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Couliano Psychanodia Intro

segunda-feira 28 de março de 2022

    

Introdução
O livro de Couliano   se propõe como crítica às teorias da religionsgeschichtliche Schule (Anz, Bousset, Reitzenstein, Franz Cumont  , etc.) sobre a ascensão   da alma   durante a Spätantike (baixa antiguidade  ).

A fórmula definitiva dessas teorias é dada por Wilhelm Bousset, afirmando em substância  :

  • a origem   da ascensão celeste é iraniana;
  • sob este tipo originário, a ascensão se desenrola através três céus;
  • mais tarde, sob a influência babilônica, um esquema de sete céus substitui o anterior   de três;
  • nova influência iraniana nos primeiros séculos do cristianismo aportam o dualismo   que será aquele dos sistemas gnósticos  .

Ugo Bianchi demonstra que o dualismo zoroastriano pertence a outro gênero   de dualismo que aquele dos sistemas gnósticos, do qual não seria o ancestral.

W. Anz, predecessor de Bousset afirmava erroneamente que os assírio-babilônicos desconheciam tradições de ascensão: os mitos de Adapa e Etana demonstram o contrário.

Na época de Bousset, estava-se convencido da existência de uma ligação entre os sete estágios do templo   de Borsippa e os sete planetas. Esquecia-se que a cosmologia babilônica adotava um número   variável de céus, de um a dez, com exceção de seis; os babilônicos não relacionavam as esferas celestes aos planetas (trajetórias planetárias eram coplanares), pois não admitiam que os planetas circulavam a diferentes distâncias em relação à Terra   (os gregos foram os primeiros a formular a hipótese das distâncias planetárias em relação à Terra, devido à duração de suas revoluções).

Philippe Gignoux e Gherardo Gnoli reconstituem as posições iranianas paralelas ao desenvolvimento dos relatos da ascensão do helenismo à Idade Média, descartando interações.


Das teorias da religionsgeschichitliche Schule só se salva a ideia de Wilhelm Anz que a ascensão da alma representa o motivo central do Gnosticismo. Hans Jonas   afirma corretamente que a ascensão da alma do gnóstico representava a realização   existencial da gnosis  . Limitado pelas categorias   heideggerianas que empregava hans Jonas perdeu de vista a originalidade da gnose, uma originalidade que se revela sobretudo a partir de textos em língua copta que nos chegaram. Jonas infelizmente só teve acesso em sua pesquisa a mesma documentação disponível para Bousset.

Recomenda-se estudar os quadros narrativos dos tratados em língua cóptica, especialmente Zostriano, que nos apresenta o caminho   que leva a prática gnóstica até a iluminação   final.

Zostriano é apresentado como um adepto que vivendo segundo os preceitos rigorosos de seu grupo permanece no entanto profundamente insatisfeito; Retira-se do mundo criado pelo cosmocrator, para viver   apenas segundo o interesse   da comunidade dos eleitos. Separou-se das trevas do corpo, do caos   psíquico ou desordem   mental   e desta paixão funesta que é a concupiscência  , o desejo (epithymia) sob todas as suas formas; dobrou em si mesmo   tudo pertence à «criação morta» (o mundo visível  ). Sustentou diante da comunidade discursos sobre o mundo hiper-urânico dos eones, as entidades puras de luz formando o pleroma   gnóstico. Zostriano é visitado por presenças do mundo pleromático e meditando sobre a gnose (relações entre o modelo supra-celeste e o cosmos; a existência   separada dos eones e a fragmentação do mundo visível, na individuação do ente). Sua questão é aquela fundamental da metafísica  : porque o que existe, existe?; como da unidade   indivisível   do Primeiro Princípio surgem os eones: Existência, Forma e Beatitude   (ao lado do ([http://hyperlexikon.hyperlogos.info/modules/lexico/entry.php?entryID=101«>arche  ), da origem, que o existir e o ser-tal daquilo que existe, Zostriano põe também o ([http://hyperlexikon.hyperlogos.info/modules/lexico/entry.php?entryID=297»>telos  ), a finalidade, que o terceiro aion   - éon, Beatitude, finalidade de cada ser individualizado.

Zostriano não para de pensar em tudo isto dia após dia, pois embora pertencente aos eleitos, separado mundo infame   da criação, não está satisfeito sem a experiência direta das realidades meditadas e pregadas por ele, mas que lhe fazem falta. Tomado de desespero   pare para o deserto   na intenção   de morrer   de inanição ou de morte violenta, o que então provoca a intervenção do mundo de Luz, que lhe envia um mensageiro, que o condena por sua tentativa de suicídio  , que o lançaria no ciclo   de transmigrações indefinidamente, e lhe orienta a retornar junto aos eleitos continuando a pregar para o zelo   e ciência dos mesmo. Entretanto o mensageiro lhe oferece ainda uma viagem em espírito   ao mundo dos eones (aion), por meio de uma nuvem luminosa que percorre os espaços. Trata-se da nuvem da gnosis, uma espécie de redução à escala do pleroma, e ao mesmo tempo uma visualização desta semente   intelectual que Zostriano porta   em si, sem saber. Batizado, ou seja adotado, em todos os aion - eões sucessivos, ele sobe até a quaternidade suprema, recebendo do grande Authrounios «que domina o topo» do cosmos a resposta   concernente o modelo e a cópia; outra entidade de luz, Ephesech, lhe dá informações mais detalhadas sobre as estruturas e o funcionamento do pleroma.

O gnóstico, que Zostriano é o protótipo, se encontra em uma encruzilhada onde pode seguir o ritual ou a intuição   intelectual; ambas falsas alternativas, até o momento que o gnóstico ele mesmo é capaz de tornar manifesto   a gnose universal   guardada nele mesmo. Ser um verdadeiro gnóstico não significa praticar a gnosis, como processo ritual ou meditação  , mas obter a experiência direta daquilo que se busca, e que já se sabe, que já se é. O que conta é o reencontro com seu próprio Si-mesmo transcendental, a nuvem luminosa, que é paradoxalmente ao mesmo tempo o infinito   da gênese dos mundos e a chispa infinitamente pequena do espírito guardada no homem   (vide Mestre Eckhart  ).

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