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Metaphors we live by

Lakoff (MLB) – metáforas que vivemos

Concepts We Live By

segunda-feira 1º de novembro de 2021

Excerto traduzido de LAKOFF  , George & JOHNSON, Mark. Metaphors we live by. Chicago: University of Chicago Press, 2003, p. 3-6

portuguêss

A metáfora? é para a maioria das pessoas? um dispositivo da imaginação? poética e do floreado retórico? - uma questão? de linguagem? extraordinária e não comum?. Além? disso, a metáfora é tipicamente vista? apenas como característica? da linguagem, mais uma questão de palavras? do que de pensamento? ou ação?. Por esse? motivo?, a maioria das pessoas pensa que pode se dar perfeitamente bem sem metáfora. Descobrimos, pelo contrário, que a metáfora é difundida na vida? cotidiana, não apenas na linguagem, mas no pensamento e na ação. Nosso sistema? conceitual comum, em termos dos quais pensamos e agimos, é de natureza? fundamentalmente metafórica.

Os conceitos? que governam nosso pensamento não são apenas questões do intelecto?. Eles também governam nosso funcionamento? diário, até os detalhes mais mundanos?. Nossos conceitos estruturam o que percebemos, como lidamos com o mundo e como nos relacionamos com outras pessoas. Nosso sistema conceitual, portanto, desempenha um papel? central na definição? de nossas realidades cotidianas. Se estivermos certos ao sugerir que nosso sistema conceitual é amplamente metafórico, a maneira como pensamos, o que experimentamos e o que fazemos todos os dias é uma questão de metáfora.

Mas nosso sistema conceitual não é algo de que normalmente estamos cientes. Na maioria das pequenas coisas? que fazemos todos os dias, simplesmente pensamos e agimos mais ou menos automaticamente de acordo? com certas linhas. O que essas linhas são não é de forma? alguma óbvio. Uma maneira de descobrir é observando a linguagem. Como a comunicação? é baseada no mesmo? sistema conceitual que usamos para pensar? e agir, a linguagem é uma importante fonte? de evidência? de como é esse sistema.

Basicamente, com base em evidências linguísticas, descobrimos que a maior parte? do nosso sistema conceitual comum é de natureza metafórica. E descobrimos uma maneira de começar? a identificar em detalhes apenas quais são as metáforas que estruturam como percebemos, como pensamos e o que fazemos.

Para dar uma ideia? do que pode significar que um conceito seja metafórico e que estruture uma atividade? cotidiana, vamos começar com o argumento? do conceito e a metáfora conceitual ARGUMENTAÇÃO? É GUERRA?. Essa metáfora é refletida em nossa linguagem cotidiana por uma ampla variedade de expressões:

ARGUMENTAÇÃO É GUERRA

Tuas reivindicações são indefensáveis / Ele atacou todos os pontos fracos da minha discussão? / Suas criticas foram direto ao alvo / Destruí sua argumentação / Jamais ganhei uma discussão contra ele / Discordas? Ok, manda! / Se usares esta estratégia, ele vai acabar contigo / Ele derrubou todos os meus argumentos.

É importante ver que não falamos apenas de argumentos em termos de guerra. Na verdade?, podemos ganhar ou perder argumentos. Vemos a pessoa com quem estamos discutindo como oponente. Atacamos suas posições e defendemos as nossas. Ganhamos e perdemos terreno. Planejamos e usamos estratégias. Se acharmos uma posição? indefensável, podemos abandoná-la e tomar uma nova linha de ataque. Muitas das coisas que discutimos são parcialmente estruturadas pelo conceito de guerra. Embora não haja batalha física?, há? uma batalha verbal, e a estrutura? de uma discussão - ataque, defesa, contra-ataque etc. - reflete isso. É nesse sentido? que a metáfora ARGUMENTAÇÃO É GUERRA é uma que vivemos nesta cultura?; estrutura as ações que realizamos na discussão.

Tente imaginar uma cultura em que os argumentos não sejam vistos em termos de guerra, onde ninguém vence ou perde, onde não há senso de atacar ou defender, ganhar ou perder terreno. Imagine uma cultura em que um argumento é visto como uma dança, os participantes são vistos como artistas e o objetivo? é atuar de maneira equilibrada e esteticamente agradável?. Em tal cultura, as pessoas vêem os argumentos de maneira diferente, os experimentam de maneira diferente, os realizam de maneira diferente e falam sobre eles de maneira diferente. Mas provavelmente não os veríamos discutindo: eles simplesmente estariam fazendo algo diferente. Parece estranho até chamar o que eles estariam fazendo de "argumentar". Talvez a maneira mais neutra de descrever essa diferença? entre a cultura deles e a nossa seja dizer que temos uma forma de discurso? estruturada em termos de batalha e que eles têm uma forma estruturada em termos de dança.

Este é um exemplo? do que significa um conceito metafórico, a saber?, ARGUMENTAÇÃO É GUERRA, para estruturar (pelo menos em parte) o que fazemos e como entendemos o que estamos fazendo quando discutimos. A essência? da metáfora é entender e experimentar um tipo? de coisa? em termos de outra. Não é que os argumentos sejam uma subespécie de guerra. Argumentos e guerras são tipos diferentes de coisas - discurso verbal e conflito armado - e as ações executadas são tipos diferentes de ações. Mas o argumento é parcialmente estruturado, compreendido, realizado e comentado em termos de GUERRA. O conceito é metaforicamente estruturado, a atividade é metaforicamente estruturada e, consequentemente, a linguagem é metaforicamente estruturada.

Além disso, esta é a maneira comum de discutir e falar? sobre algo. A maneira normal? de falarmos sobre atacar uma posição é usar as palavras "atacar uma posição". Nossas formas convencionais de falar sobre argumentos pressupõem uma metáfora da qual quase nunca temos consciência?. A metáfora não está apenas nas palavras que usamos - está em nosso próprio conceito de argumentação. A linguagem da argumentação não é poética, fantasiosa? ou retórica; é literal. Falamos sobre argumentações dessa maneira porque as concebemos dessa maneira - e agimos de acordo? com o modo? como concebemos as coisas.

A afirmação? mais importante que fizemos até agora? é que a metáfora não é apenas uma questão de linguagem, isto é, de meras palavras. Argumentaremos que, pelo contrário, os processos? de pensamento humano? são amplamente metafóricos. É isso que queremos dizer quando afirmamos que o sistema conceitual humano é metaforicamente estruturado e definido. Metáforas como expressões linguísticas são possíveis precisamente porque existem metáforas no sistema conceitual de uma pessoa. Portanto, sempre que neste livro falamos de metáforas, como ARGUMENTAÇÃO É GUERRA, deve-se entender que metáfora significa conceito metafórico.

original

Metaphor is for most people a device of the poetic imagination and the rhetorical flourish—a matter? of extraordinary rather than ordinary language. Moreover, metaphor is typically viewed as characteristic of language alone, a matter of words rather than thought or action. For this reason?, most people think they can get along perfectly well without metaphor. We have found, on the contrary, that metaphor is pervasive in everyday life, not just in language but in thought and action. Our ordinary conceptual system, in terms of which we both think and act, is fundamentally metaphorical in nature.

The concepts that govern our thought are not just matters of the intellect. They also govern our everyday functioning, down to the most mundane details. Our concepts structure what we perceive, how we get around in the world, and how we relate to other people. Our conceptual system thus plays a central role in defining our everyday realities. If we are right in suggesting that our conceptual system is largely metaphorical, then the way? we think, what we experience, and what we do every day is very much a matter of metaphor.

But our conceptual system is not something we are normally aware of. In most of the little things we do every day, we simply think and act more or less automatically along certain lines. Just what these lines are is by no means obvious. One way to find out is by looking at language. Since communication is based on the same conceptual system that we use in thinking and acting, language is an important source of evidence for what that system is like.

Primarily on the basis of linguistic evidence, we have found that most of our ordinary conceptual system is metaphorical in nature. And we have found a way to begin to identify in detail just what the metaphors are that structure how we perceive, how we think, and what we do.

To give some idea? of what it could mean for a concept to be metaphorical and for such a concept to structure an everyday activity, let us start with the concept argument and the conceptual metaphor ARGUMENT IS WAR. This metaphor is reflected in our everyday language by a wide variety of expressions:

ARGUMENT IS WAR

Your claims are indefensible.

He attacked every weak point? in my argument.

His criticisms were right on target.

I demolished his argument.

I’ve never won an argument with him.

You disagree? Okay, shoot!

If you use that strategy, he’ll wipe you out.

He shot down all of my arguments.

It is important to see that we don’t just talk about arguments in terms of war. We can actually win or lose arguments. We see the person we are arguing with as an opponent. We attack his positions and we defend our own. We gain and lose ground. We plan and use strategies. If we find a position indefensible, we can abandon it and take a new line of attack. Many of the things we do in arguing are partially structured by the concept of war. Though there is no physical battle, there is a verbal battle, and the structure of an argument—attack, defense, counterattack, etc.— reflects this. It is in this sense that the ARGUMENT IS WAR metaphor is one that we live by in this culture; it structures the actions we perform in arguing.

Try to imagine a culture where arguments are not viewed in terms of war, where no one wins or loses, where there is no sense of attacking or defending, gaining or losing ground. Imagine a culture where an argument is viewed as a dance, the participants are seen as performers, and the goal is to perform in a balanced and aesthetically pleasing way. In such a culture, people would view arguments differently, experience them differently, carry them out differently, and talk about them differently. But we would probably not view them as arguing at all: they would simply be doing something different. It would seem strange even to call what they were doing “arguing.” Perhaps the most neutral way of describing this difference between their culture and ours would be to say that we have a discourse form structured in terms of battle and they have one structured in terms of dance.

This is an example of what it means for a metaphorical concept, namely, ARGUMENT IS WAR, to structure (at least in part) what we do and how we understand what we are doing when we argue. The essence of metaphor is understanding? and experiencing one kind of thing in terms of another. It is not that arguments are a subspecies of war. Arguments and wars are different kinds of things—verbal discourse and armed conflict—and the actions performed are different kinds of actions. But argument is partially structured, understood, performed, and talked about in terms of WAR. The concept is metaphorically structured, the activity is metaphorically structured, and, consequently, the language is metaphorically structured.

Moreover, this is the ordinary way of having an argument and talking about one. The normal way for us to talk about attacking a position is to use the words “attack a position.” Our conventional ways of talking about arguments presuppose a metaphor we are hardly ever conscious of. The metaphor is not merely in the words we use—it is in our very concept of an argument. The language of argument is not poetic, fanciful, or rhetorical; it is literal. We talk about arguments that way because we conceive of them that way—and we act according to the way we conceive of things.

The most important claim we have made so far is that metaphor is not just a matter of language, that is, of mere words. We shall argue that, on the contrary, human thought processes are largely metaphorical. This is what we mean when we say that the human conceptual system is metaphorically structured and defined. Metaphors as linguistic expressions are possible precisely because there are metaphors in a person’s conceptual system. Therefore, whenever in this book we speak of metaphors, such as ARGUMENT IS WAR, it should be understood that metaphor means metaphorical concept.


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