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Qohelet

segunda-feira 28 de março de 2022

    

Perenialistas
Jacques Bonnet

  • Études Traditionnelles   485, 1984
    Apresentando uma conferência de Armand Abecassis, Bonnet começa pelo questionamento surpreendente se o Eclesiastes seria um hino à felicidade  ? A palavra Qohelet, seu título em hebraico, é um enigma  : Qohelet é um rei, filho   de Davi,. Ora esta palavra tem um terminação feminina: qahal é a comunidade religiosa, qohelet é um membro qualquer desta comunidade, um sábio   que se associa à espiritualidade de Davi e coloca diante da Assembleia   o problema de Israel   e de sua Lei, em face   da Sabedoria   das nações. Na época em que esta obra foi escrita, a Sabedoria dos sábios tinha sucedido a do Profeta   dos profetas.

Vaidade  ”, hbr. hevel: “Vaidade das vaidades, diz Qohelet, vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. A Tradição   judaica   liga esta palavra ao número   sete: a soma de sua letras é 37. Contando o plural havalim para dois  , hevel figura sete vezes no versículo acima, 37 vezes (seu número) no Eclesiastes e 70 vezes na Torah  .

hevel significa “argila”, “sopro”, “vapor”, algo de passageiro  , de inconsistente. É o nome de Abel  , aquele só é definido como o irmão de Caim. É, diz Armand Abecassis, “ausência  ”, não revelação, angústia  , vazio   fecundo”.

Também a imagem dada pelos judeus é aquela de um vapor produzido por uma marmita que se se escapando esquenta uma outra marmita situada acima da primeira, e de novo o vapor produzido por esta segunda marmita esquenta uma terceira e assim por diante até a sétima. Mas acima da sétima não há nada, e se perde no vazio. Ora este é o tema fundamental de Qohelet: “O homem   está na terra   para buscar a felicidade, ora o peso de toda a felicidade é nulo, pois tudo é aspiração. A felicidade está no desejo do infinito  ...”

“Tudo é vaidade”: “Tudo”, em hebreu kpl, serve aos místicos para designar o mundo. Gershom Scholem   falando da mística de Isaac o Cego   (fina do séc. XII, início do XIII) identifica kol à Sophia, à Sabedoria das nações. É a sabedoria daqueles só conhecem Deus   sob o nome de Elohim  , os “Deuses”, enquanto o atributo de Sabedoria, sob o nome Hokmah, Sabedoria se comunicando à elite de Israel, surge do Não-Ser ou “Nada” divino, Ain, segundo Jó 28,12.

Kol, tudo como hevel, vaidade, está ligado ao número sete (tem por número 50, quer dizer o jubileu de sete shabbat). É a “distinção” das coisas; há sete dias na semana, sete maneiras   de entrar na Torah, segundo Hillel. A Torah ela mesma é sétupla se se juntam os cinco   livros do Pentateuco e os dois comentários (parasha) que são o Livre de Ietro (sogro de Moisés) e aquele de Bilam (Balaam), livros perdidos ou incorporados no Pentateuco.

O sentido interior do número sete se encontra nos atributos divinos  , Sephiroth, que são a princípio relacionados aos dias da semana. O domingo corresponde a Hesed, o amor, a segunda-feira a Gebura, o rigor, a terça a Tiferet, a Lei escrita, a quarta, a Netsah, a eternidade  , a quinta a Hod, a glória  , a sexta a Iesod, a circuncisão do Justo, o sábado a Malkhut, a realeza.

Quanto ao dia “messiânico”, ele é do Itron, que aparece, na sequência de Qohelet, sendo traduzido por “benefício” ou “vantagem  ”: Não há itron abaixo do sol”. Portanto há acima do sol.

Esta palavra itron vem da raiz ITR, que designa a abundância  . Iater é o “melhor”. Esta associada ao acadiano (w)ataru, que designa a “preeminência” em numerosos textos babilônicos.

Não se pode deixar de imaginar uma aproximação com Keter, a “Coroa”, o atributo divino supremo, tanto mais que a coroa se diz também atara (com um ain e um tet). A relação entre estas duas designações da coroa é aquele entre a primeira e a décima sefira, a mesma que entra a Soberania e a Realeza que é a realização   da Soberania.

Itron é o encontro com Deus sob o nome divino do Tetragrama  , YHWH, que está além do sol. Como Qohelet poderia falar de YHWH a homens que só conhecem? As sabedorias cosmológicas estão “sob o sol” (o que não impede que “os céus contem a glória de Deus”).

Todos os termos que apareceram como chaves nos primeiros versos de Qohelet se encontram nos últimos versículos. Há uma verdadeira “inclusão”. A primeira palavra , divre, se encontra também na “conclusão”: “A Palavra sendo finita, tudo compreendido, temas Elohim e observes seus mandamentos, pois é todo o homem”.
Armand Abecassis

  • Faivre   Sophia - Sophia e a Alma   do Mundo
    • Talvez este livro de Qohelet nos possa sugerir porque o hebreu não sentiu contradição entre a experiência do mundo e a experiência de Deus que no entanto não parecem se sobrepor. Ele sabia que o saber reunido pelo intelecto   buscava a verdade, enquanto o conhecimento visado pelo desejo era o mais certo meio de alcançar a felicidade. Mas os dois não se ontradizem e o sábio no Oriente Médio   foi sempre preocupado em formar seu ser segundo seu conhecimento.
      Philokalia  
  • ¿Por qué crías a un perro, si has manifestado no poseer nada? Si éste ladra y se echa sobre la gente, es claro que es porque uno tiene algo y quiere defenderlo. Y estoy bien seguro de que un hombre así está alejado de la oración pura, porque sé que la irascibilidad destruye esta oración. Y me asombra que olvides también a los santos, mientras David   grita: Cesa en tu ira   y deja la cólera (Sal 36:8). Y el Eclesiastés recomienda: Aleja la cólera de tu corazón, y quita la maldad de tu carne   (Qo 11:10), mientras el Apóstol nos ordena elevar, en todo tiempo y lugar, manos puras sin iras ni disputas (1 Tm 2:8). ¿Y por qué no aprendemos de la antigua y misteriosa costumbre de echar fuera de casa   a los perros en tiempo de oración? Ella nos demuestra, alegóricamente, cómo no debe existir cólera en el que reza. Pequena Philokalia   - Filocalia: Evagrio   el Monje Los sueños