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ENÉADAS

Plotino - Tratado 19,3 (I, 2, 3) — As virtudes são purificações

Enéada I, 2, 3

sábado 29 de janeiro de 2022, por Cardoso de Castro

    

Capítulo 3. As virtudes, sob sua forma mais alta, são purificações

  • 1-10: Platão põe a semelhança ao deus   nas virtudes mais altas que as virtudes cívicas
  • 10-14: A alma   misturada ao corpo recebe dele afetos e opiniões; mas que ela deles se libera e ela se purifica e possui a virtude
  • 15-19: O que são, na alma que se purifica, as quatro virtudes fundamentais (reflexão  , temperança, coragem   e justiça)
  • 19-22: A disposição   da alma impassível é semelhante ao divino
  • 23-27: Pensar não é a mesma coisa para a alma e para o Intelecto
  • 27-30: Linguagem articulada, linguagem interior à alma, linguagem anterior  
  • 31: A virtude pertence propriamente à alma, não ao Intelecto e menos ainda ao Uno
    

nossa tradução

da versão de MacKenna  

3. Chegamos agora àquele outro modo de Semelhança   o qual, lemos, é o fruto   de virtudes sutis: discutindo isto devemos penetrar mais profundamente na essência   da Virtude Cívica e ser capaz de definir   a natureza da espécie mais alta cuja existência devemos estabelecer além de qualquer dúvida.

Para Platão, indiscutivelmente, há duas ordens distintas de virtude, e a cívica não é suficiente para a Semelhança: «Semelhança a Deus  », diz ele, «é uma fuga   dos caminhos e coisas do mundo»: lidando com qualidades de boa cidadania ele não usa o simples termo Virtude mas adiciona a distinta palavra cívica: e além do mais declara todas as virtudes sem exceção serem purificações.

Mas em que sentido podemos chamar as virtudes purificações, e como a purificação leva à Semelhança?

Como a Alma   é má por estar fusionada com o corpo, e por vira a compartilhar os estados do corpo e pensar   os pensamentos do corpo, assim ela seria boa, seria possuída de virtude, se se livrasse dos humores do corpo e se devotasse a seu próprio Ato — o estado   de Intelecção e Sabedoria   — nunca permitisse as paixões do corpo afetá-la — a virtude de Sophrosyne   — sem que temesse destacar-se do corpo — a virtude de Fortitude — e se a razão e o Princípio-Intelectual reinasse — em cujo estado está a Retidão  . Tal disposição   na Alma, se torna assim intelectiva e imune à paixão, não seria errado chamar Semelhança a Deus; pois o Divino  , também, é puro e o Ato-Divino é tal que a Semelhança a ele é Sabedoria.

Mas isto não faria da virtude um estado do Divino também?

Não: o Divino não tem estados; o estado está na Alma. O Ato de Intelecção na Alma não é o mesmo que no Divino: das coisas no Supremo, a Alma apreende algo segundo um modo próprio, algo em absoluto.

Então de novo, a única palavra Intelecção cobre dois   Atos distintos?

Ou melhor, há uma Intelecção primal   e há a Intelecção derivando do Primal e de outro escopo.

Assim como a fala é o eco do pensamento na Alma, assim também o pensamento na Alma é um eco de algures: quer dizer, assim como o pensamento expresso é uma imagem do pensamento-da-alma, assim também o pensamento-da-alma imagina um pensamento acima dele mesmo e é o intérprete da esfera   superior.

A Virtude, da mesma maneira, é uma coisa da Alma: não pertence ao Princípio-Intelectual ou à Transcendência  .

MacKenna

3. We come now to that other mode of Likeness which, we read, is the fruit of the loftier virtues: discussing this we shall penetrate more deeply into the essence of the Civic Virtue and be able to define the nature of the higher kind whose existence we shall establish beyond doubt.

To Plato, unmistakably, there are two distinct orders of virtue, and the civic does not suffice for Likeness: «Likeness to God,» he says, «is a flight from this world’s ways and things»: in dealing with the qualities of good citizenship he does not use the simple term Virtue but adds the distinguishing word civic: and elsewhere he declares all the virtues without exception to be purifications.

But in what sense   can we call the virtues purifications, and how does purification issue in Likeness?

As the Soul is evil by being interfused with the body, and by coming to share the body’s states and to think the body’s thoughts, so it would be good, it would be possessed of virtue, if it threw off the body’s moods and devoted itself to its own Act- the state of Intellection and Wisdom- never allowed the passions of the body to affect it- the virtue of Sophrosyne- knew no fear at the parting from the body- the virtue of Fortitude- and if reason and the Intellectual-Principle ruled- in which state is Righteousness. Such a disposition in the Soul, become thus intellective and immune to passion, it would not be wrong to call Likeness to God; for the Divine, too, is pure and the Divine-Act is such that Likeness to it is Wisdom.

But would not this make virtue a state of the Divine also?

No: the Divine has no states; the state is in the Soul. The Act of Intellection in the Soul is not the same as in the Divine: of things in the Supreme, Soul grasps some after a mode of its own, some not at all.

Then yet again, the one word Intellection covers two distinct Acts?

Rather there is primal Intellection and there is Intellection deriving from the Primal and of other scope.

As speech is the echo of the thought in the Soul, so thought in the Soul is an echo from elsewhere: that is to say, as the uttered thought is an image of the soul-thought, so the soul-thought images a thought above itself and is the interpreter of the higher sphere.

Virtue, in the same way, is a thing of the Soul: it does not belong to the Intellectual-Principle or to the Transcendence.


Ver online : ENÉADAS I-II (Gredos)