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HERMÈS I

Silburn : l’essence divine en tant qu’océan

LES TROIS VOIES ET LA NON-VOIE DANS LE ŚIVAÏSME NON DUALISTE DU CACHEMIRE

vendredi 27 avril 2018

Extrait des pages 145-147

Original

Les textes Trika? comparent souvent l’essence divine à l’océan : « Hommage à l’océan de la conscience? śivaïte, Essence du Sujet conscient ! » dit un verset [1]. Et pour montrer comment Śiva Shiva
Śiva
le Seigneur
Śiva e Śakti, Deus e seu Poder, formam uma unidade sem dualidade.
, uni dans la béatitude à l’Énergie, se tourne vers l’univers à naître en un premier instant d’attente, d’expectative ardente, Somânanda propose cette image : « Au moment où, dans une eau tranquille, surgit soudain une violente agitation, on peut noter un frémissement imperceptible quand on y jette un coup d’œil, au tout début, et c’est là l’excitation de l’attente. » [2]

Le développement de la comparaison peut éclairer les trois moments successifs de la manifestation, sur lesquels se fonde le Trika.

Parfois, sous un plein soleil, la lumineuse étendue de l’océan, profondément calme, s’irise et frémit soudain, l’eau vibre et crépite de lumière (sphurattâ) à l’infini, sous le regard qu’éblouit ce scintillement perpétuellement renouvelé.

De même, dans le vide? éthéré de la pure Conscience, s’esquisse la volonté (ou le désir initial). Elle émerge mais ne se distingue pas de la Conscience dont elle ruisselle encore, la prise de conscience reste coextensive à la lumière et tout demeure indivis dans la Conscience comme l’eau et la lumière à la surface du vibrant océan. C’est le moment du premier regard qui saisit l’univers en une prise de conscience globale et souveraine, avant qu’apparaissent connaissance? notionnelle et objet? connu. En ce premier instant, l’univers encore indistinct du sujet connaissant réside en pleine intériorité, c’est le niveau du Je indifférencié, le lieu de la voie divine.

Puis la surface de la mer ondule, s’enfle et se creuse, la vague se forme, flue et reflue, mais reste indissociable de l’océan parce que prise dans son seul mouvement, un mouvement qui est perçu comme unique malgré la multiplicité des ondulations.

De façon analogue, au deuxième moment, sous la poussée du désir qui se précise, la conscience se trouble ; cherchant à connaître, elle perd la plénitude indifférenciée du Je pour s’emparer de caractères distinctifs ; l’énergie cognitive devient pensée dualisante, distingue sujet et objet, mais c’est à même la pensée, à même la conscience qu’apparaît la forme de l’objet et, comme la vague et l’océan, sujet et objet n’ont encore qu’un seul substrat : l’univers est perçu comme manifesté mais manifesté intérieurement, dans la seule pensée, en tant qu’impression de plaisir ou de douleur. C’est le deuxième moment, c’est le niveau de la connaissance, le lieu de la voie de l’énergie.

Vient un temps où la tempête soulève la mer, les vagues immenses et violentes déferlent une à une, frangées d’écume, giclant et retombant, semblant capter à elles seules toute la force de l’océan dont elles se séparent pour s’abattre et venir mourir sur la grève.

Ceci figure le troisième moment, celui où l’homme? voit l’univers comme extérieur et s’éprouve lui-même comme isolé, ballotté à la crête des vagues ou précipité dans leurs rouleaux, désemparé, perdu dans la multiplicité et la violence des flots qui lui cachent l’unité de l’océan et sa profondeur apaisée. A ce niveau, sujets et objets sont nettement distincts, le monde? apparaît comme extérieur, comme totalement différencié, l’objet rejeté hors du sujet et de la connaissance. C’est le niveau de l’objet connu, le lieu de la voie de l’activité.

En dépit des aspects variés de sa surface, c’est toujours l’océan que nous contemplons, et sous les multiples modalités de la Conscience l’Essence demeure. Pour retrouver l’Essence, l’individu isolé de la Conscience originelle doit reconnaître son identité à la vague, puis au mouvement unique de l’océan qui sous-tend flux et reflux — soit à l’énergie — et enfin à la mer illimitée — soit à la Conscience indifférenciée.

Si les trois énergies divines correspondent aux moments successifs de la manifestation de l’univers, elles forment, en sens inverse, trois voies principales quand l’univers ou la conscience retourne à l’indifférenciation. Ces voies sont donc les modalités du retour à la Conscience originelle, chacune se servant de l’énergie qui la caractérise comme d’un tremplin.

Avec la plus haute des énergies, celle de Conscience, on ne peut parler de voie ; il s’agit donc de pur anupâya, la non-voie. Si l’énergie de félicité s’esquisse, l’accès « sans manière d’être » se ramène à un simple repos dans la béatitude. Si la volonté surnage, la voie éminente de Śiva se présente. Lorsque l’énergie de connaissance domine, la voie est dite de l’énergie ; et si l’activité se manifeste clairement, c’est la voie de l’individu [3].

Dans le sens du retour, les énergies se fondent une à une dans l’Essence divine. Lorsque les trois voies se dissolvent dans la félicité, celle-ci atteint sa perfection et la liberté initiale est définitivement recouvrée.

Antonio Carneiro

Os textos Trika comparam frequentemente a essência divina ao oceano : « Homenagem ao oceano da consciência xivaíta, Essência do Sujeito consciente ! » diz um versículo [4]. E para mostrar como Xiva, unido na beatitude à Energia, se volta em direção ao universo à nascer em um primeiro instante de espera, de expectativa ardente, Somânanda propõe essa imagem : « No momento quando, em uma água tranquila, surge de repente uma violenta agitação, se pode notar um estremecimento imperceptível quando se lança aí uma olhadela, a todo início, e eis a excitação da espera. » [5]

O desenvolvimento da comparação pode esclarecer os três momentos sucessivos da manifestação, sobre as quais se baseia o Trika.

Às vezes, sob um intenso sol, a luminosa vastidão do oceano, profundamente calmo, se irisa e estremece de repente, a água vibra e crepita de luz? (sphurattâ) ao infinito, sob o olhar que se ofusca com esse cintilação perpetuamente renovada.

Assim também, no vazio etéreo da pura Consciência, se delineia a vontade (ou o desejo inicial). Ela emerge mas não se distingue da Consciência da qual ela jorra ainda, a tomada de consciência fica co-extensiva à luz e tudo permanece indiviso na Consciência como a água e a luz na superfície do vibrante oceano. É o momento do primeiro olhar que compreende o universo em uma tomada de consciência global e soberana, antes que aparecessem conhecimento nocional e objeto conhecido. Nesse primeiro instante, o universo ainda indistinto do sujeito conhecedor reside em plena interioridade, é o nível do Eu indiferenciado, o lugar da via divina.

Em seguida a superfície do mar ondula, se incha e se escava, a onda se forma, flui e reflui, mas fica indissociável do oceano porque tomada em seu único movimento, um movimento que é percebido como único apesar da multiplicidade das ondulações.

De modo análogo, no segundo momento, sob o impulso do desejo que se designa, a consciência se aflige ; procurando a conhecer, ela perde a plenitude indiferenciada do Eu para se apoderar de caracteres distintivos ; a energia cognitiva se torna pensamento dualizante, distingue sujeito e objeto, mas é diretamente sobre o pensamento, diretamente sobre a consciência que aparece a forma do objeto e, como a onda e o oceano, sujeito e objeto não têm mais senão um só substrato : o universo é percebido como manifestado mas manifestado interiormente, no único pensamento enquanto impressão de prazer ou de dor. É o segundo momento, é o nível do conhecimento, o lugar da via da energia.

Chega um tempo onde a tempestade revolta o mar, as ondas imensas e violentas rebentam uma à uma, onduladas de espuma, salpicando e tornando a cair, parecendo captar para elas somente toda a força do oceano da qual elas se separam para se abater e vir morrer sobre a orla.

Isso figura o terceiro momento, aquele onde o homem vê o universo como exterior e se prova a si mesmo como isolado, sacudido na crista das ondas ou precipitado em seus caixotes [6], desamparado, perdido na multiplicidade e na violência das vagas que lhe escondem a unidade do oceano e sua profundeza apaziguada. Nesse nível, sujeitos e objetos são claramente distintos, o mundo aparece como exterior, como totalmente diferenciado, o objeto rejeitado fora do sujeito e do conhecimento. É o nível do objeto conhecido, o lugar da via da atividade?.

Apesar dos aspectos variados de sua superfície, é sempre o oceano que nós contemplamos, e sob as múltiplas modalidades da Consciência a Essência permanece. Para reencontrar a Essência, o indivíduo isolado da Consciência original deve reconhecer sua identidade à onda, em seguida ao movimento único do oceano que subtende fluxo e refluxo — seja à energia — e enfim ao mar ilimitado — seja à Consciência indiferenciada.

Se as três energias divinas correspondentes aos momentos sucessivos da manifestação do universo, elas formam, em sentido inverso, três vias principais quando o universo ou a consciência retorna à indiferenciação. Essas vias são então as modalidades do retorno à Consciência original, cada uma se servindo da energia que a caracteriza como de um trampolim.

Com a mais elevada das energias, essa da Consciência, não se pode falar de via ; trata-se então de pura anupâya, a não-via. Se a energia de felicidade se delineia, o acesso « sem maneira de ser » se reconduz à um simples repouso na beatitude. Se a vontade sobrenada, a via eminente de Xiva se apresenta. Quando a energia de conhecimento domina, a via é dita da energia ; e se a atividade se manifesta claramente, é a via do indivíduo [7].

No sentido do retorno, as energias se estabelecem uma à uma na Essência divina. Quando as três vias se dissolvem na felicidade, esta atinge sua perfeição e a liberdade inicial é definitivamente recobrada.


Voir en ligne : LILIAN SILBURN


[1La Mahārthamanjarī de Maheśvarānanda avec des extraits du Parimala. 1968, p. 106

[2Śivadŗsti de Somānanda avec le commentaire d’Utpaladeva. Śrinagar 1934, K.S. 54, 13-14.

[3On a donc en termes sanskrits : citśakti propre à anupâya, non-voie au sens strict ; ānandaśakti, relative à anupâya, voie des plus réduites ; icchaśākti propre à śāmbhavopāya ; jnānaśakti relative à śāktopāya ; kriyāśakti relative à āņāvo-pāya.

[4A Mahārthamanjarī de Maheśvarānanda com extratos do Parimala. 1968, p. 106

[5Śivadŗsti de Somānanda com o comentário de Utpaladeva. Śrinagar 1934, K.S. 54, 13-14.

[6NT : tipo de onda mais ou menos forte, que forma um arco e arrebenta abruptamente e por inteiro dificultando o banho de mar, a prática do surf etc. (Houaiss, 2001, p.566, sentido 4. Fig. B. infrm.).

[7Têm-se então em termos sânscritos : citśakti própria à anupâya, não-via no sentido estrito ; ānandaśakti, relativa à anupâya, via das mais reduzidas ; icchaśākti própria à śāmbhavopāya ; jnānaśakti relativa à śāktopāya ; kriyāśakti relativa à āņāvo-pāya.