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Virtudes Teologais

segunda-feira 28 de março de 2022

Ascetismo e Misticismo
Tanquerey  : COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA

Umas virtudes são teologais, porque têm a Deus por objeto material, e algum atributo divino por objeto formal. A fé une-nos a Deus, suprema verdade, e ajuda-nos a ver e apreciar tudo à sua luz divina. A esperança une-nos Àquele que é a fonte da nossa felicidade, sempre disposto a derramar sobre nós os seus benefícios, para consumar a nossa transformação, e ajudar-nos com o seu poderoso auxílio a fazer actos de confiança absoluta e de filial entrega nas mãos de Deus sumamente bom em si mesmo; sob a sua influência, comprazemo-nos nas perfeições infinitas de Deus mais que se fossem nossas, desejamos que sejam conhecidas e glorificadas, travamos com Ele uma santa amizade, uma doce familiaridade, e assim nos tornamos mais e mais semelhantes ao Altíssimo. Estas três virtudes teologais unem-nos, pois, diretamente a Deus.

A excelência do objeto ou do ato que se pratica. Há uma hierarquia nas virtudes: assim, as virtudes teologais são mais perfeitas que as virtudes morais - morais, e, por este motivo, os Ato de fé - atos de fé, de esperança, e sobretudo de caridade são mais meritórios que os atos de prudência, justiça, temperança, etc. Estes últimos, porém, como já dissemos, podem, pela intenção, converter-se em atos de amor e participar assim do seu valor especial. Do mesmo modo os atos de religião, que tendem diretamente à glória - glória de Deus, são mais perfeitos que os que têm por fim direto a nossa santidade - santificação.

João da Cruz  : SUBIDA DO MONTE CARMELO

Como as três virtudes teologais devem aperfeiçoar as poderes da alma - três potências da alma, produzindo nelas vazio e trevas.

1. Devendo falar do modo de introduzir as poderes da alma - três potências da alma - entendimento, memória e vontade, - na noite escura - noite espiritual, a fim de alcançar a união - divina união, é necessário primeiramente demonstrar aqui o seguinte: as três virtudes teologais, fé, esperança e caridade, - que se relacionam às ditas três potências, como próprios objetos sobrenaturais servindo de meio para a alma se unir com Deus segundo suas mesmas potências, - produzem em cada uma destas vazio e obscuridade. A fé age assim no entendimento, a esperança na memória, e a caridade na vontade. Veremos sucessivamente como o entendimento se aperfeiçoa nas trevas da fé, a memória no vazio da esperança e, afinal, como a vontade há de sepultar-se na privação -de todo afeto para chegar à união divina. Isto feito, ver-se-á claramente quanto importa à alma, desejosa de prosseguir com segurança no caminho espiritual, apoiar-se, nesta noite escura, às três virtudes que a desapegam e obscurecem com relação a todas as coisas criadas. Ainda repetimos: a alma, nesta vida, não se une com Deus por meio do que entende, goza ou imagina, nem por coisa alguma que os sentidos ofereçam: mas unicamente pela fé quanto ao entendimento, pela esperança segundo a memória, e pelo amor quanto à vontade.

2. Estas três virtudes, deste modo, fazem o vazio nas potências: a fé no entendimento, obscurecendo-o acerca de suas luzes naturais; a esperança na memória, produzindo o vazio de toda posse; e a caridade operando na vontade o despojamento de todo afeto e gozo de tudo o que não é Deus. Porque a fé nos diz, como já vimos, aquilo que não podemos alcançar com o entendimento. São Paulo  , escrevendo aos hebreus, nos declara a este propósito: «É pois a fé a substância das coisas que se devem esperar» (Heb 11, 1). Para o nosso caso, significa que a fé é a substância das coisas que se esperam; pois, embora o entendimento receba com firmeza e determinação as verdades que lhe são propostas, estas não se descobrem a ele; do contrário não seria mais fé, porque esta, embora dê certeza, não ilumina o entendimento claramente, senão obscurece-o.

3. A esperança também põe a memória no vazio e nas trevas em relação às coisas da terra e do céu. Isto não permite dúvida, pois a esperança sempre tem por objeto o que ainda não possuímos. Não mais esperamos o que já possuímos. Ora, «a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o espera?» diz S. Paulo aos Romanos (Rom 8, 24). Assim esta virtude produz o vazio, porque se baseia sobre o que não se tem, e não sobre o que se possui.

4. A caridade opera igualmente o vazio e o despojamento na vontade, pois nos obriga a amar a Deus sobre todas as coisas; e só podemos cumprir este mandamento desprendendo nosso afeto de todos os bens espirituais e temporais para concentrá-lo somente em Deus. Nosso Senhor Jesus Cristo nos diz por S. Lucas: Qualquer de vós que não dá de mão a tudo © que possui, pela vontade, não pode ser meu discípulo (Lc 14, 33). Isto, em resumo, mostra que as três virtudes teologais colocam a alma nas trevas e no vazio absoluto.


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