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ÉTICA A NICÔMACO

Aristóteles (EN:III,2) – decisão

LIVRO III - CAPÍTULO 2

segunda-feira 10 de janeiro de 2022

2. Escolha distinta do voluntário: o objeto da escolha é o resultado de deliberação prévia.

Caeiro

Definidas que estão as ações? voluntárias e involuntárias, [1111b4] segue-se agora? a discussão? acerca da decisão?. A decisão é, na verdade?, 5 [70] o que de mais próprio? concerne a excelência e é melhor do que as próprias ações no que respeita a avaliação dos caracteres? Humanos.

A decisão parece, pois, ser voluntária. Decidir e agir voluntariamente não é, contudo, a mesma coisa?, pois, a ação voluntária é um fenômeno? mais abrangente. E por essa razão? que ainda que tanto as crianças como os outros seres vivos possam participar? na ação voluntária, não podem, contudo, participar na decisão. Também dizemos que as ações voluntárias dão-se subitamente, mas não assim de acordo? com uma decisão.

10 Os que dizem que a decisão é um desejo? [epithymia?], ou uma afecção? [thymos?], ou um anseio? [bouleusis], ou uma certa opinião? [doxa?], não parecem dizê-lo corretamente, porque os animais irracionais? não tomam parte? nela. Por outro? lado, quem não tem autodomínio? age cedendo ao desejo, e, desse modo?, não age de acordo? com uma decisão. Finalmente, 15 quem tem autodomínio age, ao tomar uma decisão, mas não age, ao sentir um desejo. Um desejo pode opor-se a uma decisão, mas já não poderá opor-se a um outro desejo [1]. O desejo tem em vista? o que é agradável? e o que é desagradável. A decisão, contudo, não é feita em vista do desagradável nem do agradável. A ira menos ainda. O que resulta da ira parece ser ainda menos feito por uma 20 decisão. Mas certamente nem o anseio, ainda que lhe seja um fenômeno afim. De fato?, não há decisão que se possa tomar acerca de coisas? impossíveis. E caso alguém diga que coisas impossíveis podem ser decididas, é parvo. Anseia-se sempre pelo impossível?, por exemplo?, pela imortalidade?. Um anseio é, então, acerca daquilo que nunca poderá ser obtido pelo próprio, por exemplo, que um 25 ator ou um atleta vença. Ora nada? disso acontece por decisão de ninguém. Apenas se pode decidir daquilo que se julga poder vir a acontecer através de si próprio. Além? do mais, anseia-se pelos fins?, e decidem-se dos meios [v. telos], por exemplo, nós ansiamos por restabelecer a saúde, mas apenas decidimos aquilo através do qual viremos a obter saúde; também dizemos que ansiamos por ser felizes, contudo, dizer que decidimos ser felizes não é adequado?. Em geral?, 30 parece que a decisão é acerca daquelas coisas que nos dizem respeito? e dependem de nós [eph hemin?]. Mas uma decisão também não será nenhuma opinião [doxa]. Primeiro, porque parece que uma opinião se forma? acerca de tudo, e não menos acerca das coisas eternas e impossíveis do que acerca das coisas que nos dizem respeito e que dependem de [71] nós. Mas a opinião é diferenciada por ser falsa ou verdadeira, não por ser má ou boa; é mais a decisão que é diferenciada por estas qualidades? [boa e má].

Em geral, na verdade, ninguém diz, eventualmente, a respeito de nada que uma decisão é o mesmo que uma opinião. Mas uma [1112a1] decisão não é também sequer o mesmo que uma opinião determinada.

É porque nos decidimos bem ou mal? que somos deste ou daquele modo [bons ou maus], mas não por formarmos uma opinião. Decidimos agarrar qualquer coisa boa ou deixar escapar qualquer coisa má ou coisas deste gênero?. Por outro lado, é do domínio? da opinião o formarmos parecer de que qualquer coisa existe, do que convém a alguém ou do modo como lhe convém. Quer dizer, não formamos propriamente a opinião de agarrar qualquer coisa ou 5 deixá-la escapar. Assim, a decisão é louvada por escolher? o que deve, mais do que por ser feita corretamente; a opinião, por sua vez?, é louvada por ser formada verdadeiramente. Decidimo-nos, então, sobretudo pelo que sabemos que é bom; formamos, por outro lado, opinião acerca do que não conhecemos perfeitamente. Demais, não parece que os mesmos se decidam pelo que opinam ser o melhor de tudo. Alguns há, de fato, que formam uma opinião acerca do que 10 é melhor, mas por serem perversos não se decidem pelo que devem.

Mas não faz diferença? nenhuma se a opinião se faz antes de a decisão estar? tomada ou se lhe é simultânea; não é isto que estamos a examinar, mas antes se a decisão é o mesmo que alguma opinião determinada.

Que poderá ser, então, uma decisão? Qual será a sua essência?, uma vez que, como vimos, não se trata de nenhuma das operações mencionadas? Uma decisão parece tratar-se de um ato voluntário?, 15 mas nem todo o ato voluntário parece ter? de resultar de uma decisão. Implicará, então, uma decisão sempre uma deliberação [bouleusis] prévia? Na verdade, uma decisão implica um sentido? orientador? e um processo? de pensamento?. E o que parece também deixar entender o nome?, como sendo uma escolha preferida em detrimento de outras preteridas.

Bonet

Habiendo definido lo voluntario y lo involuntario, debemos tratar ahora 5 de la elección, ya que parece ser más apropiado a la virtud y mejor juzgar los caracteres que las acciones. Es evidente que la elección es algo voluntario, pero no es lo mismo que ello, dado? que lo voluntario tiene más extensión; pues de lo voluntario participan también los niños y los otros animales, pero no de la elección, y a las acciones hechas 10impulsivamente las llamamos voluntarias, pero no elegidas. Los que dicen que la elección es un apetito, o impulso?, o deseo, o una cierta opinión, [2] no parecen hablar rectamente. En efecto, la elección no es común también a los irracionales, pero sí el apetito y el impulso; y el hombre? incontinente actúa por apetito, pero no por elección; el continente, 15 al contrario, actúa eligiendo, y no por apetito. Además, el apetito es contrario a la elección, pero no el apetito al apetito. Y el apetito es de lo agradable o doloroso; la elección, ni de lo uno? ni de lo otro.

La elección menos aún es un impulso, pues lo que se hace por impulso en modo alguno parece hecho por elección. Tampoco, ciertamente, es un deseo, a pesar de su manifiesta proximidad; pues no hay elección 20 de lo imposible, y si alguien dijera elegirlo, parecería un necio, mientras que el deseo puede ser de cosas imposibles, por ejemplo, de la inmortalidad. Además, el deseo puede ser también de cosas que no podrían ser realizadas de ningún modo por uno mismo, por ejemplo, el deseo de que un cierto actor o atleta sean los vencedores; pero nadie elige estas 25 cosas, sino las que uno cree poder realizar por sí mismo. Por otra parte, el deseo se refiere más bien al fin, la elección a los medios conducentes al fin: así deseamos estar sanos, pero elegimos los medios mediante los cuales podemos alcanzar la salud, y deseamos ser felices y así lo decimos, pero no podemos decir que elegimos , porque la elección, 30en general, parece referirse a cosas que dependen de nosotros.

Tampoco puede ser una opinión. En efecto, la opinión parece referirse a todo, a cosas externas e imposibles no menos que a las que están a nuestro alcance, y se distingue por ser falsa o verdadera, no por ser buena o mala, mientras que la elección, más 1112a bien, parece ser esto último?. En general, entonces, quizá nadie diría que es lo mismo que la opinión, pero tampoco que con alguna en particular?, pues tenemos un cierto carácter? por elegir lo bueno o malo, pero no por opinar. Y elegimos tomar o evitar algo de estas cosas, pero opinamos qué es o a quién le conviene o cómo; pero 5 de tomarlo o evitarlo en modo alguno opinamos. Además, se alaba la elección más por referirse al objeto? debido, que por hacerlo rectamente; la opinión, en cambio, es alabada por ser verdadera. Elegimos también lo que sabemos exactamente que es bueno, pero opinamos sobre lo que no sabemos del todo; y no son, evidentemente, los mismos 10 los que eligen y opinan lo mejor, sino que algunos son capaces de formular? buenas opiniones, pero, a causa de un vicio, no eligen lo que deben. Si la opinión precede a la elección o la acompaña, nada importa: no es esto lo que examinamos, sino si la elección se identifica con alguna opinión.

Entonces, ¿qué es o de qué índole, ya que no es ninguna de las 15 cosas mencionadas? Evidentemente, es algo voluntario, pero no todo lo voluntario es objeto de elección. ¿Acaso? es algo que ha sido ya objeto de deliberación? Pues la elección va acompañada de razón y reflexión, y hasta su mismo nombre parece sugerir que es algo elegido antes que otras cosas.

Saint-Hilaire

§ 1. Après avoir distingué et défini ce qu’on doit entendre par? volontaire et involontaire, l’étude que nous devons faire? à la suite, c’est celle de la décision réfléchie [proairesis]. La décision réfléchie paraît être l’élément le plus essentiel de la vertu ; et bien mieux que les actions mêmes de l’agent?, elle nous permet d’apprécier ses qualités morales. — § 2. D’abord, la décision réfléchie est bien certainement quelque chose de volontaire ; mais la décision n’est pas identique à la volonté, qui s’étend plus loin qu’elle. Ainsi, les enfants et les autres animaux ont bien une part de volonté ; mais ils n’ont pas de décision réfléchie. Nous pouvons bien appeler volontaires des actes spontanés et subits ; mais nous ne disons pas qu’ils sont le résultat d’une décision réfléchie. — § 3. Quand pour expliquer ce qu’est la décision, on la nomme un appétit [epithymia], un emportement [thymos], un souhait [boulesis], une opinion [doxa] d’une certaine sorte?, on ne lui donne pas des noms très exacts. La décision réfléchie ne peut pas être le partage des êtres sans raison, tandis que ces êtres sont susceptibles d’appétit et d’emportement. § 4. L’intempérant qui ne sait pas se dominer est mû par l’appétit : il n’agit pas par décision réfléchie. Au contraire, l’homme tempérant agit par décision réfléchie ; il n’agit pas par l’impulsion de ses appétits. — § 5. Ajoutez que l’appétit peut être souvent l’opposé de la décision réfléchie, et que l’appétit n’est jamais l’opposé de l’appétit. Enfin, l’appétit s’adresse à ce qui est agréable ou pénible ; la décision réfléchie ne s’adresse ni à la peine, ni au plaisir. — § 6. La décision réfléchie peut encore se confondre avec l’emportement ; mais rien ne ressemble moins aux actions déterminées par la décision réfléchie, que celles que nous réalisons par emportement. — § 7. La décision réfléchie n’est pas non plus davantage le souhait, bien qu’elle en semble fort voisine. La décision réfléchie ne s’adresse jamais à des choses impossibles ; et si quelqu’un disait qu’il fait porter sa décision réfléchie sur ces choses, il semblerait être fou?. Au contraire, le souhait peut s’adresser même à des choses ; et l’on peut souhaiter, par exemple, l’immortalité. — § 8. Le souhait s’applique indifféremment à des choses qu’on ne doit pas du tout faire soi-même ; par exemple, à la victoire de tel acteur, de tel athlète auxquels on souhaite le prix. Mais personne? ne dira qu’il se décide à choisir ces choses ; il le dira seulement des choses qu’il croit pouvoir faire personnellement. — § 9. Ajoutez que le souhait regarde surtout le but qu’il poursuit ; la décision réfléchie considère plutôt les moyens qui peuvent y mener. Ainsi, nous souhaitons la santé ; mais nous choisissons par décision réfléchie les moyens qui peuvent nous la donner ; nous disons très bien que nous souhaitons être heureux ; nous ne pourrions pas dire convenablement que nous avons décidé de l’être. C’est que, encore une fois, la décision réfléchie ne s’applique évidemment qu’aux choses qui dépendent de nous. — § 10. Enfin, on ne peut pas dire non plus que la décision réfléchie soit l’opinion ; car l’opinion s’applique à tout, aux choses éternelles et aux choses impossibles, tout aussi bien qu’à celles qui dépendent de nous seuls. Les distinctions qu’on fait concernant l’opinion sont celles du vrai et du faux, ce ne sont pas celles du bien et du mal ; et ces dernières distinctions sont surtout applicables à la décision réfléchie. — § 11. S’il est impossible que personne confonde d’une manière générale la décision avec l’opinion, il n’est pas même possible qu’on la confonde avec telle opinion particulière. C’est parce que notre décision réfléchie porte? sur le bien? ou sur le mal que nous avons ou non un caractère moral? ; ce caractère ne dépend pas de la nature? de nos opinions. — § 12. Notre décision réfléchie s’applique à rechercher telle chose, à fuir telle autre, ou à faire tels autres actes analogues ; tandis que l’opinion nous sert à comprendre ce que sont les choses, à quoi elles servent, et comment on les peut employer. Mais ce n’est pas précisément par l’opinion que nous nous déterminons à fuir les choses ou à les rechercher. — § 13. On loue la décision réfléchie, parce qu’elle s’adresse à l’objet qui convient, plutôt que parce qu’elle est droite ; mais on loue l’opinion surtout parce qu’elle est vraie. Notre décision réfléchie choisit les choses que nous savons être bonnes. Nos opinions s’appliquent à des choses que nous ne connaissons même pas du tout. — § 14. D’autre part, les gens qui font porter leur décision réfléchie sur le meilleur parti, ne sont pas toujours les mêmes qui professent les meilleures opinions ; parfois, ceux qui ont l’opinion la plus juste décident pourtant dans leurs actions, à cause? de leur perversité, ce qu’il ne faudrait pas décider. — § 15. Quant à savoir? si l’opinion précède ou suit la décision réfléchie, peu nous importe ; car ce n’est pas là ce que nous cherchons pour le moment ; nous recherchons seulement si la décision réfléchie est identique à l’opinion, sous quelque forme que ce soit. — § 16. Qu’est-ce donc précisément que la décision réfléchie ? Quelle est sa nature, si elle n’est aucune des choses que nous venons d’énumérer ? Ce qui est certain, c’est qu’elle est volontaire ; mais tout acte volontaire n’est pas le résultat d’une décision réfléchie. Faut-il confondre la décision réfléchie avec la préméditation, avec la délibération qui précède nos résolutions ? Oui, sans doute? ; car la décision réfléchie est toujours accompagnée de raison [logos?] et de pensée discursive [dianoia?] ; et le même mot? qui la désigne, dans la langue? grecque, montre assez qu’elle choisit certaines choses préférablement à certaines autres [πρò ἑτέρων αíρετoν].

Barnes

Both the voluntary and the involuntary having been delimited, we must next discuss choice; for it is thought to be most closely bound up with excellence and [5] to discriminate characters better than actions do.

Choice, then, seems to be voluntary, but not the same thing as the voluntary; the latter extends more widely. For both children and the other animals share in voluntary action, but not in choice, and acts done on the spur of the moment we describe as voluntary, but not as chosen. [10]

Those who say it is appetite or anger or wish or a kind of opinion do not seem to be right. For choice is not common to irrational creatures as well, but appetite and anger are. Again, the incontinent man? acts with appetite, but not with choice; while the continent man on the contrary acts with choice, but not with appetite. Again, [15] appetite is contrary to choice, but not appetite to appetite. Again, appetite relates to the pleasant and the painful, choice neither to the painful nor to the pleasant.

Still less is it anger; for acts due to anger are thought to be less than any other objects of choice.

But neither is it wish, though it seems near to it; for choice cannot relate to [20] impossibles, and if any one said he chose them he would be thought silly; but there may be a wish even for impossibles, e.g. for immortality. And wish may relate to things that could in no way be brought about by one’s own efforts, e.g. that a particular actor or athlete should win in a competition?; but no one chooses such things, but only the things that he thinks could be brought about by his own efforts. [25] Again, wish relates rather to the end?, choice to what contributes to the end; for instance, we wish to be healthy, but we choose the acts which will make us healthy, and we wish to be happy and say we do, but we cannot well say we choose to be so; for, in general, choice seems to relate to the things that are in our own power. [30]

For this reason, too, it cannot be opinion; for opinion is thought to relate to all kinds of things, no less to eternal things and impossible things than to things in our own power; and it is distinguished by its falsity or truth, not by its badness or goodness?, while choice is distinguished rather by these.

Now with opinion in general perhaps no one really says it is identical. But it is [1112a1] not identical even with any kind of opinion; for by choosing what is good or bad? we are men of a certain character?, which we are not by holding certain opinions. And we choose to get or avoid something good or bad, but we have opinions about what a thing is or whom it is good for or how it is good for him; we can hardly be said to opine to get or avoid anything. And choice is praised for being? related to the right [5] object rather than for being rightly related to it, opinion for being truly related to its object. And we choose what we best know to be good, but we opine what we do not know at all; and it is not the same people that are thought to make the best choices and to have the best opinions, but some are thought to have fairly good opinions, but [10] by reason of vice to choose what they should not. If opinion precedes choice or accompanies it, that makes no difference; for it is not this that we are considering, but whether it is identical with some kind of opinion.

What, then, or what kind of thing is it, since it is none of the things we have mentioned? It seems to be voluntary, but not all that is voluntary to be an object of [15] choice. Is it, then, what has been decided on by previous deliberation? For choice involves reason and thought. Even the name seems to suggest that it is what is chosen before other things.


Ver online : ÉTICA A NICÔMACO (Gredos)


[1O desejo pode sobrepor-se com toda a sua eficácia afetiva a uma decisão tomada.

[2Aristóteles pasa a criticar las teorías de sus predecesores sobre la naturaleza de la elección: la elección no es ni un deseo ni una forma de opinión, sino un juicio, fruto de una previa deliberación.