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Iamblichus and the Theory of the Vehicle of the Soul

Finamore (FinamoreVS:11-20) – Composição, a geração e o destino último do veículo da alma

Jâmblico e Porfírio sobre a composição, a geração e o destino último do veículo

quarta-feira 29 de dezembro de 2021

FINAMORE  , John. Iamblichus   and the Theory of the Vehicle of the Soul. Chico: Scholars Press, 1985, p. 11-20 (tradução resumida)

Jâmblico   discorda de Porfírio   sobre o “veículo da alma?” sobre três pontos: a composição, a geração e o destino? final.

A composição do veículo seria de uma série de misturas (phyramata) coletadas das esferas celestiais. Jâmblico   em seu comentário ao Timeu   afirma que o veículo é feito de "pantos tou aitheros" (do éter? ele mesmo? e não de vários corpos? etéreos) e que este éter tinha um poder criativo.

A geração do veículo, associada a sua composição, é origin?ária segundo Jâmblico   “dos deuses? eles mesmos, que organizam o cosmos? e desempenham todos seus atos? eternamente”; o veículo é mutável por sua própria natureza?. A geração, segundo Jâmblico  , se dá sem qualquer perda? de substância para os deuses celestiais e sem ter sido coletada deles. Ou seja, o Demiurgo? ele mesmo produz o veículo, como posteriormente afirmado por Proclo  . O veículo é assim “de alguma forma? auto-constituído” e não criado por subtração (aphairesis?) de outros a fim? de que não requeira dissolução (anakysis) de volta em um outro” Proclo  , Comentários ao Timeu  ).

A posição de Jâmblico   a respeito? da geração não deixa claro se ele aceita a crença que a alma em sua descida? para encarnação acumula vestimentas? (periblemata), embora reconheça no De Misteriis que a alma receba um acúmulo de “pneumata” hílicos, especialmente as alma impuras; onde estes pneumata decorrem de associações com demônios e heróis. Jâmblico   parece defender certa separação entre? deuses e seres humanos, entre deuses celestiais e alma encarnada.

Jâmblico   não rejeita a interação entre deuses celestiais e veículo, porém afirma que a origem do veículo não é dos deuses celestiais. Os veículos seriam procedentes e formados pelo zoai theiai, princípios generativos irracionais? dos deuses cósmicos; ou seja de zoai benéficos e não dos pneumata do De Mysterii.

Estes zoai são mencionados de novo em uma citação de Jâmblico   no comentário de Simplicius   da "Categorias?" de Aristóteles  . A passagem refere-se a categoria? aristotélica do "ter" (echein). Nesta passagem, Jâmblico   diferencia entre o que a alma tem de si mesma e o que recebe de fora. A alma tem certas vidas? adquiridas (epiktetoi tines zoai), algumas das quais são de natureza similar? à alma e outras inferiores? às medidas apropriadas da alma. A alma também projeta (proballei) vidas a seu redor e aceita outras do corpo físico ele mesmo.

Quando a alma vem a cada parte? do cosmos, ela aceita certas vidas e poderes (dynameis?), alguns dos quais ela projeta ela mesma e outros ela recebe (lambanousa) do cosmos. Em cada parte do universo?, há corpos apropriados (somata), alguns ela recebe do cosmos e outros corpos orgânicos ela faz de acordo? com seu próprio logoi?. Estes poderes, vidas, e corpos que ela põe de lado (apotithetai) quando quer que ela mude para outro conjuntamento (lexis). Deisto, fica claro que todas estas são adquiridas pela alma e que a alma as tem como diferente de sua essência.

Nesta mesma passagem (fragmento em Simplício  ), Jâmblico   discute a descida da alma dos céus para o corpo físico, demonstrando que ela acumula várias vidas, poderes e (finalmente) corpos orgânicos. Qual é o papel? destas entidades adicionadas?

De acordo? com Em Timeu   Fr. 84, o veículo pneumático ganha forma (morphoumenon) pelas vidas divinas. No frag. 49 do Em Timeu   se afirma que o veículo é esférico, uma forma muito própria ao auto-movimento? e intelecção da alma. O Demiurgo criou o veículo e deixou aos deuses cósmicos para formá-lo em uma esfera?? Parece absurdo?. Parece que estes zoai re-formam o veículo esférico. Esta espécie de formação que é feita não é explicada. Parece provável, entretanto, que as vida divinas entram no veículo e promovem atividades? racionais da alma. (Estas seria as vidas adquiridas que são de natureza similar para alma). Outras vidas, tais como na passagem de Simplicius   se denominam “inferior às medidas apropriadas da alma”, seriam irracionais e distorceriam a atividade racional normal? da alma pura.

Dois? diferentes estágios na vida da alma. Primeiro?, há a alma racional ela mesma existindo por si mesma. Segundo, há a alma racional em um corpo. Jâmblico   refere-se a isto como a vida dupla. Somente as vidas e os poderes inatos pertencem à alma racional. É a vida compósita da alma e corpo que as vidas e os poderes racionais e irracionais atem-se eles mesmos. Assim quando Jâmblico   diz que os poderes estão presentes de um modo? à alma racional e de outro modo ao compósito alma e corpo, ele quer que eles são essencialmente? conectados à alma racional, mas somente adquirido? pelo compósito. Como Jâmblico   diz que a passagem de Simplicius  , as vidas, poderes, e corpos estão separados da essência da alma.

A “vida comum?” ela mesma envolve duas partes: o veículo e o corpo corporal. Assim, o veículo recebe vidas e poderes de diferentes lugares? no cosmo, é claro que pode receber? corpos corporais só na região sublunar onde a matéria existe. A alma, entretanto, se torna mais e mais material? em sua descida.

A concepção de Jâmblico   é similar àquela que Proclus   dá em “Elementos? de Teologia?” (209): o veículo desce e reúne kitones que se torna mais e mais material quanto mais baixo desce; a alma “desce recebendo zoas irracional e ascende removendo todo sua genesiourgous dynameis que são postas ao redor de si em sua descida”.

Jâmblico   também crê que os poderes, vidas e corpos seriam postas a parte na ascensão da alma ao um lexis superior.

A teoria? de Jâmblico   sobre as vestimentas reunidas durante a descida da alma pode assim se compreendida, abandonando as crenças de seus predecessores (em De Anima ele descreve um grupo? de filósofos que sustentam que os envelopes, etéreos, celestiais e pneumáticos são ligados à alma racional (noera zoe?) e a servem como veículos.

Jâmblico   arguiria que estes envelopes não são veículos mas, ao invés, são vidas, poderes e corpos ligados ao veículo etéreo ele mesmo. Assim para Jâmblico   o veículo ele mesmo é etéreo, pega seus “envelopes” das vidas e poderes no universo, e finalmente ele atrai alguns “estranhos pneumata” da região sublunar.

O último ponto? de desacordo entre Jâmblico   e Porfírio   é a respeito do destino último dos veículos. Jâmblico  , de acordo com Em Timeu  , crê que tanto o veículo quanto a alma irracional sejam imortais?. Algumas passagens de seu De Anima ajuda a esclarecer que está em consideração.

No De Anima I, Jâmblico   afirma que “aqueles ao redor de Plotino   e Porfírio  ”dizem que certos poderes irracionais (dynameis) são projetados (proballesthai?) em cada parte do universo. Eles também afirmam que as vidas (zoai) assim projetadas “são liberadas e não mais existem”. Jâmblico   ele mesmo crê que “mesmo estas existem no universo e não são destruídas”.

A menção de dinameis e zoai é reminiscente da passagem de Simplicius   referida acima. Essa passagem tratava da adição de dynameis e zoai durante a descida da alma através do cosmo. A passagem do De Anima trata do se desfazer delas durantes a ascensão. Na passagem de Smplicius, Jâmblico   Afirma que a alma se desfaz delas (apotithetai) assim que muda de posicionamento. No De Anima se vê que tanto Porfírio   quanto Jâmblico   estão de acordo que os poderes e vidas irracionais são liberados da alma, mas Porfírio   pensa que eles cessa de existir? enquanto Jâmblico   defende que continuam a existir no universo.

Mais luz? é dada neste assunto no De Anima I. Aqui? é dito? que "aqueles ao redor de Plotino  " separavam os poderes irracionais da para racional (logos?). Estes filósofos acreditavam seja que os poderes irracionais são lançados na geração ou que são tomados da faculdade do pensamento? discursivo? (dianoia?). Esta visão pode ser interpretada de duas maneiras. A primeira interpretação, Jâmblico   diz, é de Porfírio  : "cada poder irracional (dynamis?) é liberado dentro da vida integral do universo do qual partiu, onde tanto quanto possível cada um permanece imutável (ametabletos)". A segunda maneira de interpretar é de Jâmblico   ele mesmo: "toda a vida irracional, tendo sido separada do dianoia permanece e é ela mesma preservada no cosmos.

Tanto Festugière   e Smith notaram a aparente inconsistência na posição de Porfírio   como dada por Jâmblico   em duas passagens. Estes autores modernos? citam o comentário do Timeu   de Proclo   como uma ajuda à compreensão das crenças de Porfírio  . Proclo   coloca Porfírio   diretamente entre aqueles que dizem que o veículo e a alma irracional são mortais? (Atico e Albino) e aqueles que dizem que são imortais (Jâmblico  ). Porfírio  , de acordo com Proclo  , nega que o veículo e a alma irracional são destruídos mas defende que são quebrados em seus elementos (anastoikeiousthai) e dissolvidos de certa maneira nas esferas das quais obtiveram sua composição, e que estas misturas (phyramata) são das esferas celestiais e a alma as coleta durante sua descida de modo que elas (as mistura?) tanto existem e não existem, e que cada uma desta separadamente (ekasta) não mais existe nem sua individualidade? (idioteta) resta.

Para Porfírio  , o veículo e a alma irracional foram feitos de partículas das esferas celestiais e seu destino último era? retornar ao cosmos. As misturas são dissolvidas mas ainda existem separadamente da alma.

A visão de Jâmblico   é mais complexa. Em resposta à Porfírio  , Jâmblico   afirma (In Timaeus  ) que o veículo e a alma irracional são imortais. Além do mais, como o veículo não é feito de misturas mas é criado por inteiro, ele continuará a viver como um todo depois de sua separação da alma. A alma irracional imortal e o veículo imortal no qual está hospedada recebem várias vida e poderes do cosmos. Quando a alma ascende para o Mais Alto "lexis", estas vidas e poderes são postos de lado. A mudança em lexis é a mudança de alma incorporada, cósmica para alma desincorporada, hipercósmica. O "pôr de lado", portanto, é a separação da alma racional de seu veículo e alma irracional. As várias vidas e poderes não são largados no universo de modo que sejam separados e em certo sentido? não-existentes (cessando de existir como entidade? singular?). Ao invés, são separados da alma racional mas subsistem dentro do veículo e alma irracional, os quais eles mesmos continuam a existir no cosmos.

Este é o “novo pensamento” de Jâmblico  . As vidas e os poderes são liberados mas não dispersos. Este é também o ensinamento dos sacerdotes. Onde Porfírio   errou, na opinião de Jâmblico  , foi em pensar? que cada poder (ekaste) retornou separadamente ao cosmo. Para Jâmblico  , a totalidade? da vida irracional permanece e é preservada (como uma entidade completa) no cosmo.

Há outro ponto que vale notar?. Porfírio   arguiu que a alma irracional foi dissolvida e no entanto permaneceu. Jâmblico   parece ter tido esta frase? curiosa na mente? quando arguiu que o veículo seria mutável em sua própria natureza se fosse criado somente de corpos divinos?. Em outras palavras?, Jâmblico   estava dizendo que o veículo (e a alma irracional e os poderes nela) podem permanecer se o veículo é criado por causa imovíveis.

Depois de citar estas três passagens do De Anima e de Proclus  , Smith resume a diferença entre as visões de Porfírio   e Jâmblico   como segue. A diferença pode

ser traçada precisamente ao modo no qual a alma irracional sobrevive. Para Jâmblico   toda alma irracional sobrevive enquanto para Porfírio   há uma espécie de dissolução dos poderes componentes que de algum modo continuam a existir em um estado? separado. Claramente a personalidade? irracional integral como caracterizada na alma irracional tem grande significado? em Jâmblico  .

A questão que fica é porque deveria Jâmblico   insistir na imortalidade do veículo e da alma irracional? Proclus   sugere uma possibilidade?: que o veículo deve sobreviver ao corpo para que as almas façam uso? dele no Hades? (Fédon  ). Há, entretanto, outra possibilidade.

Em um capítulo de seu De Anima Jâmblico   discute a recompensa da alma (epikarpia). Através deste capítulo, Jâmblico   está lidando com a partida da alma do corpo e a separação da alma racional do veículo. Duas vezes? neste relato?, Jâmblico   toca nas crenças de Porfírio   sobre a alma irracional. Embora ambas as passagens estejam com lacunas, ajudam a explicar? porque Jâmblico   pensou que o veículo era imortal.

A primeira passagem aparece em uma seção concernente ao que pertence à alma racional ela mesma. Esta passagem está dividida em duas comparações entre os antigos e Porfírio  . Os antigos aqui representam a opinião de Jâmblico  . Na primeira comparação, os antigos dizem que a alma racional tem “uma disposição similar aos deuses em intelecto? e uma carga (prostasia) sobre as coisas? aqui (i.e. No reino? da geração). Em contraste Porfírio   não permite que as almas desencarnadas têm tal autoridade? sobre o reino.


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