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nous

segunda-feira 28 de março de 2022

    

Então abriu-lhes o entendimento (nous) para compreenderem as Escrituras  . (Lc   24:45)

Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha   contra a lei do meu entendimento (nous), e me prende debaixo da lei do pecado   que está nos meus membros. Miserável homem   que eu sou  ! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus   por Jesus Cristo   nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento (nous) sirvo à lei de Deus, mas com a carne   à lei do pecado. (Rm 7:23-25)


PHILOKALIA   Citações dos Padres - em nosso site francês

A inteligência  , o nous, que reaparece constantemente na Philokalia é essencialmente o intelecto intuitivo - René Guénon diria a intuição   intelectual -, estranho ao discurso. Pequena Philokalia  

Tradução inglesa:
Intelecto, enquanto a mais alta faculdade no homem, através da qual - se purificada (vide katharsis  ) - ele conhece a Deus ou as essências ou princípios interiores - logoi   (vide logos  )- das coisas criadas por meio da apreensão direta ou percepção espiritual. Distinta da dianoia ou razão, da qual deve ser bem distinguida, o intelecto não funciona pela formulação de conceitos abstratos e pela argumentação sobre estes para alcançar uma conclusão dedutiva, mas compreende a verdade divina por meio de uma experiência imediata, intuição ou «simples cognição» (expressão   de S. Isaac o Sírio). O intelecto habita nas «profundezas da alma  »; constitui o aspecto mais interior do coração   (S. Diadochos §§ 79, 88). O intelecto é o órgão da contemplação   - theoria -, o «olho do coração» (Homílias Macarianas).

Tradução francesa:
A dupla faculdade que tem a pessoa   de pensar o mundo e de contemplar Deus.

Primeiros Padres da Philokalia - Kadloubovsky e Palmer:
A palavra «mente  » traduziu o equivalente russo usado para tradução de nous, incluindo assim um domínio   de sentidos incluindo razão discursiva e a faculdade de conhecimento direto ou apreensão intelectual da Verdade. O adjetivo «mental» deve ser compreendido como incluindo um domínio de sentidos também. A natureza do homem é tripartita, compreendendo corpo, alma e espírito  ; a mente é em certos contextos equivalente ao espírito; a alma também é tripartite, compreendendo os poderes pensante, excitante e desejante. As passagens em Antão podem esclarecer melhor esta questão.

Máximo o Confessor: Quarta Centúria do Amor

    • 50. Aquele que renunciou tais coisas como casamento  , possessões e outros interesses mundanos é exteriormente um monge  , mas pode ainda não ser um monge interiormente. Somente aquele que renunciou as imagens conceituais apaixonadas destes coisas fez um monge de seu eu interior, o intelecto (nous). É fácil ser um monge em seu eu exterior se se quer ser; mas não é pequena luta (agon) ser um monge em seu eu interior (nous). Quarta Centúria do Amor
    • 73. E é por isto que Ele também diz, «Vende tudo que possuis e dê esmolas» (Luc XII, 33), «e descobrireis que tudo é limpo para vós» (Luc XI, 41). Isto se aplica aqueles que não mais dispendem seu tempo em coisas do corpo, mas esforçam-se para limpar o intelecto (nous) (que o Senhor denomina «coração») do ódio (orge  ) e da dissipação. Pois estes últimos corrompem o intelecto e não permitem que veja Cristo, que nele habita pela graça   (kharis) do santo batismo  .

Hiérothée Vlachos
Este termo designa geralmente a parte mais espiritual da inteligência, a «fina ponta» da alma - psyche -, o lugar da consciência   e da lucidez espirituais. Em certos contextos, se torna quase o coração - kardia -, no sentido bíblico deste termo. A nous não deve ser confundida com a inteligência discursiva e racional. (Entretiens avec un ermite de la sainte montagne sur la prière du coeur.)

Robin Amis:
Os Padres deixam claro em muitos escritos que a parte da mente que discrimina é «nous», descrita por eles como «o olho da alma», que pode às vezes estar cheio de pensamentos e imagens mas outras vezes livre de tudo isto, ou separada de todo. «Quando não há fantasias ou imagens mentais no coração, o nous está estabelecido em sua verdadeira natureza, pronto a contemplar o que quer que esteja cheio de deleite, espiritual e próximo a Deus» (Philokalia). Mais que isto, os mestres d tradição   interior tais como Hesíquio identificam o nous com o eu interior: «Somente o que renunciou aos pensamentos apaixonados de seu eu interior, que é o nous, é um verdadeiro monge. ë fácil ser um monge em seu eu exterior se se quer; mas grande luta é requerida àquele monge em seu eu interior».

Antes de conhecer Deus, este «olho interior» deve ser transformado ou iluminado direcionado-o para Deus, e não Mamon. «O corpo vê por meio dos olhos, e a alma por meio do nous. Um corpo sem olhos é cego  , e não pode ver o sol   brilhando na terra   e no oceano e desfrutar sua luz. Da mesma maneira a alma sem um puro intelecto e uma santo modo de vida é cega: não apreende Deus». Os termos que se usam para traduzir nous, mente e intelecto, são enganosos. A justa compreensão do termo nous pode ser alcançada pelo dito de Jesus no Evangelho de Tomé - Logion 42-43, onde se descreve o estado   próprio do «olho da alma», vendo uma ação de um centro   de gravidade   diferente, o qual pode formar uma nova fundação para vida.

Mestre Eckhart  : CENTELHA DIVINA; CHISPA


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