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Olho

segunda-feira 28 de março de 2022

    

VIDE: percepção - PERCEPÇÃO; sensação   - SENSAÇÃO; experiência - EXPERIÊNCIA; VER; visão   - VISÃO; ADAEQUATIO REI ET INTELLECTUS  ; Olho Triângulo - OLHO NO TRINGULO; Olho do Coração   - OLHO DO CORAÇÃO; Olho de Shiva   - OLHO DE SHIVA  
Os olhos corporais como outros órgãos dos sentidos estão em sympatheia   - sintonia com um mundo físico, co-respondem a este nível de mundo, constituindo sobre ele a camada de um mundo sensível  , considerado pela antiga filosofia grega, segundo o termo aisthesis. Sobre este mundo sensível constitui-se, por sua vez, um mundo dos fenômenos - mundo perceptível, considerado pelos gregos segundo o termo empeiria  . Nestes canais (sensoriais, sensíveis e perceptíveis) de duas mãos, percorrem impressões submissas à imaginação   e ao pensamento. Este conjunto   gerador de impressões é o que se denomina experiência. Segundo Rupert Spira  , a consciência   é aquilo EM QUE a experiência fenômeno - aparece, COM QUE a experiência conhecimento - é conhecida, DE QUE a experiência substância   - é feita. Ao me situar, me posicionar, mim   mesmo - afirmar a mim mesmo na experiência, desconsiderando à verdade, enquanto des-encobrimento   da consciência, dar-se - no que se dá, somos levados por esta pathos   - paixão do orgulho  , ao sonho   da separação  . Eis a queda  , eis o pecado   original...

EVANGELHO DE JESUS  : OLHOS BONS; ABRIRAM-SE OS OLHOS

PERENIALISTAS
René Guénon: Olho Triângulo - OLHO

Frithjof Schuon  : Schuon Olho - OLHO (trad. Antonio Carneiro)

O olho, em razão de sua correspondência particularmente adequada com o Intelecto, se presta, por assim dizer, espontaneamente ao simbolismo tradicional, e o encontra, qualquer que seja, em graus de importância muito diversos, na simbolismo - linguagem simbólica de todas as Religião - Revelações. Os outros sentidos - órgãos sensoriais — ou mais geralmente as faculdades   que os veiculam — são suscetíveis, é fato, de aplicações análogas, mas, de uma alçada menos central, poder-se-ia dizer: correspondem mais às funções distintas e pertinentes, secundárias da inteligência, ou ainda à modos   fundamentais de receptividade e de cognição - assimilação   cognitiva, o que significa que demonstram menos diretamente que o olho — ou a visão — a analogia   entre os aisthesis - conhecimentos sensível e gnosis   - espiritual; somente a visão representa, dentre as sentidos - faculdades de sensação, o Intelecto concebido como tal e em seu princípio. Esta correspondência evidente   entre a visão e o Intelecto mantém-se ao caráter estático e total daquela: a visão realiza, com efeito, de uma maneira simultânea, — e ao mesmo título que o espaço, que lhe corresponde entre as condições da existência corporal, — as muitas possibilidades as mais expandidas no domínio   do aisthesis - conhecimento sensível, enquanto que os outros sentidos não reagem senão sob as influências tendo uma relação com a sensação - sensibilidade vital; é necessário, entretanto, fazer exceção à audição   que, ela, reflete a intelecção, não só estática e simultânea, mas, dinâmica e sucessiva, e que, por relação à visão, representa um papel que poder-se-ia chamá-lo lua   - lunar; é por isso que se acha ligada, não só ao espaço, mas ao tempo, o som - audível se situando totalmente na duração. O que quer que seja, a sensação a mais importante — ou digamos aquela que é intelectualmente a mais explícita — é incontestavelmente aquela da luz, qual que possa ser alhures a importância do som - som primordial e dos odor - perfumes, gostos e toques espirituais ; somente a visão nos comunica a existência   de astros - corpos celestes incomensuravelmente distantes e perfeitamente estranhos a nossos interesses vitais, e pode-se então dizer que somente ela é essencialmente objetiva. É, por consequência, mais que natural, comparar a luz   ao conhecimento e a obscuridade à ignorância, e é o que explica o extenso uso que fazem as línguas mais diversas, e acima de tudo, os Escrituras   - Textos sagrados, do simbolismo da luz e da visão de uma parte, e daquele da obscuridade e da cegueira de outra parte.

Ananda Coomaraswamy  : Coomaraswamy Corpo Olhos - CORPO E OLHOS; Coomaraswamy Olhos - OLHOS; Coomaraswamy Sopros Canais - SOPROS E CANAIS
En el aspecto de este simbolismo que se refiere a la condición temporal, el Sol y el ojo derecho corresponden al futuro, la Luna y el ojo izquierdo al pasado; el ojo frontal corresponde al presente  , que, desde el punto de vista de lo manifestado, no es más que un instante   inaprehensible, comparable a lo que es en el orden espacial, el ponto - punto geométrico sin dimensiones: por eso es por lo que una mirada de este tercer ojo destruye toda manifestación ( lo que se expresa simbólicamente diciendo que lo reduce todo a cenizas ), y es por eso también por lo que no es representado por ningún órgãos dos sentidos - órgano corporal; pero, cuando uno se eleva por encima de este punto de vista contingente, el presente contiene toda realidad ( de igual modo que el punto encierra en sí mismo   todas las posibilidades espaciales ), y cuando la sucesión se transmuta en simultaneidad, todas las cosas permanecen en el «eterno presente», de suerte que la destrucción aparente es verdaderamente la «transformación». Este simbolismo es idéntico al del Janus - Janus Bifrons de los latinos, que tiene dos rostros, uno vuelto hacia el pasado y el otro hacia el porvenir, pero cuyo verdadero rostro, el que mira el presente, no es ni uno ni el otro de los que se pueden ver. — Señalamos también que las nadis   principales, en virtud de la misma correspondencia que acaba de indicarse, tienen una relación particular con lo que se puede llamar, en el lenguaje occidental, la «Alquimia   - alquimia humana», donde el organismo es representando como el athanor hermético, y que, aparte de la terminología diferente empleada por una y otra parte, es muy comparable al Hatha-yoga  .


THEOSOPHIA   Jacob Boehme  : Boehme Deghaye   - O NASCIMENTO DE DEUS  

A Divindade   aparece dotada de visão antes mesmo de se engajar no ciclo   de sua manifestação. A este nível, Boehme a apresenta como um olho. A Divindade está inteiramente neste olho que é menos um órgão que uma visão. Toda beatitude   divina está na visão simbolizada pela Boehme Deghaye Sabedoria   - Sabedoria em que Deus pôs toda sua complacência. Deus vê pela Boehme Deghaye Sabedoria - Sabedoria que aparece logo no princípio de suas vias, antes mesmo que se engaje o Boehme Septenario - ciclo septiforme. Este último começa com as trevas. Há logo uma visão que precede as trevas e que simboliza a Boehme Deghaye Sabedoria - Sabedoria. Esta concepção, precisemos, não se encontra ainda na primeira obra de Boehme, Boehme Aurora   - AURORA NASCENTE. Ela se elabora ulteriormente. Nós a desenvolveremos nos dois   capítulos consagrados à Boehme Deghaye Sabedoria - Sabedoria.

Parece que se possa considerar esta visão primordial ao nível da Deidade suprema e independentemente do Boehme Septenario - ciclo de sua emanação   septiforme. Mas de fato o olho aparece em um momento onde a Divindade se prepara para sair dela mesma para inaugurar este ciclo, onde este movimento   já se principia. O olho primordial representado pela Boehme Deghaye Sabedoria - Sabedoria hipostasiada se situa no limiar mesmo da manifestação divina. A visão que simboliza, prefigura o desejo que ela vai engendrar, ela disto é inseparável. A visão desperta o desejo, ela não se concebe sem ele. Ela não poderia ser o fato de uma Divindade repousando nela mesma, se bastando a ela mesma em um estado   de pura indeterminação.

Desde o momento que a Divindade aparece como um olho, ela já se duplicou para dar nascimento a sua Emanação - emanação. O nascimento da Boehme Deghaye Sabedoria - Sabedoria é o princípio desta duplicação. A Boehme Deghaye Sabedoria - Sabedoria é por excelência o símbolo da Divindade que se comunica. Temos agora dois aspectos do Divino: por um lado um Absoluto incomunicável, por outro, uma Divindade que se extravasa para se revelar.