Página inicial > Antiguidade > Neoplatonismo (245-529 dC) > Plotino (204-270 dC) – Tratados Enéadas > Plotino - Tratado 19,4 (I, 2, 4) — O efeito da purificação

ENÉADAS

Plotino - Tratado 19,4 (I, 2, 4) — O efeito da purificação

Enéada I, 2, 4

sábado 29 de janeiro de 2022, por Cardoso de Castro

Capítulo 4. O efeito da purificação

  • 1-7: Estado de pureza e processo de purificação
  • 7-11: O que resta após a purificação
  • 12-17: A alma não pode se unir ao bem senão se voltando para ele
  • 18-25: A virtude é o que advém à alma quando ela se volta para o bem. Contemplação e iluminação
  • 25-29: A alma possui marcas dos objetos inteligíveis que não se esclarecem senão quando ela se volta para o Intelecto

nossa tradução

da versão de MacKenna  

4. Chegamos, então, à questão se a Purificação é o todo desta qualidade humana, virtude, ou meramente a precursora a partir da qual segue a virtude? A virtude implica no estado de purificação alcançado ou o mero processo é suficiente para tal, a Virtude sendo algo de menor perfeição do que a pureza realizada que é praticamento o Termo?

Ser purificado é ter purgado tudo de estranho: mas o Bem é algo mais.

Assim antes da impureza entrar havia o Bem, o Bem era suficiente; mas mesmo assim, não o ato de purgação mas a coisa purgada que emerge será o Bem. E resta estabelecer o que este emergente é.

Pode dificilmente provar ser o Bem: O Bem Absoluto não pode ser pensado como tomando sua abóboda com o Mal. Podemos pensar nele apenas como algo da natureza do bem mas concedendo uma dupla aliança e incapaz de permanecer no Bem Autêntico.

O verdadeiro Bem da Alma está na devoção ao Princípio-Intelectual, sua espécie; o mal para a Alma jaz em frequentar estranhos. Não há outra maneira para isto do que purificar a si mesmo e assim entrar em relação consigo mesmo; a nova fase começa por uma nova orientação.

Depois da Purificação, então, há ainda esta orientação a ser feita? Não: pela purificação o verdadeiro alinhamento firma-se realizado.

A virtude da Alma, então, é este alinhamento? Não: é o que o alinhamento aporta interiormente.

E isto é...?

Que se vê; que, como a vista afetada pela coisa vista, a alma admite a impressão, gravada sobre ela e operando dentro dela, da visão que alcançou.

Mas não estava a Alma possuída de tudo isso sempre, ou esqueceu?

O que agora vê, certamente sempre possuiu, mas como disposto na escuridão; não como atuando dentro dela: para afastar a escuridão, e assim vir ao conhecimento de seu conteúdo interior, deve projetar a luz.

Além disso, ela possuía não os originais mas as imagens, quadros; e estes ela deve trazer para um acordo íntimo com as verdades que eles representam. E, além do mais, se o Princípio-Intelectual é dito ser uma posse da Alma, isto é somente no sentido que Ele não é estranho e que a ligação se torna muito íntima quando a visão da Alma é voltada para Ele: de outro modo, embora sempre presente que seja, Ele permanece estrangeiro, assim como nosso conhecimento, se não determina a ação, é coisa morta para nós.

MacKenna

4. We come, so, to the question whether Purification is the whole of this human quality, virtue, or merely the forerunner upon which virtue follows? Does virtue imply the achieved state of purification or does the mere process suffice to it, Virtue being something of less perfection than the accomplished pureness which is almost the Term?

To have been purified is to have cleansed away everything alien: but Goodness is something more.

If before the impurity entered there was Goodness, the Goodness suffices; but even so, not the act of cleansing but the cleansed thing that emerges will be The Good. And it remains to establish what this emergent is.

It can scarcely prove to be The Good: The Absolute Good cannot be thought to have taken up its abode with Evil. We can think of it only as something of the nature of good but paying a double allegiance and unable to rest in the Authentic Good.

The Soul’s true Good is in devotion to the Intellectual-Principle, its kin; evil to the Soul lies in frequenting strangers. There is no other way for it than to purify itself and so enter into relation with its own; the new phase begins by a new orientation.

After the Purification, then, there is still this orientation to be made? No: by the purification the true alignment stands accomplished.

The Soul’s virtue, then, is this alignment? No: it is what the alignment brings about within.

And this is...?

That it sees; that, like sight affected by the thing seen, the soul admits the imprint, graven upon it and working within it, of the vision it has come to.

But was not the Soul possessed of all this always, or had it forgotten?

What it now sees, it certainly always possessed, but as lying away in the dark, not as acting within it: to dispel the darkness, and thus come to knowledge of its inner content, it must thrust towards the light.

Besides, it possessed not the originals but images, pictures; and these it must bring into closer accord with the verities they represent. And, further, if the Intellectual-Principle is said to be a possession of the Soul, this is only in the sense that It is not alien and that the link becomes very close when the Soul’s sight is turned towards It: otherwise, ever-present though It be, It remains foreign, just as our knowledge, if it does not determine action, is dead to us.


Ver online : ENÉADAS I-II (Gredos)