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O Mundo como Vontade e como Representação II

Schopenhauer (MVR2:7-10) - subjetivo e objetivo

I - A PROPÓSITO DO PONTO DE VISTA IDEALISTA

mardi 25 février 2020

Excerto de SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Segundo Tomo. Suplementos aos quatro livros do primeiro tomo. Tradução, Apresentação, Notas e índices Jair Barboza. São Paulo : Unesp, 2015, p. 7-10

Que o MUNDO? OBJETIVO? existiría ainda que não? existisse ser? algum que conhece parece à primeira vista algo naturalmente certo, já que se pode pensá-lo in abstracto? sem que venha a lume a contradição? que traz em seu interior. — Só quando se quer REALIZAR esse? pensamento?, vale dizer, remontá-lo a representações intuitivas, exclusivamente das quais ele (como tudo o que é abstrato?) pode obter conteúdo e verdade?, e assim intentar IMAGINAR UM? MUNDO OBJETIVO SEM SUJEITO? QUE CONHECE, é que se torna evidente que aquilo uma vez imaginado é em verdade o contrário do que foi intencionado, a saber?, justamente apenas o processo? no intelecto? de um ser que conhece, que intui um mundo objetivo, portanto, precisamente aquilo que se queria excluir. Pois esse mundo intuitivo e real? é claramente um fenômeno? cerebral : por isso é contraditória a suposição? de que ele também deveria existir?, como tal, independentemente de todo? cérebro.

A objeção? principal contra a necessária e essencial? IDEALIDADE? DE TODO OBJETO?, a objeção despertada em cada um, distinta ou indistintamente, é esta : também a minha própria pessoa? é objeto para um outro?, é portanto sua representação? ; e no entanto sei com certeza? que eu? existiría mesmo se esse outro não me representasse. Na mesma relação? no entanto em que EU estou para com o intelecto desse outro, estão também para com ele todos os outros objetos : consequentemente estes também existiríam, mesmo se tal outro não os representasse. — A resposta é : aquele outro, de quem considero agora? a minha pessoa como o seu objeto, não é em verdade O SUJEITO, mas, antes, um indivíduo? que conhece. Por isso, ainda que aquele outro NÃO existisse, até mesmo se não houvesse outro ser que conhecesse senão eu mesmo, nem por isso seria suprimido o SUJEITO, em cuja representação apenas existem todos os objetos. Pois esse SUJEITO sou também eu mesmo, bem? como qualquer ser que conhece. Por conseguinte, no caso admitido, minha pessoa continuaria a existir, mas de novo como representação, a saber, em meu próprio? conhecimento?. Pois minha pessoa é também por mim mesmo? conhecida, apenas mediata e nunca imediatamente, já que todo ser-repre-sentação é algo mediato?. De fato?, eu conheço meu corpo? como OBJETO, ou seja, como extenso, preenchendo o espaço? e fazendo efeito?, tão somente na intuição? de meu cérebro : esta é mediada pelos sentidos, com cujos dados o entendimento? que intui executa a sua função?, que é passar do efeito à causa? e, assim, na medida? em que o olho? vê o corpo, ou as mãos? o tocam, constrói a figura? espacial que se expõe no espaço como meu corpo. Contudo, de modo? algum me são dadas imediatamente, seja no sentimento? comum do corpo ou na autoconsciência? interna, uma extensão?, figura e atividade? que coincidiriam com o meu ser mesmo, o qual para existir assim não precisaria de nenhum outro em cujo conhecimento se apresentasse. Antes, aquele sentimento comum, bem como a autoconsciência, existe imediatamente só em referência? à VONTADE?, vale dizer, como algo confortável ou desconfortável, e como ativo nos atos da vontade que se expõem para a intuição exterior? como ações? corporais. Daí segue-se que a existência? de minha pessoa ou de meu corpo COMO ALGO EXTENSO E QUE FAZ EFEITO pressupõe sempre um SER QUE CONHECE distinto dele : porque é essencialmente uma existência na apreensão?, na representação, portanto, uma existência PARA UM OUTRO. Em realidade?, trata-se de um fenômeno cerebral, não importando se o cérebro no qual ele se apresenta pertence à própria pessoa, ou a um estranho. No primeiro caso, então, a própria pessoa cinde-se em conhecedor e conhecido, em sujeito e objeto, os quaps aqui, como em toda parte?, confrontam-se de forma? inseparável e incompatível. — Portanto, se minha própria pessoa para existir como tal precisa sempre de um conhecedor, o mesmo, pelo menos, vale em relação aos demais objetos, para os quais a objeção acima reivindicava uma existência independente? do conhecimento e seu sujeito.

Entrementes, compreende-se fácil que a existência condicionada por um conhecedor é única e exclusivamente a existência NO ESPAÇO, por conseguinte, a de algo extenso e que faz efeito : apenas esta é uma existência sempre conhecida, portanto, para um outro. Decerto, tudo o que existe dessa forma pode ainda ter? uma EXISTÊNCIA PARA SI MESMO, para a qual sujeito algum é requerido. No entanto, essa existência para si mesmo não pode ser a extensão e a atividade (que juntas preenchem o espaço) ; mas é necessariamente uma existência de outro gênero?, a saber, a da COISA? EM SI MESMA, que justamente enquanto tal jamais pode ser OBJETO. — Esta seria, pois, a resposta à objeção principal acima levantada, que, por consequência?, não invalida a verdade fundamental de que o mundo existente objetivamente só pode existir na representação, portanto, só para um sujeito.

Observe-se aqui que também Kant?, pelo menos enquanto permaneceu consequente?, não pôde ter pensado OBJETO algum sob sua coisa em si. Pois ele já parte do fato de ter demonstrado que o espaço, tanto quanto o tempo? são uma mera forma de nossa intuição, por consequência, não pertencem às coisas? em si. Ora, o que não está no espaço, nem no tempo, também não pode ser objeto : nesse sentido?, o ser das coisas em si não pode ser objetivo, mas apenas de um gênero completamente diferente, vale dizer, um ser metafísico. Segue-se que, naquele princípio? kantiano, reside também o de que o mundo OBJETIVO existe só como REPRESENTAÇÃO. (p. 7-10)


Voir en ligne : The World as Will and Representation, Vol. 2