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Da essência da informática

de Castro (SEI): desvelamento

Técnica e informática a partir do pensamento de M. Heidegger

terça-feira 19 de outubro de 2021, por Cardoso de Castro

      

DE CASTRO  , Murilo Cardoso. Sobre a essência   da informática. Técnica e Informática a partir do pensamento   de M. Heidegger  . Tese (Doutorado em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p. 189. 2005. (revisado)

      

Dado que a verdade  , aletheia é o domínio   comum dos modos   de desvelamento [aletheuein] seja da poiesis, seja da Ge-stell, seja da produção seja da com-posição  , o homem   não saberia desvelar aquilo que é sem aí ter sido previamente convocado. Nenhum desvelamento se dá se não aquele originário da co-pertinência do homem ao des-encobrimento em si, que deste modo o põe a caminho   [1] para o lugar de seu desvelamento. E se “o desencobrimento do que é e está sendo segue sempre um caminho de desencobrimento” (ibid, pág. 27), como alcança-lo sem estar já em seu movimento  ?

Cada modo de desvelamento, a produção ou a com-posição  , é um pôr a caminho do destino pelo qual o homem é regido, posto que este “encaminhamento” responde ao apelo da verdade do ser donde o homem tem seu ser. Mas não se trata de uma fatalidade nem de uma imposição, ou do determinismo tecnológico tão afirmado hoje em dia. Trata-se daquilo que mais se aparenta com a liberdade, dado seu parentesco íntimo com o des-velar que vela, ou o re-velar que vela. “Todo desencobrimento pertence a um abrigar e esconder. Ora, o que liberta é o mistério, um encoberto   que sempre se encobre, mesmo quando se desencobre” (ibid, pág. 28).

A essência   da técnica como destino de des-velamento, seja na produção seja na composição, ex-põe o homem a um constante risco. Maior ainda na época da técnica moderna, quando o ser do ente   se destina sob o modo do Ge-stell, da composição. Ao des-velar o ente como objeto, o homem des-vela-se como sujeito e assim se diferencia e se distancia do ser do ente, enquanto se aproxima de sua entidade, para dis-ponibiliza-la para exploração.


Ver online : O que é informática e sua essência. Pensando a "questão da informática" com M. Heidegger


HEIDEGGER, Martin. Ensaios e Conferências. Trad. Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel e Marcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes, 1954/2002


[1A essência da técnica moderna põe o homem a caminho do des-encobrimento que sempre conduz o real, de maneira mais ou menos perceptível, à dis-ponibilidade. Pôr a caminho significa: destinar. Por isso, denominamos de destino a força de reunião encaminhadora, que põe o homem a caminho de um desencobrimento. É pelo destino que se determina a essência de toda história. (Heidegger, 1954/2002, pág. 27)