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EXPERIENCING THE TEACHING

Balsekar (ET:Intro) – Básico do ensinamento de Nisargadatta

Introduction

sexta-feira 9 de setembro de 2022, por Cardoso de Castro

    

O que-se-é, como númeno  , é ser intemporal, infinito  , imperceptível. O que se parece ser como fenômeno é objeto separado temporal, finito  , sensorialmente perceptível. Verdadeiramente, somos invenções ilusórias na conscientidade  .

    

tradução

(1) Númeno   — pura subjetividade — não tem conscientidade   de sua existência. Tal conscientidade de sua existência só ocorre com o surgimento da conscientidade – eu sou  . Este surgimento espontâneo   da conscientidade (porque essa é a sua natureza, como disse Maharaj), traz a sensação   de presença  , de existência. Simultaneamente, causa   o surgimento da manifestação fenomênica na conscientidade, juntamente com um senso de dualidade  . A Totalidade   se divide na dualidade de um (pseudo) sujeito   e objeto observado — cada objeto fenomênico assume a subjetividade como um «eu» em relação a todos os outros objetos como «outros». A objetivação dessa dualidade requer a criação dos conceitos gêmeos de «espaço» e «tempo»: «espaço» no qual o volume   dos objetos pode ser estendido, e «tempo» no qual as imagens fenomênicas estendidas no espaço podem ser percebidas, conhecidas e medidas em termos da duração da existência.

(2) Os seres humanos e todos os outros seres sencientes são parte integrante da manifestação fenomênica total como qualquer outro fenômeno. Eles surgem com o surgimento do universo fenomênico. Como fenômenos objetivos, não há diferença   aparente entre objetos animados e inanimados. Mas subjetivamente, é a senciência que é responsável por permitir que os seres sencientes percebam. A senciência, como tal, é um aspecto da conscientidade no qual a manifestação ocorre, mas não tem nada a ver com o surgimento da manifestação. Assim, embora a senciência permita que os seres humanos percebam outros objetos, e o intelecto   os capacite a discriminar, eles não são diferentes de todos os outros fenômenos.

(3) A escravidão conceitual surge apenas porque cada fenômeno humano se assume como uma entidade independente. Como tal, ele se considera sujeito aos vínculos do espaço-tempo como algo tangível e estranho à sua própria existência.

(4) A numenalidade e a fenomenalidade são idênticas no sentido de que a noumenalidade é imanente à fenomenalidade. A numenalidade deve, ao mesmo tempo, transcender a fenomenalidade porque a numenalidade é tudo o que existe. A fenomenalidade é apenas o aspecto objetivo da numenalidade.

É a identificação da numenalidade com cada fenômeno separado, produzindo assim um pseudo-sujeito a partir do que é meramente o elemento   operacional em um objeto fenomênico que produz o fantasma de um indivíduo autônomo, o ego, que se considera em sujeição conceitual.

O funcionamento   fenomênico como tal é bastante impessoal, e a entidade ilusória é totalmente desnecessária nele, sendo seu lugar apenas o de um aparato ou mecanismo. O funcionamento impessoal comporta a experiência impessoal tanto da dor   quanto do prazer, e é somente quando esta experiência é interpretada pelo pseudo-sujeito como o experimentador que vivencia a experiência na duração, que a experiência perde seu elemento intemporal e impessoal de funcionamento e assume a dualidade da objetivação como sujeito/objeto.

(5) O que-se-é, como númeno, é ser intemporal, infinito  , imperceptível. O que se parece ser como fenômeno é objeto separado temporal, finito  , sensorialmente perceptível. Verdadeiramente, somos invenções ilusórias na conscientidade. O fato de nós, como entidades separadas e ilusórias, esperarmos absurdamente poder nos transformar em seres iluminados, mostra a extensão   do condicionamento a que fomos submetidos. Como pode um fenômeno, uma mera aparição, aperfeiçoar-se? Somente a desidentificação com a suposta entidade pode provocar a transformação  .

(6) Parece que o mecanismo da vida é baseado na crença de que tudo o que acontece na vida é o resultado de atos de volição dos objetos fenomênicos envolvidos, os seres sencientes. Mas isto seria uma crença incorreta porque pode ser visto claramente que os seres humanos reagem a um estímulo externo em vez de agir voluntariamente. Sua vida é principalmente uma sequência de reflexos que quase não deixa espaço para o que pode ser considerado como atos de vontade ou volição. Seu modo de vida é muito condicionado pelo instinto, hábito  , propaganda e a última «moda». Mais fundamentalmente, o fato é que a volição nada   mais é do que uma inferência ilusória, uma mera demonstração, um gesto fútil de um «eu-conceito» energizado. Além do mecanismo psicossomático, simplesmente não há entidade para exercer a volição. Tudo o que existe é o funcionamento impessoal e a inexorável cadeia de causação.

(7) Na ausência de uma entidade (redundante na ausência de volição), quem é aí para exercer a volição ilusória e quem é aí para experienciar os resultados dela? Quem existe para ser sujeitado e quem existe para ser libertado?

A compreensão mais profunda possível destes fundamentos do Ensinamento leva a uma vida espontânea e «não volitiva». Esta é a experiência do Ensinamento, a experiência que é o viver   numênico. Esta experiência logo leva ao imenso despertar   de que esta vida é um grande sonho. Então somos envolvidos por um sentimento avassalador de unidade   auto-anulada. O que poderia restar depois, senão o testemunho não volitivo de tudo o que acontece durante o restante de nosso período de tempo?

Esse testemunho não volitivo – testemunhar tudo o que acontece sem julgar – surge junto com uma relação não objetiva tanto consigo mesmo quanto com os outros. Uma relação não-objetiva consigo mesmo ocorre quando não há pensamento de si mesmo   como objeto de qualquer tipo, físico ou psíquico. Saber o que se é sem a menor necessidade   de qualquer explicação de ninguém, ter a mais profunda convicção   possível de que se é totalmente desprovido de qualquer «traço de objetividade», é experimentar o Ensinamento. A total falta de qualquer qualidade   objetiva só pode significar a ausência do próprio conceito da presença e da ausência do perceptível e do concebível. Uma relação não objetiva consigo mesmo resulta naturalmente em uma relação não objetiva com os outros, o que significa deixar de considerar todos os fenômenos, sensíveis ou insensíveis, como objetos de si mesmo. Há então uma apercepção instantânea de que tanto o suposto sujeito (si mesmo) quanto os supostos objetos (os outros) existem apenas como aparições. O resultado, em outras palavras, é a eliminação do mal-entendido conhecido como «ignorância», o que significa de fato a percepção de nossa verdadeira natureza.

Falando como «eu» (númeno), todos nós podemos — cada um de nós — dizer ao eu fenomênico: «Aquiete-se e saiba que sou Deus  ». É somente quando o eu fenomênico é ausente que o «eu» numênico pode ser presente  .

Original

(1) Noumenon — pure subjectivity — is not aware of its existence. Such awareness of its existence comes about only with the arising of consciousness — I am. This spontaneous arising of consciousness (because that is its nature, as Maharaj said), brings about the sense of presence, of existence. Simultaneously, it causes the arising of the phenomenal manifestation in consciousness, together with a sense of duality. The Wholeness gets split into the duality of a (pseudo) subject and observed object — each phenomenal object assumes subjectivity as a «me» concerning all other objects as «others». The objectivization of this duality requires the creation of the twin concepts of «space» and «time»: «space» in which the volume of objects could be extended, and «time» in which the phenomenal images extended in space could be perceived, cognized and measured in terms of the duration of existence.

(2) The human beings and all other sentient beings are as much an integral part of the total phenomenal manifestation as any other phenomena. They arise with the arising of the phenomenal universe. As objective phenomena, there is no apparent difference between animate and inanimate objects. But subjectively, it is sentience which is responsible for enabling the sentient beings to perceive. Sentience, as such, is an aspect of consciousness in which the manifestation occurs, but it has nothing to do with the arising of the manifestation. Thus, although sentience enables human beings to perceive other objects, and intellect enables them to discriminate, they are in no way different from all the other phenomena.

(3) The conceptual bondage arises only because each human phenomenon assumes himself to be an independent entity As such he considers himself subject to the bonds of space-time as something tangible and extraneous to his own existence.

(4) Noumenality and phenomenality are identical in the sense that noumenality is immanent in phenomenality Phenomenality has no nature of its own other than noumenality. Noumenality must, at the same time, transcend phenomenality because noumenality is all there is. Phenomenality is merely the objective aspect of noumenality

It is the identification of noumenality with each separate phenomenon, thus producing a pseudo-subject out of what is merely the operational element in a phenomenal object that produces the phantom of an autonomous individual, the ego, which considers itself to be in conceptual bondage.

The phenomenal functioning as such is quite impersonal, and the illusory entity is wholly unnecessary therein, its place being merely that of an apparatus or mechanism. The impersonal functioning comports impersonal experiencing of both pain and pleasure, and it is only when this experience is interpreted by the pseudo-subject as the ex-periencer experiencing the experience in duration, that the experiencing loses its intemporal, impersonal element of functioning and assumes the duality of objectivization as subject/object.

(5) What-we-are, as noumenon, is intemporal, infinite, imperceptible being. What-we-appear-to-be as phenomena, is temporal, finite, sensorially perceptible separate objects. Truly, we are illusory figments in consciousness. The fact that we, as separate, illusory entities, absurdly expect to be able to transform ourselves into enlightened beings, shows the extent of the conditioning to which we have been subjected. How can a phenomenon, a mere appearance, perfect itself? Only dis-identification with the supposed entity can bring about the transformation.

(6) It would seem that the mechanism of living is based on the belief that everything that happens in life is the result of acts of volition by the concerned phenomenal objects, the sentient beings. But this would be an incorrect belief because it can be clearly seen that human beings react to an outside stimulus rather than act volitionally. Their living is primarily a sequence of reflexes that leaves hardly any room for what might be considered as acts of will or volition. Their way of life is very much conditioned by instinct, habit, propaganda and the latest «fashion». More fundamentally, the fact is that volition is nothing more than an illusory inference, a mere demonstration, a futile gesture by an energized «me-concept». Apart from the psychosomatic mechanism, there is just no entity to exercise volition. All there is, is the impersonal functioning and the inexorable chain of causation.

(7) In the absence of an entity (redundant in the absence of volition), who is there to exercise the illusory volition and who is there to experience the results of it? Who is there to be bound and who is there to be liberated?

The deepest possible understanding of these basics of the Teaching leads to spontaneous and «non-volitional» living. That is the experiencing of the Teaching, the experiencing which is noumenal living. This experiencing soon leads to the immense awakening   that this life is one great dream. Then we are enveloped in an overpowering sense of self-effacing unity. What could be left thereafter but the non-volitional witnessing of all that happens during the remainder of our allotted span?

Such non-volitional witnessing — witnessing all that happens without judging — arises along with a non-objective relation both to oneself and to others. Anon-objective relation to oneself occurs when there is no thought of oneself as an object of any kind, physical or psychic. To know what one is without the slightest need of any explanation from anyone, to have the deepest possible conviction that oneself is totally devoid of any «trace-element of objectivity», is to experience the Teaching. The total lack of any objective quality can only mean the absence of the very concept of both the presence and the absence of the perceptible and the conceivable. A non-objective relation to oneself naturally results in a nonobjective relation to others, which means ceasing to regard all phenomena, sentient or insentient, as objects of oneself. There is then an instant apperception that both the supposed subject (oneself) and the supposed objects (others) exist only as appearances. The result, in other words, is the elimination of the misunderstanding known as «ignorance», which means in effect the realization of our true nature.

Speaking as «I» (noumenon), we can all — each one of us — say to our phenomenal selves, «be still and know that I am God». It is only when the phenomenal self is absent that the noumenal «I» can be present.


Ver online : Ramesh Balsekar