Página inicial > Arte e Simbolismo > Pecado Venial

Pecado Venial

segunda-feira 28 de março de 2022

Na tentativa de estabelecer uma escala de pecado esta classe denominada "pecados veniais" pretende oferecer alento e esperança àquele que se considera "pecador", pois entende que foi um engano, um desleixo, sem mácula. No entanto, se reconhecermos o significado de "pecado" como erro ou falha, estamos melhor informados para lidar com o que se acusa como pecado, mas que de fato não tem a conotação tão forte e contundente que recebeu historicamente pela instituição eclesial.


Ascetismo e Misticismo Tanquerey  : COMPÊNDIO DE TEOLOGIA ASCÉTICA E MÍSTICA

Quando a lei, que violamos, não é necessária à consecução do nosso propósito - fim, ou quando a violamos em matéria leve, ou, caso a lei seja grave em si mesma, quando a não transgredimos com saber - perfeita advertência ou consentimento - pleno consentimento, o pecado não é mais que venial, e não nos priva do estado de graça. Ficamos unidos a Deus pelo intimidade - íntimo da nossa alma, pois queremos cumprir a vontade de Deus - sua vontade em tudo quanto é necessário para conservar a sua amizade e propósito - atingir o nosso fim. Esse ato contudo é uma transgressão da lei divina - lei de Deus, uma ofensa infligida a sua Majestade.

Sob o aspecto da perfeição, há grandíssima diferença entre as faltas veniais de surpresa e as que se cometem de propósito deliberado, com deliberação e consentimento - pleno consentimento.

Das indulgência - faltas de surpresa, até os santo - Santos cometem às vezes essas faltas, deixando-se arrastar, um momento, por irreflexão ou fraqueza de vontade, a negligências nos exercícios espirituais, a imprudências, a juízos ou palavras, contrárias à caridade, a uma mentira - leve mentira, para se desculparem, etc. São lamentáveis sem dúvida essas faltas, e as devoção - almas fervorosas deploram-nas com amargura; mas não são obstáculo à perfeição; Senhor - Deus N. Senhor, que conhece a nossa fraqueza, facilmente perdão - as escusa: «ipse cognovit figmentum nostrum», E, depois, reparam-se quase imediatamente com ato - atos de contrição, humildade, amor, que são mais duradoiros e voluntários que os pecados de fragilidade.

Com relação a estas faltas, tudo o que nos cumpre fazer, é diminuir-lhes o número e evitar o desalento, a) Pela vigilância é que se consegue diminuí-las; procuremos remontar à causa e suprimi-la, mas sem ansiedade nem preocupação, apoiando-nos na graça divina mais ainda que em nossos esforço - esforços; esmeremo-nos particularmente em eliminar qualquer afeição ao pecado venial, pois que, segundo nota S. Francisco de Sales  , «se o coração se lhe apego - apega, bem depressa se perde a suavidade da devoção e até mesmo toda a devoção».

b) Mas é mister evitar com cuidado o acídia - desalento, o despeito dos que «se zangam de se haverem zangado, se afligem de se haverem afligido»; esses movimentos vêm afinal do nosso amor próprio que se perturba e inquieta de nos ver tão imperfeitos. Para evitar este defeito, é preciso olhar as nossas faltas com benignidade, como olhamos as dos outros, odiar sem dúvida os nossos defeitos e fraquezas, mas com um ódio tranquilo, com uma consciência muito viva da nossa fraqueza e miséria, com uma vontade firme e serena de fazer servir estas faltas à glória de Deus, cumprindo com mais fidelidade e amor o dever presente.

Quanto aos pecados de propósito deliberado, esses são um grandíssimo obstáculo ao nosso progresso espiritual e devem ser combatidos com vigor. Para disso nos convencermos, vejamos a sua malícia e os seus efeitos.

I. Malícia do pecado venial deliberado

Este pecado é um mal moral, em si o maior mal depois do pecado mortal. É certo que nos não afasta do último fim, mas retarda o nosso avanço, faz-nos perder um tempo precioso, e sobretudo é uma ofensa de Deus. É nisto sobretudo que consiste a sua malícia.

1." É uma desobediência a Deus, em matéria leve, sem dúvida, mas voluntariamente cometida com reflexão. Aos olhos da fé, é verdadeiramente coisa abominável, pois ultraja a majestade infinita de Deus.

A) É uma injúria, um insulto a Deus: num dos pratos da balança colocamos a vontade de Deus, a sua glória; no outro, o nosso capricho, o nosso prazer, a nossa gloríola, e ousamos preferir-nos a Deus! Que ultraje! Uma vontade infinitamente sábia, infinitamente reta, sacrificada à nossa, tão sujeita ao erro e ao capricho! «É, diz Santa Teresa, como se dissesse: Senhor, apesar desta ação Vos desagradar, não deixarei de a fazer. Não ignoro que Vós a vedes, sei perfeitamente que Vós a não quereis; mas eu prefiro a minha fantasia e a minha inclinação à Vossa vontade. E seria coisa de nada proceder desta sorte? Quanto a mim, por mais leve que seja a falta em si mesma, acho, pelo contrário, que é grave e muito grave».

B) Daqui, por nossa culpa, uma diminuição da glória extrínseca de Deus. Fomos criados para procurar a sua glória, obedecendo perfeita e amorosamente às suas ordens; ora, com recusarmos obediência - obedecer-lhes, ainda mesmo em matéria leve, roubamos-lhe uma porção dessa glória; em vez de proclamarmos, como Maria - Maria SS.ma, que o queremos glorificar em todas as nossas ações «Magnificat - Magnificat anima mea Dominum», negamo-nos positivamente a glorificá-lo nesta ou naquela coisa.

C) E, por isso mesmo, é uma ingratidão; cumulados dos mais copiosos benefícios, por sermos seus amigos, e sabendo que Ele exige em retorno o nosso reconhecimento e amor, recusamos fazer-lhe tal sacrifício; em lugar de procurarmos agradar-lhe, não receamos dar-lhe desgosto. Donde procede evidentemente um resfriamento da amizade de Deus a nosso respeito. Ele ama-nos sem reserva e, em retorno, exige que o amemos com toda a nossa alma: «Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo et in tota anima tua et in tota mente tua». E nós não lhe damos senão uma parte de nós mesmos, nós fazemos as nossas reservas, e, se por um lado queremos conservar a sua amizade, por outro regateamos-lhe a nossa e só lhe damos um separação - coração dividido. É evidente que isto é uma indelicadeza, uma falta de fervor e de generosidade que não pode deixar de diminuir a nossa intimidade - intimidade com Deus.