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virtude

segunda-feira 28 de março de 2022

    

VIDE: ARETE  ; ALMA   VIRTUOSA; gratidão   - GRATIDÃO

Virtude: — Hábito   de praticar o bem, o que é justo, excelência moral; retidão  , força moral, ação virtuosa, força, vigor qualidade   ou poder, potencia, eficácia, etc.

Vemos, agora, com mais clareza  . Todavia, é preciso ir mais fundo. Leiamos de novo o significado da palavra. Somos informados de que ela vem do latim virtus, virtutis, com o sentido de vigor, robustez, força, valor  , coragem  , energia, poder, etc. [1] Por sua vez, o vocábulo deriva de vir, viri, que significa varão, homem  , macho, guerreiro, soldado, etc. [2] A raiz indo-europeia aparece no sânscrito viras (herói  ), no gótico vair (homem) e no úmbrico veiro. Cícero   entende-a como a própria força do homem que o faz desprezar   a dor   e a morte (Tusculanos, II, XVIII). Tomás de Aquino  , por sua vez, relacionou virtus com o étimo vis, que significa força. Enfim, a ideia básica que nos fica é a de energia, valor, força. Podemos dizer, então: virtude é uma força da alma. (Ao ser tocado por uma mulher hemorrágica já havia 12 anos, disse o Cristo  : «Alguém me tocou; eu senti que uma virtude saía de mim  » (Lc   8,46 Excertos do livro de Múcio Bezerra, «As sete forças da alma»


CRISTOLOGIA Francisco de Assis  : SAUDAÇÃO ÀS VIRTUDES
PERENIALISTAS Julius Evola  : A VIRTUDE

Frithjof Schuon  : EPV - O ESOTERISMO   COMO PRINCÍPIO E COMO VIA — Schuon Virtude - VIRTUDE

Lembremos aqui que a virtude, na visão   da Philokalia  , é «o estado   natural da alma», e isto nos permite também apreender o que as tradições asiáticas querem dizer quando falam de «ir além das virtudes»: uma virtude é um limite na medida que é uma mim mesmo - expressão   de nós mesmos, e é superada - ou realizada na sua plenitude  , o que quer dizer a mesma coisa - quando não mais pertence a nós segundo qualquer forma própria nossa.

Schuon Pérolas Peregrino - PÉROLAS DE UM PEREGRINO  
A virtude é um raio   da kallos   - Beleza divina, na qual participamos por nossa natureza ou por nossa vontade (thelema), fácil ou dificilmente, mas sempre pela graça   (kharis) de Deus  .

Não há acesso ao Coração   (kardia) sem as virtudes.

A virtude é a conformidade da alma (psyche) ao Modelo divino e à obra espiritual (praktike  ); conformidade ou participação  . A essência   das virtudes é o kenosis   - vazio ante Deus, o qual permite às Qualidades divinas   entrar no coração e irradiar na alma. A virtude é a exteriorização do coração puro.

A virtude é deixar passagem livre, na alma, à Beleza de Deus.

Esforçar-se   até a perfeição (katartismos  ): não porque queremos ser perfeitos (teleios  ) para nossa glória  , senão porque a perfeição é bela (kallos) e a imperfeição é feia; ou porque a virtude é evidente  , quer dizer, conforme ao Real.

A virtude separada de Deus se converte em orgulho   (hyperephania), como a beleza (kallos separada de Deus se converte em ídolo  ; e a virtude vinculada a Deus se converte em santidade   (hagiasmos), como a beleza vinculada a Deus se converte em sacramento.

Toda virtude é uma participação na beleza do Uno e uma resposta   a seu amor (eros  ).

Uma virtude é um perfume divino no qual o homem se esquece de si mesmo  .

A virtude implica no sentido de nossa pequenez tanto como no sentido do sagrado  .

Não há virtude sem piedade  , e não há piedade autêntica sem virtude.

François Chenique  : Dons do Espírito Santo   - DONS DO ESPÍRITO SANTO; Chenique Metafisica - SARÇA ARDENTE

As virtudes morais são a tradução das qualidades divinas no domínio   da Ação - ação. Estas virtudes podem portanto ser tomadas como símbolos das qualidades divinas a realizar. A realização   das qualidades divinas supõe a priori   esta conformidade psíquica secundária, mas no entanto indispensável, que á a perfeição moral. A Sabedoria   está bem acima da moral, mas o Sábio   é «moral» por excelência. É vão de valor refletir   a essência divina e de deixar vagar os elementos   inferiores do eu sem lhes dar um guia   que garanta sua conformidade essencial ao divino.


TAO   Max Kaltenmark  : Excertos de «Les Notions philosophiques  », PUF, 1990

Como Tao, De ou Te é um termo fundamental do pensamento chinês. O binômio Daode significa na língua moderna, a moral em geral.
Antigamente, De, que se traduz correntemente por «virtude», implicava sempre mais a ideia de «virtude eficaz», em lugar daquela de «virtude moral». Ter De, era exercer certo poder ou certa influência. Enquanto o Dao tinha uma eficacidade de ordem universal  , o De era uma virtude que permitia realizações particulares, geralmente benéficas embora certos indivíduos fossem dotados de um De nefasto. O De era uma força interior, específica, que influenciava favoravelmente a entourage. O De é também a bondade, a generosidade. Segundo os confucionistas, adquire-se o De (ou Daode) pela prática das virtudes morais; não é mais uma virtude aristocrática como nas concepções antigas relativas ao poder dos chefes. Um sábio tem o De mesmo se não reina e uma tradição   remontando a Mencius lhe dá até mesmo a pré-ciência sobre os dirigentes políticos.
Para os taoistas, o De tem um valor mais místico  ; é a ação do Dao presente   no coração do Santo. Este, segundo Lao Tzu  , não rejeita ninguém nem nenhum ser. Sua Virtude é um polo de atração e um refúgio; ela converte os homens ao bem sem que se deem conta. Em revanche, as outras correntes filosóficas, certas de possuir a verdade, rechaçam aqueles que não pensam como elas. Também Lao Tzu distingue dois   tipos de De: o De superior é próximo da eficacidade do Dao ele mesmo; pertence ao Santo sem que tenha feito nada para obter. Mas desde que tenha feito esforços para ser virtuoso, adquire-se somente pequenas virtudes que louvam os confucionistas, a começar pelo ren, a virtude de humanidade benévola querida a Confúcio  , para chegar ao ritualismo (li) que é para um taoista, o mais desprezível porque o mais ativista e o menos respeitoso da liberdade de outro. Eis porque «o verdadeiro De não é um de ordinário e é verdadeiramente eficaz e benfazejo» Lao Tzu.



[1Em português virago (feminino de varão, vir) guarda a forma latina virago, inis, com o sentido de «mulher forte e corajosa como um homem.» No sentido pejorativo dá a ideia de mulher macho, de temperamento masculino, paraíba.

[2Em grego o vocábulo andreia, de andros, homem, tem o sentido de virilidade, valentia.