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Cosmologia

Anjos das Nações

segunda-feira 28 de março de 2022, por Cardoso de Castro

    

Contribuição e tradução de Antono Carneiro das pp.71-73 - Anjo   das Nações — 1. Antes e depois de Cristo   - por Adele Monaci Castagno

    

Entre as questões angelológicas, a do anjo   das nações é uma das mais complexas, porque se apresenta como um nó de problemas aparentemente distantes — a relação de Israel   com as nações, a queda   dos “eões”, a confrontação entre a lei de Deus   e as leis dos povos, as causas da permanência das religiões e culturas diferentes do cristianismo — que Orígenes   faz girar em tornos às mesmas passagens bíblicas (Dt 32,8: a divisão   dos povos segundo os anjos de Deus e o relato do Gênesis sobre a torre de Babel, que se refere também à dispersão dos homens sobre a terra  ) trazendo à luz, nos diversos contextos, aspectos diferentes e às vezes difíceis de reunir   em um quadro unitário. O ponto de partida (que Orígenes herdou das tradições bíblicas: Enoque   89;59; Jub   15, 31-32; Test.Neph.Hebr. 8,4; 9,1-5) é a ideia de que a cada nação Deus confia um anjo que é também seu “príncipe”. Neste sentido, era possível ver tais anjos nos “príncipes deste mundo” (1 Cor 2,6) ou nos príncipes de Pérsia e de Grécia de Dn 10,13 ss. E sobretudo no príncipe de Tiro (Jerônimo Filha da Cananeia) de Ez 28 ss. Em “Homilias sobre Ezequiel” 13,1 pode-se ler as razões em que Orígenes mostrou que nas passagens bíblicas citadas não se trata de “príncipe” terrenos, mas sim de anjos e em particular dos Anjos das Nações. Nos escritos origenianos esta coleção de passagens se contempla com ocasião de diversas questões. Limitar-me-ei aqui a assinalar os textos mais importantes. Em “Origenes De Principiis   - De Principiis” 3,3, 1-5 faz reflexão   sobre a diferença   paulina: “sabedoria   deste mundo”, “sabedoria dos príncipes deste mundo”, e “Sabedoria de Deus”. E ao determinar a quais poderes espirituais devem-se vincular-se cada um destes saberes, reformula uma teoria   da relação entre cultura cristã e cultura grega, que se situa de modo original no inflamado debate   de seu tempo. Enquanto que havia acordo em considerar de origem demoníaca os aspectos da cultura grega mais ligados aos mitos (quer dizer, todas as expressões da cultura literária), havia desacordo sobre a filosofia (cf. Clemente de Alexandria  , Stromata I, 18,3 “versus” Emia, “Irriso”,1). Orígenes ainda conservando a perspectiva grega, projeta sobre um pano de fundo multiétnico o enfrentamento cristianismo-helenismo. A “sabedoria deste mundo” consiste naquelas disciplinas — poesia, gramática, retórica, geometria  , música   — que nos fazem compreender o mundo (cf. também em Carta a Gregório em Filocália 13); a “sabedoria dos príncipes deste mundo” refere-se ao que cada povo sabe sobre a divindade  : a secreta e oculta filosofia dos egípcios; a astrologia   dos caldeus; a sagacidade   dos hindus, que prometem o conhecimento das realidades superiores; as opiniões dos gregos sobre as divindades; trata-se, portanto de saberes tão numerosos quanto os povos. Saberes ocultos que podiam adquirir-se sob a inspiração   de poderes superiores: as Anjos das Nações (o pano de fundo implícito são os numerosos relatos do ciclo   de Enoque sobre a difusão por parte dos anjos caídos, de saberes não destinados aos homens). A “Sabedoria de Deus” é a revelada pela Tradição   judaica  -cristã.


Filosofia Archibald Joseph Macintyre - Excertos do livro «Os Anjos, uma Realidade Admirável». Edições Louva-a-Deus, 1986.

Segundo Dionisio Areopagita   - Dionísio, os Principados personificam a força e têm por ofício o governo dos reinos e dos povos. São como custódios das comunidades. A eles estão sujeitos todos os espíritos de inferior   categoria e todos lhe obedecem no tocante a seu ministério.

São como que os generais do «exército» do Rei do Universo  , que defendem e protegem as nações. Cada reino, cada nação, cada igreja  , cada localidade e cada povo tem um vigilante guarda, um Principado que lhe serve de proteção, amparo e defesa. Ao aparecer   aos pastorinhos em Fátima, em 1916, o Anjo se apresentou como «o Anjo de Portugal». Seria um Principado, e que não se identificou como tal, pois, para as crianças a quem apareceu, essa designação certamente seria incompreensível.

Os Principados «lutam» contra as legiões infernais que, com seus príncipes, perventem as sociedades e fazem-nas desviar   do caminho   da salvação  . ,

São Paulo   os cita nas Epístolas aos Romanos (8,38), aos Coríntios (I 15,24); aos Efésios (4,21), e aos Colossenses (1,16).

Segundo São Gregório, aos Principados (que ele chamava de Virtudes) cabe agir como os instrumentos de Deus na realização   dos milagres.

Os Principados adoram a Deus presente   na Sagrada Eucaristia e por isso um comentarista recomendava que «nenhum sacerdote deveria se esquecer de saudar o Anjo do santuário ao nele entrar». O mesmo se aplica a nós, que, ao entrarmos numa igreja, depois da adoração ao Santíssimo Sacramento e a Santíssima Trindade   e de uma oração   a Maria Santíssima, devemos invocar o Principado daquela igreja.