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UNWORDLY WISE

Wei Wu Wei : viver e morrer

As the Owl Remarked to the Rabbit

lundi 9 mars 2020

Excerto das páginas 46-48

nossa tradução

"Que diferença poderia haver entre ’viver’ e ’morrer’ ?"

"Bem", disse o coelho, "’viver’ é estar vivo, por assim dizer, e ’morrer’ é ... bem, estar morto !"

"Não percebo a diferença", declarou a coruja ; "Um fenômeno? é uma imagem na psique, e imagens psíquicas são aparências, aparentemente atuais e factuais, percebidas em sonhos, alucinações ou no que é chamado de ’vida diária’".

"Sim, claro, mas ele [o faisão] tinha uma cauda tão adorável !" suspirou o coelho ; "Você não o admirou ?"

"E se admirei ?" insistiu a coruja. "Todos ’vocês’ são imagens psíquicas, a minha também e tudo isso é objetivado, tudo isso outro-que-eu".

"Se você diz, mas acho que importa para você, no entanto !" insistiu o coelho.

"Isso é apenas sentimento? na relatividade", a coruja piou. "Pode importar se essas imagens parecem "viver" ou parecem "morrer" ?"

"Sentimentalmente, de fato, pode !" o coelho persistiu.

"Isso faz parte do sonho da vida", afirmou a coruja. "Além disso, e este é o ponto, eu não posso morrer, mas só o-que-não-sou"

"Podes viver, então, ou só o-que-não-és ?" perguntou o coelho.

"’Viver’ é apenas imagens psíquicas estendidas ’espacialmente e no ’tempo’", explicou a coruja pacientemente ; "Não posso ’viver’ nem morrer"."

"Então o que você pode fazer ?" perguntou o coelho, corajosamente.

"Nada", respondeu a coruja, "nem há nada a ser feito". EU SOU?".

"Parece chato para mim !" o coelho observou, desanimado.

"Isso também é relativo, em contraste com o contrário", insistia a coruja ; "absolutamente, opostos e contradições não têm significado e, portanto, não existem de fato".

"Parece ainda mais chato !" o coelho se aventurou."

A relatividade não pode julgar o Absoluto?", explicou a coruja em breve, "pois o Absoluto é tudo o que a relatividade é quando deixa de ser relativa".

"Então não é chato ?" o coelho perguntou.

“Não é nada ; se fosse, não seria absoluto, mas relativo !” a coruja observou.

"Mesmo que não seja monótono, parece um pouco solitário", pensou o coelho.

"Solitário !" piou a coruja, batendo suas grandes asas, “Paaara-o-queee-paaara-ooonde-paaara-queeem ; por que, estamos todos aqui : é o que todos nós somos !”

"Então, onde fica ?" perguntou o coelho.

"É onde ESTÁS, tudo o que ÉS, e nada além do que ÉS", afirmou a coruja, fascinando o coelho com um olhar de seus olhos penetrantes. "Como podes ’viver’ ou ’morrer’ quando ÉS como EU ?"

Original

“What difference could there be between ‘living’ and ‘dying’ ?”

“Well,” said the rabbit, “‘living’ is being alive, so to speak, and ‘dying’ is—well—being dead !”
“I do not apperceive the difference,” the owl declared ; “a phenomenon is an image in a psyche, and psychic images are appearances, apparently both actual and factual, whether perceived in dreams, hallucinations, or in what is called ‘daily living.’”

“Yes, of course, but he had such a lovely tail !” sighed the rabbit ; “did you not admire him ?”
“What if I did ?” insisted the owl. “All ‘you’s are psychic images, mine also, and all that is objectivized, all that is other-than-I.”

“If you say so, but I think it matters to you nevertheless !” insisted the rabbit. [46]
“That is only sentiment in relativity,” the owl hooted. “Can it matter? whether such images appear to ‘live’ or appear to ‘die’ ?”

“Sentimentally indeed it can !” the rabbit persisted.
“That is part of the living-dream,” the owl stated. “Besides, and this is the point, I cannot die, but only what-I-am-not”

“Can you live, then, or only what-you-are-not ?” asked the rabbit.
“‘Living’ is only psychic imagery extended ‘spatially’ and in ‘time’,” the owl patiently explained ; “I can neither ‘live’ nor ‘die.’”

“Then what can you do ?” asked the rabbit, courageously.
“Nothing whatever,” answered the owl, “nor is there anything whatever to be ‘done.’ I AM.”

“Sounds dull to me !” the rabbit observed, dejectedly.
“That also is relative, in contrast to its opposite,” the owl insisted ; “absolutely, opposites and contradictions have no meaning, and therefore do not factually exist.”

“Sounds even duller !” the rabbit ventured.
“Relativity cannot judge Absolute,” the owl explained shortly, “for Absolute is all that relativity is when it ceases to to be relative.”

“So it is not dull ?” the rabbit asked.
“It is not anything ; if it were it would not be absolute but relative !” the owl observed.

“Even if it’s not dull, sounds a bit lonely,” the rabbit ruminated. [47]
“Lonely !” hooted the owl, flapping his great wings, “Tooo-whaaat-tooo-wheeere-tooo-whooo ; why, we are all HERE : it is what we all ARE !”

“Then wherever is it ?” asked the rabbit.
“It is where you ARE, all that you ARE, and nothing but what you ARE,” stated the owl, riveting the rabbit with a glance of his penetrating eyes. “How could you ‘live’ or ‘die’ when you ARE as I ?”


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