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PHILOKALIA

Philokalia-termos: phantasia

segunda-feira 28 de março de 2022, por Cardoso de Castro

    

Philokalia

A faculdade da alma   produtora de imagens, e termo muito presente   na tradição   hesicasta  . Ao se progredir no caminho   espiritual começa-se a «perceber» imagens de coisas que não tem um ponto de referência direto com o mundo exterior, e que emergem inexplicavelmente de dentro de si-mesmo. Esta experiência é um sinal de que a consciência   está começando a aprofundar-se: sensações exteriores e pensamentos ordinários foram de certa maneira aquietados, e os impulsos, medos  , paixões ocultos no subconsciente começam a aflorar. Uma das metas da vida espiritual é de fato se atingir um conhecimento espiritual que transcenda tanto o nível ordinário da consciência quanto da subconsciência; e é verdade que as imagens, especialmente quando o recipiente está um estado   espiritual avançado, podem ser projeções do plano da imaginação   de arquétipos celestiais, e neste caso podem ser usadas criativamente para formar imagens da arte sagrada e iconografia (vide seção Simbolismo e Henry Corbin   e seu «mundo imaginal  »). Mas mais frequentemente elas vão provir de uma esfera   média ou baixa, e não terão nada de espiritual ou criativo. Por conseguinte, correspondem ao mundo da fantasia e não ao mundo da imaginação no sentido próprio. É neste sentido que os mestres hesicastas em sua maioria têm uma atitude negativa em relação a elas. Enfatizam os graves perigos envolvidos neste tipo de experiência, particularmente como a verdadeira produção destas imagens, podem ser a conseqüência da atividade   demoníaca ou diabólica; e advertem aqueles nos estágios preliminares e não possuindo discriminação   espiritual (diakrisis) para não serem encantados e levados cativos pelas aparências ilusórias, cujo tumulto pode conquistar a mente  . Os hesicastas aconselham a prestar atenção   (prosoche  ), mas perseverar com oração   e invocação, desfazendo seu encantamento com o nome de Jesus Cristo  . [Philokalia  , glossário da versão inglesa]

Teodoro o Grande Asceta

Entretanto, uma distinção deveria ser feita entre diferentes espécies de conhecimento. Conhecimento aqui na terra   é de duas espécies: natural e supranatural. O segundo pode ser compreendido por referência ao primeiro. O conhecimento natural é aquele que a alma pode adquirir através do uso de suas faculdades   e poderes naturais quando investigando a criação e a causa   da criação; até onde, é claro, isto é possível para uma alma presa a matéria. Pois, quando falamos dos sentidos, da imaginação e do intelecto, deve ser dito que a energia do intelecto é embotada pela estar junta e misturada com o corpo. Como resultado, não pode ter contato direto com formas inteligíveis, mas requer, para apreendê-las, a imaginação, a qual por natureza usa imagens, e compartilha em extensão   material e densidade. Deste modo, o intelecto enquanto na carne   necessita usar imagens materiais a fim de apreender formas inteligíveis. Chamamos conhecimento natural, então, qualquer conhecimento que o intelecto em tal estado adquire por seus meios naturais.

Conhecimento supranatural, por outro lado, é aquele que entra no intelecto em uma maneira transcendente a seus próprios meios e poder; quer dizer, os objetos inteligíveis que constituem tal conhecimento superam a capacidade do intelecto junto ao corpo, de modo que um conhecimento deles pertence naturalmente apenas a um intelecto que está livre do corpo. tal conhecimento é infundido só por Deus   quando Ele acha um intelecto purificado de todo apego material e inspirado divino amor. [Theoretikon]