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Perenialistas Jesus

segunda-feira 28 de março de 2022

    

Perenialistas
René Guénon: Guenon Simbolos Ciencia Sagrada - SÍMBOLOS DA CIÊNCIA SAGRADA
Quando o peixe   é tomado como símbolo de Cristo  , seu nome grego, Ichthus, é considerado como formado pelas iniciais das palavras Iêsous Christos Theou Uios Sóter (Jesus Cristo, de Deus   Filho  , Salvador  ).
A propósito do Crisma «constantiniano», podemos ainda assinalar que a reunião das letras iniciais das quatro palavras da inscrição In hoc signo   vinces, que o acompanha, dá I H S V, ou seja, o próprio nome de Jesus. Esse fato, de um modo geral, parece passar despercebido, sendo no entanto expressamente indicado no simbolismo da «Ordem   da Cruz Vermelha de Roma e de Constantino», que é um side-degree, isto é, um «anexo» dos altos graus da maçonaria inglesa.

Frithjof Schuon  : Schuon Esoterismo Principio Via - O ESOTERISMO   COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
Maria é uma dimensão de Jesus que ele expressou ao dizer: «Meu jugo   é doce e meu fardo, leve  »; aliás, há vantagens em dirigir-se a essa dimensão em particular a fim de atingir a totalidade  .
Como Jesus não teve pai humano, seu corpo e sangue   lhe vieram de Maria, o que continua verdadeiro para as espécies eucarísticas e revela um novo aspecto da qualidade   de «Co-redentora».
Segundo uma teoria   de Ibn Arabi  , Adão   e Maomé   se correspondem no sentido de que um e outro manifestam a síntese — inicial no primeiro caso e terminal no segundo —, ao passo que Seth   e Jesus se correspondem no sentido de que o primeiro manifesta a exteriorização dos dons divinos, e o segundo, sua interiorização por volta do fim do ciclo  . Apresentamos aqui o sentido, não as palavras dessa doutrina  . Poder-se-ia igualmente dizer que Seth manifesta o tashbih, a «semelhança  » ou a «analogia  », portanto, o simbolismo, a participação   do humano no divino e que, inversamente, Jesus manifesta a «abstração  »; portanto, a tendência para um puro «além», pois o reino de Cristo não é deste mundo. Adão e Maomé manifestam, então, o equilíbrio entre o tashbih e o Tanzih, Adão a priori   e Maomé a posteriori. Seth, o revelador dos ofícios e das artes, ilumina o véu da existência terrestre; Cristo rasga o véu obscuro  ;48 o Islamismo, como Religião primordial, combina as duas atitudes.
Assim, se Maria representa o Logos   não-manifesto   e silencioso — nigra sum sed formosa — Jesus será o Logos manifesto e legiferante.
Se no Vedanta   shankariano e não-dualista é o Intelecto   inato — a Consciência   divina imanente — que opera a reintegração no Si-mesmo, no Cristianismo, esse Intelecto salvador exterioriza-se e personifica-se em Cristo e, em segundo lugar, na Virgem. 2° No Hinduísmo, esse mesmo papel cabe, segundo diferentes pontos de vista e, às vezes, combinados, ao grande avatârâ ou à sua shakti  , ou ao guru. A função do Cristo heroico é despertar   e manifestar o Cristo interior; mas, a exemplo do Logos que Jesus manifesta humana e historicamente, o Cristo interior ou o Coração  -Intelecto é universal   e, portanto, transpessoal. 3° Ele é «homem   verdadeiro e Deus verdadeiro» e, em consequência, falando analogicamente, Afoya e Atma  , Samsara   e Nirvana  : jogo   de velar e desvelar e Realidade imutável  ; drama   cósmico   e Paz   divina.

Jean Canteins  : Canteins Misterios Cristicos - MISTÉRIOS E SÍMBOLOS CRÍSTICOS

Em hebreu este nome é Yeshu (u se pronuncia ou, donde derivam as formas gregas: Iesous (vocativo: Iesou) e latina: Iesus (vocativo: Iesu); seja, nos três casos uma palavra bisilábica. Conjuntamente a esta forma “breve” trileteral (YshV), existe uma forma “longa” quadriliteral (YshV’): YeShu’a. é mais que uma simples variante onomástica pois, semanticamente, ela tem por raiz Ysh’ cujo sentido: “salvar” / “salvação” não pode ser indiferente, tratando-se de Jesus. Por outro lado, ao hebreu YeShu’a se contrapõe o árabe ‘Isa. Os dois   nomes têm em comum a letra  Ayn  , específica das línguas semitas. Inexplicavelmente, esta letra se encontra em posição   terminal em YeShu’a e em posição inicial em ‘Isa. É pela adjunção do ‘Ayin que se passou da forma bissilábica YeShu à forma trissilábica (e quadriliteral) YeShua’a. Veremos adiante as implicações cabalistas que foram tiradas. ‘Isa é igualmente quadriliteral (’YSY) mas somente bissilábica, os Ya só figuram como matres lectionis, o primeiro para “alongar” a vocalização I do ‘Ayn inicial, o segundo para “alongar” a vocalização A do Sin final. Contra toda expectativa  , Ísa se escreve sem Vav o que tem por consequência a ausência do fonema U, específica no entanto do Nome de Jesus nas três outras línguas. Lexicalmente, este nome figura sob a raiz ‘YS, que não é significativa, o que dá a pensar que se trata de uma associação artificial. Para o mundo arabofônico, Jesus é um nome estrangeiro ao qual a língua árabe deu uma morfologia “anormal” que não se calca sobre nenhum dos dois nomes hebraicos. Trata-se aí de um fenômeno nada excepcional em onomástica mas é hoje em dia difícil de determinar o processo: a pronunciação aramaica, as deformações do fato dos transmissores orais e dos escribas devem ter participado, sem prejuízo de outros fatores que escapam a toda apreensão  .

O exame   comparativo que precede faz do nome hebreu Yeshu’a um nome aparte cuja particularidade é ainda acentuada pela dupla estrutura   quadriliteral e trissilábica. Como indicamos em “Phonèmes et Archétypes” e “Canteins Letras - La Voie des Lettres”, esta dupla condição caracteriza o Tetragrama  . No entanto, adorar ou equiparar, indistintamente, o Nome de Jesus e o Nome de Deus (IHWH ou Allah) não pode ser o fato de um judeu  , mesmo cabalista, ou de um sufi, as implicações, entre outras “encarnacionistas”, de uma tal aproximação sendo não somente não receptíveis mas formalmente condenáveis por sua própria tradição  . A iniciativa é portanto vinda dos “cabalistas cristãos”. Para melhor apreciar sua argumentação, releiamos o que está escrito por Reuchlin (a referência em “Phonèmes et Archétypes” deve ser corrigida e lida na “Arte cabbalistica III: (...) Tudo o que os cabalistas podem com o Nome inefável (...), os verdadeiros cristãos o podem de uma maneira mais eficaz com o Nome pronunciável de Jesus (...) Eles estimam que “eles pronunciam bem mais justamente o Nome Tetragrama no Nome YHSHVH, o verdadeiro Messias (...)”.

Jacob Boehme   sistematizará a proposta ortografando o Nome de Jesus sob a forma IESHOUA, seja a sequência das vogais latinas na ordem IEOUA ampliada do Shin hebraico (Mysterium Magnum). Aquele que não se satisfaz de tal sincretismo linguístico pode transcrever foneticamente o Nome divino YHWH ainda mais impunemente na medida que sua pronuncia exata está perdida, já há muito tempo, dos judeus eles mesmos por conta de   dela não ter perpetuado a forma — na prática, um nome de substituição sendo empregado em seu lugar. Jacob   Boehme, por seu lado, tirará deste nome híbrido todos os tipos de especulações engenhosas.