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Diferença e Repetição

Deleuze (DR:169-174) – objetos virtuais

Capítulo II - A repetição para si mesma

sábado 30 de outubro de 2021

[DELEUZE  , Gilles. Diferença e Repetição. Tr. Luiz Orlandi e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988, p. 169-174]

português

Mas os objetos? reais, o objeto posto como realidade? ou suporte? do liame, não constituem os únicos objetos do eu?. assim como não esgotam o conjunto das relações ditas objetais. Dis-tinguimos duas? dimensões simultâneas: é assim que a síntese passiva não se ultrapassa na direção de uma síntese ativa sem aprofundar-se também numa outra direção em que ela permanece síntese passiva e contemplativa, servindo-se da excitação ligada para atingir outra coisa?, mas de uma maneira diferente daquela do princípio de realidade. Mais ainda, a síntese ativa jamais poderia construir-se sobre a síntese passiva se esta não persistisse simultaneamente, não se desenvolvesse contempora-neamente por sua conta? e não encontrasse uma nova fórmula, ao mesmo? tempo? dissimétrica e complementar?, da atividade?. Uma criança que começa a andar não se contenta em ligar excitações numa síntese passiva, mesmo supondo que tais excitações sejam endógenas e nasçam de seus próprios movimentos. Nunca se andou de maneira endógena. De um lado, a criança ultrapassa as excitações ligadas em direção à posição ou à intencionalidade? de um objeto, a mãe, por exemplo?, como alvo de um esforço, termo? ao qual se procura ativamente reunir-se “na realidade”, termo em relação ao qual a criança mede seus fracassos e sucessos. Mas, por outro lado e ao mesmo tempo, a criança constitui para si um outro objeto, um outro tipo? de objeto, objeto ou foco virtual? que vem regrar ou compensar os progressos, os fracassos de sua atividade real?: põe vários dedos em sua boca, envolve o foco com o outro? braço e aprecia o conjunto da situação do ponto? de vista? desta mãe virtual. Que o olhar? da criança se volte para a mãe real, que o objeto virtual seja o termo de uma aparente? atividade (a sucção, por exemplo), isto pode inspirar um observador? a correr o risco? de emitir um juízo errôneo. A sucção é utilizada apenas para fornecer um objeto virtual a ser contemplado? num aprofundamento da síntese passiva; inversamente, a mãe real só é comtemplada para servir de alvo para a ação e de critério para a avaliação da ação numa síntese ativa. Não é sério falar? de um egocentrismo? da criança. A criança que começa a manusear um livro por imitação, sem saber? ler, nunca se engana: ela o põe sempre de cabeça para baixo, como se o estendesse a outrem, termo real de sua atividade, ao mesmo tempo em que ela própria apreende o livro invertido como foco virtual de sua paixão, de sua contemplação aprofundada. Fenômenos bastante diversos, como o canhotismo, a escrita? em espelho, certas formas? de gagueira, certas estereotipias, poderiam ser explicados a partir desta dualidade de focos no mundo? infantil. Mas o importante é que nenhum desses focos é o eu. É com a mesma incompreensão que se interpretam as condutas da criança como dependendo de um pretenso “egocentrismo” e que se interpretava o narcisismo? infantil como excludente da contemplação de outra coisa. Na verdade?, a partir da síntese passiva de ligação, a partir das excitações ligadas, a criança se constrói sobre uma dupla série. Mas as duas séries são objetais: a dos objetos reais, como correlatos? da síntese ativa, e a dos objetos virtuais, como correlatos de um aprofundamento da síntese passiva. É contemplando os focos virtuais que o eu passivo? aprofundado se preenche agora? com uma imagem? narcísica. Uma série não existiria sem a outra; e, todavia, elas não se assemelham. Eis por que Henri Maldiney  , analisando, por exemplo, o procedimento da criança, tem razão ao dizer que o mundo infantil de modo? algum é circular ou egocêntrico, mas elíptico, com duplo foco, sendo? os dois focos diferentes por natureza?, ambos, porém, [171] objetivos? ou objetais [1]. De um foco a outro, em virtude? mesmo de sua dessemelhança, talvez se forme um cruzamento, uma torção, uma hélice, uma forma de 8. E o eu, o que é, onde está, em sua distinção tópica relativa ao Isso, a não ser no cruzamento do 8, no ponto de junção dos dois círculos dissimétricos que se cortam, o círculo dos objetos reais e o dos objetos ou focos virtuais?

É a esta dualidade de duas séries correlativas que se deve conectar a diferenciação das pulsões de conservação e das pulsões sexuais. Com efeito?, as primeiras são inseparáveis da constituição do princípio de realidade, da fundação da síntese ativa e do eu global ativo, das relações com o objeto real aprendido como satisfatório ou ameaçante. As pulsões sexuais, por sua vez?, são inseparáveis da constituição dos focos virtuais ou do aprofundamento da síntese passiva e do eu passivo que lhe correspondem: na sexualidade? pré-genital, as ações são sempre observações, contemplações, mas o contemplado, o observado?, é sempre um virtual. Que as duas séries não existam uma sem a outra, isto significa que não apenas são complementares, mas que se solicitam e alimentam uma à outra em virtude de sua dessemelhança ou de sua diferença de natureza. Constata-se que os virtuais são destacados da série dos reais e, ao mesmo tempo, incorporados à série dos reais. Este destaque implica, primeiramente, um isolamento? ou uma suspensão que coagula o real a fim? de extrair dele uma pose, um aspecto?, uma parte?. Mas este isolamento é qualitativo; não consiste simplesmente em subtrair uma parte do objeto real, pois a parte subtraída adquire uma nova natureza ao funcionar? como objeto virtual. O objeto virtual é um objeto parcial, não simplesmente porque lhe falte uma parte permanecida no real, mas em si-mesmo e para si-mesmo, pois ele se fende, se desdobra em duas partes virtuais, uma das quais sempre falta? à outra. Em suma?, o virtual não está submetido ao caráter? global que afeta os objetos reais. Não só por sua origem?, mas em sua própria natureza, ele é trapo, fragmento, despojo. Ele falta à sua própria identidade?. A boa mãe e a má, ou o pai? sério e o pai brincalhão, segundo a dualidade paterna, não são dois objetos parciais, mas o mesmo, na medida? em que foi perdida sua identidade no duplo. Enquanto a síntese ativa ultrapassa a síntese passiva na direção de integrações globais e da posição de objetos totalizáveis idênticos, a síntese passiva, aprofundando-se, ultrapassa a si própria na direção da contemplação de objetos parciais que permanecem não totalizáveis. Do mesmo modo, estes objetos parciais ou virtuais também se encontram, diversamente enunciados?, no bom e no mau? objeto de Melanie Klein, no objeto “transicional”, no objeto fetiche? e, sobretudo, no objeto a de Lacan. Freud   tinha mostrado de modo definitivo? como a sexualidade pré-genital consistia em pulsões parciais destacadas do exercício das pulsões de conservação; tal destaque supõe a constituição de objetos que são objetos parciais funcionando como focos virtuais, pólos sempre desdobrados da sexualidade.

Inversamente, estes objetos virtuais são incorporados a objetos reais. Neste sentido?, eles podem corresponder a partes do corpo? do sujeito? ou de uma outra pessoa?, ou mesmo a objetos muito especiais do tipo brinquedo, fetiche. De modo algum a incorporação é uma identificação, nem mesmo uma introjeção, pois ela transborda os limites? do sujeito. Em vez de opor-se ao isolamento, a incorporação é dele complementar. Seja qual for a realidade à qual se incorpora o objeto virtual, ele não se integra nela: é antes plantado nela, fixado, e não encontra no objeto real uma metade que o complete, mas, ao contrário, dá testemunho?, nesse objeto, da outra metade virtual que continua a faltar-lhe. Quando Melanie Klein mostra o quanto o corpo materno contém objetos virtuais, não se trata de compreender? que ele os totalize ou os englobe, nem os possua, mas, antes, que eles são plantados nele como árvores de um outro mundo, como o nariz em Gogol ou as pedras? de Deucalião. Não há dúvidas?, entretanto, de que a incorporação é a condição sob a qual as pulsões de conservação e a síntese ativa que lhe corresponde podem, por sua vez e com seus próprios recursos, rebater a sexualidade sobre a série dos objetos reais e integrá-la de fora? ao domínio regido pelo princípio de realidade.

O objeto virtual é essencialmente? passado. Bergson  , em Matéria e Memória, propunha o esquema? de um mundo com dois focos, um real e o outro virtual, do qual emanavam, por um lado, a série das “imagens-percepções” e, por outro lado, a série das “imagens-lembranças”, organizando-se as duas séries num circuito sem fim. O objeto virtual não é um antigo presente?, pois a qualidade? do presente e a modalidade de passar afetam agora de maneira exclusiva a série do real enquanto constituída pela síntese ativa. Mas o que qualifica o objeto virtual é o passado puro?, tal como foi definido precedentemente como contemporâneo de seu próprio presente, preexistindo ao presente que passa e fazendo passar todo presente. O objeto virtual é um trapo de passado puro. É do alto de minha contemplação de focos virtuais que assisto e presido a meu presente que passa e à sucessão dos objetos reais em que eles se incorporam. Encontra-se a razão disto na natureza desses focos. Destacado do objeto real presente, o objeto virtual dele difere por natureza. Não lhe falta somente alguma coisa em relação ao objeto real de onde ele se subtrai; falta-lhe algo nele mesmo, na medida em que uma metade de si mesmo, da qual ele coloca a outra metade como diferente, está sempre ausente?. Ora, esta ausência é, como veremos, o contrário de um negativo?: eterna metade de si, ele não está onde está a não ser com a condição de não estar? onde deve estar. Ele não está onde é encontrado a não ser com a condição de ser procurado onde não está. Ele não é possuído por aqueles que o têm, mas, ao mesmo tempo, é tido por aqueles que não o possuem. Ele é sempre um “era?”. Neste sentido, parecem-nos exemplares as páginas em que Lacan assimila o objeto virtual à carta roubada, de Edgar Alan Poe. Lacan mostra que os objetos reais, em virtude do princípio de realidade, estão submetidos à lei? de estar ou de não estar em alguma parte, mas que o objeto virtual, ao contrário, tem a propriedade? de estar e de não estar onde ele está, onde ele vai. “O que está oculto? é somente o que falta ao seu lugar, como o exprime a procura de um volume? quando está extraviado na biblioteca. .. É que não se pode dizer literalmente que isto falta ao seu lugar, a não ser que se trate de algo que pode mudar, isto é, o simbólico. Com efeito, qualquer perturbação que se possa ocasionar ao real, ele está sempre e em qualquer circunstância carregando-a consigo, sem nada? conhecer? que possa exilá-la.” [2] Nunca se opôs melhor o presente que passa, e que se leva consigo, ao passado puro, cuja universal? mobilidade, universal ubiquidade?, faz passar o presente e perpetuamente difere de si mesmo. O objeto virtual nunca é passado em relação a um novo presente; do mesmo modo, ele não é passado em relação a um presente que ele foi. É passado como contemporâneo do presente que ele é, é passado num presente imobilizado; como faltando, por um lado, à parte que ele é por outro lado e ao mesmo tempo; como deslocado quando está em seu lugar. Eis por que o objeto virtual só existe como fragmento de si mesmo: só é encontrado como perdido — só existe como reencontrado. A perda? ou o esquecimento? não são aqui determinações que devam ser ultrapassadas, mas designam, ao contrário, a natureza objetiva do que se reencontra no seio do esquecimento, enquanto perdido. Contemporâneo de si como presente, sendo para si mesmo seu próprio passado, preexistindo a todo presente que passa na série real, o objeto virtual é passado puro. Ele é puro fragmento de si mesmo; mas, como na experiência física, é a incorporação do puro fragmento que muda a qualidade e introduz o presente na série dos objetos reais.

Original

Mais les objets réels, l’objet posé comme réalité ou support du lien, ne constituent pas les seuls objets du moi, pas plus qu’ils n’épuisent l’ensemble des relations? dites objectales. Nous distinguions deux dimensions simultanées : c’est ainsi que la synthèse passive ne se dépasse pas vers une synthèse active, sans s’approfondir aussi dans une autre direction, où elle demeure synthèse passive et contemplative, tout en se servant de l’excitation li?ée pour atteindre autre chose, mais d’une autre manière que celle du principe? de réalité. Bien plus, il apparaît que jamais la synthèse active ne pourrait se construire sur la synthèse passive si celle-ci ne persistait simultanément, ne se développait en même temps pour son compte, et ne trouvait une nouvelle formule, à la fois dissymétrique et complémentaire de l’activité. Un enfant qui commence à marcher ne se contente pas de lier des excitations dans une synthèse passive, même à supposer? que ces excitations soient endogènes et naissent de ses propres mouvements. On n’a jamais marché de manière endogène. D’une part, l’enfant dépasse les excitations liées vers la position ou l’intentionnalité d’un objet, par exemple la mère comme but d’un effort?, terme à rejoindre activement « en réalité », par rapport auquel il mesure ses échecs et ses succès. Mais d’autre part et en même temps, l’enfant se constitue un autre objet, un tout autre type d’objet, objet ou foyer? virtuel qui vient régler et compenser les progrès, les échecs de son activité réelle : il met plusieurs doigts dans sa bouche, entoure ce foyer de l’autre bras, et apprécie l’ensemble de la situation du point de vue de cette mère virtuelle. Que le regard de l’enfant soit tourné vers la mère réelle, que l’objet virtuel soit le terme d’une apparente activité (le suçotement par exemple), risque d’inspirer à l’observateur un jugement? erroné. Le suçotement n’est agi que pour fournir un objet virtuel à contempler dans un approfondissement de la synthèse passive ; inversement la mère réelle n’est contemplée que pour servir de but à l’action?, et de critère à l’évaluation de l’action dans une synthèse active. Il n’est pas sérieux de parler d’un égocentrisme de l’enfant. L’enfant qui commence à manier un livre? par imitation?, sans savoir lire, ne se trompe jamais : il le met toujours à l’envers. Comme s’il le tendait à autrui, terme réel de son activité, en même temps qu’il en saisit lui-même l’envers comme foyer virtuel de sa passion?, de sa contemplation approfondie. Des phénomènes très divers comme le gauchisme, l’écriture en miroir, certaines formes de bégaiement, certaines stéréotypies, pourraient s’expliquer? à partir de cette dualité des foyers dans le monde enfantin. Mais l’important est que ni l’un ni l’autre des deux foyers n’est le moi. C’est dans une même incompréhension que l’on interprète les conduites de l’enfant comme relevant d’un prétendu « égocentrisme », et qu’on interprétait le narcissisme enfantin comme excluant la contemplation d’autre chose. En vérité, à partir de la synthèse passive de liaison, à partir des excitations liées, l’enfant se construit sur une double série. Mais les deux séries sont objectâtes : celle des objets réels comme corrélats de la synthèse active, celle des objets virtuels comme corrélats d’un approfondissement de la synthèse passive. C’est en contemplant les foyers virtuels que le moi passif approfondi se remplit maintenant d’une image narcissique. Une série n’existerait pas sans l’autre ; et pourtant elles ne se ressemblent pas. C’est pourquoi Henri Maldiney  , analysant par exemple la démarche de l’enfant, a raison? de dire que le monde enfantin n’est nullement circulaire ou égocentrique, mais elliptique, à double foyer qui diffère en nature, tous deux objectifs ou objectaux pourtant  [3] . Peut-être même, d’un foyer à l’autre, en vertu de leur dissemblance, se forment un croisement, une torsion, une hélice, une forme de 8. Et le moi, qu’est-il, où est-il, dans sa distinction topique? avec le Ça, sauf au croisement du 8, au point de jonction des deux cercles dissymétriques qui se coupent, le cercle des objets réels et celui des objets ou foyers virtuels ?

C’est à cette dualité de deux séries corrélatives qu’on doit rattacher la différenciation des pulsions de conservation et des pulsions sexuelles. Car les premières sont inséparables de la constitution du principe de réalité, de la fondation de la synthèse active et du moi global actif, des rapports avec l’objet réel appréhendé comme satisfaisant ou menaçant. Les secondes ne sont pas davantage séparables de la constitution des foyers virtuels, ou de l’approfondissement de la synthèse passive et du moi passif qui leur correspondent : dans la sexualité prégénitale, les actions sont toujours des observations, des contemplations, mais le contemplé, l’observé, c’est toujours un virtuel. Que les deux séries n’existent pas l’une sans l’autre, signifie qu’elles ne sont pas seulement complémentaires, mais s’empruntent et s’alimentent l’une à l’autre, en vertu de leur dissemblance ou de leur différence de nature. On constate à la fois que les virtuels sont prélevés sur la série des réels, et qu’ils sont incorporés dans la série des réels. Ce prélèvement d’abord implique une isolation ou un suspens, qui fige le réel afin d’en extraire une pose, un aspect, une partie. Mais cette isolation est qualitative ; elle ne consiste pas simplement à soustraire une partie de l’objet réel ; la partie soustraite acquiert une nouvelle nature en fonctionnant comme objet virtuel. L’objet virtuel est un objet partiel, non pas simplement parce qu’il manque d’une partie restée dans le réel, mais en lui-même et pour lui-même, parce qu’il se clive, se dédouble en deux parties virtuelles dont l’une, toujours, manque à l’autre. Bref, le virtuel n’est pas soumis au caractère global affectant les objets réels. Il est, non seulement par son origine, mais dans sa nature propre, lambeau, fragment, dépouille. Il manque à sa propre identité. La bonne et la mauvaise mère, ou le père sérieux et le père de jeu? suivant la dualité paternelle, ne sont pas deux objets partiels, mais le même en tant qu’il a perdu son identité dans le double. Alors que la synthèse active dépasse la synthèse passive vers des intégrations globales et la position d’objets totalisables identiques, la synthèse passive en approfondissant se dépasse elle-même vers la contemplation d’objets partiels qui restent non totalisables. Ces objets partiels ou virtuels se retrouvent aussi bien, à des titres divers, dans le bon et le mauvais objet de Melanie Klein, dans l’objet « transitionnel », dans l’objet- fétiche, et surtout dans l’objet a de Lacan. Freud   avait montré de façon définitive comment la sexualité prégénitale consistait en pulsions partielles prélevées sur l’exercice des pulsions de conservation ; un tel prélèvement suppose la constitution d’objets eux-mêmes partiels fonctionnant comme autant de foyers virtuels, pôles toujours dédoublés de la sexualité.

Inversement, ces objets virtuels sont incorporés dans les objets réels. Ils peuvent correspondre en ce sens à des parties du corps du sujet, ou d’une autre personne, ou même à des objets très spéciaux du type jouet, fétiche. L’incorporation n’est nullement une identification, ni même une introjection, puisqu’elle déborde les limites du sujet. Loin de s’opposer à l’isolation, elle en est complémentaire. Quelle que soit la réalité où s’incorpore l’objet virtuel, il ne s’y intègre pas : il y est plutôt plant?é, fiché, et ne trouve pas dans l’objet réel une moitié qui le comble, mais témoigne au contraire dans cet objet de l’autre moitié virtuelle qui continue à lui manquer. Quand Melanie Klein montre combien le corps maternel contient d’objets virtuels, il ne faut pas comprendre qu’il les totalise ou les englobe, ni les possède, mais plutôt qu’ils sont plantés en lui, comme les arbres d’un autre monde, comme le nez chez Gogol, ou les pierres de Deucalion. Il n’en reste pas moins que l’incorporation est la condition sous laquelle les pulsions de conservation et la synthèse active qui leur correspond peuvent, avec leurs propres ressources et à leur tour, rabattre la sexualité sur la série des objets réels et l’intégrer du dehors au domaine régi par le principe de réalité.

L’objet virtuel est essentiellement passé. Bergson  , dans Matière el mémoire, proposait le schéma d’un monde à deux foyers, l’un réel et l’autre virtuel, dont émanaient d’une part la série des « images-perceptions », d’autre part la série des « images-souvenirs? », les deux s’organisant clans un circuit sans fin. L’objet virtuel n’est pas un ancien présent ; car la qualité du présent, et la modalité de passer, affectent maintenant de manière exclusive la série du réel en tant que constituée par la synthèse active. Mais le passé pur tel qu’il a été défini précédemment, comme contemporain de son propre présent, préexistant au présent qui passe et faisant passer tout présent, qualifie l’objet virtuel. L’objet virtuel est un lambeau de passé pur. C’est du haut de ma contemplation des foyers virtuels que j’assiste et préside à mon présent qui passe, et à la succession des objets réels où ils s’incorporent. On en trouve la raison dans la nature de ces foyers. Prélevé sur l’objet réel présent, l’objet virtuel diffère en nature avec lui ; il ne manque pas seulement de quelque chose par rapport à l’objet réel dont il se soustrait, il manque de quelque chose en lui-même, étant toujours une moitié de soi-même, dont il pose l’autre moitié comme différente, absente. Or cette absence est, nous le verrons, le contraire d’un négatif : éternelle moitié de soi, il n’est là où il est qu’à condition de ne pas être où il doit être. Il n’est là où on le trouve qu’à condition d’être cherché où il n’est pas. A la fois il n’est pas possédé par ceux qui l’ont, mais il est eu par ceux qui ne le possèdent pas. Il est toujours un « était ». En ce sens nous paraissent exemplaires les pages de Lacan, assimilant l’objet virtuel à la lettre volée d’Edgar Poe. Lacan montre que les objets réels en vertu du principe de réalité sont soumis à la loi d’être ou de ne pas être quelque part, mais que l’objet virtuel au contraire a pour propriété d’être et de ne pas être là où il est, où qu’il aille : « Ce qui est caché n’est jamais que ce qui manque à sa place, comme l’exprime la recherche d’un volume quand il est égaré dans la bibliothèque… C’est qu’on ne peut dire à la lettre que ceci manque à sa place que de ce qui peut en changer, c’est-à-dire du symbolique?. Car pour le réel, quelque bouleversement qu’on puisse y apporter, il y est toujours et en tout cas, il l’emporte collé à sa semelle, sans rien connaître qui puisse l’en exiler »  [4] . Jamais on n’a mieux opposé le présent qui passe, et qui s’emporte avec soi, au passé pur dont l’universelle mobilité, l’universelle ubiquité, fait passer le présent, et perpétuellement diffère de soi-même. L’objet virtuel n’est jamais passé par rapport à un nouveau présent ; il n’est pas davantage passé par rapport à un présent qu’il a été. Il est passé comme contemporain du présent qu’il est, dans un présent figé ; comme manquant, d’une part, de la partie qu’il est d’autre part en même temps ; comme déplacé quand il est à sa place. C’est pourquoi l’objet virtuel n’existe que comme fragment de soi-même : il n’est trouvé que comme perdu — il n’existe que comme retrouvé. La perte ou l’oubli ne sont pas ici des déterminations qui doivent être surmontées, mais désignent au contraire la nature objective de ce qu’on retrouve au sein de l’oubli, et en tant que perdu. Contemporain de soi comme présent, étant à lui-même son propre passé, préexistant à tout présent qui passe dans la série réelle, l’objet virtuel est du passé pur. Il est pur fragment, et fragment de soi-même ; mais comme dans l’expérience physique, c’est l’incorporation du pur fragment qui fait changer la qualité, et passer le présent dans la série des objets réels.


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[1Cf. Henri MALDINEY. Le Moi, cours résumé, Bulletin Faculté de Lyon. 1967.

[2Jacques LACAN, Le séminaire sur la lettre volée (Écrits, Éditions du Seuil, p. 25). Sem dúvida, este é o texto em que Lacan desenvolve mais profundamente sua concepção da repetição. — Certos discípulos de Lacan insistiram muito sobre este tema do “não-idêntico” e sobre a relação da diferença e da repetição que daí deriva: cf. J.-A. MILLER. La suture; J.-C. MILNER, Le point du signifiant; S. LECLAIRE, Les éléments en jeu dans une psychanalvse. in Cahiers pour Γanalyse. n.° 1, 3 e 5. 1966.

[3Cf. Henri MALDINEY, Le Moi, cours résumé, Bulletin Faculté de Lyon, 1967.

[4Jacques LACAN, Le séminaire sur la lettre volée (Ecrits, Editions du Seuil, p. 25). Ce texte est sans doute celui où Lacan développe le plus profondément sa conception de la répétition — Certains disciples de Lacan ont fort insisté sur ce thème du « non identique », et sur le rapport de la différence et de la répétition qui en découle : cf. J.-A. MILLER, La suture ; J.-C. MILNER, Le point du signifiant ; S. LECLAIRE, Les éléments en jeu dans une psychanalyse, in Cahiers pour l’analyse, n°s 1, 3 et 5, 1966.