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Da essência da informática

de Castro (SEI): as quatro causas aristotélicas

Técnica e informática a partir do pensamento de M. Heidegger

terça-feira 19 de outubro de 2021

DE CASTRO  , Murilo Cardoso. Sobre a essência da informática. Técnica e Informática a partir do pensamento de M. Heidegger  . Tese (Doutorado em Filosofia) – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, p. 189. 2005. (revisado)

E, em se tratando de causas?, segundo Heidegger  , a teoria? aristotélica das quatro? causas é um novo ponto? de partida para problematização da técnica, enquanto instrumento?. Importa, no entanto, clareza quanto ao sentido? do termo? “causa”, ao porque da determinação de “quatro” causas, e à univocidade? do caráter? causal das mesmas, determinando sua solidariedade?.

O entendimento? ordinário da noção de causa é de algo que “opera”, no sentido de “obter resultados”, “alcançar? efeitos”. Segundo Aristóteles, quatro causas “operam” na constituição, por exemplo?, de um cálice de prata: a causa materialis?, o material? empregado, a prata; a causa formalis, a forma? dada à matéria, um cálice; a causa finalis, a finalidade? que determinou esta conjunção de forma e de matéria, na constituição de um cálice “sacrificial”; e, a causa efficiens, aquela que efetiva o cálice pela arregimentação das demais causas, no caso, o artes?ão.

Deste modo?, a causa efficiens, assume a primazia da causalidade, a ponto mesmo? de encobrir a causa finalis. Este sentido predominante de operar, efetuar, da noção causa, não tem, no entanto, nada? a ver? com o que os gregos denominavam causa: “aquilo que responde por outra coisa?”. Segundo Heidegger  , as quatro causas aristotélicas seriam os modos, solidários entre si, do “ato? do qual se responde”.

A causa materialis e a causa formalis se apresentam como co-responsáveis imediatas pela forma material e tangível do cálice de prata. Porém, cabe à causa finalis a responsabilidade? pela definição do sentido do cálice, de sua razão de ser, antes e depois de sua constituição.

Quanto à causa efficiens, Aristóteles indicava para esta causa a responsabilidade pela presença e disponibilidade? do cálice constituído, para aquela finalidade. O artesão considera e reúne, a seu modo, as três causas mencionadas no “ato do qual se responde”. O artesão é a causa efficiens, enquanto co-responsável pela revelação do cálice, pela emergência no não-oculto? de um cálice configurado de certa matéria e forma, segundo uma determinada finalidade.

Assim, no utensílio, que se dá e propõe no culto?, regem e vigem quatro modos de dever? e responder. Entre si são diferentes, embora pertençam um ao outro na unidade? de uma coerência. O que os une antecipadamente? Em que se joga o jogo? de articulação dos quatro modos de responder e dever? De onde provém a unidade das quatro causas? Pensando de maneira grega?, o que significa responder e dever? (Heidegger  , 1954/2002, pág. 15)

As quatro causas, ou quatro modos, respondem pelo propor-se do cálice sacrificial. “Dar-se e propor-se? designam a vigência de algo que está em vigor?." (ibid, pág. 15) Deste modo, os quatro modos de responder e dever, de aitia?, deixam que algo venha a viger; eles são um deixar-viger, evocando assim a experiência grega de causalidade.

Os quatro modos, deixando chegar à vigência o que ainda não vige, são regidos e atravessados, de maneira uniforme?, por uma condução que conduz o vigente a aparecer?. Segundo Platão: "Todo deixar-viger o que passa e procede do não-vigente para a vigência é poiesis?, é produção" (ibid, pág. 16).


Ver online : O que é informática e sua essência. Pensando a "questão da informática" com M. Heidegger


HEIDEGGER, Martin. Ensaios e Conferências. Trad. Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel e Marcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes, 1954/2002