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CARTAS

Platão (Carta VII) – a filosofia é refratária a ser formatada em escrita

CARTA VII

lundi 4 mai 2020

Excerto de PLATÃO. Fedro - Cartas - O Primeiro Alcibíades. Tr. Carlos Alberto Nunes. Belém : Universidade Federal do Pará, 1975, p. 155-159

Carlos Alberto Nunes

[...] O que sei, é que outros já escreveram a respeito? de tais assuntos, porém gente de tanto valor? que nem a si mesmo se conhece. O que estou em condições de afirmar de quantos escreveram e ainda virão a escrever com a pretensão de conhecer as questões com que me ocupo, quer as tenham ouvido de mim mesmo? ou de outras pessoas, quer as descobrissem por esforço? próprio?, é que, no meu modo? de pensar?, eles não? entendem nada? de nada de todas essas questões. De mim, pelo menos, nunca houve nem haverá nenhum escrito sobre semelhante? matéria?. Não é possível? encontrar a expressão? adequada para problemas dessa natureza?, como acontece com outros conhecimentos. Como consequência? de um? comércio prolongado e de uma existência? dedicada à meditação? de tais problemas é que a verdade? brota na alma? como a luz? nascida de uma faísca instantânea, para depois crescer sozinha. Melhor do que ninguém tenho consciência? de que somente eu? poderia expor minhas ideias?, de viva voz ou por escrito, como também sou eu quem mais viria a sofrer, se a redação me saísse defeituosa. Se me parecesse necessário? deixá-las ao alcance do povo?, que poderia haver de mais belo? na vida? do que divulgar doutrinas tão salutares, e esclarecer os homens sobre a natureza das coisas? ? Porém, não acredito que de tais explicações advenha proveito para ninguém, com exceção? de uns poucos que, com indicações sumárias, sejam capazes de descobrir sozinhos a verdade. Quanto aos outros, ou se encheriam de um desprezo imerecido e fora de propósito, com relação? à filosofia?, ou de esperança? exagerada e fátua, como se tivessem aprendido verdade de importância transcendental?. Aliás, a esse? respeito precisarei ser? mais explícito? ; com isso, talvez algumas questões se tornem compreensíveis. Há uma razão? de peso?, que não pode ser afastada por quem se dispuser a escrever seja o que for acerca de semelhantes questões, de que já tratei bastantes vezes, mas sobre o que me parece de necessidade? insistir.

Para cada ser há três elementos? que nos permitem conhecê-lo ; o quarto é o próprio conhecimento?, vindo a ser o quinto a coisa? conhecida e que verdadeiramente existe. O primeiro é o nome? ; o segundo a definição? ; o terceiro, a imagem?, e o quarto, o conhecimento. Para melhor compreensão? do que acabo de expor, tomai de um exemplo? e depois o aplicai aos demais casos. Há o que se chama Círculo?, cujo nome é precisamente o que acabamos de pronunciar. Vem a seguir a definição, composta de substantivos e verbos : o que tem sempre a mesma distância entre as extremidades e o centro ; tal é a definição do que denominamos redondo, circunferência, círculo. Em terceiro lugar?, vem a forma? que se desenha e apaga, ou que se fabrica no torno e pode ser destruída, enquanto o círculo em si mesmo, á que tudo isso se refere, nada sofre por ser de todo? em todo diferente. O quarto é o conhecimento, a inteligência?, a opinião? verdadeira, relativa a esse mesmo objeto?, que devemos englobar numa só classe? e que não reside nem nos sons proferidos nem nas figuras materiais, porém nas almas, do que se torna manifesto que é de natureza diferente da do circulo em si mesmo e dos três modos indicados. De todos esses elementos, o que mais se aproxima do quinto é a inteligência, por afinidade? e semelhança? ; os demais estão muito afastados.

O mesmo vale para as figuras retilíneas ou as esféricas, as cores, o bem?, o belo, o justo, os corpos fabricados pela natureza, o fogo?, a água e tudo o mais do mesmo gênero?, os seres vivos, as qualidades da alma e também as ações? e paixões de toda espécie?. Se não apreendermos, de um jeito ou de outro?, esses quatro elementos, jamais alcançaremos o conhecimento perfeito? do quinto. Acrescentemos que esses elementos pretendem exprimir, com a debilidade irremediável de nossa linguagem?, não apenas as qualidades do ser, como também sua essência?. Por isso mesmo, nenhuma pessoa? de senso? confiará seus pensamentos? a tal veículo, principalmente se este for fixo, como é o caso dos caracteres? escritos.

O exemplo anterior precisará ser bem? compreendido. Cada círculo concreto?, fabricado no torno ou simplesmente desenhado é cheio de tudo o que contraria o quinto, pois em todas as suas partes ele roça de leve na linha reta ; mas o círculo em si mesmo, é o que afirmamos, não contém nem muito nem pouco de natureza contrária à sua. Declaramos outrossim que nenhum desses nomes fixo e que nada impede de rifarmos o qualificativo de retas às coisas que presentemente denominamos curvas, ou o de curvas às que chamamos retas, não vindo a ficar, com isso, os nomes menos fixos depois de trocarmos sua aplicação, pois cada uma passaria a significar precisamente o seu, contrário. O mesmo, é válido para a definição, por ser constituída de substantivos e verbos, em que nada há absolutamente firme. Ademais, poder-se-ia provar de mil maneiras diferentes a obscuridade desses quatro elementos ; porém a mais convincente demonstração? é a que mencionamos há pouco : como há dois princípios?, a essência e a qualidade?, o que a alma procura conhecer não é a qualidade, mas a essência. Ora, justamente o que cada um dos quatro elementos apresenta à alma, nos raciocínios e nos fatos, é o que ela não procura, e como tudo o que é expresso ou manifesto é facilmente refutável pelos sentidos, todo o mundo?, por assim dizer, se enche de obscuridades e de incertezas. Nas coisas em que, de regra?, não procuramos a verdade, por motivo? de educação? viciosa, contentando-nos com a primeira imagem que se apresente, sem, com isso, cairmos no ridículo, ficamos em condições de responder aos que nos interrogam, pelo fato? de rejeitarmos e contestarmos esses quatro elementos. Porém, quando, em nossa resposta, somos obrigados a nos referirmos ao quinto elemento?, quem conhecer a arte? de refutar basta querer para levar a melhor e convencer à maioria dos ouvintes que quem expõe sua doutrina por meio? de discursos, de escritos ou de respostas, nada entende do que se propõe falar? ou escrever. Mas, o que eles não sabem é que não é o espírito? do escritor ou do orador que se refuta, senão a natureza de cada um dos quatro elementos, essencialmente defeituosa. É à força? de considerá-los, subindo e descendo de um para outro, que se gera com muito trabalho? no espírito naturalmente capaz, o conhecimento do que por natureza é certo. Mas, se as disposições naturais não forem boas, como é o caso da maioria das almas com o que diz respeito ao conhecimento do que denominamos costumes?, ou se essas disposições estiverem corrompidas, gente assim nem o próprio Linceu deixará vendo. Numa palavra? : quem lhe faltar afinidade com o objeto, a esse nada fará ver, nem memória? excelente nem facilidade de espírito, pois a visão? não se forma em condições desvantajosas. Por isso mesmo, nem os que não têm afinidade nem laços naturais com o justo e tudo quanto é belo, ainda que dotados de boa memória e facilidade de aprender, nem os que possuem essa afinidade porém são remissos para o estudo? e de fraca retentiva : nem estes nem aqueles chegarão a aprender sobre a virtude? e o vício? toda a verdade que é possível conhecer. Porque é de necessidade forçosa aprender os dois ao mesmo tempo?, a respeito do ser em universal? : o falso? e o verdadeiro?, o que demanda tempo e trabalho, conforme disse no começo?. Só depois de esfregarmos, por assim dizer, uns nos outros, e compararmos nomes, definições, visões, sensações, e de discuti-los nesses colóquios amistosos em que perguntas e respostas se formulam ; sem o menor ressaibo de inveja, é que brilham sobre cada objeto a sabedoria? e o entendimento?, com a tensão? máxima? de que for capaz a Inteligência Humana.

Eis a razão de todo homem? de senso abster-se de escrever sobre esses temas sérios e de expô-los à inveja e à incompreensão do público?. Daí, podermos tirar a seguinte conclusão : quando vemos alguma composição escrita?, ou seja de um legislador, a respeito de leis, ou de outro indivíduo? sobre assunto diferente, é certeza? não ter? o autor levado muito a sério o seu trabalho, ainda mesmo que se trate de um sujeito? grave, por haver ficado retido o pensamento? na porção mais nobre de sua alma. Mas, se, de fato, o confiou à escrita, como coisa da mais alta importância, então, é que os humanos, não os eternos do Olimpo, fizeram que ele o juízo? perdesse. [...] (p. 155-159)

Luc Brisson

[...] Pourtant, il y a au moins une chose que je puis affirmer avec force, concernant tous ceux qui ont écrit ou qui écriront, ceux qui tous se déclarent compétents sur ce qui fait l’objet de mes préoccupations, soit qu’ils en aient entendu parler par moi ou par d’autres, soit qu’ils prétendent en avoir fait eux-mêmes la découverte ; ces gens, du moins c’est mon avis, ne peuvent rien comprendre en la matière. Là-dessus, en tout cas, de moi en tout cas, il n’y a aucun ouvrage écrit, et il n’y en aura même jamais, car il s’agit là d’un savoir qui ne peut absolument pas être formulé de la même façon que les autres savoirs, mais qui, à la suite d’une longue familiarité avec l’activité? en quoi il consiste, et lorsqu’on? y a consacré sa vie, soudain, à la façon de la lumière qui jaillit d’une étincelle qui bondit, se produit dans l’âme et s’accroît désormais tout seul. Pourtant, il y a au moins une chose que je sais bien, c’est que, par écrit ou oralement, c’est moi qui aurais le mieux exposé la chose ; et que, à coup sûr, si l’écrit était mauvais, ce n’est pas moi qui en éprouverais le moins de peine. Mais si je croyais qu’il fallait que la chose fût mise par écrit d’une façon qui convienne au grand nombre, et qu’elle pouvait être mise en formules, quelle œuvre plus belle que celle-là eussions-nous pu réaliser au cours de notre vie : confier à l’écrit ce qui représente une grande utilité pour l’humanité et amener la nature à la lumière, pour que tous puissent la voir ? Mais l’entreprise dont je parle relativement à ces questions, n’est pas, à mon avis une bonne chose pour l’humanité, si e ce n’est pour un petit nombre, tous ceux à qui une courte démonstration suffit pour trouver eux-mêmes ce qu’il en est ; quant aux autres hommes assurément, on remplirait les uns, sans convenance aucune, d’un mépris injustifié, et les autres d’un espoir hautain et vain, en raison de la sainteté des enseignements qu’ils ont reçus.

D’ailleurs, j’ai l’intention de m’étendre encore plus longuement sur cette question. Peut-être, en effet, l’un des points que je traite deviendra-t-il plus clair, lorsque j’en aurai parlé. Car il est une doctrine vraie qui condamne celui qui ose écrire la moindre chose de ce genre, doctrine que j’ai souvent exposée dans le passé, mais dont, semble-t-il bien, il y a lieu de parler à présent encore.

Pour tout ce qui est, trois facteurs doivent être présents, qui permettent d’en obtenir la connaissance : le quatrième est la connaissance elle-même ; en cinquième lieu, il faut placer ce qui est précisément l’objet de la connaissance et ce qui existe vraiment. Premier facteur, le nom ; second facteur, la définition ; troisième facteur, la représentation ; quatrième facteur, la science. Cela étant, si tu souhaites comprendre ce qui vient d’être dit, envisage la chose dans un seul cas et considère qu’il en est ainsi dans tous les cas. « Cercle », voilà quelque chose dont on parle, qui a pour nom le mot même que nous venons de prononcer. Vient en second lieu sa définition, qui se compose de noms et de verbes : « ce dont les extrémités se trouvent en tous points à égale distance du centre ». Voilà en effet quelle serait la définition de ce qui a précisément pour nom « rond », « circonférence » ou « cercle ». En troisième lieu, il y a ce qu’on dessine et ce qu’on efface, ce qu’on fabrique au tour et ce que l’on détruit : ces affections, le cercle en soi, auquel elles se rapportent toutes, n’en éprouve aucune, parce qu’il en diffère. En quatrième lieu, il y a la connaissance, l’intellection et l’opinion vraie relatives à ces choses. Or tout cela doit, cette fois, être tenu pour un seul facteur, qui a son existence non dans les sons, pas davantage dans les figures matérielles, mais dans les âmes, par où il est manifeste qu’il s’agit là de quelque chose qui diffère et de la nature du cercle en soi et des trois autres éléments dont il a été question plus haut. Mais, parmi ceux-ci, c’est l’intellection qui, pour ce qui est de la parente et de la ressemblance, se rapproche le plus du cinquième, tandis que les autres s’en éloignent davantage.

Il en va de même, bien sûr, pour la figure, aussi bien droite que circulaire, pour la couleur, pour le bien, le beau et le juste, pour tout corps, qu’il ait été fabriqué ou qu’il soit un produit de la nature, pour le feu, l’eau et pour tout ce qui est tel, pour tout ce qui vit sans exception et pour tout ce qui se rapporte à l’âme à titre de caractère, et pour absolument tout état d’activité et de passivité. En ce qui concerne ces choses, quiconque en effet n’a pas d’une façon ou d’une e autre saisi ces quatre facteurs, n’obtiendra jamais une connaissance parfaite du cinquième.

A ces considérations, il faut assurément ajouter celle-ci : les facteurs en question ont pour tâche de manifester, dans le cas de chaque chose, tout autant qu’elle est telle ou telle que ce qu elle est, en se servant de cet instrument déficient qu’est le langage. Voilà pourquoi aucun homme sensé n’osera jamais affliger de cette déficience les choses qu’a contemplées son intellect, et cela en les frappant de paralysie, infirmité dont souffrent effectivement les caractères écrits.

Or, pour comprendre ce que je vais dire, il faut faire retour sur ce point. Chaque cercle, qui fait partie des cercles dessinés ou fabriqués au tour par la main de l’homme, est plein de ce qui est le contraire du cinquième - car en tous ses points il est tangent à une droite — tandis que le cercle en soi, nous l’affirmons, n’a ni peu ni prou de la nature qui est contraire à celle qui lui est inhérente. En outre, le nom de ces choses, déclarons-nous, ne représente rien de stable pour aucune d’entre elles ; rien n’empêche d’appeler « droit » ce qui est maintenant appelé « rond », et d’appeler « rond » ce qui est effectivement appelé « droit », et il n’y aura pas moins de stabilité pour ceux qui se seront rétractés et qui auront adopté la dénomination contraire. A coup sûr, on en dira encore autant de la définition à tout le moins : puisque justement elle se compose de noms et de verbes, il n’y aura en elle rien de stable qui puisse être considéré comme étant suffisamment stable. Or, d’un autre côté, il y a mille façons de montrer l’obscurité qui s’attache à ces quatre facteurs, mais le plus important, ainsi que nous l’avons dit un peu plus haut, étant donné ces deux choses - ce qu’est une chose et le fait qu’elle est telle ou telle -, ce n’est pas « le fait d’être tel ou tel », mais le « ce que c’est » que cherche à connaître l’âme. Chacun de ces quatre facteurs, en proposant à l’âme, en actes et en paroles, ce qu’elle ne cherche pas, en lui présentant chaque fois, que ce soit en le disant ou en le montrant, ce qui peut toujours être facilement réfuté par la sensation, remplit, pour ainsi dire, tout homme d’une perplexité et d’une incertitude totales.

Cela étant, dans le cas où, par suite d’une mauvaise éducation, nous n’avons pas non plus été accoutumés à rechercher la vérité, et où nous nous contentons de la première image venue, nous ne devenons pas un objet de risée les uns pour les autres, ceux à qui sont posées les questions pour ceux qui les posent, parce que ces derniers auraient la capacité de disloquer ces quatre facteurs et de mettre en œuvre une réfutation. Au contraire, s’il arrive que nous soyons forcés de répondre par le cinquième facteur et de le produire, quiconque est apte à la controverse l’emporte, dès lors qu’il le souhaite ; et, aux yeux de la plupart de ceux qui lui prêtent l’oreille, il fait passer celui qui donne des explications, que ces explications prennent la forme d’un exposé oral ou écrit ou celle d’un dialogue, pour quelqu’un qui ne connaît rien concernant la question sur laquelle il s’est proposé d’écrire ou de parler, attendu que parfois les auditeurs ignorent que ce n’est pas l’âme de celui qui écrit ou qui parle qui est réfutée, mais la nature de ces quatre facteurs, nature essentiellement inférieure.

Or le procédé qui consiste à passer tous ces facteurs en revue, en un mouvement de va-et-vient de l’un à l’autre, fait, après beaucoup d’efforts, naître la connaissance que possède celui dont le naturel est bon chez celui qui a un bon naturel. Mais si ce naturel est mauvais, comme l’est la disposition de l’âme de la plupart des gens pour ce qui est d’apprendre et à l’égard de ce qu’on appelle les mœurs - lesquelles sont par ailleurs corrompues —, même Lyncée ne pourrait faire que de telles gens voient. Or, en un mot, celui qui ne présente aucune affinité avec cette activité, ni la facilité à apprendre ni la mémoire ne pourront jamais faire qu’il voie, car, pour commencer, ce n’est pas quelque chose qui apparaît dans des dispositions (de l’âme) étrangères (à cette activité). Par suite, qu’il s’agisse de ceux, aussi nombreux soient-ils, qui n’ont pas de propension naturelle et d’affinité pour ce qui est juste et pour tout ce qui en outre est beau, même si par ailleurs ils ont à la fois de la facilité pour apprendre et une bonne mémoire, ou qu’il s’agisse de tous ceux qui, ayant de l’affinité (avec ce qui est juste et bon) éprouvent de la difficulté à apprendre et à se souvenir, aucun de ces gens-là n’apprendra jamais, pas plus sur la vertu que sur le vice, la vérité qu’il est possible (de connaître). Car c’est en même temps qu’il faut apprendre cela, tout comme c’est en même temps qu’il faut apprendre le vrai et le faux sur l’être dans sa totalité, après y avoir accordé tous ses soins et beaucoup de temps, comme je le disais au début.

Or, après beaucoup d’efforts, lorsque sont frottés les uns contre les autres ces facteurs pris un à un : noms et définitions, visions et sensations, lorsqu’ils sont mis à l’épreuve au cours de contrôles bienveillants et de discussions où ne s’immisce pas l’envie, vient tout à coup briller sur chaque chose la lumière de la sagesse et de l’intelligence, avec l’intensité que peuvent supporter les forces humaines.

Voilà bien pourquoi aucun homme sérieux qui s’occupe de questions sérieuses, ne se risquera jamais, tant s’en faut, à faire tomber en écrivant de pareilles questions dans le domaine public, où elles seront exposées à l’envie et à la perplexité. En conséquence, il faut donc, en un mot, chaque fois qu’on voit des ouvrages écrits par quelqu’un, que ce soit par un législateur sur les lois ou par qui que ce soit d’autre sur n’importe quel sujet, considérer qu’il ne s’agit pas là de ce qu’il y a de plus sérieux pour lui, si toutefois il est lui-même un homme sérieux, mais (que ce qu’il y a de plus sérieux pour lui) se trouve, je suppose, dans la partie de lui-même qui est la plus belle. A supposer, au contraire, que ce soit ce qu’il prend réellement au sérieux qu’il a confié à l’écrit, « alors oui, c’est donc que » non point les dieux, mais les mortels « lui ont eux-mêmes complètement ruiné l’esprit » [1].


Voir en ligne : CARTAS DE PLATÃO


[1Iliade, VII 360 et XII 234.