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The Philosophy of the Commentators, 200-600 AD

Sorabji (PC1:15ss) – percepção

Introdução

segunda-feira 14 de fevereiro de 2022, por Cardoso de Castro

    

SORABJI  , Richard. The Philosophy of the Commentators, 200-600 AD: A sourcebook. Vol. 1: Psychology. Ithaca: Cornell University Press, 2005, p. 15ss]

    

No Teeteto   186A-187A, Platão sustenta que a percepção praticamente nada pode fazer sem a ajuda   da razão  , e o médio   platonista, Alcino  , elabora esta visão   em seu Didaskalikos (c. 4), defendendo que não haveria reconhecimento perceptual sem a razão. Assim isto rejeita a visão de Aristóteles que a percepção é inteiramente separada da razão e que os animais   podem usar simplesmente a percepção por si mesma, enquanto completamente destituídos de razão. Mas uma qualificação é que a espécie relevante de razão, para Alcino, é empiricamente baseada e manifestada em opiniões (doxastikos logos  ).

Este desacordo quanto ao papel da razão na percepção dos sentidos se resume assim: Platão afirma que a percepção dos sentidos por apreender muito pouco sem razão e opinião; Aristóteles nega a razão e a opinião racional aos animais, e assim permite um conteúdo mais rico a percepção sensorial destes, e concede a eles também uma faculdade informativa para apreender como as coisas aparecem, a phantasia  , que, diferentemente de Platão, ele distingue nitidamente da doxa racional.

Nesta controvérsia os comentadores platonistas nos séculos II a VI desenvolvem a insistência de Platão na razão fazendo a percepção dos sentidos implicar na «projeção  » de conceitos da mente   para fins de reconhecimento: imaginação, comunicação linguística, compreensão e estudo científico.

Os comentadores, começando com Alexandre de Afrodisia, também marcaram o caminho   para ideia, que veio a se tornar central na moderna Filosofia da Mente por Franz Brentano  , que a percepção sensorial tem objetos intencionais. Os comentadores estavam assim em luta   com a ideia de Aristóteles da recepção da formas na percepção dos sentidos. A interpretação   de Sorabji   é que a forma aristotélica recebida, por exemplo na visão, não era um objeto intencional, mas uma mancha de cor no olho. Os comentadores preocupavam-se que choques no meio do caminho, no ar, entre tais formas, levariam a distorções de percepção. Isto levou-os a distinguir   diferentes graus de espiritualidade versus materialidade nas formas recebidas pelos diferentes sentidos. Novas permutações nos comentários de Avicena   e Tomás de Aquino levaram eventualmente à noção   de um mero objeto intencional de percepção, o qual Brentano ressuscitou da tradição   escolástica.

Assim, Prisciano repete que a razão empiricamente baseada, doxastikos logos  , é requerida para o reconhecimento perceptual. Mas os neoplatonistas deram mais um papel ao logos, agora no sentido de um conceito. O reconhecimento perceptual não pode ocorrer a menos que os rememorados conceitos platônicos seja projetados da mente, para tornar o reconhecimento possível. Deste modo, a harmonização entre Platão e Aristóteles, concernente aos conceitos, se confunde.

A visão platônica no Fédon  , que nossos conceitos são rememorados de uma vida antes de nosso nascimento e armazenados em nossas almas racionais, vai ser adotada pelos comentadores, ajustada em sua interpretação, mas predominante sobre a posição   aristotélica dos Analíticos Posteriores, de que o mais rudimentar conceito universal  , por exemplo de um boi, é baseado em nada mais que muitas memórias de bois percebidos e que a percepção já apreendeu o conceito universal, embora o intelecto desempenhe um papel em algum momento.