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THE TENTH MAN

Wei Wu Wei (TM:72) – Tempo

72. What is Time ?

vendredi 13 mars 2020

Excerto de WEI WU WEI Wei Wu Wei
Terence Gray
Terence James Stannus Gray (1895-1986)
. The Tenth Man. Boulder : Sentient Publications, 2003, p. 151-154

nossa tradução

Ao considerar o problema do "tempo", seria desejável entender o que as pessoas geralmente querem dizer com a palavra. Deixe-me tomar dois exemplos de jornais, um francês e o outro inglês, que estão na minha frente. O francês refere-se a "la marche objective? et inexorable du temps". Essa afirmação parece ser um exemplo típico da visão segundo a qual nos destacamos observando a passagem do tempo, que parece objetiva e inexorável, isto é, uma força estranha a nós mesmos e aos eventos, aos quais todos nós e os eventos estamos sujeitos. O inglês afirma : ‘Ele (o tempo) não é uma corrente rolando - para quem está parado à margem para vê-la ? Somos nós que fazemos o rolamento, não o tempo. E toda essa rolagem deve estar relacionada às possíveis revoluções de um sistema solar, por conveniência. . . mas por conveniência de quem ?” Essa afirmação adota o ponto de vista oposto : ’tempo’ não se move, somos nós que passamos por um ’tempo’ estacionário e distingue entre tempo como duração e tempo como medida de duração . Ambos são exemplos inteligentes e, acredito, confiáveis das atitudes atuais em relação à temporalidade. Será observado, no entanto, que em ambos o ’tempo’ é considerado objetivamente, como alguma força estranha a nós mesmos, pela qual passamos ou que passa através de nós. Nos dois, somos vistos como indivíduos fenomenais.

Considerando o assunto de maneira mais geral, no Ocidente vemos o ’tempo’ como começando no passado : falamos de ’passado, presente e futuro’ e não ’futuro, presente e passado’. Sem dúvida, existe no fundo de nossas mentes o conceito de que Deus criou o mundo? em algum momento passado e que ele evolui para um futuro desconhecido, e também que cada um de nós nasceu no passado e envelheceu em direção a um futuro desconhecido, que imaginamos que nós mesmos criamos. No Oriente, pelo contrário, eles tendem a pensar no futuro como um fluxo para um presente e então passando para um tempo passado. Mas fazemos isso também ocasionalmente, e ambos os conceitos consideram o tempo como um fator objetivo, estranho a nós mesmos, ao qual nós e os eventos estamos inexoravelmente sujeitos. Pode-se notar, no entanto, que se estivéssemos no fluxo do tempo, não deveríamos estar cientes de que estava fluindo, a menos que tivéssemos pelo menos um pé na margem ou, a menos que eventos observáveis estivessem estacionários e intocados pelo fluxo, conceito tal que nos separaria irrevogavelmente dos eventos.

Parece claro de tudo isso que nossas noções de ’tempo’ são vagas e inconsequentes para dizer o mínimo.

Metafisicamente, mesmo filosoficamente, agora é possível notar que não se pode dizer que nenhuma "coisa" como o "passado" exista senão como uma memória, sempre e inevitavelmente incompleta e distorcida, pelo que quer que tenha sido ela foi além da recordação e nunca foi como um ’passado’. Pode ter sido como um ’presente’, mas o que é isso ? Qualquer evento que estivesse presente em uma sequência temporal independente de nós mesmos como observadores, já está no suposto ’passado’ mais cedo na sequência temporal do que poderíamos tê-lo percebido, desde o complicado processo de percepção via retina, mudanças celulares químicas, impulsos nervosos, alterações celulares químicas adicionais na matéria cerebral e interpretação psicológica requerem um lapso de tempo que deve resultar em um "intervalo de tempo", no qual um "presente" subsequente aparecerá quando o "presente" anterior foi percebido e concebido. Portanto, nenhum presente pode ser conhecido por existir ; no máximo, pode-se afirmar que um evento que uma vez esteve presente foi subsequentemente interpretado e registrado como tendo sido observado. Quanto ao futuro, podemos imaginá-lo, correta ou incorretamente, mas não o conhecemos até que se torne um ’passado’ que, por si só, não tenha nenhuma existência evidencial.

Não parece, portanto, que tenhamos alguma evidência da existência de divisões como passado, presente e futuro, ou que elas existam de outra maneira que não sejam interpretações conceituais da noção de um ’tempo’ objetivo que ’passa’. Essa conclusão não é original : Huang Po Huang Po
Huángbò
Huangbo
Ōbaku Kiun
Huángbò Xīyùn, Huang-po Hsi-yün ou Huangbo Xiyun (mort en 850), maitre bouddhiste de l’école Chan.
afirma que ’o passado não passou, o futuro ainda não chegou, o presente é um momento fugaz’, o que pode ser dito como implicação do que acabou de ser elaborado.

Não podemos agora aceitar apenas a conclusão dos filósofos, de Heráclito Heraklit
Héraclite
Heráclito
Heraclitus
a Kant Kant Emmanuel Kant (Immanuel en allemand), philosophe allemand , que chegaram a entender que nada como "tempo" poderia ter uma existência objetiva ?

Original

In considering the problem of ‘time’ it should be desirable to understand wnat people in general mean by the word. Let me take two examples from newspapers, one French and the other English, which happen to be in front of me. The French one refers to ’la marche objective et inexorable du temps’. That statement appears to be a typical example of the view according to which we stand apart observing the passage of time, which appears to be objective and inexorable, i.e. a force foreign to ourselves and to events, to which we and events are all subjected. The English one states ‘It (time) is not a rolling stream—for who is standing on the bank to see it ? It is we who do the rolling, not time. And all this rolling has to be related to the chance revolutions of a solar system, for convenience . . . but for whose convenience ?’ This statement takes the opposite point of view : ‘time’ does not move at all, it is we who move through a stationary ‘time’, and it distinguishes between time as duration and time as a measurement of duration. Both are intelligent and, I think, reliable examples of current attitudes towards temporality. It will be observed, however, that in both ‘time’ is regarded objectively, as some force foreign to ourselves, through which we pass or which passes through us. In both ‘we’ are seen as phenomenal individuals.

Considering the matter? more generally, we in the West regard ‘time’ as beginning in the past : we speak of ‘past, present and future’ and not ‘future, present and past’. No doubt there lies at the back of our minds the concept that God created the world at some past moment of time and that it evolves towards an unknown future, and also that each of us was born in the past and grows older towards an unknown future which we imagine that we ourselves create. In the East, on the contrary, they tend to think of the future as flowing into a present and then passing into a passed time. But we do that also on occasion, and both concepts regard time as an objective factor, foreign to ourselves, to which we and events are inexorably subjected. One may note, however, [152] that if we were in the stream of time we should not be aware that it was flowing unless we had at least one foot, so to speak, on the bank or unless observable events were stationary and untouched by the stream, which concept would separate us irrevocably from events.

It seems clear from all this that our notions of ‘time’ are vague and inconsequent to say the least.

Metaphysically, even philosophically, speaking it may now be noted that no such ‘thing’ as the ‘past’ can be said to exist otherwise than as a memory, always and inevitably incomplete and distorted at that, for whatever it may have been it has gone beyond recall and has never been as a ‘past’. It might have been as a ‘present’, but what is that ? Any event that was present in a time-sequence independent of ourselves as observers, is already in the supposed ‘past’ earlier in the time-sequence than we could have become aware of it, since the complicated process of perception via retina, chemical cellular changes, nerve impulses, further chemical cellular changes in the brain-matter, and psychological interpretation requires a lapse of time which must result in a ‘time-lag’ whereby a subsequent ‘present’ will have appeared by the time the previous ‘present’ has been perceived and conceived. Therefore no present can be known to exist ; at most it might be maintained that an event which had once been present has subsequently been interpreted and recorded as having been observed. As for the future, we may imagine it, correctly or incorrectly, but we have no knowledge? of it until it has become a ‘past’ which itself has been seen not to have any evidential existence?.

It does not appear, therefore, that we have any evidence for the existence of such divisions as past, present and future, or that they exist at all otherwise than as conceptual interpretations of the notion of an objective ‘time’ that ‘passes’. This conclusion is hardly original : Huang Po states that ‘the past has not gone, the future has not yet come, the present is a fleeting moment’, which may be said to imply what has just been elaborated.

May we not now just accept the conclusion of philosophers, from Heraclitus to Kant, who came to understand that no such thing as ‘time’ could have any objective existence ?

[153] Clearly it is a waste of time (this precious ‘thing’ we are dealing with !) discussing ‘time’ as an objective factor in our living, for it cannot possibly be such. If we wish to understand what it is we must look for its explanation nearer home. It must in fact be an aspect of whatever we ourselves are, and as such anyone who looks in the right direction, which is within, with a fasting mind?, will immediately see that so it must be. Its aspect as a measurement of duration, based on astronomical factors, is artificial and secondary, and can henceforth be neglected, for that is entirely conceptual, as is also what is called ‘psychological’ or personal‘time’, so that we are only concerned here with time as a synonym for duration.

As such it can readily be apprehended as the active counterpart of ‘space’ which is static, as a measurement thereof, that direction of measurement which measures volume in terms of duration.


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