Página inicial > Imaginal > Valsan Om Amem

Valsan Om Amem

segunda-feira 28 de março de 2022

    

O triângulo - TRINGULO DO andrógino - ANDRÓGINO E O MONOSSÍLABO “OM  

Complementarismo de símbolos ideográficos
Tentativa de destacar o sentido da presença   das três letras árabes que correspondem aos três matras ou elementos   constitutivos do monossílabo OM (AUM), pois o árabe, como todas as línguas semitas entre outras, não comporta, pelo menos explicitamente, este mesmo vocábulo invocatório, e possui em troca, com um emprego sagrado   mais ou menos comparável, o vocábulo Amin (= amem  ), equivalência sobre a qual se voltará a tratar adiante.

As três letras árabes alif, waw e mim   enquanto elementos de um grupo ternário determinado e situado no quadro simbólico de nosso esquema do Homem   Universal  , podem ser interpretados assim: o alif, que é um símbolo da unidade   e do princípio primeiro, representa naturalmente Alá, cujo nome tem como letra inicial um alif; em oposição a última das três letras, o mim designa o Enviado de Alá, Maomé  , cujo nome começa por esta letra. A inicial e a final deste AWM, correspondem assim às duas Atestações do Islã: aquele concernente a Alá como Deus   único e aquela da missão divina do Profeta   Maomé. Entre estes dois   termos extremos o waw faz junção, esta letra sendo a cópula “e” (wa); ao mesmo tempo, metonimicamente o waw é a Wahda, a Unidade essencial entre o Princípio puro e a Realidade Maometana.

Interpretando a relação ideográfica entre as três letras em uma perspectiva teofânica pode-se dizer que o Verbo, que se encontra no estado   principial no alif, se desenvolve enquanto Espírito Santo   no movimento   espiral do waw para se enrolar finalmente na forma totalizante e ocultante do mim maometano; assim a Realidade Maometana constitui o mistério do Verbo supremo e universal, pois ela é ao mesmo tempo a Teofania   integral (da Essência, dos Atributos e dos Atos) e sua ocultação sob o véu da Servitude absoluta e total. Eis porque o Profeta dizia: “Aquele que me vê, vê a Verdade ela mesma”. A sequência apresentada por estas letras pode ser vista como constituindo o ciclo   completo do Sopro universal: em termos hindus, Brahma   enquanto Prana  .

Complementarismo de formas tradicionais
Há portanto na base de todo precedente implicação do que se poderia denominar uma relação de polaridade tradicional entre o Hinduísmo e o Islã.

Tradição   Primordial e Culto Axial
Resgate de posições doutrinárias de Guénon sobre a Tradição, em particular a noção   de Sanatana Dharma   e sua possível identidade   com a noção islâmica de Din al-Fitra.

”OM” e “AMEM”
Os aspectos do complementarismo tradicional existentes entre o Hinduísmo e o Islã, permitem a síntese nas duas formas características correspondentes do Verbo sacramental e invocativo que já se assinalou o parentesco: o OM das tradições da Índia e o AMEM das tradições de fundo semita, especialmente examinada no caso islâmico.

  • Aproximações feitas há algum tempo, especialmente por orientalistas do século XIX.
    • Nota de tradução do Brahma-karma   ou Ritos sagrados do Brahmanes, A. Bourquin (1884): «Pode-se traduzir Om por glória   ou por amem, mas observamos que»glória«traduz melhor, embora ainda inexatamente, o termo namah’ que significa»homenagem«ou»saudação"; ora é possível manter uma tradução para os dois termos em questão quando estão associados em uma mesma doxologia: Om! namah’; Oldenberg também que Om equivale a nosso Amem.

O vocábulo hindu pertence também ao budismo  , e é, segundo os Upanixades  , «a sílaba que exprime o assentimento  , pois para expressar o assentimento diz-se: om!. Substancial e estruturalmente om é ainda definido como sendo»o som   mesmo, é a imortalidade  , a felicidade   mesma«;»aquele que assim sabendo, murmura o vocábulo, penetra neste vocábulo que é o som, que é a imortalidade, que é felicidade". Sua importância como símbolo do Verbo universal é conhecida; Om é assim o mantra por excelência da espiritualidade hindu.

Emprego técnico   e ritual extremamente rico e complexo  ; Om termo inicial do cântico litúrgico fundamental chamado udgitha, contendo em si só toda a udgitha; inaugura diferentes recitações do Rig-Veda  ; pronunciado no fim da recitação de um verso ou hino (rik) de um saman (canto   litúrgico) e de um yajus (invocação  ). Figura em Upanixades nas doxologias inaugurais, associado a Hari  , o «Senhor» um dos nomes de Vishnu; como palavra suprema é identificado ao Deus Supremo.

Por seu lado, o Amem nas tradições de origem semítica tem também um emprego de palavra afirmativa, ou melhor confirmativa. Figura no Pentateuco com um caráter de rigor maior e nos ritos oficiais. Com os Salmos   aparece nas puras doxologias finais. Na época do Judaísmo helenístico antes da eclosão cristã, o Amem teve um emprego litúrgico nas sinagogas de onde passou para as liturgia cristãs.

Amem como termo que originalmente é um adjetivo significando «firme  », «certo» e adquire uma acepção adverbial: «firmemente», «certamente»; constitui um voto solene   ou uma tomada de engajamento: «assim será!», «assim seja!», expresso em grego por genoito e em latim por fiat   ou ita sit; mas que não é traduzido quando seu papel é encantatório.

O papel confirmativo do amem se encontra no NT; assim em Mateus   6,13 onde conclui o Pai   Nosso ao qual permanecerá associado na prática das orações cotidianas; igualmente no Apocalipse   onde, a parte do emprego nas doxologias do Prólogo, se encontra nas liturgias transcendentes onde é pronunciado pelos anjos  , os 24 anciãos   e os 4 animais   portadores do Trono.

No entanto os Evangelhos   nos apresentam ainda o amem em um emprego e sob um aspecto totalmente novo em relação à tradição anterior  . Trata-se de um sentido puramente afirmativo, e não mais confirmativo, e de um amem posto no início de períodos e de frases ditas na primeira pessoa e não mais no final ou em conclusão de uma afirmação. Tal é a figura das dezenas de vezes nas palavras do Cristo  , principalmente em Mateus e João: Amen dico vobis, algumas vezes substituído por Vere dico vobis = “em verdade vos digo”. Trata-se de um estilo próprio do Cristo que se afirma assim como fonte de verdade e se toma a si mesmo como testemunha. O papel do amem neste caso seria portanto um reflexo de sua identidade com o Verbo. E é significativo que nesta posição   inicial e com o papel de afirmação principial, Amem se encontre em suma em suma situação   comprável àquela do OM no início de certos textos doutrinais hindus. Nos dois casos tem-se uma enunciação primeira por um símbolo direto e total do Verbo.

Aliás no Cristianismo Amem é também um nome do Verbo; no Apocalipse de João (3,14) o Cristo é denominado “O Amem, a Testemunha fiel e verdadeira e Princípio da criação de Deus”. Isto se associa a uma certa tradição bíblica, pois o Amem era já atestado anteriormente pelos Profetas como nome divino: “Quem quer que queira ser bendito sobre a terra   se bendirá pelo Deus Amem! Quem quer que jure sobre a terra jurará pelo Deus Amem!” (Isaías 65,16).

No Apocalipse de João, onde são aplicados ao Cristo por transposição identificante títulos que se sá antes de tudo ao «Senhor Deus» («Alfa e Ômega», «Primeiro e Último», «Princípio e Fim»), uma passagem é particularmente notável na ordem das coisas examinadas aqui; no Prólogo deste texto, depois de um «Etiam! (Sim!) Amen!», que aparentemente confirma uma perspectiva que acaba de ser anunciada sobre a vinda final do Cristo, tem-se um texto que poderia ser considerado igualmente como um comentário deste misterioso Amen aplicável na ordem teofânica da Missão assim como na ordem principial pura: «Sou   o Alfa e o Ômega (o começo e o fim), diz o Senhor Deus, aquele que é, que foi e que vem, o Mestre de Tudo!. A princípio estas palavras se encontram quase como tais precisamente em relação com o OM, em um texto capital do Mandukya Upanixade  : «Hari Om! (o Senhor é OM). Esta sílaba OM, é o todo  ! Eis a explicação: o que foi, o que será, tudo isso é o fonema OM!» O comentário desta passagem por Gaudapada diz: «A sílaba Om é o começo, o meio e o fim de tudo... Deve-se saber que a sílaba Om é o Mestre de todas as coisas».

Após as constatações que precedem, pode-se dizer que os dois vocábulos sagrados OM e AMEM se juntam tanto pelo sentido adverbial (de afirmação ou de confirmação) e o emprego ritual correspondente, quanto pelo sentido de símbolo do Verbo universal e de nome da Verdade suprema.