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Posthumous Pieces

Wei Wu Wei (PP:Prefácio) – A Suprema Ilusão

Prefácio

domingo 28 de agosto de 2022, por Cardoso de Castro

    

Na ausência   dos conceitos relacionados e interdependentes de “espaço” e de “tempo”, nenhum elemento   do universo   aparente poderia ser concebido, conhecido ou aparentemente experimentado, e nenhuma “entidade” poderia ser imaginada para conhecer ou experienciar qualquer tal elemento.

    

tradução

Se percebermos claramente a diferença  
Entre a apreensão   direta na Íntegra-mente  
E compreensão relativa pelo raciocínio
Na mente   dividida em sujeito  -objeto,
Todos os mistérios aparentes desaparecerão.
 
Pois isto será considerado ser a chave
Que abre as portas da incompreensão.
I
 
Quem poderia ser para ser nascido  , ser vivido, ser morto?
 
O que poderia ser para ser trazido à existência ou ser levada para fora da existência?
 
Onde poderia ser um ‘espaço’ no qual a existência   objetiva poderia ser estendida?
 
Quando poderia ser um ‘tempo’ no qual a existência objetiva poderia ser estendida?

Estas noções, assim questionadas, pertencem a quem quer que não tenha profundamente considerado estes pressupostos fáceis e condicionados, pois todas são imagens conceituais na mente, a facticidade suposta que é tão imaginária como qualquer miragem, alucinação, ou sonho  , e tudo que é experimentado tanto como factual e atual.

Mas a suprema ilusão   não é aquela da incidência de ‘nascimento’, ‘vida’, e ‘morte’ como tal, mas aquela de haver qualquer entidade objetiva para experimentar estas ocorrências conceituais.

A ilusão acessória é que a extensão   espacial e temporal sujeita à qual a ilusão suprema de entidade é tornada possível e sem o qual nenhuma ‘entidade’ poderia aparecer   para sofrer   qualquer experiência que seja.


II

Na ausência   dos conceitos relacionados e interdependentes de «espaço» e de «tempo», nenhum elemento   do universo   aparente poderia ser concebido, conhecido ou aparentemente experimentado, e nenhuma «entidade» poderia ser imaginada para conhecer ou experienciar qualquer tal elemento.

Portanto, não pode haver nenhuma entidade factual a ser nascida, ser «vivida» ou a ser «morta», nem qualquer objeto factual a ser trazido à existência ou retirado da existência.

E segue-se que todos os fenômenos são apenas tais, isto é, aparição na mente, percebida e conhecida pela mente ela mesma, por meio da dicotomia de divisão   em sujeito e objeto, e o processo resultante de raciocínio pela comparação   de contrapartes mutuamente dependentes e opostas que constitui o processo de conceituação.


III

A Unicidade implícita, a totalidade da mente indivisa, é ela própria um conceito de sua própria divisão ou dualidade  , pois relativamente – relatividade sendo relativa ao que ela mesma é – ela não pode ser concebida ou conhecida.

Tudo o que se poderia saber sobre ela é simplesmente que, sendo Absoluto, ela deve necessariamente ser desprovida de qualquer tipo de existência objetiva, outra que da totalidade de todos os fenômenos possíveis que constituem sua aparência relativa.

IV

Durante os dois milênios e meio da história registrada, nenhum dos sábios foi capaz de transmitir além ou uma outra representação do que entes sencientes aparentes são em relação ao universo aparente no qual eles parecem ser estendidos espacial e temporalmente. A elaboração religiosa de sua própria base metafísica  , por mais reconfortante que seja, na verdade só pode confundir a questão; mas isso não significa que essa elaboração seja em algum grau mais ou menos falsa ou mais ou menos verdadeira em si mesma, relativamente considerada, do que qualquer outra especulação  , mas apenas que ela deva necessariamente pertencer, embora aparentemente espiritual, ao universo conceitual dentro do qual ela herda.

Com base nesse entendimento, deve ser claro o caminho   para a percepção direta do que cada um de nós é e do que todos somos como seres sencientes aparentes; pois, sem esse esclarecimento necessário, que é a negação de todo o absurdo positivo que nos mantém em suposto «apego», somos como crianças perdidas em uma floresta conceitual de nossa própria imaginação  .

Poucas pessoas provavelmente leiam essas linhas que não estejam buscando realização  , mas a realização não precisa de busca, e a busca sempre manterá a aparente ausência de realização. Se a floresta imaginária foi clareada, precisamos apenas olhar para perceber o que, quando e onde estamos, que não é o que sabemos, mas o que ‘EU SOU  ’, e esse não-nascido, não-vivido, não-perecível, é aqui e agora e para sempre.


Não estendido conceitualmente no “espaço”,
Não prolongado conceitualmente no “tempo”,
Sem forma, portanto, e sem duração,
Não nascido, portanto, e imortal,
Eternamente somos enquanto eu.

Original

If we clearly apperceive the difference
Between direct apprehension in Whole-mind
And relative comprehension by reasoning
In mind divided into subject-and-object,
All the apparent mysteries will disappear.
 
For that will be found to be the key
Which unlocks the doors of incomprehension.
I
 
Who could there be to be born, to be lived, to be killed?
 
What could there be to be brought into existence or to be taken out of existence?
 
Where could there be a “space” in which objective existence could be extended?
 
When could there be a “time” during which objective existence could have duration?

These notions, so queried, belong to whoever has never profoundly considered these facile and conditioned assumptions, for all are conceptual images in mind, the supposed factuality of which is as imaginary as any mirage, hallucination, or dream, and all of which are experienced as both factual and actual.

But the supreme illusion is not that of the incidence of “birth,” “life,” and “death” as such, but that of there being any objective entity to experience these conceptual occurrences.

The accessory illusion is that of spatial and temporal extension subject to which the supreme illusion of entity is rendered possible and without which no “entity” could appear to suffer any experience whatever.


II

In the absence of the related and interdependent concepts of “space” and of “time” no element of the apparent universe could be conceived, could be cognised or apparently experienced, and no “entity” could be imagined in order to cognise or experience any such element.

Therefore there cannot be any factual entity to be born, to be “lived,” or to be “killed,” nor any factual object to be brought into existence or taken out of existence.

And it follows that all phenomena are only such, i.e. appearance in mind, perceived and cognised by mind itself, by means of the dichotomy of division into subject and object, and the resulting process of reasoning by the comparison of mutually dependent and opposing counterparts which constitutes the process of conceptualisation.


III

The implied Unicity, the totality of undivided mind, is itself a concept of its own division or duality, for relatively— relativity being relative to what itself is—it cannot be conceived or known at all.

All that could ever be known about it is simply that, being Absolute, it must necessarily be devoid of any kind of objective existence whatever, other than that of the totality of all possible phenomena which constitute its relative appearance.


IV

During the two-and-a-half millennia of recorded history none of the sages has been able to transmit further or other representation of what apparent sentient-beings are in relation to the apparent universe in which they appear to be spatially and temporally extended. Religious elaboration of its own metaphysical basis, however comforting it may be, factually can only confuse the issue; but this does not mean that such elaboration is in any degree more or less false or more or less true in itself, relatively regarded, than any other speculation, but only that it must necessarily belong, however apparently spiritual, to the conceptual universe in which it inheres.

On the basis of this understanding the way should be clear for direct apperceiving of what each of us is and what all of us are as apparent sentient-beings; for without such necessary clearance, which is the negation of all the positive nonsense which holds us in supposed “bondage,” we are like lost children in a conceptual forest of our own imagining.

Few people are likely to read these lines who are not seeking fulfillment  , but fulfillment needs no seeking, and seeking will always maintain the apparent absence of fulfillment. If the imaginary forest has been cleared we have only to look in order to apperceive what, when, and where we are, that it is not what we know, but what “i AM,” and that unborn, unliving, undying, it is here and now and forever.


Non-Being
Unextended conceptually in “space,”
Unprotracted conceptually in “time,”
Formless, therefore, and without duration,
Unborn, therefore, and undying,
Eternally we are as I.


Ver online : WEI WU WEI – POSTHUMOUS PIECES