Página inicial > Modernidade > Markus Gabriel: objetos mentais e objetos físicos

Neo-existentialism

Markus Gabriel: objetos mentais e objetos físicos

How to conceive of the Human Mind after Naturalism’s Failure

domingo 30 de novembro de 2008

GABRIEL, Markus. Neo-existentialism. How to conceive of the human mind after Naturalism’s failure. Cambridge: Polity Press, 2018.

É uma suposição generalizada na cultura? científica contemporânea que a exist?ência de objetos? mentais repousa em terreno muito instável. Por outro lado, os objetos físicos devem existir além de qualquer dúvida? razoável. Vamos chamar isso de assimetria ontológica pós-cartesiana?. Enquanto Descartes  , como muitos de seus predecessores, defendia descaradamente a assimetria inversa, alegando não apenas que a mente? é mais conhecida (para a mente) do que qualquer outro objeto, mas que também desfruta de um modo? de existência privilegiado (estando mais próximo em espécie ontológica a Deus? do que à substância material?), a ordem? do universo? ontológico foi posteriormente revertida. Seja como for, o que nos permitiria continuar acreditando na assimetria ontológica? Existem razões mais profundas para privilegiar objetos físicos ou mentais no melhor relato? do que há?

Muito grosseiramente, em nossa era? científica, pode-se começar? a dar voz às preferências pós-cartesianas, ressaltando que, embora existam rochas, bactérias, paramecias e unhas, Faust, Macbeth e a Fonte? da Juventude claramente não existem, independentemente do fato? de existirem várias práticas discursivas ("jogos de linguagem?") que nos permitem participar? de um jogo? de faz de conta? que envolve conversas sobre esse? tipo? de coisa?. Esses tipos de coisas? são tipicamente chamadas de "fictícias", onde isso significa que elas "são indivíduos introduzidos pela primeira? vez? em uma obra? de ficção" (Brock e Everett 2015: 3) .2 Elas dependem da existência nas mentes de uma maneira que as rochas não. Faz parte? da trivialidade que Macbeth não teria existido se não houvesse mentes, e aqueles que sustentam a visão conhecida como "irrealismo ficcional" negam que ele exista, às vezes com base? no fato de que, se ele existisse, ele teria sido um mera invenção da imaginação e, nesse sentido?, nada? que pudesse contar como realmente existente.3

Nesse contexto, é tentador agrupar a própria mente com objetos fictícios, na medida? em que os motivos para conceder a este último um status? ontológico reduzido (se houver) são equivalentes aos motivos para negar a independência da mente. Se a mente dependesse da mente da mesma maneira que a Fonte da Juventude, em uma estrutura? ontológica que privilegia a independência da mente em nossa descrição do que existe, ter?íamos razões para rebaixar a mente como um todo.

Indiscutivelmente, nesse ponto?, um representante típico da cultura científica contemporânea argumentará que a mente não depende da mesma maneira que a Fonte da Juventude, pois a mente pode ser finalmente identificada com um objeto físico: o cérebro. Apesar das complexidades de descobrir exatamente como entender essa alegação de identidade?, considerando, entre outras coisas, a aparente? assimetria epistemológica da mente e do cérebro, o cientista? moderno? estereotipado espera que a impressão de que haja uma distinção real? no nível da aparente assimetria epistemológica desapareça mais cedo ou mais tarde, à medida que a ciência progrida em relação à mente. Quanto melhor conhecermos o cérebro, mais seguro parecerá identificar a mente e o cérebro e minar nossas "intuições" cartesianas, nossa impressão de que a mente difere substancialmente do cérebro.

A seguir, pressionarei toda a estrutura que dá origem? a esse ramo da moderna visão de mundo? científica. Em particular?, esboçarei uma posição que chamo de "Neo-Existencialismo". Neo-Existencialismo é a visão de que não há um fenômeno único ou realidade? correspondendo ao termo? abrangente e confuso "mente". Em vez disso, os fenômenos geralmente agrupados sob esse cabeçalho estão localizados em um espectro que varia do obviamente físico ao inexistente. No entanto, o que unifica os vários fenômenos incluídos no conceito? confuso de "mente" é que todos são consequências da tentativa do ser humano? de se distinguir? tanto do universo puramente físico quanto do resto do reino? animal?. Ao fazê-lo, nosso auto-retrato, como criaturas com mente específica, evoluiu à luz de nossos relatos igualmente variáveis ​​do que é existir para seres não humanos.


Ver online : Neo-existentialism. How to conceive of the human mind after Naturalism’s failure.