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Metaphors we live by

Lakoff (M:7-9) – "Tempo é dinheiro"

The Systematicity of Metaphorical Concepts

segunda-feira 1º de novembro de 2021

Excerto de LAKOFF  , George & JOHNSON, Mark. Metaphors we live by. Chicago: University of Chicago Press, 2003, p. 7-9

português

Argumentações normalmente seguem padrões; isto é, há? certas coisas? que nós usualmente fazemos quando argumentamos e outras que não fazemos. O fato? de que, pelo menos em parte?, conceitualizamos sistematicamente argumentos em termos de batalha influencia tanto a forma? que os argumentos tomam, quanto a maneira como falamos sobre o que fazemos quando argumentamos. Porque o conceito? metafórico é sistemático?, a linguagem? usada para falarmos sobre aquele aspecto? do conceito é sistemática?.

Vimos, por meio? da metáfora? ARGUMENTAÇÃO? É GUERRA?, que expressões provenientes do vocabulário de guerra, como, por exemplo?, atacar uma posição?, indefensável, estratégia, nova linha de ataque, vencer, ganhar terreno etc., formam uma maneira sistemática de expressar os aspectos bélicos do ato? de argumentar. Não é por acaso? que tais expressões significam o que significam quando as usamos para falarmos sobre a argumentação. Uma parcela da rede conceitual de guerra caracteriza parcialmente o conceito de argumentação, e a língua? segue essa caracterização. Uma vez? que expressões metafóricas em nossa língua são ligadas a conceitos metafóricos de uma maneira sistemática, podemos usar expressões metafóricas linguísticas para estudar a natureza? de conceitos metafóricos e, dessa forma, compreender? a natureza metafórica de nossas atividades?.

Para se ter uma ideia? de como expressões metafóricas na linguagem cotidiana podem iluminar a natureza metafórica dos conceitos que estruturam nossas atividades cotidianas, examinemos como o conceito TEMPO? É DINHEIRO manifesta-se no português (inglês) contemporâneo.

Você está desperdiçando meu tempo. Você está me fazendo perder tempo. (You are wasting my time.)

Esta coisa? (engenhosa) vai te poupar horas. (This gadget will save you hours.)

Eu? não tenho tempo para te dar. / Eu não tenho tempo para você. (I don’t have the time to give you.)

Como você gasta seu tempo hoje em dia. Como você usa o seu tempo hoje em dia? (How do you spend your time these days?)

Aquele pneu furado me custou uma hora. / Aquele pneu furado me tomou uma hora. (That flat tire cost me an hour.)

Tenho investido muito tempo nela. (I’ve invested a lot of time in her.)

Eu não tenho tempo para perder com isto. (I don’t have enough time to spare with this.)

O seu tempo está se esgotando. (You’re running out of lime.)

Você deve calcular bem o seu tempo. Você deve administrar bem o seu tempo. (You need to budget your time.)

Reserve algum tempo para o pingue-pongue. (Put aside some time for ping-pong.)

Isso vale o seu tempo?/ lsso vale a pena?? (Is that worth you while!)

Você tem muito tempo disponível! (Do you have much time left!)

Ele está vivendo com tempo emprestado. / Ele está vivendo de gorjeta. (He’s living on borrowed time.)

Você não usa seu tempo lucrativamente. Você não aproveita bem o seu tempo. (You don’t use your time profitably.)

Eu perdi muito tempo quando fiquei doente. (I lost? a lot of time when I got sick.)

Obrigado pelo seu tempo./ Obrigado pelo tempo dispensado. (Thank you for your time.)

Tempo em nossa cultura? é um bem valioso. É um recurso? limitado que usamos para alcançar nossos objetivos?. Devido à forma pela qual o conceito de trabalho? se desenvolveu na cultura ocidental moderna?, em que o trabalho é normalmente associado ao tempo que toma, e ele é quantificado com precisão?, tornou-se hábito? pagar as pessoas? pela hora, semana, mês ou ano. Em nossa cultura, TEMPO É DINHEIRO de muitas formas: unidades de chamadas telefônicas, pagamento por hora, taxas diárias de hotel, orçamentos anuais, juros sobre empréstimos e pagamento de dívida para com a sociedade? através do “tempo de serviço”. Essas práticas são relativamente novas na história? da humanidade? e não existem em todas as culturas. Elas surgiram nas modernas sociedades industrializadas e estruturam profundamente nossas atividades cotidianas básicas. Pelo fato de que agimos como se o tempo fosse um bem valioso - um recurso limitado, como o dinheiro - nós o concebemos dessa forma. Logo, compreendemos e experienciamos o tempo como algo que pode ser gasto, desperdiçado, orçado, bem ou mal? investido, poupado ou liquidado.

TEMPO É DINHEIRO, TEMPO É UM RECURSO LIMITADO e TEMPO É UM BEM VALIOSO são todos conceitos metafóricos. Eles são metafóricos uma vez que estamos usando nossas experiências cotidianas com dinheiro, com recursos limitados e bens? valiosos para conceitualizar o tempo. Essa maneira de conceber o tempo não se impõe de forma alguma como uma necessidade? a todos os seres humanos; ela está ligada à nossa cultura. Há culturas em que o tempo não é pensado desse modo?.

Os conceitos metafóricos TEMPO É DINHEIRO, TEMPO É UM RECURSO e TEMPO É UM BEM VALIOSO formam um único? sistema? baseado em subcategorização, uma vez que, na nossa sociedade, o dinheiro é um recurso limitado, e recursos limitados são bens valiosos. Essas relações? de subcategorização caracterizam relações de implicação? entre as metáforas. TEMPO É DINHEIRO implica TEMPO É UM RECURSO LIMITADO, que, por sua vez, implica TEMPO É UM BEM VALIOSO.

Estamos adotando a prática de usar o conceito metafórico mais específico, neste caso, TEMPO É DINHEIRO, para caracterizar o sistema como um todo. Entre as expressões listadas acima, referentes à metáfora TEMPO É DINHEIRO, algumas se referem especificamente a dinheiro (gastar; investir, orçar, lucrar, custar), outras a recursos limitados (usar, esgotar, ter suficiente de, usar tudo), e outras ainda a bens valiosos (ter, dar, perder, agradecer pelo bem recebido). Esse? é um exemplo de como as implicações metafóricas podem caracterizar um sistema coerente? de conceitos metafóricos e um sistema coerente de expressões metafóricas correspondente a esses conceitos.

Original

Arguments usually follow patterns; that is, there are certain things we typically do and do not do in arguing. The fact that we in part conceptualize arguments in terms of battle systematically influences the shape arguments take and the way? we talk about what we do in arguing. Because the metaphorical concept is systematic, the language we use to talk about that aspect of the concept is systematic.

We saw in the ARGUMENT IS WAR metaphor that expressions from the vocabulary of war, e.g., attack a position, indefensible, strategy, new line of attack, win, gain ground, etc., form a systematic way of talking about the battling aspects of arguing. It is no accident? that these expressions mean what they mean when we use them to talk about arguments. A portion of the conceptual network of battle partially characterizes the concept of an argument, and the language follows suit. Since metaphorical expressions in our language are tied to metaphorical concepts in a systematic way, we can use metaphorical linguistic expressions to study the nature of metaphorical concepts and to gain an understanding? of the metaphorical nature of our activities.

To get an idea? of how metaphorical expressions in everyday language can give us insight into the metaphorical nature of the concepts that structure? our everyday activities, let us consider the metaphorical concept time is money as it is reflected in contemporary English.

TIME IS MONEY

You’re wasting my time.

This gadget will save you hours.

I don’t have the time to give you.

How do you spend your time these days?

That flat tire cost me an hour.

I’ve invested a lot of time in her.

I don’t have enough time to spare for that.

You’re running out of time.

You need to budget your time.

Put aside some time for ping pong.

Is that worth your while?

Do you have much time left?

He’s living on borrowed time.

You don’t use your time profitably.

I lost a lot of time when I got sick.

Thank you for your time.

Time in our culture is a valuable? commodity. It is a limited resource that we use to accomplish our goals. Because of the way that the concept of work has developed in modern Western culture, where work is typically associated with the time it takes and time is precisely quantified, it has become customary to pay people by the hour, week, or year. In our culture time is money in many ways: telephone message? units, hourly wages, hotel room rates, yearly budgets, interest? on loans, and paying your debt to society by “serving time.” These practices are relatively new in the history of the human? race?, and by no means do they exist? in all cultures. They have arisen in modern industrialized societies and structure our basic everyday activities in a very profound way. Corresponding to the fact that we act as if time is a valuable commodity—a limited resource, even money—we conceive of time that way. Thus we understand and experience time as the kind of thing that can be spent, wasted, budgeted, invested wisely or poorly, saved, or squandered.

TIME IS MONEY, TIME IS A LIMITED RESOURCE, and time is a valuable commodity are all metaphorical concepts. They are metaphorical since we are using our everyday experiences with money, limited resources, and valuable commodities to conceptualize time. This isn’t a necessary way for human beings to conceptualize time; it is tied to our culture. There? are cultures where time is none of these things.

The metaphorical concepts TIME IS MONEY, TIME IS A RESOURCE, and TIME IS A VALUABLE COMMODITY form a single system based on subcategorization, since in our society money is a limited resource and limited resources are valuable commodities. These subcategorization relationships characterize entailment relationships between the metaphors. TIME IS MONEYentails that TIME IS A LIMITED RESOURCE, which entails that TIME IS A VALUABLE COMMODITY.

We are adopting the practice of using the most specific metaphorical concept, in this case TIME IS MONEY, to characterize the entire system. Of the expressions listed under the time is money metaphor, some refer s pecifically to money (spend, invest, budget, profitably, cost), others to limited resources (use, use up, have enough of, run out of ), and still others to valuable commodities (have, give, lose, thank you for). This is an example of the way in which metaphorical entailments can characterize a coherent system of metaphorical concepts and a corresponding coherent system of metaphorical expressions for those concepts.


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