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Diálogos de Platão

Platão - Fédon (72e-74d) – A reminiscência

A sobrevivência das almas

domingo 19 de setembro de 2021

Nunes

É também, Sócrates?, voltou Cebete a falar?, o que se conclui daquele outro? argumento? – se for verdadeiro? – que costumas apresentar, sobre ser? reminiscência? o conhecimento?, conforme o qual nós devemos forçosamente ter? aprendido num tempo? anterior o de que nos recordamos agora?, o que seria impossível?, se nossa alma? não preexistisse algures, antes de assumir a forma? humana. Isso vem provar que a alma deve ser algo imortal

Porém Cebete, interrompeu-o Símias, que provas há sobre isso? Aviva-me a memória?, pois não me lembro agora quais sejam.

Bastará uma, respondeu Cebete, eloquentíssima: interrogando os homens, se as perguntas forem bem conduzidas, eles darão por si mesmos respostas acertadas, o de que não seriam capazes se já não possuíssem o conhecimento e a razão? reta. Depois disso, se os pusermos diante de figuras geométricas ou coisas? do mesmo gênero?, ficará demonstrado a saciedade que tudo realmente se passa desse modo?.

Se isso não basta, Símias, interveio Sócrates?, para convencer-te, vê se considerando a questão? por outro prisma, chegarás a concordar conosco. Duvidas que seja apenas recordar o que denominamos aprender?

Não direi que duvide, respondeu Símias. O que eu? quero é justamente isso sobre discutimos: recordar-me. Com a exposição? de Cebete cheguei quase a relembrar-me e convencer-me. Não obstante, gostaria de saber? como vais desenvolver o tema?.

Eu? Deste modo, replicou. Num ponto? estamos de acordo?: que para recordar-se alguém de alguma coisa, é preciso ter tido antes o conhecimento dessa coisa.

Perfeitamente, respondeu.

E não poderemos declarar-nos também de acordo? a respeito? de mais outro ponto, que o conhecimento alcançado em certas condições tem o nome? de reminiscência? Refiro-me ao seguinte: quando alguém vê ou ouve alguma coisa, ou a percebe de outra maneira, e não apenas adquire o conhecimento dessa coisa como lhe ocorre a ideia? de outra que não é objeto? do mesmo conhecimento, porém de outro, não teremos o direito? de dizer que essa pessoa? se recordou do que lhe veio ao pensamento??

Como assim?

É o seguinte: uma coisa é conhecimento do homem?, e outra o da lira.

Sem dúvida?.

E não sabes o que se passa com os amantes, quando veem a lira, a roupa, ou qualquer outro objeto de uso? de seus amados? Reconhecem a lira e formam no espírito? a imagem? do mancebo a quem a lira pertence. Reminiscência é isso: ver alguém frequentemente a Símias e recordar-se de Cebete. Há mil outros exemplos do mesmo tipo?.

Milhares, por Zeus, respondeu Símias.

Não constitui isso, perguntou, uma espécie? de reminiscência? Principalmente quando se dá com relação? a coisa de que poderíamos estar? esquecidos, pela ação? do tempo ou por falta? de atenção?.

Perfeitamente, respondeu.

E então? Continuou: não é possível? lembrar-se alguém de um homem, ao ver a pintura de um cavalo ou de uma lira, ou então, ao ver o retrato de Símias, recordar-se de Cebete?

Muito possível.

E diante do retrato de Símias, lembrar-se do próprio? Símias?

Isso também, foi a resposta.

E não é certo que em todos esses casos a reminiscência tanto provém dos semelhantes como dos dessemelhantes?

Provém, de fato?.

E no caso de lembrar-se alguém de alguma coisa à vista de seu semelhante?, não será forçosos perceber essa pessoa se a semelhança? é perfeita ou se apresenta alguma falha?

Forçosamente, respondeu.

Considera, então, se tudo não se passa deste modo. Afirmamos que há alguma coisa a que damos o nome de igual; não imagino a hipótese? de que um pedaço de pau ser igual a outro, nem uma pedra a outra pedra, nem nada? semelhante; refiro-me ao que se acha acima de tudo isso; a igualdade? em si. Diremos que existe ou que não existe?

Existe, por Zeus, exclamou Símias; à maravilha.

E que também saberemos o que seja?

Sem dúvida, respondeu.

E onde formos buscar esse? conhecimento? Não foi naquilo a que nos referimos há pouco, à vista de um pau ou de uma pedra e de outras coisas iguais, que nos surgiu a ideia de igualdade, que difere delas? Ou não te parece diferir? Considera também o seguinte: por vezes, a mesma pedra ou o mesmo lenho, sem se modificarem, não te afiguram ora iguais, ora desiguais?

Sem dúvida.

E então? O igual já se te apresentou alguma vez como desigual, e a igualdade como desigualdade?

Nunca, Sócrates?.

Por conseguinte, continuou, não são a mesma coisa esses objeto iguais e a igualdade em si.

De jeito nenhum, Sócrates?.

Não obstante, disse, foi desses iguais, diferentes da igualdade, que concebeste e adquiriste o conhecimento desta última.

Está muito certo o que afirmaste, disse.

Que pode ser semelhante àqueles ou dessemelhantes?

Perfeitamente.

Isso, aliás, continuou, é indiferente. Desde que, à vista de um objeto, pensas em outro, seja ou não seja semelhante ao primeiro, necessariamente o que se dá nesse caso é reminiscência.

Perfeitamente.

Chambry

XVIII. — Maintenant, dit Cébès, reprenant la parole, s’il est vrai, comme tu le dis souvent, que, pour nous, apprendre n’est pas autre chose que se ressouvenir, c’est une nouvelle preuve que nous devons forcément avoir appris dans un temps antérieur ce que nous nous rappelons à présent. Et cela serait impossible si notre âme n’avait pas existé quelque part avant de s’unir à notre forme humaine. Aussi peut-on? conclure de là que l’âme est immortelle.

— Mais, Cébès, dit Simmias prenant la parole, comment démontre-t-on ce que tu avances là ? Fais-m’en souvenir, car en ce moment je ne me le rappelle guère.

— Une seule preuve suffit, dit Cébès, mais éclatante c’est que si l’on interroge les hommes, en posant bien les questions, ils découvrent d’eux-mêmes la vérité sur chaque chose, ce qu’ils seraient incapables de faire, s’ils n’avaient en eux-mêmes la science? et la droite raison. Qu’on les mette après cela devant une figure géométrique ou quelque autre chose du même genre, l’épreuve révélera de la manière la plus claire qu’il en est bien ainsi.

— Si tu ne te rends pas, Simmias, dit Socrate, à cette démonstration, vois, si en prenant la question de ce biais, tu n’entreras pas dans notre sentiment. Tu as de la peine à croire, n’est-ce pas, que ce que nous appelons savoir soit une réminiscence ?

— Que j’aie peine à te croire, dit Simmias, non ; mais ce que je voudrais, c’est justement de savoir ce qu’est cette réminiscence dont nous parlons. Sur ce que Cébès a entrepris d’expliquer, la mémoire m’est revenue assez nettement et je suis? persuadé ; néanmoins j’aimerais entendre à présent comment tu t’y es pris pour faire ta démonstration.

— Moi ? dit-il, voici comment. Nous sommes d’accord, n’est-ce pas, que pour se souvenir de quelque chose, il faut l’avoir su auparavant ?

— Tout à fait d’accord, dit-il.

— Le sommes-nous aussi sur ce point, que, lorsque la connaissance nous vient de cette façon-ci, c’est une réminiscence ? Voici ce que j’entends par cette façon-ci si un homme qui a vu, entendu ou perçu quelque chose d’une autre manière, non seulement a pris connaissance de cette chose, mais encore a songé à une autre qui ne relève pas de la même science, mais d’une science différente, est-ce que nous n’avons pas le droit de dire qu’il s’est ressouvenu de la chose à laquelle il a songé ?

— Comment cela ?

— Prenons un exemple : autre chose est la connaissance d’un homme, et autre chose la connaissance d’une lyre.

— Sans doute.

— Eh bien, ne sais-tu pas ce qui arrive aux amants, à la vue d’une lyre, d’un manteau ou de quelque autre chose dont leurs mignons ont l’habitude de se servir ? En même temps qu’ils reconnaissent la lyre, ils reçoivent dans leur esprit l’image de l’enfant à qui cette lyre appartient. Et cela, c’est une réminiscence, tout comme, quand on voit Simmias, on se souvient souvent de Cébès, et je pourrais citer des milliers d’exemples du même genre.

— Des milliers, oui, par Zeus, repartit Simmias.

— N’y a-t-il pas dans un tel cas, demanda Socrate, une sorte? de réminiscence, surtout lorsqu’il s’agit de choses que le temps ou l’inattention a fait oublier? ?

— Assurément si, dit-il.

— Mais, en voyant un cheval ou une lyre sur un tableau, ne peut-on pas se ressouvenir d’un homme, et, en voyant le portrait de Simmias, se ressouvenir de Cébès ?

— Certainement si.

— Et en voyant le portrait de Simmias, se ressouvenir de Simmias lui-même ?

— Certainement, on le peut, dit-il.

XIX. — De tout cela ne résulte-t-il pas que la réminiscence provient tantôt de choses semblables, tantôt de choses dissemblables ?

— Si.

— Et quand on se ressouvient de quelque chose à propos de choses semblables, n’est-il pas inévitable qu’une pensée se présente d’abord à l’esprit, celle de savoir si cette chose a, ou non, quelque défaut de ressemblance avec l’objet dont on s’est souvenu ?

— C’est inévitable, dit-il.

— Vois maintenant si ce que je vais dire est juste. Nous disons bien qu’il y a quelque chose d’égal, je n’entends pas parler d’un morceau de bois égal à un morceau de bois, ni d’une pierre égale à une pierre, ni de rien de pareil, mais d’une autre chose qui est par-delà toutes celles-là, de l’égalité elle-même. Dirons-nous qu’elle existe ou qu’elle n’existe pas ?

— Oui, par Zeus, répondit Simmias, il faut dire qu’elle existe, et même merveilleusement.

— Savons-nous aussi ce qu’elle est ?

— Certainement, dit-il.

— D’où avons-nous tiré cette connaissance ? N’est-ce pas des choses dont nous parlions à l’instant ? N’est-ce pas en voyant des morceaux de bois, des pierres et certaines autres choses. égales, n’est-ce pas d’après ces choses que nous avons pensé à cette égalité, qui diffère d’elles ? ou bien crois-tu qu’elle n’en diffère pas ? Examine encore la question de ce biais. N’arrive-t-il pas quelquefois que des pierres égales, des morceaux de bois égaux paraissent, tout en étant les mêmes, tantôt égaux, tantôt non ?

— Certainement.

— Mais les choses égales en soi t’ont-elles jamais paru inégales et l’égalité, inégalité ?

— Jamais, Socrate.

— Ces objets égaux et l’égalité en soi, dit Socrate, ne sont donc pas la même chose ?

— Il ne me semble pas, Socrate.

— C’est pourtant de ces objets égaux, reprit-il, tout différents qu’ils sont de cette égalité, que tu as conçu et tiré la connaissance de celle-ci.

— C’est très vrai, dit-il.

— Et cela, qu’elle soit semblable ou dissemblable à ces objets ?

— Oui.

— C’est en effet absolument indifférent, reprit Socrate.

Du moment que la vue d’une chose te fait songer à une autre, soit semblable, soit dissemblable, il faut nécessairement que ce soit une réminiscence.

— Assurément.

— Mais dis-moi, reprit Socrate, que nous arrive-t-il en présence des morceaux de bois égaux et des objets égaux dont nous parlions tout à l’heure ? Nous paraissent-ils égaux comme l’égalité en soi, ou, dans leur ressemblance à l’égalité, lui sont-ils inférieurs en quelque chose ou en rien ?

— Ils lui sont inférieurs de beaucoup, dit-il.

— Alors nous sommes d’accord que lorsqu’un homme, en voyant un objet, se dit : « Cette chose que je vois aspire à être telle qu’un autre objet réel, mais il lui manque pour cela quelque chose, et elle ne peut être telle que cet objet réel et elle lui reste inférieure, » nous sommes d’accord, dis-je, que celui qui a cette pensée doit forcément avoir connu auparavant l’objet auquel il dit que la chose ressemble, mais imparfaitement.

— Forcément.

— Eh bien, c’est ce qui nous est arrivé, n’est-ce pas, à propos des choses égales et de l’égalité en soi ?

— Exactement.

— Il faut donc que nous ayons eu connaissance de l’égalité avant le temps où, voyant pour la première fois des choses égales, nous nous sommes dit : « Toutes ces choses tendent à être telles que l’égalité, mais ne le sont qu’imparfaitement. »

— C’est juste.

— Nous sommes d’accord aussi sur ce point, c’est que cette pensée ne nous est venue et n’a pu nous venir que du fait d’avoir vu ou touché ou perçu la chose par quelque autre sens, car pour moi tous ces sens s’équivalent.

— Ils s’équivalent en effet, Socrate, pour ce que notre discussion veut démontrer.

— Mais alors c’est des sens que doit nous venir la notion que toutes les égalités sensibles tendent à cette égalité en soi, mais sans y réussir entièrement. N’est-ce pas ce que nous disons ?

— C’est cela.

— Ainsi donc, avant de commencer à voir, à entendre et à faire usage de nos autres sens, il faut que nous ayons pris connaissance de ce qu’est l’égalité en soi pour y rapporter les égalités que nous percevons par les sens et voir qu’elles aspirent toutes à être telles que cette égalité, mais lui sont inférieures.

— C’est une conséquence nécessaire? de ce qui a été dit, Socrate.

— Donc, dès notre naissance, nous voyions, entendions et faisions usage des autres sens ?

— Certainement.

— Il faut donc, disons-nous, qu’avant cela nous ayons pris connaissance de l’égalité ?

— Oui.

— C’est donc, semble-t-il, avant notre naissance qu’il faut que nous l’ayons prise.

— Il le semble.

XX. — Conséquemment, si nous avons acquis cette connaissance avant de naître et si nous sommes nés avec elle, nous connaissions donc aussi avant de naître et en naissant non seulement l’égalité, le grand et le petit, mais encore toutes les notions de même nature? ; car ce que nous disons ici ne s’applique pas plus à l’égalité qu’au beau? en soi, au bon en soi, au juste, au saint et, je le répète, à tout ce que nous marquons du sceau de l’absolu?, soit dans les questions, soit dans les réponses que suscite la discussion, de sorte qu’il faut nécessairement que nous ayons pris connaissance de toutes ces notions avant notre naissance.

— C’est vrai.

— Et si, après avoir pris cette connaissance, nous ne l’oubliions pas chaque fois, nous l’aurions toujours dès notre naissance et la garderions toujours pendant notre vie. Savoir en effet n’est pas autre chose que garder les connaissances une fois acquises et ne pas les perdre ; car ce que nous appelons oubli, n’est-ce pas, Simmias, la perte de la science ?

— C’est bien certainement cela, Socrate, dit-il.

— Mais si, je suppose, nous avons perdu en naissant les connaissances que nous avions acquises avant de naître, mais qu’en appliquant nos sens aux objets en question, nous ressaisissions ces connaissances que nous possédions précédemment, n’est-il pas vrai que ce que nous appelons apprendre, c’est ressaisir une science qui nous appartient ? Et en disant que cela, c’est se ressouvenir, n’emploierions-nous pas le mot juste ?

— Certainement si.

— Car nous avons vu qu’il est possible, en percevant une chose par la vue, ou par l’ouïe ou par quelque autre sens, que cette chose fasse penser? à une autre qu’on avait oubliée et avec laquelle elle avait du rapport, sans lui ressembler ou en lui ressemblant. Par conséquent il faut, je le répète, de deux choses l’une, ou bien que nous soyons nés avec la connaissance des réalités en soi et que nous les gardions toute la vie, tous tant que nous sommes, ou bien que ceux dont nous disons qu’ils apprennent ne fassent pas autre chose que se souvenir, et que la science soit réminiscence.

— Cela est certainement juste, Socrate.

Cousin

— Oui, sans doute, dit Cébès, en l’interrompant ; c’est encore une suite nécessaire de cet autre principe? que je t’ai entendu souvent établir, qu’apprendre n’est que se ressouvenir. Si ce principe est vrai, il faut, de toute nécessité, que nous ayons appris dans un autre temps les choses dont nous nous ressouvenons dans celui-ci ; et cela est [73a] impossible si notre âme n’existe pas avant que de venir sous cette forme humaine. C’est une nouvelle preuve que notre âme est immortelle.

— Mais, Cébès, dit Simmias, quelle démonstrations a-t-on de ce principe ? Rappelle-les-moi car je ne m’en souviens présentement.

— Je ne t’en dirai qu’une, mais très belle, répondit Cébès : c’est que tous les hommes, s’ils sont bien interrogés, trouvent tout d’eux-mêmes ; ce qu’ils ne feraient jamais, s’ils ne possédaient déjà une certaine science et de véritables lumières ; [73b] on n’a qu’à les mettre dans les figures de géométrie et dans d’autres choses de cette nature, on ne peut alors s’empêcher de reconnaître qu’il en est ainsi.

— Si, de cette manière, tu n’es pas persuadé, Simmias, dit Socrate, vois si celle-là t’amènera à notre sentiment : as-tu de la peine à croire qu’apprendre soit seulement se ressouvenir?

— Pas beaucoup, répondit Simmias ; mais j’ai besoin précisément de ce dont nous parlons, de me ressouvenir ; et, grâce à ce qu’a dit Cébès, peu s’en faut que je me ressouvienne déjà, et commence à croire, mais cela n’empêchera pas que je n’écoute avec plaisir les preuves nouvelles que tu veux en donner.

— [73c] Les voici, reprit Socrate : nous convenons tous que pour se ressouvenir, il faut avoir su auparavant la chose dont on se ressouvient.

— Assurément.

— Et convenons-nous aussi que lorsque la science vient d’une certaine manière, c’est une réminiscence ? Quand je dis d’une certaine manière, c’est par exemple, lorsqu’un homme en voyant ou en entendant quelque chose, ou en l’apercevant par quelque autre sens, n’acquiert pas seulement l’idée de la chose aperçue, mais en même temps pense à une autre chose dont la connaissance est pour lui d’un tout autre genre que la première, ne disons-nous pas avec raison que cet homme se ressouvient de la chose à laquelle il a pensé [73d] occasionnellement?

— Comment dis-tu?

— Je dis, par exemple, qu’autre est la connaissance d’un homme, et autre la connaissance d’une lyre.

— Sans contredit.

— Eh bien ! continua Socrate, ne sais-tu pas ce qui arrive aux amants quand ils voient une lyre, un vêtement, ou quelque autre chose dont l’objet de leur amour a coutume de se servir ? C’est qu’en prenant connaissance de cette lyre, ils se forment dans la pensée l’image de celui auquel cette lyre a appartenu. Voilà bien ce qu’on appelle réminiscence, comme il est arrivé souvent qu’en voyant Simmias, on s’est ressouvenu de Cébès. Je pourrais citer une foule d’autres exemples.

— Rien de plus ordinaire, dit Simmias.

— [73e] Admettrons-nous donc, reprit Socrate, que tout cela est se ressouvenir, surtout quand il s’agit de choses que l’on a oubliées ou par la longueur du temps, ou pour les avoir perdues de vue?

— Je n’y vois point de difficulté.

— Mais en voyant un cheval ou une lyre en peinture, ne peut-on pas se ressouvenir d’un homme ? Et en voyant le portrait de Simmias, ne peut-on pas se ressouvenir de Cébès?

Qui en doute?

— A plus forte raison, en voyant le portrait de Simmias, se ressouviendra-t-on de Simmias lui-même.

— [74a] Assurément.

— Et n’arrive-t-il pas que la réminiscence se fait tantôt par la ressemblance, et tantôt par le contraste?

— Oui, cela arrive.

— Mais quand on se ressouvient de quelque chose par la ressemblance, n’arrive-t-il pas nécessairement que l’esprit voit tout d’un coup s’il manque quelque chose au portrait pour sa parfaite ressemblance avec l’original dont il se souvient, ou s’il n’y manque rien du tout?

— Cela est impossible autrement, dit Simmias.

— Prends donc bien garde s’il te paraîtra comme à moi. Ne disons-nous pas qu’il y a de l’égalité, non pas seulement entre un arbre et un arbre, entre une pierre et une autre pierre, et entre plusieurs autres choses semblables, mais hors de tout cela ? disons-nous que cette égalité en elle-même est quelque chose, ou que ce n’est rien?

— [74b] Oui, assurément, nous disons que c’est quelque chose

— Mais la connaissons-nous, cette égalité?

— Sans doute.

— D’où avons-nous tiré cette connaissance ? N’est-ce point des choses dont nous venons de parler, et qu’en voyant des arbres égaux, des pierres égales, et plusieurs autres choses de cette nature, nous nous sommes formé l’idée de cette égalité, qui n’est ni ces arbres, ni ces pierres, mais qui en est toute différente ? Car ne te paraît-elle pas différente ? Prends bien garde à ceci : les pierres, les arbres, quoiqu’ils restent souvent dans le même état, ne nous paraissent-ils pas tour à tour égaux ou inégaux, selon les objets auxquels on les compare?

— Assurément.

— [74c] Eh bien ? les choses égales te paraissent inégales dans certains moments : en est-il ainsi de l’égalité elle-même, et te paraît-elle quelquefois inégalité?

— Jamais, Socrate.

— L’égalité et ce qui est égal ne sont donc pas la même chose?

— Non, certainement.

— Cependant n’est-ce pas des choses égales, lesquelles sont différentes de l’égalité, que tu as tiré l’idée de l’égalité?

— C’est la vérité, Socrate, repartit Simmias.

— Et quand tu conçois cette égalité, ne conçois-tu pas aussi sa ressemblance ou sa dissemblance avec les choses qui t’en ont donné l’idée?

— Assurément.

— Au reste, il n’importe ; aussitôt qu’en voyant une chose, [74d] tu en conçois une autre, qu’elle soit semblable ou dissemblable, c’est là nécessairement un acte? de réminiscence.

— Sans difficulté.

Jowett

Cebes added : Your favorite doctrine, Socrates, that knowledge is simply recollection, if true, also necessarily implies a previous time in which we learned that which we now recollect. But this would be impossible unless our soul was in some place before existing in the human form ; here, then, is another argument of the soul’s immortality.

But tell me, Cebes, said Simmias, interposing, what proofs are given of this doctrine of recollection ? I am not very sure at this moment that I remember them.

One excellent proof, said Cebes, is afforded by questions. If you put a question to a person in a right way, he will give a true answer of himself ; but how could he do this unless there were knowledge and right reason already in him ? And this is most clearly shown when he is taken to a diagram or to anything of that sort.

But if, said Socrates, you are still incredulous, Simmias, I would ask you whether you may not agree with me when you look at the matter in another way ; I mean, if you are still incredulous as to whether knowledge is recollection.

Incredulous, I am not, said Simmias ; but I want to have this doctrine of recollection brought to my own recollection, and, from what Cebes has said, I am beginning to recollect and be convinced ; but I should still like to hear what more you have to say.

This is what I would say, he replied : We should agree, if I am not mistaken, that what a man? recollects he must have known at some previous time.

Very true.

And what is the nature of this recollection ? And, in asking this, I mean to ask whether, when a person has already seen or heard or in any way perceived anything, and he knows not only that, but something else of which he has not the same, but another knowledge, we may not fairly say that he recollects that which comes into his mind. Are we agreed about that ?

What do you mean ?

I mean what I may illustrate by the following instance : The knowledge of a lyre is not the same as the knowledge of a man ?

True.

And yet what is the feeling? of lovers when they recognize a lyre, or a garment, or anything else which the beloved has been in the habit of using ? Do not they, from knowing the lyre, form in the mind’s eye? an image of the youth to whom the lyre belongs ? And this is recollection : and in the same way anyone who sees Simmias may remember Cebes ; and there are endless other things of the same nature.

Yes, indeed, there are — endless, replied Simmias.

And this sort of thing, he said, is recollection, and is most commonly a process? of recovering that which has been forgotten through time and inattention.

Very true, he said.

Well ; and may you not also from seeing the picture of a horse or a lyre remember a man ? and from the picture of Simmias, you may be led to remember Cebes ?

True.

Or you may also be led to the recollection of Simmias himself ?

True, he said.

And in all these cases, the recollection may be derived from things either like or unlike ?

That is true.

And when the recollection is derived from like things, then there is sure to be another question, which is, whether the likeness of that which is recollected is in any way defective or not.

Very true, he said.

And shall we proceed a step further, and affirm that there is such a thing as equality, not of wood with wood, or of stone with stone, but that, over and above this, there is equality in the abstract? ? Shall we affirm this ?

Affirm, yes, and swear to it, replied Simmias, with all the confidence in life.

And do we know the nature of this abstract essence ?

To be sure, he said.

And whence did we obtain this knowledge ? Did we not see equalities of material things, such as pieces of wood and stones, and gather from them the idea? of an equality which is different from them ? — you will admit that ? Or look at the matter again in this way : Do not the same pieces of wood or stone appear at one time equal, and at another time unequal ?

That is certain.

But are real? equals ever unequal ? or is the idea of equality ever inequality ?

That surely was never yet known, Socrates.

Then these (so-called) equals are not the same with the idea of equality ?

I should say, clearly not, Socrates.

And yet from these equals, although differing from the idea of equality, you conceived and attained that idea ?

Very true, he said.

Which might be like, or might be unlike them ?

Yes.

But that makes no difference ; whenever from seeing one thing you conceived another, whether like or unlike, there must surely have been an act of recollection ?

Very true.


Ver online : Oeuvres complètes (Brisson)