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FEDRO

Platão (Fedro:227a-230e) — Prólogo

DA BELEZA

quarta-feira 8 de dezembro de 2021, por Cardoso de Castro

      
  • Prólogo (227a-230e)
    • Encontro de Fedro   e de Sócrates (227a-229a)
    • O quadro da entrevista (229a-230e)
      

Nunes

SÓCRATES: - Meu caro Fedro  ! Para onde vais e de onde vens?

FEDRO: - Venho, caro Sócrates  , da casa   de Lísias, o filho   de Céfalo. Vou dar um passeio além dos muros da capital. Estive lá sentado durante muitas horas, desde a madrugada. Obedecendo à prescrição do nosso amigo Acumeno, costumo passear fora dos muros, pois diz ele que tais passeios são deveras salutares.

SÓCRATES: - Acumeno tem razão  , meu caro. Mas, pelo que me dizes, Lísias se encontra na capital.

FEDRO: - Sim, está em casa de Epícrates, que mora no edifício de Mórico, próximo ao templo   do Olimpo.

SÓCRATES: - Qual foi o assunto de vossa conversa? Porventura Lísias vos terá banqueteado com os seus discursos?

FEDRO: - Eu te contarei, se tiveres tempo   para me acompanhar.

SÓCRATES: - Por certo! Não te parece que eu, como diz Píndaro  , seja homem   para sacrificar a qualquer outra coisa o cuidado   de ouvir  -te narrar a conversa que tiveste com Lísias?

FEDRO: - A caminho, então!

SÓCRATES: - Fala.

FEDRO: Acharás muito interessante o que vou dizer, Sócrates, pois é assunto da tua predileção. Falávamos sobre o amor, e não sei como se originou tal palestra. Acontece que Lísias escreveu um discurso semelhante aos que se dirigem a um rapaz bonito. Não tinha, todavia, a forma de uma carta de amante. É justamente isso que o discurso tem de mais notável, pois Lísias sustenta que antes se devem prestar favores a quem não ama do que a um apaixonado.

SÓCRATES: - Que homem perspicaz! Ele devia ter escrito que é melhor ser complacente com o pobre   do que com o rico, com os mais velhos do que com os mais moços, e de modo geral com todos aqueles que padecem de misérias semelhantes às minhas e às de muitos outros como eu. Isso seria um digno trabalho   para um moço devotado aos interesses populares. Mas estou tão ansioso para ouvir esse discurso, que te acompanharia ainda que fosses até Mégara e, seguindo o exemplo de Heródico, voltasses depois de alcançar o muro.

FEDRO: - Qual é a tua opinião  , caríssimo Sócrates? Achas que eu, um ignorante, posso repetir condignamente o que Lísias, o maior escritor da nossa época, trabalhando com calma  , levou tanto tempo a redigir? Oxalá que assim fosse. Isso seria para mim mais do que ganhar uma grande fortuna.

SÓCRATES: - Meu bom Fedro, se eu pudesse enganar-me a respeito de Fedro seria também capaz de esquecer de mim mesmo. Mas nada disso sucede. Tenho certeza   de que esse Fedro não ouviu apenas uma vez o discurso de Lísias. Ele lhe pediu que o repetisse várias vezes, e Lísias acedeu ao seu desejo. Isso, porém, ainda não era suficiente: ele apanhou o manuscrito e leu as partes que achava mais interessantes. Passou toda a madrugada ocupado nele, e quando se cansou de ficar sentado saiu para dar um passeio. Pelo cão! Acredito que ele sabe de cor o discurso, se este não for demasiadamente longo. Além disso, ele se dirige para fora dos muros a fim de gravá-lo bem na memória. E, encontrando um homem ávido de discursos, alegrou-se de vê-lo e de ter junto de si quem participasse do seu entusiasmo   coribântico. Por isso o convidou para acompanhá-lo. Quando, porém, o amigo de discursos lhe pediu que recitasse o de Lísias, ele resistiu e fingiu pouca disposição   para falar, mas acabaria recitando-o ainda

que ninguém o quisesse escutar, mesmo que fosse fazendo violência aos ouvintes. Pede-lhe, pois, caro Fedro, que faça de uma vez o que de qualquer modo acabará por fazer.

FEDRO: - Será preferível, na verdade  , que eu recite o discurso como melhor puder, pois creio que não me deixarás em paz   enquanto eu não o recitar, sendo-te indiferente que o faça bem ou mal.

SÓCRATES: - Tens toda a razão.

FEDRO: - Então farei como já te disse. Realmente, caro Sócrates, não me esforcei por decorar o discurso. Exporei, entretanto, com a exatidão que puder, todas aquelas coisas pelas quais, conforme diz Lísias, o apaixonado se distingue do que não ama. Explicarei tudo ordenadamente, começando pelo princípio.

SÓCRATES: - Antes, porém meu amiguinho, mostra-me o que tens na mão esquerda, debaixo do teu manto! Suspeito que seja o próprio   discurso. Caso eu tenha acertado, convence-te disto: tu és meu grande amigo, mas, estando o próprio Lísias desse modo presente  , estou decidido a não te permitir uma simples repetição do discurso. Bem, deixa lá ver isso...

FEDRO: - Cala-te, caro Sócrates! Puseste por terra   a minha esperança de fazer uma experiência de memória contigo. Onde queres que nos sentemos para ler?

SÓCRATES: - Afastemo-nos aqui da estrada e caminhemos ao longo do Ilisso. Mais adiante poderemos sentar-nos à vontade e estaremos sossegados.

FEDRO: - Ao que parece, escolhi uma boa ocasião para andar sem sandálias. Quanto a ti, Sócrates, andas sempre descalço. É bem agradável banhar os pés e caminhar pela margem deste riacho, e mais agradável ainda nesta estação e nesta hora do dia  .

SÓCRATES: - Então avante! Procura   um lugar   onde nos possamos sentar.

FEDRO: - Vês aquele altíssimo plátano?

SÓCRATES: - Como não!

FEDRO: - Ali há sombra  , relva, e sopra um pouco de brisa. Debaixo dele podemos nos sentar, e até, se quiseres, deitar-nos.

SÓCRATES: - Vamos para lá.

FEDRO: - Dize-me uma coisa, caro Sócrates, não afirma o povo que de um desses lugares, à margem do Ilisso, Bóreas raptou Orítia? Ou foi na colina de Ares? A lenda, com efeito, admite que foi no Ares e não aqui que Orítia foi raptada.

SÓCRATES: - Com efeito.

FEDRO: - Quem sabe se não foi aqui mesmo onde estamos? É bonito este trecho do regato; a água aqui é pura e transparente; este lugar   bem se presta aos folguedos das jovens.

SÓCRATES: - Não foi aqui, mas cerca de três ou quatro estádios   mais abaixo, onde atravessamos o regato em direção   ao templo de Agra. Há naquele ponto um altar a Bóreas.

FEDRO: - Não prestei muita atenção. Mas por Zeus  , caro Sócrates. Dize-me uma coisa: acreditas que esse mito   corresponda à verdade?

SÓCRATES: - Se eu fosse, como os homens doutos, um incrédulo, não seria um homem extravagante, um desses sujeitos que procuram os atalhos ainda não batidos, Se fosse da opinião deles diria, fazendo deduções muito doutas, o seguinte: o sopro de Bóreas arremessou-a nas rochas que existem perto daqui, quando ela brincava com Farmaceia; em consequência disso Orítia morreu, e o povo contou que ela fora raptada por Bóreas. (Ou talvez isso se tenha passado no Areópago, pois também se diz que ela dali teria sido raptada, e não daqui). Eu, caro Fedro, acho tudo isso muito bonito, mas é trabalho para um homem de grande inteligência, a quem o esforço não intimida, e aí não encontramos a felicidade  . Além disso, seria necessário interpretar, a seguir, a figura dos Hipocentauros, a da Quimera  , e finalmente uma multidão de Górgonas e de Pégasos, um número   pasmoso de outras criaturas inexplicáveis e lendárias. Se, por incredulidade, se procura dar verossimilhança a esses seres, usando para isso de uma curiosa e grosseira sabedoria, perde-se nisso o tempo, e não podemos apreciar a vida como convém. O meu lazer, não o destino a essas explicações, e eis aí a razão da minha atitude.

Ainda não cheguei a ser capaz, como recomenda a inscrição délfica, de conhecer a mim próprio. Parece-me ridículo, pois, não possuindo eu ainda esse conhecimento, que me ponha a examinar coisas que não me dizem respeito. Não me interessam essas fábulas e conformo-me, nesse sentido, com a tradição. Não são as fábulas, que investigo: é a mim mesmo. Talvez eu seja um animal   muito mais extravagante e cheio de orgulho   que Tífon; ou, porventura, um animal mais pacífico e menos complicado  , cuja natureza talvez participe de um misterioso e divino   destino, mas que não se enche com os fumos do orgulho... Mas, caro amigo, não será esta a árvore para a qual me conduzias?

FEDRO: - Esta mesmo.

SÓCRATES: - Por Hera  , que é um bonito lugar! Este plátano estende muito os seus ramos e é bem alto, e também este agnocasto tem uma bela altura e lança magnífica sombra. Além disso, está todo em flor e espalha por aqui um cheiro delicioso. Sob a ramagem do plátano corre uma bonita fonte   de água fresca, como a estou a sentir nos pés. A julgar pelas estátuas e oblações, parece ser um lugar consagrado a Aqueloo e às Ninfas. A brisa aqui é suave, e o coro das cigarras ressoa lá no alto, tal como na primavera. O mais belo, porém, é a relva, bastante densa para oferecer à cabeça um confortável travesseiro com o seu brando declive. És um excelente guia, caro Fedro!

FEDRO: - Tu, porém ó homem excêntrico, és o homem mais extraordinário que já se viu. Com tuas palavras, dás a impressão   de ser um estrangeiro que necessita de um guia, e não um cidadão da capital. Pouco sais da cidade e parece que nunca vais para fora dos muros.

SÓCRATES: - Perdão, meu ótimo amigo! Eu desejo aprender  . Regiões e árvores, entretanto, nada me podem ensinar, somente os homens da capital ensinam-me. Mas tu pareces ter encontrado o meio de me levar para fora. Assim como se conduz uma rês faminta mostrando-lhe um ramo ou um fruto  , também a mim, se me acenares com um discurso ou um manuscrito, poderás levar-me por toda a Ática ou para qualquer lugar aonde me queiras arrastar. Neste momento, porém, já que aqui viemos, prefiro deitar-me. Quanto a ti, escolhe a posição   que achares melhor para a tua leitura, e começa!

FEDRO: - Então escuta.

ARCIS

SÓCRATES.—Mi querido Fedro, ¿adónde vas y de dónde vienes?

FEDRO.—Vengo, Sócrates, de casa de Lisias, hijo de Céfalo, y voy o pasearme fuera de muros; porque he pasado toda la mañana sentado junto o Lisias, y siguiendo el precepto de Acumenos, tu amigo y mío, me paseo por las vías públicas, porque dice que proporcionan mayor recreo y salubridad que las carreras en el gimnasio.

SÓCRATES.—Tienes razón, amigo mío; pera Lisias, por lo que veo, estaba en la ciudad.

FEDRO.—Sí, en casa de Epícrates, en esa casa que está próxima al templo de Zeus Olímpico, la Moriquia.

SÓCRATES.—¿Y cuál fue vuestra conversación? Sin duda, Lisias te regalaría algún discurso.

FEDRO.—Tú lo sabrás, si no te apremia el tiempo, y si me acompañas y me escuchas.

SÓCRATES.—¿Qué dices? ¿No sabes, para hablar como Pindaro, que no hay negocio que yo no abandone por saber lo que ha pasado entre tú y Lisias?

FEDRO.—Pues adelante.

SÓCRATES.—Habla pues.

FEDRO.—El verdad, Sócrates, el negocio te afecta, porque el discurso que nos ocupó por tan largo espacio, no sé por qué casualidad rodó sobre el amor. Lisias supone un hermoso joven, solicitado, no por un hombre enamorado, sino, y esto es lo más sorprendente, por un hombre sin amor, y sostiene que debe conceder sus amores más bien al que no ama, que al que ama.

SÓCRATES.—¡Oh!, es muy amable. Debió sostener igualmente que es preciso tener mayor complacencia con la pobreza   que con la riqueza  , con la ancianidad que con la juventud, y lo mismo con todas las desventajas que tengo yo y tienen muchos otros. Sería ésta una idea magnífica y prestaría un servicio a los intereses populares. Así es que yo ardo en deseos de escucharte y ya puedes alargar tu paseo hasta Megara, y, conforme al método de Heródico, volver de nuevo, después de tocar los muros de Atenas, que yo no te abandonaré.

FEDRO.—¿Qué dices, bondadoso Sócrates? Un discurso que Lisias, el más hábil de nuestros escritores, ha trabajado por despacio y en mucho tiempo, ¿podré yo, que soy un pobre hombre, dártelo a conocer de una manera digna de tan gran orador? Estoy bien distante de ello, y, sin embargo, preferiría este talento a todo el oro del mundo.

SÓCRATES.—Fedro, si no conociese a Fedro, no me conocería a mí mismo; pero le conozco. Estoy bien seguro de que oyendo un discurso de Lisias no ha podido contentarse con una primera lectura, sino que volviendo a la carga, habrá pedido al autor que comenzara de nuevo, y el autor le habrá dado gusto, y, no satisfecho aún con esto, concluiría por apoderarse del papel, para volver a leer los pasajes que más llamaran su atención. Y después de haber pasado toda la mañana inmóvil y atento a este estudio, fatigado ya, habría salido a tomar el aire y a dar un paseo, y mucho me engañaría, ¡por el Can!, si no sabe ya de memoria todo el discurso, a no ser que sea de una extensión excesiva. Se ha venido fuera de muros para meditar sobre él a sus anchuras, y encontrando un desdichado que tenga una pasión furiosa por discursos, complacerse inte­riormente en tener la fortuna de hallar uno   a quien comunicar su entusiasmo y precisarle a que le siga. Y como el encontradizo, llevado de su pasión por discursos, le invita a que se explique, se hace el desdeñoso, y como si nada le importara; cuando, si no le quisiera oír, sería capaz de obligarle a ello por la fuerza. Así, pues, mi querido Fedro, mejor es hacer por voluntad lo que habría de hacerse luego por voluntad o por fuerza.

FEDRO.—Veo que el mejor partido que puedo tomar es repetirte el discurso como me sea posible, porque tú no eres de condición tal que me dejes marchar, sin que hable bien o mal.

SÓCRATES.—Tienes razón.

FEDRO.—Pues bien, doy principio
Pero verdaderamente, Sócrates, yo no puedo responder de darte a conocer el discurso palabra por palabra. En cambio, sí me acuerdo muy bien de todos los argumentos que Lisias hace valer para preferir el amigo frío al amante apasionado; y voy a referírtelos en resumen y por su orden. Comienzo por el primero.

SÓCRATES.—Muy bien, querido amigo; pero enséñame, por lo pronto, lo que tienes en tu mano izquierda bajo la capa. Sospecho que sea el discurso. Si he adivinado, vive persuadido de lo mucho que te estimo; pero, supuesto que tenemos aquí a Lisias mismo, no puedo ciertamente consentir que seas tú materia de nuestra conversación. Veamos, presenta ese discurso.

FEDRO.—Basta de bromas, querido Sócrates; veo que es preciso renunciar a la esperanza que había concebido de ejercitarme a tus expensas; pero ¿dónde nos sentamos para leerlo?

SÓCRATES.—Marchémonos por este lado y sigamos el curso del Viso, y allí escogeremos algún sitio solitario para sentarnos.

FEDRO.—Me viene perfectamente haber salido de casa sin calzado, porque tú nunca le gastas. Podemos seguir la corriente y en ella tomaremos un baño de pies, lo cual es agradable en esta estación y a esta hora del día.

SÓCRATES.—Marchemos, pues, y elige tú el sitio donde debemos sentarnos.

FEDRO.—¿Ves este plátano de tanta altura?

SÓCRATES.—¿Y qué?

FEDRO.—Aquí, a su sombra encontraremos una brisa agradable y hierba donde sentarnos, y, si queremos, también para acostarnos.

SÓCRATES.—Adelante, pues.

FEDRO.—Dime, Sócrates, ¿no es aquí, en cierto punto de las orillas del Iliso, donde Bóreas robo, según se dice, a la ninfa Oritia?

SÓCRATES.—Así se cuenta.

FEDRO.—Y ese suceso tendría lugar aquí mismo, porque el encanto risueño de las odas, el agua pura y transparente y esta ribera, todo convidaba para que las ninfas tuvieran aquí sus juegos.

SÓCRATES.—No es precisa­mente   aquí, sino un poco más abajo, a dos o tres estadios, donde está el paso del río para el templo de Artemisa. Por este mismo rumbo hay un altar a Bóreas.

FEDRO.—No lo recuerdo bien, pero dime, ¡por Zeus!, ¿crees tú en esta maravillosa aventura?

SÓCRATES.—Si dudase como los sabios, no me vería en conflictos, podría agotar los recursos de mi espí­ritu, diciendo que el Bóreas la hizo caer de las rocas vecinas donde ella se solazaba con Farmakeia, y que esta muerte dio ocasión a que se dijera que había sido robada por Bóreas, y aun podría trasladar la escena sobre las rocas del Areópago, porque según otra leyenda, ha sido robada sobre esta colina y no en el paraje donde nos hallamos. Yo encuentro que todas estas explicaciones, mi querido Fedro, son las más agradables del mundo, pero exigen un hombre muy hábil, que no ahorre trabajo y que se vea reducido a una penosa necesidad; porque, además de esto, tendrá que explicar la forma de los hipocentauros y la de la quimera, y en seguida de éstos las gorgonas, los pegasos y otros mil monstruos aterradores por su número y su rareza. Si nuestro incrédulo pone en obra su sabiduría vulgar  , para reducir cada uno   de ellos a proporciones verosímiles, tiene entonces que tomarlo por despacio. En cuanto a mí, no tengo tiempo para estas indagaciones, y voy a darte la razón. Yo no he podido aún cumplir con el precepto de Delfos  , conociéndome a mí mismo, y dada esta ignorancia, me parecería ridículo intentar conocer lo que me es extraño. Por esto renuncio a profundizar todas estas historias, y en este punto me atengo a las creencias públicas. Y como te decía antes, en lugar de intentar explicarlas, yo me observo a mí mismo; quiero saber si yo soy un monstruo más complicado y más furioso que Tifón, o un animal más dulce, más sencillo, a quien la naturaleza le ha dado parte de una chispa de divina sabiduría. Pero, amigo mío, con nuestra conversación hemos llegado a este árbol, donde querías que fuésemos.

FEDRO.—En efecto, es el mismo.

SÓCRATES.—¡Por Hera! ¡Precioso retiro  ! ¡Cuán copudo y elevado es este plátano! Y este agnocasto, ¡qué magnificencia en su estirado tronco y en su frondosa copa!, parece como si floreciera con intención para perfumar estos preciosos sitios. ¿Hay nada más encantador que el arroyo que corre al pie de este plátano? Nuestros pies sumergidos en él, acreditan su frescura. Este sitio retirado está sin duda consagrado a algunas ninfas y al río Aqueloo, si hemos de juzgar por las figurillas y estatuas que vemos. ¿No te parece que la brisa que aquí corre tiene cierta cosa de suave y perfumada? Se advierte en el canto   de las cigarras un no sé qué de vivo, que hace presentir el estío. Pero lo que más me encanta son estas hierbas, cuya espesura nos permite descansar con delicia, acos­tados sobre un terreno suavemente inclinado. Mi querido Fedro, eres un guía excelente.

FEDRO.—Maravilloso, Sócrates, eres un hombre extraordinario. Porque al escucharte se te tendría por un extranjero a quien se hacen los honores del país, y no por un habitante de Ática. Probablemente tú no habrás salido jamás de Atenas, ni traspasado las fronteras, ni aun dado un paso fuera de muros.

SÓCRATES.—Perdona, amigo mío. Así es, pero es porque quiero instruirme. Los campos y los árboles nada me enseñan, y sólo en la ciudad puedo sacar partido del roce con los demás hombres. Sin embargo, creo que tú has encontrado recursos para curarme de este humor casero. Se obliga a un animal hambriento a seguirnos mostrándole alguna rama verde o algún fruto y tú, enseñán­dome   ese discurso y ese papel que lo contiene, podrías obligarme a dar una vuelta al Ática y a cualquier parte del mundo si quisieras. Pero en fin, puesto que estamos ya en el punto elegido, yo me tiendo en la hierba. Escoge la actitud que te parezca más cómoda para leer y puedes comenzar.

Jowett

Socrates. My dear Phaedrus, whence come you, and whither are you going ?

Phaedrus. I come from Lysias the son of Cephalus, and I am going to take a walk outside the wall, for I have been sitting with him the whole morning ; and our common friend Acumenus tells me that it is much more refreshing to walk in the open air than to be shut up in a cloister.

Soc. There he is right. Lysias then, I suppose, was in the town ?

Phaedr. Yes, he was staying with Epicrates, here at the house of Morychus ; that house which is near the temple of Olympian Zeus.

Soc. And how did he entertain you ? Can I be wrong in supposing that Lysias gave you a feast of discourse ?

Phaedr. You shall hear, if you can spare time to accompany me.

Soc. And should I not deem the conversation of you and Lysias “a thing of higher import,” as I may say in the words of Pindar, “than any business” ?

Phaedr. Will you go on ?

Soc. And will you go on with the narration ?

Phaedr. My tale, Socrates, is one of your sort, for love was the theme which occupied us — love after a fashion : Lysias has been writing about a fair youth who was being tempted, but not by a lover ; and this was the point : he ingeniously proved that the non-lover should be accepted rather than the lover.

Soc. O that is noble of him ! I wish that he would say the poor man rather than the rich, and the old man rather than the young one ; then he would meet the case of me and of many a man ; his words would be quite refreshing, and he would be a public benefactor. For my part, I do so long to hear his speech, that if you walk all the way to Megara, and when you have reached the wall come back, as Herodicus recommends, without going in, I will keep you company.

Phaedr. What do you mean, my good Socrates ? How can you imagine that my unpractised memory can do justice to an elaborate work, which the greatest rhetorician of the age spent a long time in composing. Indeed, I cannot ; I would give a great deal if I could.

Soc. I believe that I know Phaedrus about as well as I know myself, and I am very sure that the speech of Lysias was repeated to him, not once only, but again and again ; — he insisted on hearing it many times over and Lysias was very willing to gratify him ; at last, when nothing else would do, he got hold of the book, and looked at what he most wanted to see, — this occupied him during the whole morning ; — and then when he was tired with sitting, he went out to take a walk, not until, by the dog, as I believe, he had simply learned by heart the entire discourse, unless it was unusually long, and he went to a place outside the wall that he might practise his lesson. There he saw a certain lover of discourse who had a similar weakness ; — he saw and rejoiced ; now thought he, “I shall have a partner in my revels.” And he invited him to come and walk with him. But when the lover of discourse begged that he would repeat the tale, he gave himself airs and said, “No I cannot,” as if he were indisposed ; although, if the hearer had refused, he would sooner or later have been compelled by him to listen whether he would or no. Therefore, Phaedrus, bid him do at once what he will soon do whether bidden or not.

Phaedr. I see that you will not let me off until I speak in some fashion or other ; verily therefore my best plan is to speak as I best can.

Soc. A very true remark, that of yours.

Phaedr. I will do as I say ; but believe me, Socrates, I did not learn the very words — O no ; nevertheless I have a general notion of what he said, and will give you a summary of the points in which the lover differed from the non-lover. Let me begin at the beginning.

Soc. Yes, my sweet one ; but you must first of all show what you have in your left hand under your cloak, for that roll, as I suspect, is the actual discourse. Now, much as I love you, I would not have you suppose that I am going to have your memory exercised at my expense, if you have Lysias himself here.

Phaedr. Enough ; I see that I have no hope of practising my art upon you. But if I am to read, where would you please to sit ?

Soc. Let us turn aside and go by the Ilissus ; we will sit down at some quiet spot.

Phaedr. I am fortunate in not having my sandals, and as you never have any, I think that we may go along the brook and cool our feet in the water   ; this will be the easiest way, and at midday and in the summer is far from being unpleasant.

Soc. Lead on, and look out for a place in which we can sit down.

Phaedr. Do you see the tallest plane  -tree in the distance ?

Soc. Yes.

Phaedr. There are shade and gentle breezes, and grass on which we may either sit or lie down.

Soc. Move forward.

Phaedr. I should like to know, Socrates, whether the place is not somewhere here at which Boreas is said to have carried off Orithyia from the banks of the Ilissus ?

Soc. Such is the tradition  .

Phaedr. And is this the exact spot ? The little stream is delightfully clear and bright ; I can fancy that there might be maidens playing near.

Soc. I believe that the spot is not exactly here, but about a quarter of a mile lower down, where you cross to the temple of Artemis  , and there is, I think, some sort of an altar of Boreas at the place.

Phaedr. I have never noticed it ; but I beseech you to tell me, Socrates, do you believe this tale ?

Soc. The wise are doubtful, and I should not be singular if, like them, I too doubted. I might have a rational explanation that Orithyia was playing with Pharmacia, when a northern gust carried her over the neighbouring rocks ; and this being the manner of her death, she was said to have been carried away by Boreas. There is a discrepancy, however, about the locality ; according to another version of the story she was taken from Areopagus, and not from this place. Now I quite acknowledge that these allegories are very nice, but he is not to be envied who has to invent them ; much labour and ingenuity will be required of him ; and when he has once begun, he must go on and rehabilitate Hippocentaurs and chimeras dire. Gorgons and winged steeds flow in apace, and numberless other inconceivable and portentous natures. And if he is sceptical about them, and would fain reduce them one after another to the rules of probability, this sort of crude philosophy will take up a great deal of time. Now I have no leisure for such enquiries ; shall I tell you why ? I must first know myself, as the Delphian inscription says ; to be curious about that which is not my concern, while I am still in ignorance of my own self, would be ridiculous. And therefore I bid farewell to all this ; the common opinion is enough for me. For, as I was saying, I want to know not about this, but about myself : am I a monster more complicated and swollen with passion than the serpent Typho, or a creature of a gentler and simpler sort, to whom Nature has given a diviner and lowlier destiny ? But let me ask you, friend : have we not reached the plane-tree to which you were conducting us ?

Phaedr. Yes, this is the tree.

Soc. By Here, a fair resting-place, full of summer sounds and scents. Here is this lofty and spreading plane-tree, and the agnus cast us high and clustering, in the fullest blossom and the greatest fragrance ; and the stream which flows beneath the plane-tree is deliciously cold to the feet. Judging from the ornaments and images, this must be a spot sacred to Achelous and the Nymphs. How delightful is the breeze : — so very sweet ; and there is a sound in the air shrill and summerlike which makes answer to the chorus of the cicadae. But the greatest charm of all is the grass, like a pillow gently sloping to the head. My dear Phaedrus, you have been an admirable guide.

Phaedr. What an incomprehensible being you are, Socrates : when you are in the country, as you say, you really are like some stranger who is led about by a guide. Do you ever cross the border ? I rather think that you never venture even outside the gates.

Soc. Very true, my good friend ; and I hope that you will excuse me when you hear the reason, which is, that I am a lover of knowledge, and the men who dwell in the city are my teachers, and not the trees or the country. Though I do indeed believe that you have found a spell with which to draw me out of the city into the country, like a hungry cow before whom a bough or a bunch of fruit is waved. For only hold up before me in like manner a book, and you may lead me all round Attica, and over the wide world. And now having arrived, I intend to lie down, and do you choose any posture in which you can read best. Begin.


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