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Da essência da informática

de Castro (SEI): meio e seus qualificadores – técnico, científico e informacional

Técnica e informática a partir do pensamento de M. Heidegger

terça-feira 19 de outubro de 2021, por Cardoso de Castro

      

DE CASTRO  , Murilo Cardoso. Sobre a essência   da informática. Técnica e Informática a partir do pensamento   de M. Heidegger  . Tese (Doutorado em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p. 189. 2005. (revisado)

      

O meio sob a luz   da com-posição   não é neutro. Responde ao princípio da auto-organização, continuamente recolhendo e redispondo em sua plenitude   os avanços da técnica, da ciência e da informática na constituição do mundo da informatização.

O mundo da informatização é uma nebulosa de sistemas em evolução. Dotada de autonomia   independente das pessoas que a produzem, só se liga aos homens de maneira extrínseca. Como sistema autônomo, possui seus mecanismos próprios de crescimento e impõe uma lógica   politônica aos outros sistemas de que se vale para crescer e desenvolver-se. Estes outros sistemas são, de um lado, os cérebros humanos e não as pessoas humanas e, de outro, as coisas materiais. Cérebros humanos são máquinas de criar informações e coisas materiais são energias de ação. O princípio-chave para se compreender o vir a ser   e a evolução da informática é o princípio da auto-organização. Como os sistemas biológicos, os sistemas microeletrônicos se organizam de tal maneira que se vão complexificando por seus próprios dispositivos. Mas tal autonomia não exclui e sim inclui até a necessidade   de ir buscar energias e insumos nos outros sistemas. Graças a interações e inter-relacionamentos entre os sistemas, a informatização aumenta sua complexidade, cresce e evolui. Assim, também no nível do terceiro mundo operam muitas das propriedades e características dos sistemas biológicos. Por isso é que a cibernética e a micro- eletrônica só podem evoluir e desenvolver-se em conexão com os cérebros humanos, de um lado, e com os sistemas materiais, de outro. O mundo da informatização progride por trocas com os dois   outros. E são estas trocas que explicam por que todo desempenho cibernético tem dois polos, um polo lógico, que remete para as interações com o mundo subjetivo dos cérebros, e um polo micro-eletrônico que remete para o mundo material das coisas e dos objetos técnicos. (Carneiro Leão, 1992, pág. 100-101, grifo meu)

Os qualificadores técnico, científico e informacional, deste meio, indicam, por sua vez, algumas de suas propriedades.


Ver online : O que é informática e sua essência. Pensando a "questão da informática" com M. Heidegger


CARNEIRO-LEÃO, Emmanuel. Aprendendo a pensar. Volume II. Petrópolis: Vozes, 1992.