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República: Parte III (L4. L8-10) — A injustiça no Estado e no indivíduo

quinta-feira 24 de março de 2022

    
  • Parte III (L4. L8-10): A injustiça   no Estado   e no indivíduo  
    • A) A corrupção do Estado ideal e suas formas
      • 1 A queda do Estado ideal
        • Relembrar os traços principais da constituição ideal (monárquica ou aristocrática segundo se tenha um ou mais filósofos na sua cabeça)

          Causas da corrupção

          • Tudo que vem a ser é corruptível  

            Por decorrência de casamentos a contratempo organizados pelos chefes, não há mais "filósofos naturais"

          Relembras as quatro formas defeituosas

          Princípio da correspondência entre formas de constituição e tipos de homens

      • 2 A timocracia (governo da honra  )
        • Conserva numerosos traços da constituição ideal mas prefere as naturezas soldadescas aos filósofos para estar na cabeça do Estado.

          Governantes e Guardiões, ávidos de riquezas, se apropriam dos bens dos artesãos e agricultores que se tornam seus servos

          O homem   timocrático, governado pela ambição, a paixão da glória   e das honras; capaz de apreciar a cultura, mas não de criá-la, duro   para os escravos, doce com seus pares

      • 3 A oligarquia
        • O enriquecimento de uns e a inveja   dos outros fazem passar da timocracia à oligarquia

          O poder vai então para os ricos e a cidade se divide em dois  , ricos e pobres, sempre em luta  

          O abismo   entre ricos e pobres só faz se agravar

          • impotência crescente da minoria privilegiada
          • os pobres se tornam mais e mais perigosos para o Estado que deve tratá-los pela força

          O homem oligárquico é inteiramente dominado por seu desejo de se enriquecer, que não recalca a não ser pelo medo dos desejos nocivos

      • 4 A democracia
        • Os pobres se revoltam na primeira ocasião contra os ricos tão nulos
        • Daí a democracia, mosaico de todos os regimes possíveis
        • Regime de "liberdade" total, de bom prazer, ninguém está em comando ou em obediência
        • O homem democrático satisfaz todos seus desejos
          • distinção dos desejos necessários, reagrupando os desejos indispensáveis e úteis

            o homem democrático os satisfaz a todos, ao azar  , sem discernimento  , e faz sucessivamente um pouco de tudo

      • 5 A tirania
        • O excesso   de liberdade e desprezo das leis fazem passar da democracia à tirania

          • passa-se de um extremo (a liberalidade) ao outro (a servidão)

          O povo escolhe para defendê-lo dos ricos um homem a que concede todos os poderes e uma guarda   pessoal

          O tirano cresce este exército e a redireciona contra o povo

          O homem tirânico é dominado pelo desejos desregrados (aqueles que se manifestam no sono, a loucura ou sob o império da bebida)

          Ele é ele mesmo tiranizado por seus desejos eróticos e extermina tudo o que lhe faz obstáculo; a vida criminal do homem tirânico

    • B) Quem , do homem justo ou injusto (do filósofo ou do tirano) é o mais feliz?
      • Primeira prova, política

        • se o indivíduo se assemelha a um cidade (analogia   entre a estrutura   da alma   e aquela do Estado), o homem tirânico é ele mesmo tiranizado por seus desejos e seus medos  , que são mestres dele

          ele é o menos livre (ele está sob o império de suas paixões)

          ele é o menos rico (ninguém é rico cujos desejos não podem ser jamais satisfeitos)

          ele é o que tem menos segurança (vive no medo)

          então, ele é o mais infeliz

        Segunda prova, psicológica

        • a comparar as duas vias a respeito do prazer, o melhor juiz é o filósofo, único a ter feito a experiência do prazeres particulares às três partes da alma, que têm cada uma sues desejos próprios

        Terceira prova, filosófica

        • os prazeres os mais sensuais são impuros, pois eles são ilusoriamente exagerados pelo sofrimento   dos quais procedem

          as satisfações intelectuais são puras e também mais reais (na proporção da realidades de seus objetos).

          o tirano, acorrentados aos desejos os mais baixos, é o mais afastado dos prazeres puros e reais acessíveis unicamente ao filósofo

        Conclusão (e resposta   final à afirmação   inicial de Glaucon (360e), segundo a qual a injustiça é vantajosa, se ela não é punida)

        • o homem, forma única que recobre três figuras

          • a de um monstro de cabeças múltiplas
          • a de um leão
          • a de um homem

          a honestidade   submete a parte bestial da parte humana (ou divina) e a desonestidade submete a parte doce à parte selvagem

          o sábio   realiza nele a Cidade ideal

    • C) A má educação   pelas artes de ilusão   como causa   da injustiça
      • 1 Como a representação, na arte, está ligada à realidade  
        • A imitação  
          • os três leitos
            • o leito pintado
            • o leito particular
            • a idéia de leito
          • seus três artesãos
          • A imitação distanciada da realidade dos três graus
        • A poesia, notadamente homérica, ignora aquilo de que fala
          • O poeta, e em particular Homero  , não pode em nenhum caso ser o educador da humanidade
        • Pintura e poesia, artes de ilusão
          • Elas imitam não a realidade ela mesma mas sua aparência
      • 2 A poesia dramática: seu mecanismo e seus conflitos
        • Tragédia e comédia fazem apelo às emoções, deformadoras do real, não à razão  , objetiva
      • 3 Terceira acusação   contra a poesia
        • Efeitos perniciosos da tragédia e da comédia sobre o caráter.
        • É preciso portanto se manter em guarda contra Homero e os poetas
  • Conclusão geral sobre o problema da justiça
    • 1 A imortalidade da alma ( [1]- [2])

      • Demonstração da imortalidade da alma

        • toda coisa que possui em si um mal tende a ser destruída
        • inversamente sua excelência   própria a preserva

        Se uma coisa não é destruída por seu vício de constituição interna, nada o pode

        Assim a doença   acaba por destruir o corpo

        Mas posto que a injustiça - mal interno - não pode vencer a alma, nada - de externo - não o pode

        É preciso considerar que a verdadeira natureza da alma aparece quando ela está destacada do corpo e se associa então livremente a seus objetos próprios

      2 Recompensas da justiça, durante esta vida, da parte dos deuses ( [3]- [4])

      Recompensas da justiça após a morte: Mito   de Er o Pamphyliano (mito da escolha   do destino) ( [5] até o fim)

      • Er, morto em uma batalha, retorna à vida e relata o que viu no além. As almas, julgadas, e punidas ou recompensadas na proporção de sua conduta sobre a terra  

        Estrutura do mundo

        Antes de renascer   à vida mortal  , as almas devem, em uma ordem fortuita, escolher o gênero   de vida ao qual elas serão em seguida ligadas necessariamente: "cada um é responsável de sua escolha, o deus está fora de causa"

        Descrição da escolha das vidas pelas almas, aí incluso aquelas dos animais, em geral segundo os hábitos de sua vida anterior  

        Em seguida depois de ter bebido a água da planície de Lethe   para tudo esquecer elas renascem à vida

        Praticando a justiça, estaremos em paz   com nós   mesmo e com os deuse e seremos felizes sobre esta terra e sempre.


[1Rep10:608c

[2Rep10:612a

[3Rep10:612a

[4Rep10:614a

[5Rep10:614a