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Da essência da informática

de Castro (SEI): técnica moderna — disposições e dispositivos

Técnica e informática a partir do pensamento de M. Heidegger

terça-feira 19 de outubro de 2021

DE CASTRO  , Murilo Cardoso. Sobre a essência da informática. Técnica e Informática a partir do pensamento de M. Heidegger  . Tese (Doutorado em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p. 189. 2005. (revisado)

E quanto à técnica moderna?, vale esse? resgate do sentido? original grego?? Certamente que sim, pois a técnica moderna ainda guarda? parte? deste sentido. Seria uma falácia, segundo Heidegger  , interpretar a técnica moderna como algo de totalmente novo, assentado na moderna ciência exata da natureza?. Mesmo a constatação da interdependência entre ciência e técnica, não diz nada? "a respeito? do fundo e fundamento? em que se baseia esta dependência recíproca".

A técnica moderna é também um desencobrimento, que não se desenvolve porém numa pro-dução no sentido de poiesis?. "O desencobrimento que rege a técnica moderna é uma exploração que impõe à natureza a pretensão de fornecer energia?, capaz de, como tal, ser beneficiada e armazenada" (Heidegger  , 1954/2002, pág. 19).

Trata-se de uma nova “posição que dis-põe da natureza”, ou como denominado anteriormente tratam-se de dis-posições e dis-positivos de exploração. "Esta dis-posição, que explora a energia da natureza, cumpre um processamento, numa dupla? acepção. Processa à medida? que abre e ex-põe." Estabelece-se, portanto, uma cadeia de pré-dis-posições, dis-posições e dis-positivos que percorre um ciclo indefinido? de exploração, armazenamento? e processamento de tudo que tocam em seu caminho?.

"O desencobrimento que domina a técnica moderna, possui, como característica, o pôr, no sentido de explorar." O ciclo percorre a extração, transformação, armazenamento, distribuição, reprocessamento, como modos? de desencobrimento. Um desencobrimento assegurado por controle e segurança, marcas indeléveis do desencobrimento explorador.

“Em toda parte?, se dis-põe a estar? a postos e assim estar a fim? de tornar-se e vir a ser? dis-ponível para ulterior dis-posição. O dis-ponível tem seu próprio esteio” (ibid, pág. 20). Existe, portanto, uma experiência moderna do desencobrimento: um desencobrimento que provoca a natureza a liberar o que possa ser tratado e acumulado para exploração.

A dis-ponibilidade designa esta categoria?, este modo em que vige e vigora tudo que o desencobrimento explorador atingiu. "No sentido da dis-ponibilidade, o que é já não está para nós em frente e defronte, como um objeto?."

Segundo Heidegger  , cabe aqui uma crítica a Hegel   por não pensar? a máquina a partir da essência da técnica. "Considerada como disponibilidade? a máquina não é absolutamente autônoma e nem se basta a si mesma. Pois tem sua dis-ponibilidade exclusivamente a partir e pelo dis-por do dis-ponível" (ibid, pág. 20).


Ver online : O que é informática e sua essência. Pensando a "questão da informática" com M. Heidegger


HEIDEGGER, Martin. Ensaios e Conferências. Trad. Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel e Marcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes, 1954/2002