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Alegoria Cupido Psique

segunda-feira 28 de março de 2022

      

Excertos traduzidos da Introdução da obra de Thomas Taylor  , «A FÁBULA DE CUPIDO E PISQUE».
Interpretação da Fábula «Cupido e Psique  »
A Psique, ou alma, é descrita como transcendentalmente bela; e isto de fato é verdade de cada alma humana, antes de profundamente se misturar a si mesma nas enganosas dobras da matéria obscura. No estágio seguinte, quando Psique é representada como descendo do ápice de uma altíssima montanha   a um belo vale, isto significa a descida da alma do mundo   inteligível para uma condição mundana de ser, mas no entanto sem abandonar seu estabelecimento nos Céus. Então o palácio que Psique contempla no vale é dito ser «uma casa   real, que não foi construída por mãos e arte humanas, mas divinas». As gemas, também, nas quais Psique é dita ter pisado por toda parte deste palácio, são evidentemente simbólicas das estrelas. Desta condição de ser mundana, no entanto celestial, as vozes incorpóreas que atendem Psique são também simbólicas: pois o discurso externo é a última imagem da energia intelectual, de acordo com a qual somente a alma opera no mundo inteligível. Como vozes, portanto, eles significam algo subordinado àquele que é inteligível, mas quando desnudados de corpo, eles também significam uma condição de ser superior a um dote terreno.

A Psique, nessa situação deliciosa, está casada com um ser invisível, a quem só ela reconhece por seus ouvidos e suas mãos. Este marido invisível prova em seguida ser Amor; ou seja, a alma, enquanto estabelecida nos Céus, está unida com puro desejo, (pois Amor é o mesmo que desejo) ou, em outras palavras, não está fascinada com formas exteriores. Mas neste lindo palácio ela é atacada pelas maquinações de suas duas irmãs, que empreendem a persuadi-la a explorar a forma de seu marido desconhecido  . As irmãs, portanto, significam imaginação   e natureza; da mesma maneira como razão é significada pela Psique. Suas estratagemas a longo prazo têm efeito, e Psique contempla e se apaixona de Amor; ou seja, a parte racional, através dos incentivos da fantasia e do poder vegetativo  , se torna unida com desejos impuros e terrenos; pois a visão é simbólica da união   entre o percebedor e a coisa percebida. Em consequência desta ilícita percepção Cupido, ou puro desejo, foge, e Psique, ou alma, é precipitada na terra  . É notável que Psique, depois de cair ao chão, é representada como tendo «um traço desequilibrado e chocado»; pois Platão  , no Fédon], diz, que a alma é atraída para o corpo com um movimento   incrível.

Depois disto começa as vagâncias de Psique, ou alma, em busca de Amor, ou puro desejo, de cujo abraço ela foi infelizmente afastada. No curso de sua jornada ela chega aos templos de Ceres   e Juno, cuja ajuda   a suplicante implora. Sua conduta, de fato, a este respeito, é altamente apropriada; pois Ceres compreende em sua essência Juno, que é a fonte   das almas; e a segurança da alma advém dela se converter às fontes divinas de seu ser.

No estágio seguinte Vênus é representada desejando que Mercúrio proclame através de todas as terras que Psique é uma de suas escravas que fugiu de seu serviço. Assim deu a ele uma caixinha na qual o nome de Psique estava escrito, e todas as peculiaridades a respeito dela. Vênus, entretanto, não deve ser considerada como a natureza da matéria; pois embora não seja a Vênus celestial, mas a filha de Dione  , no entanto ela é esse poder divino que governa todas as coordenações no mundo celestial e na terra, junta-as uma a outra, e aperfeiçoa suas progressões generativas através de uma conjunção afim. Como a Vênus celestial, portanto, separa a alma pura da geração, de modo que ela que procede de Dione junta a alma impura, como sua escrava legítima, à vida corporal.

Depois disto segue um relato das tarefas difíceis que Psique é obrigada a executar pelos mandos de Vênus; todas são imagens dos fortes tormentos e cuidados ansiosos que a alma deve necessariamente suportar depois de seu lapso, a fim de expiar sua culpa  , e recuperar sua antiga morada no mundo inteligível. Em cumprindo o último destes trabalhos ela é representada como forçada a descer até mesmo as escuras regiões de Hades  ; pelo qual é evidente   que Psique é a imagem de uma alma que desce ao próprio extremo das coisas, ou que faz a progressão mais extensa antes de retornar. Mas Psique, em retornando de Hades, é oprimida por um profundo sono, através de indiscretamente abrir a caixinha que lhe foi dada por Proserpina, na qual ela esperava encontrar uma porção de divina beleza, nela encontrou nada mais que um sono infernal. Isto significa obscuramente que a alma, considerando a vida corpórea como verdadeiramente bela, passa a um estado   profundamente dormente: e me parece que tanto Platão quanto Plotino   aludem a esta parte de nossa fábula.

Cupido no entanto como puro desejo aos poucos recuperando seu pristino vigor, acorda Psique, ou a alma, de sua letargia mortal  . Em consequência disto, tendo cumprido seus destinados tormentos, ela ascende a seu céu nativo, se torna legalmente unida com Cupido, (pois enquanto decadente sua união podia ser chamada ilegítima) vive a vida dos imortais; e o resultado natural   desta união com puro desejo é prazer e deleite. E assim encerra a breve explanação da fábula de Cupido e Psique.