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WHY LAZARUS LAUGHED

Wei Wu Wei (WLL68) : Que sou ?

§ 68

dimanche 12 janvier 2020

Excerto de WEI WU WEI Wei Wu Wei
Terence Gray
Terence James Stannus Gray (1895-1986)
. Why Lazarus laughed. Boulder : Sentient Publications, 2003, p. 88-91

nossa tradução

dois : Boas novas, velho amigo, o melhor de sempre.

um : Excelente. Isso quer dizer ?

dois : Sou realidade !

Um : Tão óbvio quanto teu nariz, mas parabéns por perceber.

dois : Fantástico ! Não tinha ideia de que a vida tinha tanta emoção ! Quero dançar, ou pular por sobre a lua. Sinto como se uma névoa tivesse levantado, como se um fardo insuportável tivesse sido tirado dos meus ombros.

primeiro : O conceito de EU é como ser amordaçado e amarrado a correntes, não é ?

dois : Sim, de fato. Há muito que acreditava que a coisa não existia, mas agora vim a conhecer. Que diferença !

um : ’Acreditar’ era apenas a pretensão usual ; sabendo que ainda é intelectual ; quando o experimentas, a gravidade não existe mais.

dois : Quando olho, quando falo, quando ouço, é realidade que olha, fala e ouve !

primeiro : Quem mais poderia haver para olhar, falar e ouvir ?

dois : Ninguém, mas não percebia. E o que olho, o que digo, o que ouço - é realidade !

um : Bobagem ; não é nada desse tipo !

dois : Como assim ? Então o que é ?

primeiro : O que olhas, dizes ou ouves é apenas uma interpretação da realidade em um meio dualista, e não tem nenhum ser-enquanto-tal reconhecível com a realidade, exceto em sua natureza? que não pode ser olhada, dita ou ouvida.

dois : E ainda assim o ’eu’ que olha, fala, ouve, é realidade ? Parece ilógico.

um : A realidade nada sabe de lógica ; nunca foi à escola.

dois : Mesmo assim. . . Mas é claro que deves estar certo ; pensando nisso, o que olho, digo e ouço não pode ser realmente real, pode ?

um : Não poderia. O que olhas, dizes e ouves consiste de objetos na consciência?, interpretações da realidade em um contexto de tempo, espaço e dualidade.

dois : Sim, sim, mas por quê ?

um : Porque, é claro, a realidade estando fora do tempo, sem espaço e não-dual - todos os quais são apenas conceitos - não pode ser percebida como é, por meio dessas limitações.

dois : Então como posso realmente ser percebido ?

um : Não podes - a menos que seja como um símbolo algébrico, ou, talvez, como relação, como harmonia, por exemplo ; és normalmente visto como um objeto? na consciência, dualisticamente no tempo e espacialmente como forma.

dois : Minha realidade, meu ser-enquanto-tal, só podem ser inferidos ?

primeiro : A inferência é inevitável, mas seu ser-enquanto-tal é imperceptível.

dois : Como, então, me torno perceptível ?

um : Por estar vestido ; és tu mesmo invisível, apenas tuas roupas são vistas.

dois : Minhas roupas ? Que roupas e de onde vêm ?

primeiro : Tuas roupas são qualidades projetadas sobre ti pelo pensamento dualista.

dois : Que tipo de qualidades ?

um : Todos os tipos - tamanho, peso, forma, cor, caráter. . .

dois : Mas essas são todas as estimações, funções de seus opostos, pontos em uma escala de valores imaginários, limitados pelo alcance de nossos sentidos, desprovidos de realidade intrínseca !

um : Vês isso claramente ; estás lendo o Sutra do Diamante – Assim ouvi. . . ’

dois : E despojado dessas estimações dualísticas, arbitrárias e irreais, o que sou ?

um : Um buraco no espaço.

dois : Como todo o resto ?

um : Como tudo o mais sensorialmente perceptível. Como todo o universo, percebido por nossos sentidos e suas extensões mecânicas.

dois : O ser-enquanto-tal de nenhum objeto pode ser percebido ?

um : Obviamente não.

dois : Mas o que são objetos, quando tudo é dito e feito ?

um : Objetivações da realidade da única maneira que a realidade pode ser objetivada, isto é, pela abordagem dualística, compreendendo a consciência e seus objetos - todos nós somos.

dois : E a consciência inclui todos os objetos ?

Um : Tudo o que é cognoscível. Nada está fora da consciência, pois não há fora disso.

dois : Como sujeito, sou sempre real ; como objeto, sou sempre relativo ?

um : Relatividade significa realidade vista dualisticamente como observador e observado.

dois : De repente, parece simples !

um : Complicações surgem apenas em problemas falsos.

dois : Como é possível identificar-se com um objeto, quando se se conhece como sujeito ?

um : Não é possível ! Identificaste-te com objeto em vez de te reconhecer como sendo também sujeito, isso é tudo.

dois : E no entanto estava eternamente dizendo ’eu’, como todo mundo !

um : Que ’eu’ era um objeto, nunca o sujeito real quando o usavas condicionalmente, esse é o motivo.

dois : Então é isso ; quando alguém compreende, percebe, sabe que se é EU-realidade. . . torna-se óbvio !

Um : Tão óbvio como um nariz !

Original

two : Great news, old chap, the greatest ever.

one : Excellent. That is to say ?

two : I am? reality !

one : As obvious as your nose, but congratulations on noticing it.

two : But it is terrific ! I had no idea life held such a thrill ! I want to dance, or jump over the moon. I feel as if a fog had lifted, as though an insupportable burden had been taken from my shoulders.

one : The I-concept is like being gagged, and bound with chains, is it not ?

two : Yes, indeed. I had long believed the thing did not exist, but now I have come to know it. What a difference !

one : ‘Believing’ it was only the usual pretence ; knowing? it is still intellectual ; when you experience it even gravity will no longer exist.

two : When I look, when I speak, when I listen, it is reality that looks and speaks and listens !

one : Who else could there be to look and speak and listen ?

two : No one, but I didn’t realise it. And what l see, what I say, what I hear—is reality !

one : Nonsense ; it is nothing of the kind !

two : What do you mean ? What is it then ?

one : What you see, say or hear is only an interpretation of reality in a dualistic medium, and bears no recognisable resemblance to reality except in its suchness which can neither be seen, said nor heard.

two : And yet the ‘I’ that sees, speaks, listens, is reality ? It seems illogical.

one : Reality knows nothing of logic ; it has never been to school.

two : Even so . . . But of course you must be right ; come to think of it, what I see, say and hear could not be really real, could it ?

one : It could not. What you see, say and hear consists of objects in consciousness, interpretations of reality in a context of time, space and duality.

two : Yes, yes, but why ?

one : Because, of course, reality being outside time, without space, and non-dual—all of which are concepts only—cannot be perceived as it is via those limitations.

two : Then how can I really be perceived ?

one : You cannot—unless as an algebraic symbol, or, perhaps, as relation, as harmony for instance ; you are normally seen as an object in consciousness, dualistically in time, and spatially as form.

two : My reality, my suchness, can only be inferred ?

one : The inference is inescapable, but your suchness is imperceptible.

two : How, then, do I become perceptible ?

one : By being clothed ; you yourself are invisible, only your clothes are seen.

two : My clothes ? What clothes, and where do they come from ?

one : Your clothes are qualities, projected on to you by dualistic thinking.

two : What kind of qualities ?

one : All kinds—size, weight, shape, colour, character . . .

two : But those are all estimations, functions of their opposites, points on a scale of imaginary values, limited by the range of our senses, devoid of intrinsic reality !

one : You see that clearly ; you have been reading the Diamond Sutra—‘Thus have I heard . . .’

two : And stripped of these arbitrary and unreal dualistic estimations, what am I ?

one : A hole in space.

two : Like everything else ?

one : Like everything else sensorially perceptible. Like the whole universe as perceived by our senses and their mechanical extensions.

two : The suchness of no object can ever be perceived ?

one : Obviously not.

two : But what are objects, when all is said and done ?

one : Objectivisations of reality in the only way reality can be objectivised, that is, by the dualistic approach, comprising consciousness and objects thereof—all of which we are.

two : And consciousness includes all objects ?

one : Everything that is cognisable. Nothing is outside consciousness, for there is no outside of that.

two : As subject, I am always real ; as object, I am always relative ?

one : Relativity meaning reality envisaged dualistically as Observer and observed.

two : Suddenly it seems simple !

one : Complications only arise in false problems.

two : How is it possible to identify oneself with an object, when one knows oneself as the subject ?

one : It is not possiblel You have been identifying yourself with an object instead of recognising yourself as being also the subject, that is all.

two : And yet I was eternally saying ‘I,’ like everybody else !

one : That ‘I’ was an object, never the real subject when you used it conditionally, that is the reason.

two : So that is it ; when one understands, realises, knows that one is I-reality . . . it becomes obvious !

one : As obvious as a nose !


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