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Fourez (CC:110-111) – evolução das disciplinas científicas

sábado 6 de novembro de 2021

FOUREZ  , Gérard. A Construção das Ciências. Tr. Luiz Paulo Rouanet. São Paulo: EDUSP, 1985, p. 110-111

Antes que uma disciplina? nasça, não é sem dúvida? possível dizer a forma? que ela tomará mais tarde. Nisto pode-se comparar? a ciência — tecnologia? intelectual? — com as tecnologias materiais?: o que sucederá à tecnologia automotiva não é pré-determinado, mas é o fruto de um desenvolvimento? histórico contingente? (isto é , não absolutamente necessário).

Assim, a informática não aguardava em uma espécie de mundo? das ideias? para ser "descoberta?" pelos cientistas? do século XX. É provavelmente mais adequado? dizer que uma série de pessoas? forjaram para si mesmas, em meados do século XX, representações de fenômenos de comunicações e de informações que se tornaram tecnologias extremamente eficazes. Essas pessoas formaram uma comunidade? de especialistas que se autodenominou de "informática". Os fenômenos informáticos são então finalmente definidos como aquilo de que se ocupam os especialistas em informática.

Desse modo? representada, a evolução das disciplinas científicas não corresponde a uma lógica da história pré-determinada e previsível. Deve-se mais a uma verdadeira história na qual o novo é possível, assim como bifurcações imprevisíveis, o todo? condicionado por um conjunto de condições sociais, econômicas, culturais? etc, mas não inteiramente determinado por elas. Esse? modelo? da evolução da ciência está ligado a um paradigma, o das estruturas dissipativas. Ter?íamos fenômenos, alimentando-se de energias exteriores?, cujas estruturas macroscópicas não são previsíveis pois, como outros fenômenos históricos, podem ser causadas por modificações microscópicas das condições iniciais. A ciência teria uma verdadeira história, ao passo que os resultados científicos seriam uma construção e não o desenvolvimento das verdades científicas que, desde sempre, teriam esperado ser "descobertas" (sobre essa visão histórica da ciência, ver? Prigogine &. Stengers  , 1979).

Em sua obra? D’une science? à l’autre, des concepts? nômades [De uma ciência à outra, os conceitos nômades], Stengers   e seus colaboradores (1987) analisam como os conceitos se "propagam" de uma disciplina à outra, fortalecendo novos pontos de vista que os cientistas considerarão mais ou menos frequentes. Mostra-se aí também como se opera o "endurecimento" de certos conceitos que se tornam referências incontestes, que eu? denominei de "falsos? objetos? empíricos".


Ver online : A Construção das Ciências