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Heaven and Hell

Renz (HH) – o que controlas, te controla

Praise The Lord – Just-In-Case

quinta-feira 8 de setembro de 2022, por Cardoso de Castro

    

Mas o que você controla controla você – esse é todo o affair.

    

tradução

P: [Outro visitante]: Você poderia nos contar como ocorre a formação do pensamento  ? Qual é a origem   dos pensamentos? De onde eles aparecem?

K: Talvez nunca estejam se formando. Talvez estejam sempre lá.

P: De onde vêm?

K: Talvez não venham.

P: Não podemos nos comunicar se os pensamentos não estiverem aí...

K: Podemos, mas talvez os pensamentos estejam sempre aí. Talvez a próxima palavra, a próxima escuta já esteja aí, não está vindo. Não precisa vir.

P: Você acredita que os pensamentos estão aí...

K: Não. Eu não acredito em pensamentos. Para mim   tudo isso é uma reação de não se sabe o quê. E não preciso saber de onde vêm porque para mim nada vem e nada acontece.

Por que deveria saber de onde vêm? Qual seria a utilidade   disso? O que eu ganharia se soubesse de onde vêm? E quem seria o ganhador de saber de onde vêm? Quem precisa desta vantagem? Perguntas atrás de perguntas.

A resposta   é sempre – ‘eu’. E isso já é uma ideia!

P: Se se souber de onde vêm, pode-se ficar um pouco mais alerta...

K: De onde vem o ’eu’? E quem quer saber de onde vem o ‘eu’? Só eu!

P: O Si mesmo  ...

K: O Si mesmo não precisa saber nada, apenas o ‘eu’ precisa saber. Assim, o ’eu’ cria os problemas que não existiriam sem o ’eu’. Agora você cria o problema porque você não existiria sem o problema.

Uma ideia cria a ideia de que a ideia precisa conhecer a ideia e de onde ela vem. Mas sem a ideia de “eu” não haveria sequer uma ideia. Um conceito precisa saber de onde vem o conceito.

P: Minha abordagem é erradicar a própria raiz...

K: Mas quem precisa arrancar a raiz?

P: É por isso que eu queria saber da raiz...

K: Mas quem conhece a raiz? E quem é raiz? Eu sempre digo que o que você acredita ser – o ‘eu’ – cria problemas que não existiriam sem você. E só você quer saber alguma coisa. E ao criar problemas, você sobrevive – isto é tudo.

P: Para fins funcionais, é necessário saber... [telefone toca]

K: Quem está ligando agora? [Risos] De onde vem?

P: A entidade precisa saber para o propósito funcional...

K: Mas eu não tenho nenhum propósito funcional. Não sou   mecânico. Não quero consertar um automóvel. Não estou aqui para consertar algo. E eu não preciso saber por que o carro está sendo dirigido, eu apenas dirijo o carro. Eu não preciso saber quem era o mecânico e quem está dirigindo e para onde eu vou e quem fez o carro? Volkswagen!

A que Ramesh estava se referindo quando disse – por que um pequeno parafuso deveria conhecer toda a máquina  ? E como ele pode saber quem está dirigindo esta máquina e de onde ela vem? Todo mundo tem uma ideia diferente. Mas o que você faria com isto se você o soubesse?

P: Posso estar um pouco alerta, posso ser um pouco cuidadoso...

K: E então?

P: Posso evitar problemas...

K: Então você tem um problema diferente. Então você tem um problema cuidadoso. Você é sempre um zelador de alguma coisa. Cuidando e então você quer controlar. Mas o que você controla controla você – esse é o negócio todo.

Você quer controlar as ideias, então as ideias controlam você. Que ideia! Então você controla todas as ideias e você tem uma mente   pacífica, mas então a mente pacífica controla você! Sempre se precisa de dois   para o controle. Então, tudo o que você controla, controla você. Não é um lado só. Se você controla todo o universo  , o universo controla você. Você está preso pelo controle. Prisão  , prisão, prisão.

Mas na verdade você está ansiando por moksha   e pensa em moksha, eu tenho que controlar a mente. [riso zombeteiro] Que ideia! E por mais que você controle a mente, a mente controla você. Louco!

Que ideia que você tem que controlar algo para a liberdade! Que tipo de liberdade seria – que precisa de controle? Que tipo de conhecimento seria esse que precisa saber alguma coisa? Ou compreender alguma coisa?

Apenas conhecimento relativo, um conhecedor relativo ou um relativo que você chama – maya  . Há uma necessidade  , um pequeno ’eu’ que por medo quer controlar seu entorno. O básico é sempre o medo – o controle. E esse pequeno ’eu’ sempre tentará controlar o ’eu’ - ele mesmo e o ambiente.

Então, temendo ser controlado pela circunstância  , ele tenta controlar a circunstância. E então realmente a circunstância o controla. Apenas por ter medo, por ser controlado, você já é controlado.

P: Minha maneira de controlar é não responder...

K: Então você controla a resposta. Então você está preso por não responder. É outra prisão – apenas outro nome. Respondendo ou não respondendo, precisa de alguém que responda ou não responda, isso já é demais. Ele até quer controlar sua resposta, está ficando cada vez pior  .

Então você faz exercícios de vipassana, só para ficar mais consciente [aware]. Então você se torna um cão de guarda de si mesmo. Então você se torna como Bombaim, em todos os lugares há vigias vigiando todo mundo. E então há um vigia vigiando o outro vigia. [Risos] Observando, observando, observando...

Quando você vai a algum lugar, você tem que se registrar e um vigia está vigiando o outro vigia se ele pedir para você assinar. Porque todo mundo quer controlar e quer ter a posição   do outro. Observando o vigia. É tão óbvio em Bombaim, quantos vigias a cidade precisa? [Risada]

Talvez alguém faça o que não gosta, então precisa de um vigia. Na América também, é tudo paranoia. Segurança interna em todos os lugares. Então você está realmente com medo de quem está controlando a segurança interna? Deus  ! Oh Deus! Fica absurdo. É como um marido ciumento ter medo de que a esposa   vá com o vizinho o tempo todo. Ele não consegue mais dormir  . [Risada]

É como dentro de você quando você tem medo de fazer algo que não gosta. Você se torna um cão de guarda de si mesmo. Porque você tem tantas experiências que algo deu errado. Você prometeu a si mesmo muitas vezes e na verdade fez o oposto. Aí você bebe de novo, aí você fuma de novo, você faz alguma coisa que você não gosta. Então você tem que observar   a si mesmo. Então você cria um detetive interior.

P: A ideia de vigiar   ou controlar também emana da natureza...

K: Não sei se é a natureza, é apenas medo.

P: O medo faz parte da natureza...

K: O medo é todo o universo. Não faz parte da natureza, todo o universo é governado pelo medo. Onde quer que haja dois, há medo. Medo, medo, medo... em todos os lugares!

Toda a maya é medo.

Original

Q: [Another visitor]: Could you tell us how the thought formation takes place? What is the source of the thoughts? From where do they appear?

K: Maybe it’s never forming. Maybe it’s always there.

Q: Where does it come from?

K: Maybe it doesn’t come.

Q: We cannot communicate if the thoughts are not there...

K: We can, but maybe the thoughts are always there. Maybe the next word, the next listening is already there, it’s not coming. It doesn’t have to come.

Q: Do you believe that thoughts are there...

K: No. I don’t believe in thoughts. For me all of that is a reaction of you don’t know what. And I don’t have to know where it comes from because for me nothing ever comes and nothing ever happens.

Why should I know where it comes from? What would be the use of it? What would I gain if I know where it comes from? And who would be the gainer of knowing where it comes from? Who needs that advantage? Questions after questions.

The answer is always – ‘me’. And that’s already an idea  !

Q: If you know where it comes from, we can be a bit more alert...

K: Where does the ‘me’ comes from? And who wants to know where does the ‘me’ comes from? Only me!

Q: The Self...

K: The Self doesn’t need to know anything, only the ‘me’ needs to know. So the ‘me’ creates the problems which would not be there without the ‘me’. Now you create the problem because you would not exist without the problem.

An idea creates the idea that the idea needs to know the idea and where it comes from. But without the idea of ‘me’ there would not even be an idea. A concept needs to know where the concept comes from.

Q: My approach is to eradicate the root itself...

K: But who needs to out root the root?

Q: That’s why I wanted to know the root...

K: But who knows the root? And who is root? I always say that what you believe to be – the ‘me’ – creates problems which would not be there without you. And only you want to know something. And by you creating problems, you survive – that’s all.

Q: For functional purpose, it’s required to know... [phone   rings]

K: Who is calling now? [Laughing] Where does it come from?

Q: The entity needs to know for the functional purpose...

K: But I have no functional purpose. I’m not a mechanic. I don’t want to repair an automobile. I’m not here for repairing something. And I don’t need to know why the car is driving, I just drive the car. I don’t need to know who was the mechanic and who is driving and where do I go and who made the car? Volkswagen!

What was Ramesh referring to when he said – why should a little screw know the whole machine? And how can he know who is driving this machine and where does this machine come from? Everyone has a different idea. But what would you do with it if you know it?

Q: I can be a bit alert, I can be a bit careful...

K: And then?

Q: I can avoid problems...

K: Then you have a different problem. Then you have a careful problem. You’re always a caretaker about something. Taking care about and then you want to control. But what you control controls you – that’s the whole business.

You want to control the ideas, so the ideas control you. What an idea! Then you control all the ideas and you have a peaceful mind, but then the peaceful mind controls you! It always needs two for control. So, whatever you control, controls you. It’s not one side only. If you control the whole universe, the universe controls you. You are imprisoned by control. Prison, prison, prison.

But actually you are longing for moksha and you think for moksha, I have to control the mind. [mockingly laughing] What an idea! And as much you control the mind, the mind controls you. Crazy!

What an idea that you have to control something for freedom! What kind of freedom would it be – that needs control? What kind of knowledge would it be that needs to know something? Or Understand something?

Only relative knowledge, a relative knower or a relative what you call – maya. There is a need, a little ‘me’ who out of fear wants to control his surrounding. The basic is always fear – control. And this little ‘me’ will always try to control the ‘me’ – himself and the surrounding.

So by fearing that he will be controlled by the circumstance, he tries to control the circumstance. And then really the circumstance controls him. Just by being afraid, by being controlled, you’re controlled – already.

Q: My way of controlling is to not respond...

K: Then you control the response. Then you are imprisoned by not responding. It’s another prison – just another name. Responding or not responding, it needs one who responds or doesn’t respond, that’s already one too many. He even wants to even control his responding, it’s getting worse and worse.

Then you do vipassana exercises, just for being more aware. Then you become a watch dog of yourself. Then you become like Bombay, everywhere there are watchmen watching everybody. And then there is one watchman watching the other watchman. [Laughter] Watching, watching, watching...

When you go somewhere, you have to sign-in and one watchman is watching the other watchman if he asked you to sign. Because everyone wants to control and wants to have the position of the other one. Watching the watchman. It’s so obvious in Bombay, how many watchmen does the city need? [Laughter]

Maybe someone would do what one doesn’t like, so I need a watchman. In America too, it’s all paranoia. Homeland security everywhere. Then you are really afraid who is controlling the homeland security? God! Oh God! It gets absurd. It’s like a jealous husband being afraid that the wife goes   with the neighbour all the time. He cannot sleep anymore. [Laughter]

This is like inside when you are afraid that you may do something you don’t like. You become a watchdog of yourself. Because you have so many experiences that something went wrong. You promised yourself many times and you actually did the opposite. Then you drink again, then you smoke again, you do something you don’t like. Then you have to watch yourself. Then you create an inner detective.

Q: The idea of watching or controlling also emanates from the nature...

K: I don’t know if it’s nature, it’s just fear.

Q: Fear is part of the nature...

K: Fear is the whole universe. It’s not part of nature, the whole universe is run by fear. Wherever there is two, there is fear. Fear, fear, fear... everywhere!

The whole maya is fear.


Ver online : KARL RENZ