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ENÉADAS

Plotino - Tratado 3,1 (III, 1, 1) — Todas as coisas têm ou não uma causa?

Enéada III, 1, 1

domingo 16 de janeiro de 2022, por Cardoso de Castro

    

Capítulo 1: Todas as coisas têm ou não uma causa  ?

  • 1-6. Ou todas as coisas têm uma causa, ou não têm.
  • 6-13. Entre as coisas eternas, as primeiras não têm causa.
  • 13-24. As coisas no devir, todas têm uma causa.
  • 16-24. É necessário rejeitar, portanto, uma explicação pelos átomos, ou por uma tendência impulsiva da alma  . É necessário distinguir   entre as causas próximas e as causa distantes.
  • 24-36. As causas próximas.
    

nossa tradução

1. Todas as coisas que devêm e todas aquelas que são, ou bem têm uma causa   que dá conta de seu devir ou de seu ser, ou bem são umas e outras sem causa; ou bem, entre as coisas que devêm e as coisas que são, algumas são sem causa, outras têm uma causa; ou bem ainda todas as coisas que devêm têm uma causa, ao passo que, entre as coisas que são, algumas têm uma causa e outras são sem causa, ou ainda não tem causa; ou bem enfim, inversamente, todas as coisas que são têm uma causa, ao passo que, entre as coisas que devêm, umas têm uma causa, ao passo que, entre as coisas que devêm, umas têm uma causa e as outras não, ou mesmo nenhuma tem causa.

Quando, portanto, se trata das coisas perpétuas, não é possível referir as primeiras a outras causas, pois elas são primeiras; entretanto, todas aquelas que dependem das primeiras devem receber   seu ser daquelas. E se alguém define as atividades de cada uma delas, deve referi-las às suas essências; porque isto é seu ser: liberar uma atividade   específica. Todavia, acerca das que devêm ou das que são sempre mas não realizam sempre a mesma atividade  , deve-se dizer que todas surgem segundo uma causa e não se deve admitir o incausado, nem dar espaço para desvios vazios, nem a um movimento   súbito   dos corpos que aconteça sem causa precedente, nem a um ímpeto impulsivo da alma   sem que nada a tenha movido para praticar algo daquilo que antes não fazia. Se não, por isso mesmo a teria uma necessidade   maior, a de não ser de si mesma, mas ser movida por movimentos tais que sejam involuntários e incausados. Pois aquilo que a moveu ou foi o que é volível - quer seja isso externo, quer interno - ou o que é desejável; caso contrário, se nada apetecível a tivesse movido, ela não teria se movido em absoluto.

Se todas as coisas surgem segundo uma causa, é fácil tomar as causas próximas a cada uma e referi-las àquelas: por exemplo, a de caminhar até a ágora é o pensamento   de que é preciso ver alguém ou cobrar uma dívida; e, em geral, a de escolher isto ou aquilo e tender a isso outro é que pareceu bom a cada um fazer exatamente isso. E algumas causas devem ser referidas às artes: a da cura   são a medicina e o médico. E a de enriquecer é um tesouro   encontrado, ou uma doação de alguém, ou lucrar de trabalhos ou de arte. E a do filho   é o pai e se algo extrínseco de uma ou outra origem   cooperou para a procriação: por exemplo, uma alimentação específica ou, um pouco mais remotos, um sêmen propício à procriação ou uma mulher   apta ao parto. E, em geral, à natureza.

Míguez

Todo lo que acontece y todos los seres se dan ciertamente por alguna causa o sin ella. Podría ocurrir también que hubiese acontecimientos y seres sin causa y otros sujetos a ella, o bien que los acontecimientos todos contasen con una causa, en tanto los seres dispusiesen, unos de causa y otros no, o incluso que ninguno proviniese de causa alguna; en sentido inverso, los seres pudieran tener todos alguna causa, mientras entre los acontecimientos unos contarían con ella y otros no, o bien no la tendría ninguno de ellos. Si nos referimos a las cosas eternas, es claro que no parece posible reducir las primeras a causas, por ser precisamente las primeras cosas; mas, cuantas dependen de éstas, reciben su ser de ellas.

Quien quiera dar razón del acto de un ser tendrá que referirlo a su esencia; porque su esencia es esto mismo: la producción de un determinado acto. En cuanto a los acontecimientos o a los seres que son siempre así, pero que no cumplen un mismo acto, diremos que se deben a causas y no admitiremos que se produzca algo sin causa. No convendrá tomar en consideración declinaciones sin sentido, o un movimiento de los cuerpos acontecido súbitamente, sin que nada le preceda, o una inclinación inconstante del alma sin que ninguna cosa mueva a ésta a hacer lo que antes no hacía. Pues es claro que experimentaría, por esto mismo, una necesidad mayor, ya que no dependería de sí y se encontraría como movida por movimientos involuntarios y sin causa. Porque una de dos, o es movida por el objeto de la voluntad - sea éste externo o interno - , o por el objeto del deseo; ahora bien, si no es movida por el deseo, no tendrá en modo alguno movimiento. Si todo lo que acontece tiene su causa, fácilmente deduciremos en cada caso las causas que son más próximas, elevándonos por éstas a (las más lejanas); y así, me dirijo a la plaza pública pensando que me será posible ver a alguien, o bien que podré resarcirme de una deuda y, en general, escoger una u otra cosa, o cumplir uno u otro deseo, lo cual quiere decir que me ha parecido conveniente realizar tal acto.

Algunos acontecimientos nos hacen pensar en las artes; por ejemplo, (la causa) del restablecimiento de la salud es la medicina y el médico; y la causa del enriquecimiento puede ser el descubrimiento de un tesoro, o un legado, o las ganancias derivadas del trabajo o de una profesión. También la causa del hijo es el padre, junto con las demás circunstancias externas concurrentes a la procreación: así, una determinada alimentación y, un poco después, el contar con la aptitud para la generación y con una mujer adecuada para ella. Todas estas cosas se refieren en general a la naturaleza.

Bouillet

I. Ou toutes les choses qui deviennent et toutes celles qui existent ont également une cause, les unes de leur devenir, les autres de leur existence ; ou les unes et les autres n’ont également pas de cause ; ou, dans les premières ainsi bien que dans les secondes, quelques-unes ont une cause, et d’autres n’en ont pas ; ou les choses qui deviennent ont une cause, tandis que celles qui existent, en partie ont une cause, en partie n’en ont pas ; ou aucune des choses qui existent n’a de cause ; ou bien, au contraire, toutes les choses qui existent ont une cause, tandis que celles qui deviennent, en partie ont une cause, en partie n’en ont pas ; ou enfin aucune des choses qui deviennent n’a de cause.

D’abord, dans l’ordre des choses qui existent toujours, les essences qui occupent le premier rang ne peuvent être ramenées à d’autres causes, puisqu’elles sont premières. Quant aux essences qui dépendent des essences premières, admettons qu’elles en tiennent aussi l’existence [1]. Il faut en outre rapporter à chaque essence l’acte qu’elle produit : car, pour une essence, exister, c’est produire tel acte.

Ensuite, dans l’ordre des choses qui deviennent, ou qui, bien qu’elles existent toujours, ne produisent pas toujours le même acte, on peut affirmer hardiment que tout a une cause. Il ne faut pas admettre que quelque chose arrive sans cause [2], ni laisser le champ libre aux déclinaisons arbitraires des atomes (παρεγϰλίσεις) [3], ni croire que les corps entrent en mouvement soudainement et sans raison déterminante, ni supposer que l’âme entreprenne de faire une action par une détermination aveugle (ὁρμῆ ἐμπλήκτῳ) et sans aucun motif [4]. C’est la soumettre à la nécessité la plus pesante que de supposer qu’elle ne s’appartienne pas, qu’elle puisse être entraînée par des mouvements involontaires et agir sans aucun motif. Il faut que la volonté soit excitée ou que la concupiscence soit éveillée par quelque stimulant intérieur ou extérieur. Point de motif, point de détermination [5].

Si tout ce qui arrive a une cause, nous pouvons découvrir les causes prochaines de chaque fait et rapporter ce fait à ces causes. Si l’on se rend à la place publique, c’est qu’on a, par exemple, une personne à y voir ou une créance à recouvrer. En général, toutes les fois qu’on prend une détermination, qu’on accomplit un acte, on a un motif, on croit bien faire. Il est certains faits que nous rapportons aux arts comme à leurs causes, le rétablissement de la santé, par exemple, à la médecine et au médecin. Un homme s’est-il enrichi, c’est qu’il a trouvé un trésor ou reçu quelque libéralité, qu’il a travaillé ou exercé quelque profession lucrative. La naissance d’un enfant a pour cause son père et le concours des circonstances extérieures qui ont favorisé sa procréation par suite de l’enchaînement des causes et des effets, par exemple une certaine nourriture, ou bien encore une cause plus éloignée, la fécondité de la mère [Pour le développement des mêmes idées, Voy. Enn. II, 3, 14.]. La cause générale, c’est la Nature.

Guthrie

POSSIBLE THEORIES ABOUT FATE.

1. The first possibility is that there is a cause both for the things that become, and those that are; the cause of the former being their becoming, and that of the latter, their existence. Again, neither of them may have a cause. Or, in both cases, some may have a cause, and some not. Further, those that become might have a cause, while, of these that exist, some might partly have a cause. Contrariwise, all things that exist may have a cause, while of those that become, parts may have a cause, and part not. Last, none of the things that become might have any cause.

EXCEPT THE FIRST, ALL THINGS ARE CAUSED.

Speaking of eternal things, the first cannot be derived from other causes, just because they are first. Things dependent from the first, however, may indeed thence derive their being. To each thing we should also attribute the resultant action; for a thing’s being is constituted by its displayed energy.

STOIC AND EPICUREAN CAUSELESS ORIGIN REALLY THE UTMOST DETERMINISM.

Now among the things that become, or among those that although perpetually existent do not always result in the same actions, it may be boldly asserted that everything has a cause. We should not admit (the Stoic contention) that something happens without a cause, nor accept the (Epicurean) arbitrary convergence of the atoms, nor believe that any body initiates a movement suddenly and without determining reason, nor suppose (with Epicurus   again) that the soul undertakes some action by a blind -impulse, without any motive. Thus to suppose that a thing does not belong to itself, that it could be carried away by involuntary movements, and act without motive, would be to subject it to the most crushing determinism. The will must be excited, or the desire awakened by some interior or exterior stimulus. No determination (is possible) without motive.

EVERY GOOD THING HAS SOME CAUSE; NATURE BEING THE ULTIMATE CAUSE.

If everything that happens has a cause, it is possible to discover such fact’s proximate causes, and to them refer this fact. People go downtown, for example, to see a person, or collect a bill. In all cases it is a matter of choice, followed by decision, and the determination to carry it out. There are, indeed, certain facts usually derived from the arts; as for instance the re-establishment of health may be referred to medicine and the physician. Again, when a man has become rich, this is due to his finding some treasure, or receiving some donation, to working, or exercising some lucrative profession. The birth of a child depends on its father, and the concourse of exterior circumstances, which, by the concatenation of causes and effects, favored his procreation; for example, right food, or even a still more distant cause, the fertility of the mother, or, still more generally, of nature (or, in general, it is usual to assign natural causes).

MacKenna

1. In the two orders of things - those whose existence is that of process and those in whom it is Authentic Being - there is a variety of possible relation to Cause.

Cause might conceivably underly all the entities in both orders or none in either. It might underly some, only, in each order, the others being causeless. It might, again, underly the Realm of Process universally while in the Realm of Authentic Existence some things were caused, others not, or all were causeless. Conceivably, on the other hand, the Authentic Existents are all caused while in the Realm of Process some things are caused and others not, or all are causeless.

Now, to begin with the Eternal Existents:

The Firsts among these, by the fact that they are Firsts, cannot be referred to outside Causes; but all such as depend upon those Firsts may be admitted to derive their Being from them.

And in all cases the Act may be referred to the Essence [as its cause], for their Essence consists, precisely, in giving forth an appropriate Act.

As for Things of Process - or for Eternal Existents whose Act is not eternally invariable - we must hold that these are due to Cause; Causelessness is quite inadmissible; we can make no place here for unwarranted «slantings,» for sudden movement of bodies apart from any initiating power, for precipitate spurts in a soul with nothing to drive it into the new course of action. Such causelessness would bind the Soul under an even sterner compulsion, no longer master of itself, but at the mercy of movements apart from will and cause. Something willed - within itself or without - something desired, must lead it to action; without motive it can have no motion.

On the assumption that all happens by Cause, it is easy to discover the nearest determinants of any particular act or state and to trace it plainly to them.

The cause of a visit to the centre of affairs will be that one thinks it necessary to see some person or to receive a debt, or, in a word, that one has some definite motive or impulse confirmed by a judgement of expediency. Sometimes a condition may be referred to the arts, the recovery of health for instance to medical science and the doctor. Wealth has for its cause the discovery of a treasure or the receipt of a gift, or the earning of money   by manual or intellectual labour. The child is traced to the father as its Cause and perhaps to a chain of favourable outside circumstances such as a particular diet or, more immediately, a special organic aptitude or a wife apt to childbirth.

And the general cause of all is Nature.


Ver online : ENÉADAS III-IV (Gredos)


[1Pour la hiérarchie des causes, Voy. Proclus, Éléments de Théologie, § 11, 12.

[2Τὸ δ’ ἀναίτιον οὐ παραδεκτέον. C’était une maxime des Stoïciens : « Concladit Chrysippus hoc modo : « Si est motus sine causa, non omnis enuntiatio aut vera aut falsa erit. Causas enim efficientes quod non habebit, id nec verum nec falsum erit. Omnis auteur enuntiatio aut vera aut falsa est. Motus ergo sine causa nullus est. » (Cicéron, De Fato, 10.) Leibnitz a fait de ce principe l’une des bases de son système : « Jamais rien n’arrive sans qu’il y ait une cause ou du moins une raison déterminante, c’est-à-dire quelque chose qui puisse servir à rendre raison a priori pourquoi cela est existant plutôt que de toute autre façon. Ce grand principe (de la raison déterminante) a lieu dans tous les événements, et on ne donnera jamais un exemple contraire. » (Théodicée, I, 544.) Leibnitz est sur ce point d’accord avec saint Augustin, qui a développé le même principe dans son traité De l’Ordre, I, 4.

[3« Deinde ibidem homo acutus [Epicurus], quum illud occurreret : si omnia deorsum e regione ferrentur et, ut dixi, ad lineam, nunquam fore ut atomus altera alteram possit attingere; itaque attulit rem commentitiam : declinare dixit atomum perpaulum, quo nihil fleri posset minus. » (Cicéron, De Finibus, I, 6.)

[4« Epicurus, quum videret, si atomi ferrentur in locum inferiorem suopte pondere, nihil fore in nostra potestate, quod esset earum motus certus et necessarius, invenit, quo necessitatem effugeret, quod videlicet Democritum fugerat : ait atomum, quum pondere et gravitate directo deorsum feratur, declinare paululum. » (Cicéron, De natura Deorum, I, 25.)

[5« Il ne faut pas s’imaginer cependant que notre liberté consiste dans une indétermination ou dans une indifférence d’équilibre, etc. » (Leibnitz, Théodicée, I, § 35.)