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Da essência da informática

de Castro (SEI): manualidade e manualidade informacional

Técnica e informática a partir do pensamento de M. Heidegger

terça-feira 19 de outubro de 2021

DE CASTRO  , Murilo Cardoso. Sobre a essência da informática. Técnica e Informática a partir do pensamento de M. Heidegger  . Tese (Doutorado em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p. 189. 2005. (revisado)

O ser do Dasein “ex-siste” no mundo?. Pois o ser está em exílio?, fora? de si mesmo?, sem abrigo, pro-jetado. Busca habitar? e acaba por criar um mundo no qual se re-encontra no Dasein? e na manualidade? (Zuhandenheit). Evidenciando que “a doação dos desempenhos e das possibilidades de desempenho proporciona os seres à mão, os seres constituídos pela manualidade: os instrumentos, os utensílios, os equipamentos, os dispositivos etc.” (Notas de Márcia Sá Cavalvante em Heidegger, 2015, p. 566).

Essa manualidade composta por instrumentos, utensílios, ferramentas, que os gregos denominavam pragmata é que põe em evidência? o aspecto? prático?, da apreensão? das coisas? na ocupação?. A primeira? abertura do Dasein ao mundo se dá por esta ocupação constitutiva de um mundo da manualidade, onde a “cura?” (Sorge) exerce uma “função? de apresentação?” fundamental (Heidegger, 1979/1985).

Obedecendo a característica? manual de qualquer instrumento?, é a mão que ativa e mantém operacional a informática? diante do homem?, o que indica uma espécie? de “manualidade informacional”: uma relação? especial entre Dasein e instrumentos do engenho? de representação?, que é dada pelo método? informacional-comunicacional. Qualquer tecnologia? da informação conta? com o Dasein que o “anima?” e manipula; mesmo que o faça segundo o método de aplicação e os requisitos de operação? e de uso?, imanentes ao meio? de onde a tecnologia emerge à mão.

O ser do instrumento na ocupação se dá como um “servir para”, onde o para não indica apenas funcionalidade, mas remetimento de um instrumento a outro. Esta interdependência dos instrumentos entre eles mostra que um instrumento único? é uma incongruência ontológica?. O ser do instrumento se caracteriza na dupla? referência? ao Dasein, do qual depende ontologicamente, e aos outros instrumentos que formam seu “mundo circundante”, seu meio. Do mesmo modo? que aquilo que é tecnologia da informação se caracteriza na dupla referência ao homem que a manipula e ao meio técnico?-científico-informacional, de onde emerge.

Eis a razão? pela qual se torna tão difícil uma contemplação? sobre a essência? da informática. Sua funcionalidade, indicada pelo “servir para” da tecnologia da informação na ocupação, indica sua utilização como mais natural? ao Dasein, que a meditação? sobre sua essência. A partir do momento? que o ser dos instrumentos informacionais-comunicacionais, enquanto entes disponíveis para uma utilização possível?, consiste na manualidade, fica claro que sua natureza é re-velada apenas pela “circunvisão” (Umsicht).


Ver online : O que é informática e sua essência. Pensando a "questão da informática" com M. Heidegger


HEIDEGGER, Martin. History of the Concept of Time. Trad. Theodore Kisiel. Bloomington: Indiana University Press, 1979/1985

HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Tr. Márcia Sá Cavalcante. Petrópolis: Vozes, 2015