PhiloSophia

PHILO = Apreço + SOPHIA = Compreensão

Version imprimable de cet article Version imprimable

Accueil > Oriente > Balsekar : Nisargadatta sobre sofrer

POINTERS FROM NISARGADATTA

Balsekar : Nisargadatta sobre sofrer

THE SUFFERING OF EXPERIENCE

vendredi 24 janvier 2020

BALSEKAR, Ramesh. Pointers from Nisargadatta. Durham : Acorn, 1982, p. 155-157

nossa tradução

Uma das visitas naquela manhã, uma dama, ficou muito comovida com a condição de Maharaj e com a maneira como ele estava sentindo sua dor estoicamente. Ela pensou que a dor física poderia ser ainda pior que a morte. Ela não pôde deixar de contar a Maharaj : Senhor, não tenho medo da morte, mas tenho um medo terrível da dor física. Por favor me diga como poderia me livrar desse medo ?

Maharaj riu e disse : Receio não poder ajudá-la por aí, mas tenho certeza de que existem muitos outros que conhecem os métodos de evitar ou diminuir a dor física. Tudo o que posso fazer é te explicar o que é o próprio sofrimento e quem sofre.

Sempre deves ir à raiz do problema. Quando começou a experiência do sofrimento ? Tens alguma lembrança de algum sofrimento, digamos, cem anos atrás ? Quando a experiência começou ? Penses profundamente nisso, para que as respostas a essas perguntas surjam dentro de ti sem nenhuma palavra. É a vida - vivendo a si mesma - diferente de experienciar ; experienciando em duração, momento a momento expandido na horizontal ? E o que está experienciando ? Não está reagindo a um estímulo externo que é interpretado pelos sentidos como uma experiência - agradável e aceitável, ou desagradável e inaceitável. Não se experiencia sofrimento - se sofre uma experiência agradável ou desagradável.

Agora, a pergunta básica com a qual deves se preocupar é : quem (ou, mais apropriadamente o que) é que sofre uma experiência ? Deixe-me dizer-lhe imediatamente : ’Eu’ não sofro (não posso sofrer) qualquer experiência, agradável ou desagradável ; é apenas um ’tu’ ou um ’eu’ que sofre uma experiência. Este é um pronunciamento muito importante e você deve refletir profundamente sobre isso.

Eu realmente deveria deixar você resolver esse problema por conta própria, ou melhor, deixar o problema resolver por si mesmo ! Mas vamos prosseguir. Não posso sofrer nenhuma experiência, porque sou pura subjetividade sem o menor traço de objetividade, e apenas um objeto? pode sofrer. Um ’eu’ ou um ’tu’ é um objeto e, portanto, sofre experiência. Além disso, como qualquer outro objeto, um ’eu’ ou um ’tu’ não podem ter substância e, portanto, podem existir apenas como um conceito na consciência?. Além disso, nunca esqueça que é apenas a consciência que pode sofrer, porque qualquer reação a um estímulo, que é o que é experienciar, só pode ocorrer através da consciência. De fato, portanto, consciência e sofrimento são idênticos e não são de forma alguma diferentes. Reflita sobre esse ponto muito significativo.

O que digo, acharás bastante difícil de entender porque te identificastes com o corpo, o aparato psicossomático pelo qual uma experiência é sofrida, o instrumento no qual a experiência sofrida é registrada. Perdestes tua identidade com a pura subjetividade, o Absoluto? que realmente és, e te identificastes erroneamente com o objetivo ’eu’ ; por conseguinte, dizes ’eu sofro’ e, portanto, estás ’limitado’.

Entendes o que tenho dito ? Estás ciente da minha verdadeira identidade como intemporalidade, infinito, subjetividade - portanto, não sofro e não posso sofrer. Estou ciente de que é a consciência que aparentemente sofre uma experiência através do aparato sensorial. Por outro lado, acreditas que és o aparato sensorial e é essa tua identidade equivocada que é a causa do teu sofrimento e da tua escravidão.

Enquanto houver consciência funcionando, mantendo o aparelho sensorial funcionando, também haverá vida, experiência, sofrimento - positivo ou negativo. Mas tu, como ’eu’, és apenas o testemunhar de tudo. Todo funcionamento é a expressão objetiva de o-que-sou subjetivamente, e todo ser sensível pode dizer o seguinte : o-que-sou não pode sofrer nenhuma experiência, apenas um objetivo ’tu’ ou ’eu’ pode sofrer uma experiência.

Original

One of the visitors that morning, a lady, was very much moved by Maharaj’s condition and the way he was bearing his pain stoically. She thought that physical pain could be even worse than death. She could not help telling Maharaj : Sir, I am? not afraid of death, but I have a dreadful fear of physical pain. Please tell me how I could get rid of this fear ?

Maharaj laughed and said : I am afraid I cannot help you there, but I am sure there are many others who know the methods of avoiding or lessening physical pain. All I can do is to explain to you what suffering itself is and who suffers.

You must always go to the root of the problem. When did the experience of suffering first start ? Do you have any memory of any suffering, say, a hundred years ago ? When did the experience start ? Think about it deeply so that the answers to these questions would arise within yourself without any words. Is life — living itself — other than experiencing ; experiencing in duration, moment to moment stretched horizontally ? And what is experiencing ? Is it not reacting to an outside stimulus which is interpreted through the senses as an experience — pleasant and acceptable, or, unpleasant and not acceptable. One does not experience suffering — one suffers an experience, pleasant or unpleasant.

Now, the basic question you should be concerned with is : Who (or, more appropriately what) is it that suffers an experience ? Let me tell you straightaway : ‘I’ do not (cannot) suffer any experience, pleasant or unpleasant ; it is only a ‘you’ or a ‘me’ who suffers an experience. This is a very important pronouncement and you should ponder over it deeply.

I should really let you solve this problem for yourself, or rather, let the problem work itself out ! But let us proceed. I cannot suffer any experience, because I am pure subjectivity without the slightest trace of objectivity, and only an object can suffer. A ‘me’ or a ‘you’ is an object and, therefore, suffers experience. Also, like any other object, a ‘me’ or a ‘you’ can have no substance and, therefore, can exist only as a concept in consciousness. Further, never forget that [156] it is only consciousness which can suffer because any reaction to a stimulus, which is what experiencing is, can only take place through consciousness. Indeed, therefore, consciousness and suffering are identical and not in any way different. Ponder over this very significant point.

What I say you will find rather difficult to grasp because you have identified yourself with the body, the psychosomatic apparatus through which an experience is suffered, the instrument in which the suffered experience is registered. You have lost your identity with ’pure subjectivity, the Absolute that you truly are, and have mistakenly identified yourself with the objective ‘me’ ; therefore you say ‘I suffer’, and therefore you are ‘bound’.

Do you understand what I have been saying ? I am aware of my true identity as intemporality, infinity, subjectivity — therefore I do not and can not suffer. I am aware that it-is consciousness that apparently suffers an experience through the sensorial apparatus. You, on the other hand, believe that you are the sensorial apparatus and it is this mistaken identity of yours that is the cause of your suffering and your bondage.

So long as there is consciousness functioning, keeping the sensorial apparatus working, there will also be living, experiencing, suffering — positive or negative. But you, as ‘I’, are only the witnessing of it all. All functioning is the objective expression of what-I-am subjectively, and every sentient being can say this : What-I-am cannot suffer any experience, only an objective ‘you’ or ‘me’ can suffer an experience.


Voir en ligne : POINTERS FROM NISARGADATTA