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segunda-feira 28 de março de 2022

    

VIDE: GENNESIS; Criação - CRIAÇÃO; BERESHITH; GENESIS  ; POIEIN  ; ANTHROPOS  ; Filiação - FILIAÇÃO

Cristologia
Mestre Eckhart  : SERMÕES ALEMÃES, trad. ENIO PAULO GIACHINI

O sentido do ser do mundo medieval se chama filiação divina. Em sua estruturação ontológica se dá a subsunção do ser da existência artesanal medieval pelo sentido do ser da dinâmica filiação divina. Se evitarmos rigorosamente entender os termos constitutivos dessa dinâmica como, por exemplo, pessoa  , geração ou filiação e tudo que diz respeito à vida íntima de Deus  , portanto à Abgeschiedenheit  , a partir e dentro da compreensão que não venha a não ser dela mesma, e se tentarmos entender todas as outras compreensões do ser, a partir da Abgeschiedenheit, então o fantasma do panteísmo se esvai. E aparece a sonoridade de fundo, a partir e dentro da qual devemos ouvir   a toada universal   da presença   operativa, isto é, do wirken, do Werk e da Wirklicheit da bondade difusiva do Trindade   - Pai  -Filho-Espírito   em todos os entes, desde os mais sublimes até os mais insignificantes, como imenso, profundo e originário abismo   do encontro no Amor que nos amou e gerou primeiro.

A atuação de Deus, denominada criação e considerada apenas ou preferencialmente a partir e dentro do sentido do ser da existência artesanal, tem o correlativo agente dessa ação que se denomina Deus Criador. Essa consideração  , cuja perspectiva não leva em conta a subsunção e transformação   desse ser da existência artesanal pelo sentido do ser da filiação, denomina uma tal ação de atuação ad extra (para fora) de Deus, e aqui Deus é considerado quoad nos (referido a nós). Como o sentido do ser operante em uma tal criação e correspondentemente em seu agente, a saber, no Criador e no seu efeito Criatura, é o sentido do ser do ente   simplesmente dado como «coisa», todo o cuidado   a ser tomado é para que a aproximação e o contato Deus-Criatura não nos levem a um panteísmo. No momento em que se leva em conta a subsunção e transformação desse sentido do ser da existência artesanal através do sentido do ser da filiação, tudo muda, de tal forma que aqui a possibilidade de um panteísmo só surge se não se guardar com precisão o sentido do ser operante nessa nova concepção de Deus (Abgeschiedenheit), e na dinâmica da filiação que de lá eflui. Na leitura dos sermões de Eckhart é necessário guardar a precisão da ambiguidade  , onipresente nos seus textos, proveniente dessa subsunção «ontológica» realizada pelo sentido do ser da Abgeschiedenheit, do sentido do ser da criação e da causação.


Perenialistas Frithjof Schuon  : Schuon Esoterismo Principio Via - O Esoterismo   como Princípio e como Via Por certo, nada teríamos a objetar contra a «gratuidade» da criação, se isto significasse que Deus cria sem ser obrigado por outra força a não ser Ele mesmo. Mas essa «gratuidade» não pode significai verdadeiramente que Deus não obedece à sua própria natureza ao criar o mundo, isto é, que sendo Deus ele possa deixar de criar. A teoria hindu dos ciclos cósmicos - yuga  , maháyuga, kalpa, para - apresenta bastante explicitamente o ritmo criador que emana da própria natureza divina, isto é, deste poder resplandecente -Mâyâ - exigido pela infinidade do Princípio. E conhece-se esta ideia agostiniana; o bem, por definição, tende a comunicar-se; mas Deus é o Soberano Bem. ...a narração bíblica da criação do mundo material implica simbolicamente a descrição da cosmogonia integral, portanto, de todos os mundos, e mesmo a dos arquétipos eternos do cosmo. A exegese   tradicional e principalmente a dos cabalistas confirmam isso.

Leo Schaya  : Schaya Creatio - A CRIAÇÃO EM DEUS
A doutrina   da criação, comum às três religiões irmãs, difere, com efeito, segundo a interpretação exotérica ou esotérica — ou mística — da Escritura; trata-se de duas exegeses diferentes da Apocalipse   - Revelação, exegese que se deve distinguir  , por definição, da Palavra divina e que são adaptadas, por um lado, às faculdades   de compreensão média da massa   dos crentes e por outro lado, à inteligência   superior, à natureza contemplativa e intuitiva da elite espiritual. A Revelação divina mesma se leva em conta a necessidade   de sua adaptação às necessidades cognitivas desiguais dos homens: suas própria formulações se prestam a múltiplas interpretações, requeridas para responder às necessidades intelectuais e teleológicas dos fieis, necessidades de causalidade e de finalidade visando fundamentalmente a salvação   da alma   individual — sua coexistência bem-aventurada e paradisíaca com Deus —, e, em particular, a realização   espiritual de Sua Essência pelo seres prontos a se apagar e a se reintegrar nEla.

Pierre Gordon  : Gordon Imagem Mundo - A IMAGEM DO MUNDO NA ANTIGUIDADE  


Bíblia   Paul Nothomb  : Nothomb Criar - O VERBO «CRIAR» NO GÊNESIS
Filosofia Michel Henry  : Michel Henry Encarnação   - ENCARNAÇÃO O Gênese é a primeira exposição conhecida de uma teoria transcendental do homem. Por «transcendental», entendemos a possibilidade pura e apriórica da existência de algo tal como o homem. Trata-se da essência do homem, como se fala de uma essência do círculo  , quer dizer da possibilidade interior de algo como um círculo, sem se preocupar em saber quando os homens pensaram pela primeira vez em um círculo e não mais em um redondo, quando compreenderam sua idealidade, isto que é a idealidade em geral, etc. Da mesma maneira, a questão da condição interior de possibilidade de uma realidade tal qual a nossa nada tem a ver com a aparição histórica e factual dos homens sobre a terra  , com seu desenvolvimento empírico. Além do mais esta concepção da essência apriórica do homem marca   o momento onde se pôde falar de um homem pela primeira vez. Adão   é o primeiro homem neste sentido eminente em que é o arquétipo de todo homem concebível, esta essência do humano que se encontrará inevitavelmente em todo homem real.