Página inicial > Filosofia da Ciência e da Técnica > Poincaré (DP) – a moral e a ciência

DERNIÈRES PENSÉES (1917)

Poincaré (DP) – a moral e a ciência

sexta-feira 22 de outubro de 2021

Dernières Pensées

L’Évolution des Lois. - L’Espace et le Temps.
Pourquoi l’Espace a trois dimensions.
La Logique de l’Infini.
Les rapports de la lumière et de l’Éther.
La Morale et la Science, etc.

tradução de autor desconhecido

Na segunda metade do século XIX houve quem imaginasse criar uma moral? científica. Não lhes bastava celebrar a virtude? educadora da ciência?, o partido que a alma? humana tira para o aperfeiçoamento? próprio? do comércio da verdade? olhada frente a frente. Contavam que a ciência pusesse as verdades morais acima de toda contestação, como os teoremas de matemática? e as leis? enunciadas pelos físicos.

As religiões podem ter? grande império sobre as almas crentes, mas nem todos são crentes; a fé? impõe-se apenas a alguns, a razão? haveria de impor-se a todos. Deveríamos recorrer à razão, embora não à do metafísico?, cujas construções são brilhantes, mas efêmeras como bolas de sabão com que nos divertimos um instante? e logo se desfazem. Só a ciência edifica solidamente; edificou a astronomia? e a física?; hoje a biologia?; pelos mesmos processos?, amanhã a moral. Suas prescrições haveriam de reinar sem limite?, ninguém poderia murmurar contra elas, ninguém pensaria insurgir-se contra a lei moral, como hoje ninguém pensa revoltar-se contra o teorema? das três perpendiculares ou a lei da gravitação.

E, de outro lado, havia quem pensasse da ciência todo o mal? possível?; quem nela visse uma escola? de imoralidade. Não apenas por outorgar à matéria? lugar excessivo, mas por nos roubar o sentido? do respeito?, visto? não respeitarmos bem senão as coisas? que não ousamos de olhar?. E as suas conclusões não seriam a negação? da moral? Como o disse não sei que autor célebre, a ciência extingue as luzes do céu?, ou, pelo menos, expurga-as do que têm de misterioso, para as reduzir ao estado? de vulgares bicos de gás. Põe a descoberto os truques do Criador?, que perde um pouco do seu prestígio; não devemos deixar as crianças ver os bastidores: podem ficar com dúvidas acerca da existência? do Papão. Se deixamos os sábios? à vontade?, não tarda nada? acabou-se a moral.

Que havemos nós de pensar? das esperanças de uns e dos receios dos outros? Não hesito na resposta: são vãos uns como os outros?. Não pode haver moral científica, como também não pode haver ciência moral. E a razão é simples?; é uma razão, como direi?, puramente gramatical.

Se as premissas de um silogismo? estiverem ambas no indicativo, a conclusão? estará também no indicativo. Para que a conclusão possa ser posta no imperativo?, será necessário? que, pelo menos, uma das premissas esteja no imperativo. Ora os princípios? da ciência, os postulados da geometria?, estão e só podem estar? no indicativo; nesse mesmo modo? estão também as verdades experimentais, e na base? das ciências não há nem pode haver outra coisa?. Por consequência?, faça o mais sutil dos dialéticos os malabarismos que quiser com tais princípios, ordene-os e combine-os uns com os outros, tudo quanto daí tirar estará no indicativo. Não terá nunca uma proposição? que diga: faz isto, ou não faças aquilo; quer dizer, uma proposição que confirme ou que contradiga a moral.

[...]

A ciência, largamente entendida, ensinada por mestres que a compreendem e a amam, pode desempenhar papel? útil? e muito importante na educação? moral. Mas é erro? atribuir-lhe papel exclusivo. Pode fazer? brotar sentimentos? benfazejos, susceptíveis de servir de motor moral; mas outras disciplinas? também o são e é tolice privarmo-nos da sua ajuda; não são de mais todas as forças reunidas. Há pessoas? que não têm a compreensão? das coisas científicas; é um fato? de observação? vulgar? que há em todas as turmas alunos que são «bons» em letras e que não são «bons» em ciências. Como é ilusório julgar? que, se a ciência não fala? à sua inteligência?, há-de falar? ao seu coração?!

Agora? o segundo ponto?: a ciência, como todo o modo de atividade?, não só é susceptível de gerar sentimentos novos, como também é capaz de erguer uma construção nova sobre os sentimentos antigos, sobre os que nascem espontaneamente no coração do homem?. Não podemos conceber? um silogismo com as duas? premissas no indicativo e a conclusão no imperativo; mas podemos imaginá-lo estruturado no tipo? seguinte: Faz isto, logo, quando se não faz aquilo, não pode fazer-se isto, portanto, faz aquilo. Tais raciocínios não estão fora? do âmbito da ciência.

[...]

Não há nem haverá jamais moral científica no sentido próprio da palavra?, mas a ciência pode ser, de maneira indireta, um auxiliar da moral; a ciência latamente entendida não pode deixar de servi-la; só a meia ciência é de temer; em compensação, a ciência não é bastante, porque apenas vê uma parte? do homem, ou, se preferis, vê tudo, mas de um só prisma; além? disso, não devemos esquecer? os espíritos que não são científicos. Por outro lado, os receios desmedidos, como as desmedidas esperanças, afiguram-se igualmente quiméricos; a moral e a ciência, à medida? que progredirem, hão-de saber? adaptar-se uma à outra.

Original

Dans la dernière moitié du XIXe siècle, on a bien souvent rêvé de créer une morale scientifique. On ne se contentait pas de vanter la vertu éducatrice de la science, les avantages que l’âme humaine retire pour son propre perfectionnement du commerce de la vérité regardée face à face. On comptait que la science mettrait les vérités morales au-dessus de toute contestation, comme elle a fait pour les théorèmes de mathématiques et les lois énoncées par les physiciens.

Les religions peuvent avoir une grande puissance sur les âmes croyantes, mais tout le monde? n’est pas croyant ; la foi ne s’impose qu’à quelques-uns, la, raison s’imposerait à tous. C’est à la raison qu’il faut nous adresser, et je ne dis pas à celle du métaphysicien dont les constructions sont brillantes, mais éphémères, comme les bulles de savon dont on s’amuse un instant et qui crèvent. La science [224] seule bâtit solidement ; elle a bâti l’astronomie et la physique ; elle bâtit aujourd’hui la biologie ; par les mêmes procédés elle bâtira demain la morale. Ses prescriptions régneront sans partage, personne ne pourra murmurer contre elles, et on ne songera pas plus à s’insurger contre la loi morale qu’on ne songe? aujourd’hui à se révolter contre le théorème des trois perpendiculaires ou la loi de la gravitation.

Et d’un autre côté, il y avait des gens qui pensaient de la science tout le mal possible ; qui y voyaient une école d’immoralité. Ce n’est pas seulement qu’elle accorde trop de place? à la matière ; qu’elle nous enlève le sens du respect, parce qu’on ne respecte bien que les choses qu’on n’ose pas regarder. Mais ses conclusions ne vont-elles pas être la négation de la morale ? Elle va, comme a dit? je ne sais plus quel auteur célèbre, éteindre les lumières du ciel ou, tout au moins, les priver de ce qu’elles ont de mystérieux pour les réduire à l’état de vulgaires becs de gaz. Elle va nous dévoiler les trucs du Créateur qui y perdra quelque chose de son prestige ; il n’est pas bon de laisser les enfants regarder dans les coulisses ; cela pourrait leur inspirer des doutes sur l’existence de Croquemitaine. Si on laisse faire les savants, il n’y aura? bientôt plus de morale.

Que devons-nous penser des espérances des uns [225] et des craintes des autres ? Je n’hésite pas à répondre : elles sont aussi vaines les unes que les autres. Il ne peut pas y avoir de morale scientifique ; mais il ne peut pas y avoir non plus de science immorale. Et la raison en est simple ; c’est une raison, comment dirai-je ? purement grammaticale.

Si les prémisses d’un syllogisme sont toutes les deux à l’indicatif, la conclusion sera également à l’indicatif. Pour que la conclusion pût être mise à l’impératif, il faudrait que l’une des prémisses au moins fût elle-même à l’impératif. Or, les principes de la science, les postulats de la géométrie sont et ne peuvent être qu’à l’indicatif ; c’est encore à ce même mode que sont les vérités expérimentales, et à la base des sciences, il n’y a, il ne peut y avoir rien autre chose. Dès lors, le dialecticien le plus subtil peut jongler avec ces principes comme il voudra, les combiner, les échafauder les uns sur les autres ; tout ce qu’il en tirera sera à l’indicatif. Il n’obtiendra jamais une proposition qui dira : fais ceci, ou ne fais pas cela ; c’est-à-dire une proposition qui confirme ou qui contredise la morale.

[...]

La science, largement entendue, enseignée par des maîtres qui la comprennent et qui l’aiment, peut jouer? un rôle très utile et très important dans l’éducation morale. Mais ce serait une faute de vouloir lui donner un rôle exclusif. Elle peut faire naître des sentiments bienfaisants, qui peuvent servir de moteur moral ; mais d’autres disciplines le peuvent également, [236] ce serait une sottise de se priver d’aucun auxiliaire ; nous n’avons pas trop de toutes leurs forces réunies. Il y a des gens qui n’ont pas l’intelligence des choses scientifiques ; c’est un fait d’observation vulgaire, qu’il y a dans toutes les classes des élèves qui sont « forts » en lettres, et qui ne sont pas « forts » en sciences. Quelle illusion? de croire que si la science ne parle pas à leur intelligence, elle pourra parler à leur cœur !

J’arrive au second point ; non seulement la science comme tout mode d’activité, peut engendrer des sentiments nouveaux, mais elle peut, sur les sentiments anciens, sur ceux qui naissent spontanément dans le cœur de l’homme, édifier une construction nouvelle. On ne peut pas concevoir un syllogisme où les deux prémisses seraient à l’indicatif et la conclusion à l’impératif ; mais on peut en concevoir qui soient bâtis sur le type suivant : Fais ceci, or, quand on ne fait pas cela, on ne peut pas faire ceci, donc fais cela. Et de pareils raisonnements ne sont pas hors de la portée de la science.

[...]

Il n’y a pas, et il n’y aura jamais de morale scientifique au sens propre du mot, mais la science peut être d’une façon indirecte une auxiliaire de la morale ; la science largement comprise ne peut que la servir ; la demi-science est seule redoutable ; en revanche, la science ne peut suffire, parce qu’elle ne voit qu’une partie de l’homme, ou, si vous le préférez, elle voit tout, mais elle voit tout du même biais ; et ensuite, parce qu’il faut penser aux esprits? qui ne sont pas scientifiques. D’autre part, les craintes, comme les espoirs trop vastes, me semblent également chimériques ; la morale et la science, à mesure qu’elles feront des progrès, sauront bien s’adapter l’une à l’autre.


Ver online : DERNIÈRES PENSÉES (1917)