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Diálogos de Platão

Platão (Parmênides 133a-137c) – Ideias e Dialética

Primeira Parte

mercredi 21 avril 2021

PLATON Platão
Platon
Plato
Platón
Platão (grego Πλάτων, Platon) (427-348 aC)
. Parmênides Parmenides
Parménide
Parmênides
Parmênides de Eléia, pré-socrático pitagórico do século VI-V aC
. Tr. Carlos Alberto Nunes. Grupo Acrópolis (doc)

PLATON. Oeuvres complètes. Tr. Victor Cousin. Paris : Arvensa (ebook)

PLATO. The Dialogues of Plato. Tr. Benjamin Jowett. (ebook)

Carlos Alberto Nunes

Pois sabe, teria falado, que, por assim dizer, não apanhaste todo o alcance da dificuldades, com admitires uma ideia única e à parte para toda classe de seres.

Que dificuldades ?

Há muitas, disse : a maior é a seguinte : alguém poderia sustentar que, definindo-as como fizemos, as ideias não podem ser conhecidas, não sendo possível provar o engano de quem afirmasse o contrário, a menos que esse contraditor tivesse grande experiência e fosse excelentemente dotado pela natureza? e se dispusesse a desenvolver uma longa e laboriosa demonstração. A não ser assim, não há meio de demover de sua convicção quem sustenta que as ideias não podem ser conhecidas.

E a razão disso, Parmênides Parmenides
Parménide
Parmênides
Parmênides de Eléia, pré-socrático pitagórico do século VI-V aC
 ? perguntou Sócrates Socrate
Sokrates
Sócrates
Socrates
Socrate (Σωκράτης Sōkrátēs) século V aC
.

Porque eu imagino, Sócrates, que tu e todos os que admitem para cada coisa particular uma essência existente por si mesma, confessam de saída que nenhuma delas existe em nós.

A ser assim, observou Sócrates, de que jeito poderiam existir em si mesmas ?

Falas com muito acerto, disse ; de onde vem, que as ideias, que só são o que são por suas relações mútuas, têm sua essência própria somente em relação umas com as outras, não com relação ao que em nós são suas cópias ou como quer que sejam denominadas, e de cuja participação tiramos a designação certa de tudo o mais. Por outro lado, as coisas do nosso mundo? que têm o mesmo nome que elas, só existem em relação umas com as outras, não com as ideias, sendo assim denominadas por elas mesmas, não por causa das ideias.

Que queres dizer com isso ? perguntou Sócrates.

É o seguinte, respondeu Parmênides. Suponhamos que um de nós é senhor ou escravo do outro, não escravo do senhor em si mesmo, o senhor na sua própria essência, nem este, como senhor, é senhor do escravo em si mesmo, a essência do escravo : como homens, entre eles, é que serão uma coisa ou outra.

O senhorio em si mesmo é o que é com relação à escravidão em si mesma, e o inverso : a escravidão em si, com relação ao senhorio em si mesmo. As coisas do nosso mundo não têm ação sobre as daquele, nem as do outro mundo sobre as do nosso. O que eu digo é que aquela realidades só são o que são para elas mesmas e com referência a elas mesmas, exatamente como se dá com as coisas do nosso mundo. Ou não entendes o que eu falo ?

VII - Entendo tudo, respondeu Sócrates.

E com relação ao conhecimento?, continuou, o conhecimento em si mesmo será conhecimento da verdade em si mesma ?

Perfeitamente.

Cada conhecimento particular em si mesmo seria, por conseguinte, conhecimento de um ser em si mesmo. Ou não ?

Certo.

Assim, nosso conhecimento viria a ser o conhecimento da verdade de nosso mundo ; de onde se colhe que cada ramo do nosso conhecimento terá de ser conhecimento de determinadas coisas do nosso mundo.

Necessariamente.

Porém, conforme tu próprio admitiste, nem possuímos as ideias em si mesmas, nem elas podem existir entre nós.

Sem dúvida.

E não é pela ideia em si do conhecimento que são conhecidos gêneros em si mesmos ?

Certo.

Ideias essas que não possuímos.

Justamente.

Sendo assim, não poderemos conhecer nenhuma ideia, visto não participarmos do conhecimento em si mesmo.

Parece que não.

Logo, são-nos desconhecidos o belo existente em si mesmo, e o bem e tudo o que admitimos como ideias com existência independente.

Quem sabe ?

Atende agora ao que se me afigura ainda mais terrível.

Que será ?

Não estás disposto a conceder que se há um gênero em si do conhecimento, terá de ser muito mais preciso do que o conhecimento do nosso mundo, tal qual como o da beleza e os de tudo o mais ?

Concedido.

E que se algum ser tiver de participar desse conhecimento em si mesmo, não dirás que somente Deus possuirá esse conhecimento exatíssimo ?

Necessariamente.

Ora, a posse do conhecimento em si não permitirá a Deus conhecer o que se passa no nosso mundo.

Por que não ?

Porque já aceitamos, Sócrates, observou Parmênides, que nem aquelas ideias atuam nas coisas do nosso mundo, nem as coisas do nosso mundo naquelas ideias ; separadamente, entre elas mesmas, é que umas atuam sobre outras.

Aceitamos, de fato.

Logo, se se encontra em Deus esse domínio supremo e esse conhecimento perfeito, nem esse domínio chegará nunca a dominar-nos, nem esse conhecimento a conhecer-nos ou seja ao que for do nosso mundo ; porém, da mesma forma que não dominamos os deuses com nosso domínio, nem alcançamos nada das coisas divinas com nosso conhecimento : assim, também, pelas mesmíssimas razões, os deuses não têm domínio sobre nós nem conhecem os negócios humanos, na qualidade de deuses.

Não será uma proposição ousada em demasia, disse, privar Deus do conhecimento ?

Tudo isso, Sócrates, voltou Parmênides a falar, e muito mais ainda está implícito nas ideias, no caso de terem estas existência própria e concebê-las alguém como algo independente. Quem ouve tal coisa fica perplexo, sendo levado a contestar sua existência ou, na hipótese de admiti-las, será obrigado a declarar que por força terão de ser desconhecidas da natureza humana. Quem assim se manifesta sabe o que diz e, conforme observamos há pouco, não será fácil demovê-lo de suas convicções. Só um indivíduo de dotes extraordinários será capaz de compreender que para cada coisa há um gênero à parte com existência independente, e alguém mais bem dotado, ainda, para descobrir tudo isso e ensiná-los devidamente aos outros, por meio de uma análise exaustiva.

Declaro-me de acordo contigo, Parmênides, observou Sócrates, pois quanto disseste concerta plenamente com minha maneira de pensar.

Por outro lado, Sócrates, observou Parmênides, se após considerar quanto ficou dito e todo o mais que poderia se acrescentado, não aceitar um a existência das ideias dos seres, admitindo para cada coisa uma ideia definida, não saberá para onde virar o pensamento, a menos que reconhecesse a existência de uma ideia para cada cosa, sempre igual a si mesma, com o que destruiria por completo a própria dialética, o que decerto já percebeste com tua habitual perspicácia, conforme creio.

É muito justo o que dizes, teria observado Sócrates.

VIII - E que farás da filosofia ? Para onde te voltarás na ignorância de todas as coisas ?

Por enquanto, não vejo saída.

É que começaste cedo demais, Sócrates, antes de te exercitares, como convém, a definir? o belo, o bem e o justo, e assim todas as ideias. Observei isso mesmo há dois dias, ao te ouvir dialogar com o nosso amigo Aristóteles Aristóteles
Aristote
Aristotle
Ἀριστοτέλης (384-322 aC)
, aqui presente. Pois fica sabendo que é belo e divino o entusiasmo com que te atiras a essas discussões. Enquanto és moço, exercita-te mais de espaço nessas práticas consideradas inúteis pelo vulgo e que dele receberam o nome de parolagem. De outra forma, a verdade te escapará.

E em que consiste, Parmênides, teria perguntado, semelhante exercício ?

O que ouviste agora mesmo de Zenão Zenão
Zénon
Zeno
Zenón
Zenão de Eléia (490-430 aC) pré-socrático, discípulo de Parmênides
, foi a sua resposta. Aliás, uma de tuas objeções me alegrou sobremaneira, ao lhe manifestares teu desacordo de que a investigação não se dispersasse nos objetos percebidos pelos olhos nem somente neles se aplicasse, para concentrar-se no que é apreendido apenas pelo pensamento e pode ser considerado como ideia.

Com efeito, respondeu ; não me parece difícil demonstrar por esse meio que os seres são semelhantes e revelam outras oposições possíveis.

E com razão, disse. Porém uma coisa ainda precisarás fazer. Não basta aceitar a existência de determinado objeto? e considerar as consequências de semelhante suposição. Longe disso ; precisarás, ainda, admitir a não-existência desse mesmo objeto, se te importa exercitar-te como convém.

Aonde queres chegar ? perguntou.

Caso te declares de acordo, disse, exemplifiquemos com aquela hipótese de Zenão : se existir o múltiplo, quais serão as consequências tanto para ele, em relação com ele mesmo e com o Uno, como para a unidade, em relação com ela mesma e com o múltiplo ? E no caso de não houver múltiplo, voltar a considerar as consequências para a unidade e para o múltiplo, assim em suas relações recíprocas como nas de cada um consigo mesmo. Desenvolve idêntico esforço partindo da hipótese de que a semelhança existe ou não existe, sobre as consequências desses pressupostos, tanto para os termos admitidos como para outras coisas, nelas mesmas e em suas relações recíprocas. Igual raciocínio valerá para o dissemelhante, para o movimento e o repouso, para o nascimento e a destruição, o ser e o não-ser em si mesmos. Numa palavra : em tudo o que supuseres como existente ou não existente ou como determinado de qualquer modo, será preciso examinar as consequências resultantes, primeiro, para o próprio objeto, e depois, relativamente aos outros : começarás por um, à tua escolha ; depois vários, e por último todos. A mesma coisa farás com esse outros, tanto em suas relações recíprocas como com o objeto admitido de cada vez por ti como existente ou não existente, caso queiras exercitar-se com perfeição e, assim, discernir a verdade na sua plenitude.

É imensa a tarefa, Parmênides, observou, que me impões ; transcende minha compreensão. Por que não desenvolves tu mesmo as consequências dessa hipótese com um exemplo concreto, para que eu consiga compreendê-la ?

Na minha idade, Sócrates, teria respondido, é uma tarefa gigantesca que me atiras sobre os ombros.

E tu, Zenão, perguntou Sócrates, por que não fazes essa demonstração ?

Ao que Zenão, sorrindo, teria respondido : A Parmênides é que devemos dirigir-nos, Sócrates. O que ele expôs não é uma coisinha de nada. Não vês a enormidade do trabalho que exiges dele ? Se houvesse aqui mais gente, seria pouco elegante, de fato, fazer-lhe semelhante pedido ; não fica bem desenvolver tal assunto diante de publico numeroso, máxime na sua idade. As multidões ignoram que a não ser com a exploração a fundo do terreno, em todos os sentidos, não é possível adquirirmos noções certas com respeito a verdade. De meu lado, Parmênides, eu também secundo o pedido de Sócrates, para ouvir-te mais uma vez, depois de intervalo tão longo.

IX - Após a fala de Zenão, pelo que Antifonte contou, Pitodoro teria dito que ele também e Aristóteles e os outros instaram com Parmênides para que demonstrasse sua proposição, sem ocupar-se com mais nada. Ao que Parmênides respondera : Preciso obedecer-vos, disse, conquanto me sinta naquela situação de cavalo de Íbico, antigo campeão de corridas : já velho, tremia quando atropelavam ao carro, pois sabia por experiência própria o que o aguardava. Aplicando a si mesmo o símile, dizia Íbico que, a seu mau grado, na idade a que chegara se via forçado a tomar parte das competições do amor. Lembrado disso, eu também sinto-me dominado pelo medo, por ter de, nesta idade, atravessar a nado tão grande e perigoso pélago de argumentos. De qualquer jeito, forçoso é obedecer-vos, pois como diz Zenão com muito acerto, estamos em família. Por onde, então, começaremos, e qual será nossa primeira hipótese ? E agora, já que temos mesmo de entregar-nos a esse jogo cansativo, não preferis que eu comece por minha própria hipótese sobre o Uno em si mesmo, se existe ou se não existe, a fim de estudarmos as consequências disso decorrentes ?

Perfeitamente, teria dito Zenão.

Então, prosseguiu, quem me responderás ? O mais moço, porventura ? É quem decerto me criará mais simples, ensejando-me suas respostas pausas oportunas.

Estou pronto, Parmênides, teria falado Aristóteles ; a mim, decerto, é quem visavas, quando te referiste ao mais novo. Formula? as questões , que eu responderei a elas todas.

Cousin

— Sache bien pourtant que tu n’as pas touché encore, pour ainsi dire, [133b] toute la difficulté qu’il y a à établir pour chaque être une idée différente.

— Comment donc ! reprit Socrate.

— Parmi bien [d]’autres difficultés, voici la plus grande : si quelqu’un disait que les idées ne pourraient pas être connues si elles étaient telles qu’elles doivent être suivant nous, on ne pourrait lui prouver qu’il se trompe, à moins qu’il n’eût beaucoup [d]’expérience de ces sortes de discussions, qu’il ne fût pas mal doué de la nature, et qu’il ne consentît à suivre celui qui se serait chargé de prouver ce qu’il conteste, dans des argumentations très diverses et tirées de fort loin ; [133c] autrement, on ne pourrait réfuter celui qui nierait que les idées pussent être connues. — Pourquoi donc, Parménide ? demanda Socrate.

— Parce que toi et tous ceux qui attribuent à chaque chose? particulière une certaine essence existant en soi, vous conviendrez [d]’abord, si je ne me trompe, qu’aucune de ces essences n’est en nous.

— En effet, reprit Socrate, comment alors pourrait-elle exister? en soi ?

— Tu as raison. Ainsi, celles des idées qui sont ce qu’elles sont par leurs rapports réciproques, tiennent leur essence de leurs rapports les unes avec les autres, et non de leurs rapports avec les copies qui s’en trouvent auprès [133d] de nous, ou comme on voudra appeler ce dont nous participons et recevons par là tel ou tel nom (15) ; et, à leur tour, les copies qui ont les mêmes noms que les idées existent. par leurs rapports entre elles, et non avec les idées qui portent ces noms.

— Comment entends-tu cela ? reprit Socrate.

— Supposé que quelqu’un [d]’entre nous soit le maître ou l’esclave [d]’un autre, il ne sera pas l’esclave [133e] du maître en soi ou de l’idée du maître, ni le maître de l’esclave en soi ; homme?, il sera le maître ou l’esclave [d]’un homme. De même, [c]’est la domination en soi qui est la domination par rapport à l’esclavage en soi, et l’esclavage en soi par rapport à la domination en soi. Ce qui est en nous ne se rapporte pas aux idées, ni les idées à nous ; mais, je le répète, les idées se rapportent les unes aux autres, [134a] et les choses sensibles les unes aux autres. Comprends-tu ce que je dis ?

— Parfaitement, reprit Socrate.

— La science en soi est donc la science de la vérité en soi ?

— Oui.

— Chaque science en soi serait donc aussi la science [d]’un être en soi ?

— Oui.

— Et la science qui est parmi nous ne sera-t-elle pas la science de la vérité qui est parmi nous ? Et, par conséquent, chacune des sciences qui sont parmi nous [134b] ne serait-elle pas la science [d]’une des choses qui existent parmi nous ?

— Nécessairement.

— Mais, tu conviens que nous ne possédons pas les idées elles-mêmes, et qu’elles ne peuvent pas être parmi nous.

— Oui.

— Or, n’est-ce pas seulement par l’idée de la science qu’on connaît les idées en elles-mêmes ?

— Oui.

— Et cette idée de la science, nous ne la possédons pas ?

— Non.

— Donc, nous ne connaissons aucune idée, puisque nous n’avons pas part à la science en soi. — Il semble.

— Donc, nous ne connaissons ni le beau en soi, [134c] ni le bon en soi, ni aucune de ces choses que nous reconnaissons comme des idées existant par elles-mêmes.

— J’en ai peur.

— Mais voici quelque chose de plus grave encore.

— Quoi donc ?

— M’accorderas-tu que s’il y a une science en soi, elle doit être beaucoup plus exacte et plus parfaite que la science qui est en nous ? De même pour la beauté et pour tout le reste.

— Oui.

— Et si jamais un être peut posséder la science en soi, ne penseras-tu pas que [c]’est à Dieu seul, et à nul autre, que peut appartenir la science parfaite ?

— Nécessairement. [134d]

— Mais Dieu possédant la science en soi, pourra-t-il connaître ce qui est en nous ?

— Pourquoi pas ?

— Parce que nous sommes convenus, Socrate, reprit Parménide, que les idées ne se rapportent pas à ce qui est parmi nous, ni ce qui est parmi nous aux ; idées, mais les idées à elles-mêmes, et ce qui est parmi nous à ce qui est parmi nous.

— Nous en sommes convenus.

— Si donc la domination et la science parfaite appartienne aux dieux, leur domination ne s’exercera jamais sur nous, [134e] et leur science ne nous connaîtra jamais, ni nous, ni rien de ce qui nous appartient ; mais, de même que l’empire que nous possédons parmi nous ne nous donne aucun empire sur les dieux, et que notre science ne connaît rien des choses divines, de même et par la même raison ils ne peuvent, tout dieux qu’ils sont, ni être nos maîtres, ni connaître les choses humaines.

— Mais, dit Socrate, n’est-il pas trop étrange [d]’ôter à Dieu la connaissance ?

— C’est cependant, répondit Parménide, [135a] ce qui doit nécessairement arriver, cela et bien [d]’autres choses encore, s’il y a des idées des êtres subsistant en elles-mêmes et si on tente de déterminer la nature de chacune [d]’elles ; de sorte que celui qui entendra avancer cette doctrine, pourra soutenir, ou qu’il n’y a pas de semblables idées, ou que, s’il y en a, elles ne peuvent être connues par la nature humaine. Et cela aura tout l’air [d]’une difficulté sérieuse, et, comme nous le disions tout à l’heure, il sera singulièrement malaisé de convaincre [d]’erreur celui qui l’aura proposée. Il faudra un homme bien heureusement né pour comprendre qu’à toute chose répond un genre [135b] et une essence en soi ; et il en faudrait un plus admirable encore, pour trouver tout cela et pour l’enseigner à un autre avec les explications convenables.

— J’en conviens, Parménide, dit Socrate ; je suis? tout-à-fait de ton avis.

— Mais, cependant, reprit Parménide, si en considérant tout ce que nous venons de dire et tout ce que l’on pourrait dire encore, on venait à nier qu’il y eût des idées des êtres, et qu’on se refusât à en assigner une à chacun [d]’eux, on ne saurait plus où tourner sa pensée, [135c] lorsqu’on n’aurait plus pour chaque être une idée subsistant toujours la même, et, par là, on rendrait le discours absolument impossible. Il me semble que tu comprends très bien cela.

— Tu dis vrai, repartit Socrate.

— Quel parti prendras-tu donc au sujet de la philosophie ? et de quel côté te tourneras-tu, dans cette incertitude ?

— Je ne le vois point pour l’heure.

Jowett

And, further, let me say that as yet you only understand a small part of the difficulty which is involved if you make of each thing a single idea, parting it off from other things.

What difficulty ? he said.

There are many, but the greatest of all is this :—If an opponent argues that these ideas, being such as we say they ought to be, must remain unknown, no one can prove to him that he is wrong, unless he who denies their existence be a man of great ability and knowledge, and is willing to follow a long and laborious demonstration ; he will remain unconvinced, and still insist that they cannot be known.

What do you mean, Parmenides ? said Socrates.

Ideas would be no longer absolute?, if they existed within us. And if without us, then they and their resemblances in our sphere are related among themselves only and not to one another. For example, we must distinguish the individual slave and master in the concrete from the ideas of mastership and slavery in the abstract?.

In the first place, I think, Socrates, that you, or any one who maintains the existence of absolute essences, will admit that they cannot exist in us.

No, said Socrates ; for then they would be no longer absolute.

True, he said ; and therefore when ideas are what they are in relation to one another, their essence is determined by a relation among themselves, and has nothing to do with the resemblances, or whatever they are to be termed, which are in our sphere, and from which we receive this or that name when we partake of them. And the things which are within our sphere and have the same names with them, are likewise only relative to one another, and not to the ideas which have the same names with them, but belong to themselves and not to them.

What do you mean ? said Socrates.

I may illustrate my meaning in this way, said Parmenides :—A master has a slave ; now there is nothing absolute in the relation between them, which is simply a relation of one man to another. But there is also an idea of mastership in the abstract, which is relative to the idea of slavery in the abstract. These natures have nothing to do with us, nor we 134with them ; they are concerned with themselves only, and we with ourselves. Do you see my meaning ?

Yes, said Socrates, I quite see your meaning.

And will not knowledge—I mean absolute knowledge—answer to absolute truth ?

Certainly.

And each kind of absolute knowledge will answer to each kind of absolute being ?

Yes.

But the knowledge which we have, will answer to the truth which we have ; and again, each kind of knowledge which we have, will be a knowledge of each kind of being which we have ?

Certainly.

The truth which we have will correspond to the knowledge which we have ; and we have no knowledge of the absolute or of the ideas.

But the ideas themselves, as you admit, we have not, and cannot have ?

No, we cannot.

And the absolute natures or kinds are known severally by the absolute idea of knowledge ?

Yes.

And we have not got the idea of knowledge ?

No.

Then none of the ideas are known to us, because we have no share in absolute knowledge ?

I suppose not.

Then the nature of the beautiful in itself, and of the good in itself, and all other ideas which we suppose to exist absolutely, are unknown to us ?

It would seem so.

I think that there is a stranger consequence still.

What is it ?

Another objection. God above has absolute knowledge. But if so, he cannot have a knowledge of human things, because they are in another sphere.

Would you, or would you not say, that absolute knowledge, if there is such a thing, must be a far more exact knowledge than our knowledge ; and the same of beauty and of the rest ?

Yes.

And if there be such a thing as participation in absolute knowledge, no one is more likely than God to have this most exact knowledge ?

Certainly.

But then, will God, having absolute knowledge, have a knowledge of human things ?

Why not ?

Because, Socrates, said Parmenides, we have admitted that the ideas are not valid in relation to human things ; nor human things in relation to them ; the relations of either are limited to their respective spheres.

Yes, that has been admitted.

And if God has this perfect authority, and perfect knowledge, his authority cannot rule us, nor his knowledge know us, or any human thing ; just as our authority does not extend to the gods, nor our knowledge know anything which is divine, so by parity of reason they, being gods, are not our masters, neither do they know the things of men.

Yet, surely, said Socrates, to deprive God of knowledge is monstrous.

135These, Socrates, said Parmenides, are a few, and only a few of the difficulties in which we are involved if ideas really are and we determine each one of them to be an absolute unity. He who hears what may be said against them will deny the very existence of them—and even if they do exist, he will say that they must of necessity be unknown to man ; and he will seem to have reason on his side, and as we were remarking just now, will be very difficult to convince ; a man must be gifted with very considerable ability before he can learn that everything has a class and an absolute essence ; and still more remarkable will he be who discovers all these things for himself, and having thoroughly investigated them is able to teach them to others.

I agree with you, Parmenides, said Socrates ; and what you say is very much to my mind?.

And yet, Socrates, said Parmenides, if a man, fixing his attention on these and the like difficulties, does away with ideas of things and will not admit that every individual thing has its own determinate idea which is always one and the same, he will have nothing on which his mind can rest ; and so he will utterly destroy the power of reasoning, as you seem to me to have particularly noted.

Very true, he said.

But, then, what is to become of philosophy ? Whither shall we turn, if the ideas are unknown ?

I certainly do not see my way at present.

Parmenides has observed Socrates to be untried in dialectic.

Yes, said Parmenides ; and I think that this arises, Socrates, out of your attempting to define the beautiful, the just, the good, and the ideas generally, without sufficient previous training. I noticed your deficiency, when I heard you talking here with your friend Aristoteles, the day before yesterday. The impulse that carries you towards philosophy is assuredly noble and divine ; but there is an art which is called by the vulgar idle talking, and which is often imagined to be useless ; in that you must train and exercise yourself, now that you are young, or truth will elude your grasp.

And what is the nature of this exercise, Parmenides, which you would recommend ?

That which you heard Zeno practising ; at the same time, I give you credit for saying to him that you did not care to examine the perplexity in reference to visible things, or to consider the question in that way ; but only in reference to objects of thought, and to what may be called ideas.

Why, yes, he said, there appears to me to be no difficulty in showing by this method that visible things are like and unlike and may experience anything.

He suggests that the consequences of the not being, as well as of the being of anything, should be considered.

Quite true, said Parmenides ; but I think that you should go a step further, and consider not only the consequences which flow from a given hypothesis, but also the consequences 136which flow from denying the hypothesis ; and that will be still better training for you.

What do you mean ? he said.

Socrates, Parmenides, Zeno.

I mean, for example, that in the case of this very hypothesis of Zeno’s about the many, you should inquire not only what will be the consequences to the many in relation to themselves and to the one, and to the one in relation to itself and the many, on the hypothesis of the being of the many, but also what will be the consequences to the one and the many in their relation to themselves and to each other, on the opposite hypothesis. Or, again, if likeness is or is not, what will be the consequences in either of these cases to the subjects of the hypothesis, and to other things, in relation both to themselves and to one another, and so of unlikeness ; and the same holds good of motion and rest, of generation and destruction, and even of being and not-being. In a word, when you suppose anything to be or not to be, or to be in any way affected, you must look at the consequences in relation to the thing itself, and to any other things which you choose,—to each of them singly, to more than one, and to all ; and so of other things, you must look at them in relation to themselves and to anything else which you suppose either to be or not to be, if you would train yourself perfectly and see the real truth.

Socrates asks him to give an example of this process.

That, Parmenides, is a tremendous business of which you speak, and I do not quite understand you ; will you take some hypothesis and go through the steps ?—then I shall apprehend you better.

Parmenides is at first disinclined to engage in such a laborious pastime ; but at the request of the company he proceeds.

That, Socrates, is a serious task to impose on a man of my years.

Then will you, Zeno ? said Socrates.

Zeno answered with a smile :—Let us make our petition to Parmenides himself, who is quite right in saying that you are hardly aware of the extent of the task which you are imposing on him ; and if there were more of us I should not ask him, for these are not subjects which any one, especially at his age, can well speak of before a large audience ; most people are not aware that this roundabout progress through all things is the only way in which the mind can attain truth and wisdom. And therefore, Parmenides, I join in the request of Socrates, that I may hear the process again which I have not heard for a long time.

Parmenides, Zeno, Aristoteles.

When Zeno had thus spoken, Pythodorus, according to Antiphon’s report of him, said, that he himself and Aristoteles and the whole company entreated Parmenides to give an example of the process. I cannot refuse, said Parmenides ; and yet I feel rather like Ibycus, who, when in his 137old age, against his will, he fell in love, compared himself to an old racehorse, who was about to run in a chariot race, shaking with fear at the course he knew so well—this was his simile of himself. And I also experience a trembling when I remember through what an ocean of words I have to wade at my time of life. But I must indulge you, as Zeno says that I ought, and we are alone. Where shall I begin ? And what shall be our first hypothesis, if I am to attempt this laborious pastime ? Shall I begin with myself, and take my own hypothesis of the one ? and consider the consequences which follow on the supposition either of the being or of the not-being of one ?

By all means, said Zeno.

And who will answer me ? he said. Shall I propose the youngest ? He will not make difficulties and will be the most likely to say what he thinks ; and his answers will give me time to breathe.

I am the one whom you mean, Parmenides, said Aristoteles ; for I am the youngest and at your service. Ask, and I will answer.


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