Página inicial > Filosofia da Ciência e da Técnica > Heim (EL) – Aproximação do Fenômeno de Processamento da Palavra

Electric Language

Heim (EL) – Aproximação do Fenômeno de Processamento da Palavra

PART ONE: APPROACHING THE PHENOMENON

terça-feira 26 de outubro de 2021

HEIM  , Michael. Electric language : a philosophical study of word processing. Second Edition, with a Foreword by David   Gelernter. New Haven  : Yale University Press, 1999

 Aproximação do Fenômeno de Processamento da Palavra?

  • 1. Pensamento?, Palavra e Realidade?
    • A questão tradicional? sobre a conexão entre? pensar?, linguagem? e realidade, invocando o estatuto? da linguagem enquanto dimensão transcendental? e ontologicamente relevante? da exist?ência humana; uma dimensão do mundo? todo que habitamos.
  • 2. A Teoria? das Tecnologias Transformativas
    • Tratamento explícito da teoria que clama a existência de um relacionamento íntimo entre tecnologias da escrita? e apreensões da realidade, embora esta teoria da transformação se assente em termos de comunicação social? ao invés de em termos de estruturas ontológicas-psíquicas. Consulta às obras? de Walter Ong e Eric Havelock.
  • 3. A Estrutura? Finita da Linguagem
    • Crítica da teoria da tecnologia? transformativa de Ong como maneira de explicar? a finitude? cultural? expressa pela filosofia? de Heidegger  . Exposição da teoria de transformação epocal? de Heidegger  , e através de um tratamento de sua crítica da supressão da finitude através do pensamento tecnológico. Se desenvolvem os conceitos? de errância histórica e de trade-offs culturais, ou ganhos e perdas na apreensão da realidade. Algumas chaves do fenômeno de processamento da palavra encontram-se na análise da temporalidade? e da função primordial da linguagem como discurso? criativo (metafórico).

 1. Pensamento, palavra e realidade

Os antigos gregos foram os primeiros a ensinar uma geometria? e uma matemática e uma filosofia projetada? para descrever os aspectos de tudo e todos os lugares?. Descrevendo assim o espaço, a quantidade? como tal, realidade como tal, a mente? humana poderia se esforçar? por um não lugar assim como por um não tempo? – ou pelo menos a mente poderia modelar a si mesma em uma visão na qual tempo e lugar fossem irrelevantes. Este estado? de mente os antigos filósofos gregos atribuíam aos imortais?, divinos? cuja felicidade? era designada pelo termo? "makarios", “desapegado cheio de graça”. Conhecer? era assim transcender os confins de lugares particulares e restrições de tempo e pessoas?. Pensar era um “deslocamento” alcançado através da perseguição de uma teoria pura. A vida? contemporânea, aplicando uma combinação de teoria lógica com engenharia eletrônica, conseguiu fazer? do deslocamento uma realização prática. Estas palavras lidas nesta tela, mesmo? enquanto símbolos visuais, são impulsos elétricos.

O pensar humano? era antes suportado por livros copiados a mão. O aprendizado? procedia primordialmente por memorização e através de argumentos baseados em tópicos fixados e socialmente estáveis; “topos” era o termo grego? para “lugar”. Desestabilizando estes lugares fixados para o discurso, a cultura moderna? removeu a passada lenta e intensiva em memória do aprendizado, pela superação, através do impresso, dos discursos textuais limitados ao lugar e de natureza? restritiva pela escrita e ornamentação. Com as mudanças mais recentes, o sentido? de lugar está ainda mais atenuado pela transmissão virtualmente instantânea e pela alteração da escrita digital?: palavras entram em computadores e se tornam dados? eletrônicos.

Para a escrita eletrônica, o lugar é ainda menos relevante do que o livro impresso baseado em material? leve e transportável. Mais do que o livro, a escrita digital oferece aos símbolos escritos o compartilhamento em um “todo e nenhum lugar” que desde há muito era a prerrogativa de sons e imagens? acessíveis eletronicamente. No entanto é fixidez e a estabilidade do símbolo escrito que agora? se desestabiliza e se “eletrifica”.

Palavras escritas, como símbolos dentro? de uma cultura, existem sob condições variadas e em diferentes elementos?. Os símbolos carregam significado? sob condições concretas. A significação dos símbolos, seu sentido em diferentes contextos culturais, é afetado pelas condições concretas nas quais eles aparecem; onde aparecer? deve ser entendido como: símbolos têm sua existência real? em seu aparecimento e em serem reconhecidos por alguém. E isto quer dizer que condições concretas são intrínsecas ao aparecimento de símbolos verbais. O sentido dos símbolos é afetado pelo horizonte? de significação no qual ele aparecem. Este horizonte, ou conjunto de condições, constitui o que Heim   denomina o “elemento de escrita”, que mais tarde distingue do “meio” do símbolo escrito.

Assim como é verdade? que antigos sinais mudam com o tempo, como tudo muda, Haeim afirma que sob um diferente conjunto de condições, por exemplo?, no elemento da codificação eletrônica, a significação das palavras escritas é afetada. O discursado se dá em diferentes condições da palavra escrita e impressa, em um novo elemento. Ou seja, não que o meio seja a mensagem?, como propõe McLuhan, mas que a linguagem pode ser tomada por um conjunto de mensagens e há condições elementares que situam os símbolos culturais.

A capacidade? de ler e escrever serve não apenas como uma habilidade funcional? ou como um critério para um certo estágio de comportamento? operacional; é também um modelo para certas atitudes psíquicas, para certas disposições da mente. Devido a suas conexões com as habilidades mentais, esta capacidade, tem significado a habilidade do indivíduo? acender a certas circunstâncias e entrar um mundo compartilhado de inteligibilidade?; Mundo este que descobre uma realidade superior? que envolve e domina o sentido comum? e a apreensão que temos das coisas? que lidamos intuitivamente. Esta capacidade de ler e escrever, veio a significar uma compreensão superior da realidade.

Um filosofia do processamento de texto? moderno deve principiar por reconhecer a conexão que fazemos ente habilidade humana com símbolos e a realidade que aspiramos ou admiramos. À mente capacidade de ler e escrever, atribuímos um patamar superior, uma apreensão mais informada da realidade, um maior contato com o mundo como um todo. A compreensão oriunda desta capacidade serve como um modelo para a compreensão em geral?, para um apreensão da realidade como tal.

Mas todos os símbolos não são arbitrários ou estipulados? Ou são os símbolos meramente um parte? do equipamento do pensar ao invés de pertencer a essência do pensar? Não é a linguagem natural ela mesma um instrumento? da mente ao invés de um componente essencial? do pensar? Como pode a tecnologia de processamento de texto afetar o pensar posto que o pensar desde o processamento de texto lida apenas com símbolos de pensar e não com a substância do pensar ela mesma? Se a linguagem nada? mais é que uma condição do pensar – talvez uma condição necessária – qualquer instrumento que possamos usar para manipulação de símbolos pareceriam longe? de afetar o que quer que pensemos. O pensar ele mesmo muda se a mente trabalha com símbolos sob diferentes condições, usando diferentes sinais? E se antigos sinais mudam, isto tem algo a ver? com as mudanças que fazemos em nossa manipulação dos sinais e nas habilidades que desenvolvemos na manipulação sinais?

 3. A Estrutura Finita da Linguagem

  • A teoria da transformação de Walter Ong e Eric Havelock focaliza as mudanças psíquicas concomitantes com desenvolvimentos? históricos na tecnologia das mídias.
    • A teoria não postula que as tecnologias da linguagem seriam as causas? de transformações no pensar, nem considera as tecnologias da linguagem como sintomáticas de mudanças culturais mais profundas.
    • Prefere propor uma mútua e concomitante origem?: a expressão de um mundo histórico é ao mesmo tempo um fator de configuração dentro do próprio mundo.
    • Não se aprofunda a noção de mundo, como em Heidegger  .
  • Segundo a teoria da transformação desses autores, o processamento da palavra (ou como se usa dizer, o processamento de texto) já glorificado pela máquina de escrever, inaugura importantes mudanças na maneira como a verdade é modelada publicamente e em como o discurso (o logos?) é aceito e visto como algo crível.
    • A máquina de escrever enquanto passo importante na "tipificação" da linguagem na forma? escrita, potencializada pela sua implementação em processadores de texto, intensifica a tipificação da escrita.
    • Seria possível pensar em uma metafísica da tipificação, integrada a moderna noção de verdade e própria do mundo contemporâneo?
      • Não através da teoria da transformação.
  • Falta? clareza na teoria da transformação até que ponto? a perspectiva? histórica da teoria se assenta sobre o pressuposto? de camadas acumulativas e articuladas de habilidades e capacidades humanas.
    • O pensamento de Hegel   de uma Erinnerung, uma memória cultural, parece orientar? este pressuposto: a história seria redimida através da constante assimilação de novas habilidades e experiências por uma humanidade? auto-perfect?ível.
  • A contribuição de Martin Heidegger   para o estudo? da nova "escrita tecnológica" pode ser avaliada através do exame? de alguns aspectos de sua filosofia:
    • a noção de mundo
    • a essência da técnica moderna (Gestell?)
    • a concepção de história.
  • Nos termos elaborados por Heidegger   em sua análise da existência humana oferece-se um contraponto à teoria da tecnologia transformativa de Ong.
    • Sua principal obra, Ser e Tempo?, é uma filosofia da finitude cultural.
    • Finitude é o tema? de Heidegger   não apenas na análise existencial do um indivíduo, onde o Dasein?(referência ao homem) confronta-se com a possibilidade? de não existir mais e suas decisões irrevogáveis.
    • Finitude é ainda mais profundamente a finitude (external? link) do ser, na particularidade de uma certa abertura da realidade.
    • A existência finita apreende a realidade, e nesta apreensão transiente, a abertura do ser, do que é, se dá.
    • Na medida? que este se dar é tido como dado a verdade do ser não é mais autêntica mas uma "verdade eterna", acima da responsabilidade? de um ser finito?.
    • Neste sentido, o ser é finito em cada apreensão da realidade, em cada abertura do que é.
  • O horizonte no qual o ser se abre é a temporalidade.
    • Temporalidade deve ser entendida como tempo transcendente ou movimento? transcendente, na medida que não é movimento de algo particular?, mas condição de algo se mover dentro do tempo.
    • Temporalidade é o fundo do qual o ser pode aparecer e ser apreendido.
      • Ou seja, tempo é intrínseco ao ser e assim a tudo que aparece no mundo do mesmo modo? que a abertura da verdade ocorre e é um evento? - no sentido transcendental do evento que torna possível qualquer evento.
    • Assim sendo?, mundo com aparecimento do ser é o contexto corrente no qual as coisa? são geradas, distinções feitas e conexões estabelecidas.
  • Mundo é um complexo? de envolvimentos, uma projeção pré-teórica e pré-consciente? que é finita.
    • Mundo tem uma trajetória específica com início e fim?.
    • A mundanidade do mundo, sua ocorrência contínua, implica um passado? ou herança, assim como uma projeção de conjunto de escolhas? em um futuro?.
    • O histórico não significa um conjunto de dados mortos.
    • Mundos são históricos no sentido de terem passados e futuros reais que definem e delimitam o mundo como uma matriz? existencial de coisas possíveis e de atividades? possíveis.
    • Mundo é o lugar onde coisas se configuram, incluindo a substanciação de objetos?, a consciência de subjetividade? e a coerência de pensamentos e ações.
  • "Ser é intimamente conectado com tempo de modo que cada mundo tem sua temporalização peculiar das coisas; o modo específico no qual as coisas se reúnem dentro da circunscrição de um humor? característico ou tipo? de disposição.
    • Assim é que mundos históricos podem diferir profundamente entre si.
    • O modo como as coisas vêm à presença vis-à-vis o tempo, o modo de temporalidade ou o ’tempo da vida’, define? um dado mundo histórico e sustenta seu projeto junto, em um todo distinto.
    • O tempo, em seu sentido transcendental, contrai de um modo específico para individualizar cada mundo e dispô-lo em épocas e períodos reunidos por um sentido comum metafísico ou uma forma de apreensão da realidade."
  • "Mundo no sentido existencial, então, admite uma pluralidade?, uma variedade de modos nos quais o tempo transcendental pode ser contraído em uma determinada ’presença de entes’.
    • Existem surpreendentes rupturas na história das apreensões da realidade. Estas rupturas constituem a "história do Ser" epocal.
    • Entes são desencobertos através do tempo, ou o tempo é o processo? auto-desencobridor de apreensões da realidade.
    • As habilidades requeridas pelas demandas feitas em um mundo existencial, com suas solicitações específicas de atenção e preocupação humanas, não são totalmente compatíveis com as demandas de outro mundo existencial.
    • A teoria de transformação epocal de Heidegger   leva em conta? o deslocamento de habilidades e a reorganização das energias da vida que criam sobressaltos na cultura humana."
  • Como Hegel   (e Ong), Heidegger   leva a sério as mudanças epocais em compromissos? culturais.
    • Ao invés de séries de desenvolvimento de melhorias sistemáticas, as transformações epocais podem ser compreendidas como conjuntos de caminhos? finitos que desenvolvem, avançam, e se perdem quando novos caminhos são abertos por técnicas e habilidades consideravelmente diferentes.
    • Os caminhos abertos são finitos no sentido que preocupações humanas projetam novas e diferentes direções de desenvolvimento enquanto projetos prévios são dissolvidos ou tomados em modalidades que obscurecem ou transformam impulsos originais de projetos anteriores."
  • "Conectando a verdade com o mundo existencial, a filosofia de Heidegger   implanta limitações intrínsecas no núcleo da verdade.
    • A verdade dos entes é sempre inerentemente parcial já que o processo de revelar? e desencobrir as coisas é fundado nas limitações intrínsecas de suas definição finita.
    • A verdade, então, é simultaneamente uma revelação e um encobrimento ao mesmo tempo.
    • A verdade não se restringe a proposições e afirmações.
    • É a articulação primordial do mundo, do contexto de envolvimentos dentro dos quais pessoas e objetos tornam-se coisas definitivas.
    • Como verdade da articulação primordial, o mundo existencial é a linguagem primal?."

Ver online : Electric language