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SER HUMANO

Fernandes (2005:281-283) – Prolegômeno à "questão da ética"

A QUESTÃO DA ÉTICA

domingo 10 de outubro de 2021

[FERNANDES, Sérgio L. de C.. Ser Humano. Um ensaio em antropologia filosófica. Rio de Janeiro: Editora Mukharajj, 2005, p. 281-283]

O “ser?” de um ente?, qualquer ente, não é jamais a sua Existência?, ou seu estar? fora do Ser (tampouco, como vimos no primeiro Capítulo, é sua “essência?” ou qualquer espécie? de “substância?” ). O “ser” de um ente é sempre o próprio? Ser enquanto Ser, cuja verdadeira natureza? é revelada pela categoria? de Consciência? em si, não intencional?. A extensão? do Ser, em Ser como (’’als’’) Experiência? ou ainda Ser-Experiência, é criadora, não no sentido? temporal?, mas no sentido, já explicado, de reflexo? instantâneo. Essa extensão em si mesma (nossa verdadeira natureza) não tem relação? direta com simulacros produzidos pelo Instrumento? da Criação? (Mente?, Pensamento?, Linguagem?), e projetados na Existência. Essa extensão em si mesma (nossa verdadeira natureza) tem relação direta com a compreensão? ou acolhimento equânime, na Experiência em si mesma, do que é projetado no Não-Ser?. É essa compreensão que torna possível? a Vida? do Ser na Experiência (V. próxima Seção). Entretanto, é para que haja o que compreender?, para que haja contraste com o Ser (Não-Ser), que há desde sempre, fora do tempo?, Mente, Pensamento e Linguagem, os três inconscientes e por mim chamados de “Instrumento”. O “não-ente”, enquanto mera projeção?, objetivação? pela identidade?, ou determinação? pelo Instrumento, é um mero simulacro?, não podendo sequer “ser percebido” porque está na Inconsciência, embora o Instrumento ele mesmo possa chamá-lo de “ente”. Os simulacros, enquanto tais, pertencem à ordem? da Existência ou Não-Ser. O estado? comumente chamado? de percepção? “normal?” das coisas?, que pressupõe a metafísica ordinária e supostamente caracterizaria a vida quotidiana de “pessoas”, simplesmente não é um estado consciente?. Esse? estado é um estado mental do Instrumento, encarnado em organismos individuais, com cabeça, tronco e membros, ou encarnado exossomaticamente, impessoalmente, em Configurações Simbólicas da Mente Social?. Nós não somos o Instrumento. Somos as próprias Experiências Conscientes, enquanto tais, sem objeto? e sem sujeito?. Os simulacros, cada gota de chuva, cada folha de relva, cada pincelada da natureza, “imitação? móvel? da eternidade?”, cada estado “interior” ou “exterior?” do Mundo?, cada grão de pó, matiz de cor, sentimento?, emoção?, gesto, pensamento, cada uma das infinitas configurações qualitativas... compreendidos na imanência? da Experiência, ou pelo Ser-Experiência, despertam (sim, despertam!) a Mente, o Pensamento e a Linguagem de um sono de sonhos confusos, eivado de pesadelos (a ser compreendido na próxima Seção), por obra e graça? da Presença? de Espírito (pois não há “explicações” para isso...), e tornam-se, nesse despertar, autênticos “entes”, e com a estrutura? ontológica? especificada a seguir. São interfaces ou coincidências de fronteiras entre, por um lado, suas determinações qualitativas, antes (como simulacros) identificáveis e repetíveis, mas agora? únicas, irrepetíveis, etc., e, por outro? lado, a própria totalidade? das infinitas Experiências, interna e infinitamente inter-ressonantes, como configurações puramente qualitativas, incomparáveis, eternas, etc., das quais o ente, como simulacro compreendido, é um dos infinitos aspectos. Contudo, na ordem das determinações do Ser, e muito além?, ontologicamente, dos “simulacros” compreendidos, os “entes” por excelência são as Experiências em si mesmas. É por uma metonímia? que usamos quando, unidos ao Instrumento, mas a cavaleiro sobre ele, chamamos também de “entes” aqueles simulacros que vêm a integrar cada Experiência, serem nela todos compreendidos e dotados da estrutura arcana acima descrita. Mas... haveria simulacros não compreendidos? A pergunta? acima equivale, no meu sistema?, a perguntar: “Haveria o Mal??” A resposta, pois não estou aqui para evasivas, é... evasiva(!): se o “haveria” for interpretado no sentido existencial, sim; no sentido propriamente ontológico?, não. (Terá sido mesmo uma evasiva?!) Os “simulacros não compreendidos” permanecem no âmbito interno ao Instrumento, fora das Aparições ou no plano? da “Desaparição”, no esquecimento? absoluto?, no “inferno” da inconsciência, da Existência pura e simples?, a infinita distância do Ser, e serão chamados, de maneira mais sistemática?, a partir da próxima Seção, de “pensamentos? de abandono?”, ou “pensamentos abandonados ao si mesmo”, ou “pensamentos abandonados a si mesmos”. A raiz? de todos os simulacros não compreendidos é uma só, ela mesma um pensamento do próprio Instrumento: o pensamento de que se é o que se pensa ou, em outras palavras, o pensamento do Instrumento de que o Instrumento é alguma coisa em si mesma. São esses aspectos fundamentais da minha Ontologia?, quando recordados desta maneira, que nos remetem indiretamente à “Questão? da Ética?”, pois não pode haver remissão direta ao que, em última análise?, é ontologicamente irrelevante.


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