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Nome em vão

segunda-feira 28 de março de 2022

      

Judaísmo - JUDAÍSMO
Yvan Amar  : LES DIX COMMANDEMENTS INTÉRIEURS

Quantos nomes pronunciamos cada dia, quantas palavras?... Quem quer que tenha praticado um pouco de silêncio foi surpreendido frequentemente por descobrir não a qualidade   do silêncio, mas o valor   da palavra. Quantas palavras, quantos nomes, e qual qualidade de atenção, qual qualidade de vigilância, qual consciência nestas palavras?

Tu não pronunciarás o Nome do Senhor teu Deus   em vão, levianamente (la-shav), em falso.

Seu Nome, eu O pronuncio então com minha boca; eu enuncio, eu falar - digo Seu Nome. São sempre as verdades mais evidentes que são cegueira   - cegantes. Sim, falamos todo tempo, todos os dias. E se, por trás deste Mandamento   de respeitar Nome de Deus - Seu Nome, já não há: tomar em consideração   como falamos?... Se Nome de Deus - Seu Nome é a Palavra das palavras, se esta Palavra deve ser respeitada mais que qualquer outra, como posso respeitar esta Palavra das palavras se já não respeito minha palavra? Portanto, como falo?...

E se este Mandamento, esta injunção fossa a injunção à consciência do «falar», à disciplina da palavra de verdade, à «palavra-consciência», à lembrança de não falar levianamente? Qual é o peso em nossas palavras, por trás de nossas palavras, naquele que fala? Quem fala? Há, assim parece, uma tal distância entre a palavra pronunciada, o que ela quer dizer, de onde ela vem, e quem a pronuncia; há uma tal irresponsabilidade da palavra!

Me é pedido: «Respeita o Nome do Senhor», o Nome dentre os nomes. Sem mesmo saber por instante   de que nome se trata, o Nome dentre os nomes me demanda de respeitá-Lo. Mas não é presunção, não é arrogante de minha parte dizer: «Sim, pretendo que vou respeitar o Nome de Deus - Nome do Altíssimo, enquanto não tenho o domínio de minha própria palavra? Até onde minha palavra é palavra de verdade? Até onde não é expressão de uma divisão entre o que eu digo e o que eu sou  ?

A palavra indivisa, a palavra que vem Disso, onde não há divisão entre «Eu sou» e «Dizer», esta palavra é a Palavra de Verdade entre todas, é esta Palavra que criou o mundo; é esta Palavra que nos pronuncia constantemente (v. Criação Contínua).

Não somo nós que pronunciamos o Nome de Deus. É esta Verbo - Palavra que, infinitamente, eternamente nos pronuncia, nos diz o «Grande Dizer Verdadeiro», nos conduz à vida, e nos desdobra. É um YHWH   - Nome impronunciável, porque Ele pronuncia tudo. Só podemos ser pronunciados por Ele, e somos constantemente chamados por nosso nome, por esta Verbo de Vida - Palavra de vida.

Deus nos chamada - chama por nosso nome. Ser pronunciado, chamada - ser chamado por seu nome, isso não pode ser reconhecido senão quando em nós não há mais a divisão entre «ser» e «dizer», onde o «dizer», é o «fazer não-fazer - fazer», é o Fiat  . Ser palavra de verdade, é ser o «fazer não-fazer - fazer» de verdade, é o ser   o «fazer não-fazer - agir verdadeiro». Não se trata mais de pronunciar o nome de algum outro em respeitando este Nome. Quando entro na consideração profunda deste Mandamento, não se trata de «Dizer» em respeitando o nome de Deus. O Cristo   disse, judeu   ortodoxo entre os judeus, servidor autêntico da Escritura, o judeu Jesus, Ieshoua, disse: «Foi dito a vossos ancestrais», e Ele citava a Escritura: «Tu não perjurarás, tu não pronunciarás o Nome de teu Senhor em falso; tu não perjurarás, tu darás conta de teus juramentos diante de teu Senhor. Assim, eu, eu vos digo, não jurarás de todo». E Ele adiciona, maravilha das palavras entre todas as palavras, Ele disse (Não jureis): «Tu não jurarás; que teu sim seja sim, que teu não seja não. Todo o resto vem do Maligno».


SUFISMO Ibn Arabi  : SABEDORIA DOS PROFETAS  

Caner K. Dagli   esclarece que o capítulo sobre o Verbo Adâmico começa tratando do Real (al-Haqq  ), que também pode ser considerado como a Verdade ou a Realidade. Significa a Essência de Deus, a Realidade Suprema além de todas as distinções, polaridades e relativizações. A Essência ou Si Mesmo   não é isso ou aquilo, nem não isto ou não aquilo, sendo além de todas as qualificações. [...] Através do emprego de um Nome tal como o Real, se é capaz de evocar a abrangência e totalidade de Deus sem abuso do Nome Alá. Em quase todos os casos onde alguma espécie de identidade está implicada ou afirmada entre o Divino   e suas manifestações, um Nome outro que Alá é usado. Não é uma questão do uso do Nome Alá como tal, mas de usá-lo com pouca propriedade espiritual (adab) e com uma auto-indulgência pseudo-mística. O uso de Ibn Arabi de al-Haqq em instâncias onde divindade e criatura parecem trocar   de lugar no texto é uma expressão da presença vivida e operativa que o Nome Alá evoca para o autor de tal obra e tradicionalmente para a maioria de seus leitores. A economia   do uso do Nome Alá e de outros Belos Nomes   - Nomes que denotam Essências tais como al-Haqq expressa um reconhecimento que não se fala sobre Deus da maneira que se fala sobre outras categorias conceituais.