zaratas, o «segundo Zoroastro» que teria iniciado Pitágoras. Oito anos mais tarde, de volta ao leste iraniano, o Sábio teria instaurado aí um culto do fogo perto de um cipreste sagrado  . Graças a seu conselho, Vishtaspa teria retomado a guerra contra o Turan, hostilidades interrompidas em Merv com a morte de Zerir, o irmão do rei e, vitorioso desta vez, o soberano teria entulhado Zoroastro de honrarias. Mas, ao passo que uma campanha arrastou o rei do Seistão, os turanianos invadiram Bactres, profanaram o templo   e executaram os 24 sacerdotes. Apunhalado nas costas Bratraresh quando rezava, Zoroastro atirou-lhe no rosto seu rosário, dizendo: «Possa Ahura Masda te perdoar como eu o faço», mas o assassino logo caiu morto.

Zoroastro teria sido feito em pedaços, então, pelos lobisomens.

A lenda clássica terá também sua versão da morte do grande Sábio. De Ctésias a Justino repete-se que Zoroastro, «rei dos bactrianos», primeiro fundador das artes mágicas e primeiro observador dos movimentos das constelações e da origem do mundo, foi morto pelo exército de Nino, rei dos assírios, que ele mesmo encontrou a morte e deixou uma filha, Ninias, e uma esposa, Semí-ramis.

Para Plutarco  , Semíramis é que foi o vencedor de «Zoroastro, o bactriano».

Segundo Clemente de Alexandria  , Platão identificava Er, o filho de Armênios, nascido em Panfília, com Zoroastro, que depois de doze dias no túmulo ressuscitou segundo os doze signos do Zodíaco.

E para o Chronicon Paschale (escrito em 629), Zoroastro, «o famoso astrólogo persa», sentindo a proximidade da morte, aconselhou a seus próximos que logo que o fogo o queimasse, deveriam recolher suas cinzas e guardá-las para que o reino não mais lhes escapasse. Este relato não satisfaz muito os parses ortodoxos, que consideram que a incineração mancha o elemento sagrado do Fogo...