Página inicial > Antiguidade > Platão (V-IV aC) > Platão - Fédon > Platão - Fédon (65a-68b) – O obstáculo corporal

Diálogos de Platão

Platão - Fédon (65a-68b) – O obstáculo corporal

O filósofo diante da morte

domingo 19 de setembro de 2021, por Cardoso de Castro

Platão. Obras. Tr. Carlos Alberto Nunes. (ebook)

Platon. Oeuvres. Tr. Émile Chambry

Platon. Oeuvres. Tr. Victor Cousin

Platon. Complete Works. Tr. Benjamin Jowett

Nunes

E como referência à aquisição do conhecimento [phronesis]? O corpo [soma] constitui ou não constitui obstáculo, quando chamado para participar da pesquisa? O que digo é o seguinte: a vista [opsis] e o ouvido [akon] asseguram aos homens alguma verdade? Ou será certo o que os poetas [poietai] não se cansam de afirmar, que nada vemos nem ouvimos com exatidão? Ora, se esses dois sentidos corpóreos não são nem exatos nem de confiança, que diremos dos demais, em tudo inferiores aos primeiros? Não pensas desse modo?

Perfeitamente, respondeu.

Então, perguntou, quando é que a alma [psyche] atinge a verdade [aletheia]? É fora de dúvida que, desde o momento em que tenta investigar algo na companhia do corpo, vê se lograda por ele.

Tens razão.

E não é no pensamento [logizesthai] – se tiver de ser de algum modo – que algo da realidade se lhe patenteia?

Perfeitamente.

Ora, a alma pensa melhor quando não tem nada disso a perturbá-la, nem a vista nem o ouvido, nem dor [algedon] nem prazer [hedone] de espécie alguma, e concentrada ao máximo em si mesma, dispensa a companhia do corpo, evitando tanto quanto possível qualquer comércio com ele, e esforça-se por apreender a verdade [ontos, realidade].

Certo.

E não é nesse estado que a alma do filósofo [philosophou] despreza o corpo e dele foge, trabalhando por concentrar-se em si própria?

Evidentemente.

E com relação ao seguinte, Símias: afirmaremos ou não que o justo [dike] em si mesmo seja alguma coisa?

Afirmaremos, sem dúvida, por Zeus.

E também o belo [kalon] em si e o bem [agathon]?

Também.

E algum dia já percebeste [aisthesis] com os olhos qualquer deles?

Nunca, respondeu.

Ou por intermédio de outro sentido corpóreo? Refiro-me a tudo: grandeza, saúde, força e o mais que for, numa palavra: à essência de tudo o que existe, conforme a natureza de cada coisa. É por intermédio do corpo [soma] que percebemos o que neles há de verdadeiro, ou tudo se passará da seguinte maneira: quem de nós ficar em melhores condições de pensar em si mesmo o mais exatamente possível o que se propõe examinar, não é esse que estará mais perto do conhecimento de cada coisa? Ou não?

Perfeitamente.

E não alcançará semelhante objetivo da maneira mais pura quem se aproximar de cada coisa só com o pensamento [dianoia], sem arrastar para a reflexão a vista ou qualquer outro sentido, nem associá-los a seu raciocínio, porém valendo-se do pensamento puro, esforçar-se por apreender a realidade de cada coisa em sua maior pureza, apartado, quanto possível, da vista e do ouvido, e, por assim dizer, de todo o corpo, por ser o corpo fator de perturbação para a alma [psyche] e impedi-la de alcançar a verdade e o pensamento, sempre que a ele se associa? Não será, Símias, esse indivíduo, se houver alguém em tais condições, que alcançara o conhecimento do Ser [ontos, onta, realidade]?

Tens toda a razão, Sócrates  , respondeu Símias.

Por tudo isso, continuou, é natural nascer no espírito dos filósofos autênticos certa convicção que os leva a discorrer entre eles mais ou menos nos seguintes termos: Há de haver para nós outros algum atalho direto, quando o raciocínio nos acompanha na pesquisa; porque enquanto tivermos corpo e nossa alma se encontrar atolada em sua corrupção, jamais poderemos alcançar o que almejamos. E o que queremos, declaremo-lo de uma vez por todas, é a verdade. Não têm conta os embaraços que o corpo nos apresta, pela necessidade de alimentar-se, sem falarmos nas doenças intercorrentes, que são outros empecilhos na caça da verdade. Com amores, receios, cupidez, imaginações de toda a espécie e um sem número de banalidades, a tal ponto ele nos satura, que, de fato, como se diz, por sua causa jamais conseguiremos alcançar o conhecimento do quer que seja. Mais, ainda: guerras, batalhas, dissensões, suscita-as exclusivamente o corpo com seus apetites. Outra causa não têm as guerras senão o amor do dinheiro e dos bens que nos vemos forçados a adquirir por causa do corpo, visto sermos obrigados a servi-lo. Se carecermos de vagar para nos dedicarmos à Filosofia, a causa é tudo isso que enumeramos. O pior é que, mal conseguimos alguma trégua e nos dispomos a refletir sobre determinado ponto, na mesma hora o corpo intervém para perturbar-nos de mil modos, causando tumulto e inquietude em nossa investigação, até deixar-nos inteiramente incapazes de perceber a verdade. Por outro lado, ensina-nos a experiência que, se quisermos alcançar o conhecimento puro de alguma coisa, teremos de separar-nos do corpo e considerar apenas com a alma como as coisas são em si mesmas. Só nessas condições, ao que parece, é que alcançaremos o que desejamos e do que nos declaramos amorosos, a sabedoria, isto é, depois de mortos, conforme nosso argumento o indica, nunca enquanto vivermos. Ora, se realmente, na companhia do corpo não é possível obter o conhecimento puro do que quer que seja, de duas uma terá de ser: ou jamais conseguiremos adquirir esse conhecimento, ou só o faremos depois de mortos, pois só então a alma se recolherá em si mesma, separada do corpo, nunca antes disso. Ao que parece, enquanto vivermos, a única maneira de ficarmos mais perto do pensamento, é abstermo-nos o mais possível da companhia do corpo e de qualquer comunicação com ele, salvo e estritamente necessário, sem nos deixarmos saturar de sua natureza sem permitir que nos macule, até que a divindade nos venha libertar. Puros, assim, e livres da insanidade do corpo, com toda a probabilidade nos uniremos a seres iguais a nós e reconheceremos por nós mesmos o que for estreme de impurezas. É nisso, provavelmente, que consiste a verdade. Não é permitido ao impuro entrar em contato com o puro. – Eis aí, meu caro Símias, quero crer, o que necessariamente pensam entre si e conversam uns com os outros os verdadeiros amantes da sabedoria. Não é esse, também, o teu modo de pensar?

Por conseguinte, companheiro, continuou Sócrates  , se tudo isso estiver certo, há muita esperança de que somente no ponto em que me encontro, e mais em tempo algum, é que alguém poderá alcançar o que durante a vida constitui nosso único objetivo. Por isso, a viagem que me foi agora imposta deve ser iniciada com uma boa esperança, o que se dará também com quantos tiverem certeza de achar-se com a mente preparada e, de algum modo, pura.

Isso mesmo, observou Símias.

E purificação não vem a ser, precisamente, o que dissemos antes: separar do corpo, quanto possível, a alma, e habituá-la a concentrar-se e a recolher-se a si mesma, a afastar-se de todas as partes do corpo e a viver, agora e no futuro, isolada quanto possível e por si mesma, e como que libertada dos grilhões do corpo?

É muito certo, respondeu.

E o que denominamos morte, não será a liberação da alma e seu apartamento do corpo?

Sem dúvida, tornou a falar.

E essa separação, como dissemos, os que mais se esforçam por alcançá-la e os únicos a consegui-la não são os que se dedicam verdadeiramente à Filosofia, e não consiste toda a atividade dos filósofos na libertação da alma e na sua separação do corpo?

Exato.

Sendo assim, como disse no começo, não seria ridículo preparar-se alguém a vida inteira para viver o mais perto possível da morte, e revoltar-se no instante em que ela chega?

Ridículo, como não?

Logo, Símias, continuou, os que praticam verdadeiramente a Filosofia, de fato se preparam para morrer, sendo eles, de todos os homens, os que menos temor revelam à ideia da morte. Basta considerarmos o seguinte: se de todo o jeito eles desprezam o corpo e desejam, acima de tudo, ficar sós com a alma, não seria o cúmulo do absurdo mostrar medo e revoltar-se no instante em que isso acontecesse, em vez de partirem contentes para onde esperam alcançar o que a vida inteira tanto amara – sim, pois eram justamente isso: amantes da sabedoria – e ficar livres para sempre da companhia dos que os molestavam? Como! Amores humanos, ante a perda de amigos, esposas e filhos, têm levado tanta gente a baixar voluntariamente, ao Hades, movidos apenas da esperança de lá reverem o objeto de seus anelos e de com eles conviverem; no entanto, quem ama de verdade a sabedoria, e mais: está firmemente convencido de que em parte alguma poder encontrá-la a não ser no Hades, haverá de insurgir-se contra a morte, em vez de partir contente para lá? Sim, é o que teremos de admitir, meu caro, se se tratar de um verdadeiro amante da sabedoria. Pois este há de estar firmemente convencido de que a não ser lá, em parte alguma poderá encontrar a verdade em toda a sua pureza. Se as coisas se passam realmente como acabo de dizer, não seria dar prova de insensatez temer a morte semelhante indivíduo?

Sem dúvida, por Zeus, foi a sua resposta.

Chambry

X. — Et quand il s’agit de l’acquisition de la science, le corps est-il, oui ou non, un obstacle, si on l’associe à cette recherche ? Je m’explique par un exemple : la vue et l’ouïe offrent-elles aux hommes quelque certitude, ou est-il vrai, comme les poètes nous le chantent sans cesse, que nous n’entendons et ne voyons rien exactement ? Or si ces deux sens corporels ne sont pas exacts ni sûrs, les autres auront peine à l’être ; car ils sont tous inférieurs à ceux-là. N’est-ce pas ton avis ?

— Si, entièrement, dit Simmias.

— Quand donc, reprit Socrate  , l’âme atteint-elle la vérité ? Quand elle entreprend de faire quelque recherche de concert avec le corps, nous voyons qu’il l’induit en erreur.

— C’est vrai.

— N’est-ce pas en raisonnant qu’elle prend, si jamais elle la prend, quelque connaissance des réalités ?

— Si.

— Mais l’âme ne raisonne jamais mieux que quand rien ne la trouble, ni l’ouïe, ni la vue, ni la douleur, ni quelque plaisir, mais qu’au contraire elle s’isole le plus complètement en elle-même, en envoyant promener le corps et qu’elle rompt, autant qu’elle peut, tout commerce et tout contact avec lui pour essayer de saisir le réel.

— C’est juste.

— Ainsi donc, ici encore, l’âme du philosophe méprise profondément le corps, le fuit et cherche à s’isoler en elle-même ?

— Il me semble.

— Et maintenant, Simmias, que dirons-nous de ceci ? Admettons-nous qu’il y a quelque chose de juste en soi, ou qu’il n’y a rien ?

— Oui, par Zeus, nous l’admettons.

— Et aussi quelque chose de beau et de bon ?

— Sans doute.

— Or as-tu déjà vu aucune chose de ce genre avec tes yeux ?

— Pas du tout, dit-il.

— Alors, les as-tu saisies par quelque autre sens de ton corps ? Et je parle ici de toutes les choses de ce genre, comme la grandeur, la santé, la force, en un mot de l’essence de toutes les autres choses, c’est-à-dire de ce qu’elles sont en elles-mêmes. Est-ce au moyen du corps que l’on observe ce qu’il y a de plus vrai en elles ? ou plutôt n’est-il pas vrai que celui d’entre nous qui se sera le mieux et le plus minutieusement préparé à penser la chose qu’il étudie en elle-même, c’est celui-là qui s’approchera le plus de la connaissance des êtres ?

— Certainement.

— Et le moyen le plus pur de le faire, ne serait-ce pas d’aborder chaque chose, autant que possible, avec la pensée seule, sans admettre dans sa réflexion ni la vue ni quelque autre sens, sans en traîner aucun avec le raisonnement, d’user au contraire de la pensée toute seule et toute pure pour se mettre en chasse de chaque chose en elle-même et en sa pureté, après s’être autant que possible débarrassé de ses yeux et de ses oreilles et, si je puis dire, de son corps tout entier, parce qu’il trouble l’âme et ne lui permet pas d’arriver à la vérité et à l’intelligence, quand elle l’associe à ses opérations ? S’il est quelqu’un qui puisse atteindre l’être, n’est-ce pas, Simmias, celui qui en usera de la sorte ?

— C’est merveilleusement exact, Socrate  , ce que tu dis là, répondit Simmias.

XI. — Il suit de toutes ces considérations, poursuivit-il, que les vrais philosophes doivent penser et se dire entre eux des choses comme celles-ci : Il semble que la mort est un raccourci qui nous mène au but, puisque, tant que nous aurons le corps associé à la raison dans notre recherche et que notre âme sera contaminée par un tel mal, nous n’atteindrons jamais complètement ce que nous désirons et nous disons que l’objet de nos désirs, c’est la vérité. Car le corps nous cause mille difficultés par la nécessité où nous sommes de le nourrir ; qu’avec cela des maladies surviennent, nous voilà entravés dans notre chasse au réel. Il nous remplit d’amours, de désirs, de craintes, de chimères de toute sorte, d’innombrables sottises, si bien que, comme on dit, il nous ôte vraiment et réellement toute possibilité de penser. Guerres, dissensions, batailles, c’est le corps seul et ses appétits qui en sont cause ; car on ne fait la guerre que pour amasser des richesses et nous sommes forcés d’en amasser à cause du corps, dont le service nous tient en esclavage. La conséquence de tout cela, c’est que nous n’avons pas de loisir à consacrer à la philosofia. Mais le pire de tout, c’est que, même s’il nous laisse quelque loisir et que nous nous mettions à examiner quelque chose, il intervient sans cesse dans nos recherches, y jette le trouble et la confusion et nous paralyse au point qu’il nous rend incapables de discerner la vérité. Il nous est donc effectivement démontré que, si nous voulons jamais avoir une pure connaissance de quelque chose, il nous faut nous séparer de lui et regarder avec l’âme seule les choses en elles-mêmes. Nous n’aurons, semble-t-il, ce que nous désirons et prétendons aimer, la sagesse, qu’après notre mort, ainsi que notre raisonnement le prouve, mais pendant notre vie, non pas. Si en effet il est impossible, pendant que nous sommes avec le corps, de rien connaître purement, de deux choses l’une : ou bien cette connaissance nous est absolument interdite, ou nous l’obtiendrons après la mort ; car alors l’âme sera seule elle-même, sans le corps, mais auparavant, non pas. Tant que nous serons en vie, le meilleur moyen, semble-t-il, d’approcher de la connaissance, c’est de n’avoir, autant que possible, aucun commerce ni communion avec le corps, sauf en cas d’absolue nécessité, de ne point nous laisser contaminer de sa nature, et de rester purs de ses souillures, jusqu’à ce que Dieu nous en délivre. Quand nous nous serons ainsi purifiés, en nous débarrassant de la folie du corps, nous serons vraisemblablement en contact avec les choses pures et nous connaîtrons par nous-mêmes tout ce qui est sans mélange, et c’est en cela sûrement que consiste le vrai ; pour l’impur, il ne lui est pas permis d’atteindre le pur. Voilà, j’imagine, Simmias, ce que doivent penser et se dire entre eux tous les vrais amis du savoir. N’es-tu pas de cet avis ?

— Absolument, dit Simmias.

XII. — Si cela est vrai, camarade, reprit Socrate  , j’ai grand espoir qu’arrivé où je vais, j’y atteigne pleinement, si on le peut quelque part, ce qui a été l’objet essentiel de mes efforts pendant ma vie passée. Aussi le voyage qui m’est imposé aujourd’hui suscite en moi une bonne espérance, comme en tout homme qui croit que sa pensée est préparée, comme si elle avait été purifiée.

— Cela est certain, dit Simmias.

— Or purifier l’âme n’est-ce pas justement, comme nous le disions tantôt, la séparer le plus possible du corps et l’habituer à se recueillir et à se ramasser en elle-même de toutes les parties du corps, et à vivre, autant que possible, dans la vie présente et dans la vie future, seule avec elle-même, dégagée du corps comme d’une chaîne.

— Assurément, dit-il.

— Et cet affranchissement et cette séparation de l’âme d’avec le corps, n’est-ce pas cela qu’on appelle la mort ?

— C’est exactement cela, dit-il.

— Mais délivrer l’âme, n’est-ce pas, selon nous, à ce but que les vrais philosophes, et eux seuls, aspirent ardemment et constamment, et n’est—ce pas justement à cet affranchissement et à cette séparation de l’âme et du corps que s’exercent les philosophes ? Est-ce vrai ?

— Evidemment.

— Dès lors, comme je le disais en commençant, il serait ridicule qu’un homme qui, de son vivant, s’entraîne à vivre dans un état aussi voisin que possible de la mort, se révolte lorsque la mort se présente à lui.

— Ridicule, sans contredit.

— C’est donc un fait, Simmias, reprit Socrate  , que les vrais philosophes s’exercent à mourir et qu’ils sont, de tous les hommes, ceux qui ont le moins peur de la mort. Réfléchis à ceci. Si en effet, ils sont de toute façon brouillés avec leur corps et désirent que leur âme soit seule avec elle-même, et, si d’autre part, ils ont peur et se révoltent quand ce moment arrive, n’est-ce pas une inconséquence grossière de leur part, de ne point aller volontiers en un endroit où ils ont l’espoir d’obtenir dès leur arrivée ce dont ils ont été épris toute leur vie, et ils étaient épris de la sagesse, et d’être délivrés d’un compagnon avec lequel ils étaient brouillés ? Hé quoi, on a vu beaucoup d’hommes qui, pour avoir perdu un mignon, une femme, un fils, se sont résolus d’eux-mêmes à les suivre dans l’Hadès, conduits par l’espoir d’y revoir ceux qu’ils regrettaient et de rester avec eux, et, quand il s’agit de la sagesse, l’homme qui en est réellement épris et qui a, lui aussi, la ferme conviction qu’il ne trouvera nulle part ailleurs que dans l’Hadès une sagesse qui vaille la peine qu’on en parle, se révoltera contre la mort et n’ira pas volontiers dans l’autre monde ! Il faut bien croire que si, camarade, s’il est réellement philosophe, car il aura la ferme conviction qu’il ne rencontrera nulle part la sagesse pure, sinon là-bas. Mais, s’il en est ainsi, ne serait-ce pas, comme je le disais tout à l’heure, une grossière inconséquence, qu’un tel homme eût peur de la mort ?

— Si, par Zeus, dit-il.

Cousin

— Et quant à l’acquisition de la science, le corps est-il un obstacle, ou ne l’est-il pas, quand on l’associe [65b] à cette recherche ? Je vais m’expliquer par un exemple. La vue et l’ouïe ont-elles quelque certitude, ou les poètes[99] ont-ils raison de nous chanter sans cesse, que nous n’entendons ni ne voyons véritablement ? Mais si ces deux sens ne sont pas sûrs, les autres le seront encore beaucoup moins ; car ils sont beaucoup plus faibles. Ne le trouves-tu pas comme moi?

— Tout-à-fait, dit Simmias.

— Quand donc, reprit Socrate  , l’âme trouve-t-elle la vérité ? car pendant qu’elle la cherche avec le corps, nous voyons clairement que ce corps la trompe et l’induit en erreur.

— [65c] Cela est vrai.

— N’est-ce pas surtout dans l’acte de la pensée que la réalité se manifeste à l’âme?

— Oui.

— Et l’âme ne pense-t-elle pas mieux que jamais lorsqu’elle n’est troublée ni par la vue, ni par l’ouïe, ni par là douleur, ni par la volupté, et que, renfermée en elle-même et se dégageant, autant que cela lui est possible, de tout commerce avec le corps, elle s’attache directement à ce qui est, pour le connaître?

— Parfaitement bien dit.

— N’est-ce pas alors que l’âme du philosophe [65d] méprise le corps, qu’elle le fuit, et cherche à être seule avec elle-même?

— Il me semble.

— Poursuivons, Simmias. Dirons-nous que la justice est quelque chose ou qu’elle n’est rien?

— Nous le dirons assurément.

— N’en dirons-nous pas autant du bien et du beau?

— Sans doute.

— Mais les as-tu jamais vus?

— Non, dit-il.

— Ou les as-tu saisis par quelque autre sens corporel ? Et je ne parle pas seulement du juste, du bien et du beau, mais de la grandeur, de la santé, de la force, en un mot de l’essence de toutes choses, c’est-à-dire de ce qu’elles [65e] sont en elles-mêmes ? Est-ce par le moyen du corps qu’on atteint ce qu’elles ont de plus réel, ou ne pénètre-t-on pas d’autant plus avant dans ce qu’on veut connaître, qu’on y pense davantage et avec plus de rigueur?

— Cela ne peut être contesté.

— Eh bien ! y a-t-il rien de plus rigoureux que de penser avec la pensée toute seule, dégagée de tout élément étranger et sensible, [66a] d’appliquer immédiatement la pure essence de la pensée en elle-même à la recherche de la pure essence de chaque chose en soit, sans le ministère des yeux et des oreilles, sans aucune intervention du corps qui ne fait que troubler l’âme et l’empêcher de trouver la sagesse et la vérité, pour peu qu’elle ait avec lui le moindre commerce ? Si l’on peut jamais parvenir à connaître l’essence des choses, n’est-ce pas par ce moyen?

— A merveille, Socrate  , on ne peut mieux parler.

— [66b] De ce principe, reprit Socrate  , ne s’ensuit-il pas nécessairement que les véritables philosophes doivent penser et même se dire entre eux : il n’y a qu’un sentier détourné qui puisse guider la raison dans ses recherche ; car tant que nous aurons notre corps et que notre âme sera enchaînée dans cette corruption, jamais nous ne posséderons l’objet de nos désirs, c’est-à-dire la vérité ; en effet, le corps nous entoure de mille gênes par la nécessité où nous sommes [66c] d’en prendre soin : avec cela les maladies qui surviennent, traversent nos recherches. Il nous remplit d’amours, de désirs, de craintes, de mille chimères, de mille sottises, de manière qu’en vérité il ne nous laisse pas, comme on dit, une heure de sagesse. Car qui est-ce qui fait naître les guerres, les séditions, les combats ? Le corps et ses passions.

En effet, toutes les guerres ne viennent que du désir d’amasser des richesses, et nous sommes forcés [66d] d’en amasser à cause du corps et pour fournir à ses besoins. Voilà pourquoi nous n’avons pas le temps de songer à la philosophie ; et ce qu’il y a de pis, c’est que si d’aventure il nous laisse quelque loisir, et que nous nous mettions à réfléchir, il intervient tout d’un coup au milieu de nos recherches, nous trouble, nous étourdit, et nous rend incapables de discerner la vérité. Il nous est donc démontré que si nous voulons savoir véritablement quelque chose, [66e] il faut que nous nous séparions du corps, et que l’âme elle-même examine les choses en elles-mêmes.

C’est alors seulement que nous jouirons de la sagesse dont nous nous disions amoureux, c’est-à-dire après notre mort, et non pendant cette vie ; et la raison même le dit : car s’il est impossible de rien connaître purement pendant que nous sommes avec le corps, il faut de deux choses l’une, ou que l’on ne connaisse jamais la vérité, ou qu’on la connaisse après la mort ; parce [67a] qu’alors l’âme sera rendue à elle-même : et pendant que nous serons dans cette vie, nous n’approcherons de la vérité qu’autant que nous nous éloignerons du corps ; que nous renoncerons à tout commerce avec lui, si ce n’est pour la nécessité seule, que nous ne lui permettrons point de nous remplir de sa corruption naturelle, et que nous nous conserverons purs de ses souillures, jusqu’à ce que Dieu lui-même vienne nous délivrer.

C’est ainsi qu’affranchis de la folie du corps, nous converserons, je l’espère, avec des hommes libres comme nous, et connaîtrons par nous-mêmes [67b] l’essence des choses, et la vérité n’est que cela peut-être ; mais à celui qui n’est pas pur, il n’est pas permis de contempler la pureté. Voilà, mon cher Simmias, ce qu’il me paraît que les véritables philosophes doivent penser, et se dire entre eux. Ne le crois-tu pas comme moi?

— Entièrement, Socrate  .

— S’il en est ainsi, mon cher Simmias, tout homme qui arrivera où je vais présentement, a grand sujet d’espérer que là, mieux que partout ailleurs, il jouira à son aise de ce qui lui avait auparavant coûté tant de peine : aussi ce [67c] voyage qu’on m’a ordonné me remplit-il d’une douce espérance ; et il fera le même effet sur tout homme qui croit que son âme est préparée, c’est-à-dire purifiée. Or, purifier l’âme, n’est-pas, comme nous le disions tantôt, la séparer du corps, l’accoutumer à se renfermer et à se recueillir en elle-même, et à vivre, autant qu’il lui est possible, et dans cette vie et [67d] dans l’autre, seule, vis-à-vis d’elle-même, affranchie du corps comme d’une chaîne?

— C’est tout-à-fait cela, Socrate  .

— Et cet affranchissement de l’âme, cette séparation d’avec le corps, n’est-ce pas là ce qu’on appelle la mort?

— Oui, dit Simmias.

— Mais ne disions-nous pas que c’est là ce que se propose particulièrement le vrai philosophe ? L’affranchissement de l’âme, sa séparation d’avec le corps, n’est-ce pas là l’occupation même du philosophe?

— Il me semble.

— Ne serait-ce donc pas, comme je le disais en commençant, une chose très ridicule, qu’un homme [67e] s’exerce toute sa vie à vivre comme s’il était mort, et qu’il se fâche quand la mort arrive ? Ne serait-ce pas bien ridicule?

— Assurément.

— Il est donc certain, Simmias, que le véritable philosophe s’exerce à mourir, et que la mort ne lui est nullement terrible. En effet, penses-y : s’il déteste le corps et aspire à vivre de la vie seule de l’âme, et si quand ce moment arrive, il le repousse avec effroi et avec colère, n’y a-t-il point une contradiction honteuse [68a] à n’aller pas très volontiers où l’on espère obtenir les biens après lesquels on a soupiré toute sa vie ? car enfin il aspirait à connaître, il détestait le corps et désirait en être délivré. Quoi ! il y a eu beaucoup d’hommes qui, pour avoir perdu ce qu’ils aimaient sur la terre, leurs femmes, ou leurs enfants, sont descendus volontiers aux enfers, conduits par la seule espérance que là ils verraient ceux qu’ils aiment et qu’ils vivraient avec eux : et un homme qui aime véritablement la sagesse et qui a la ferme espérance de la trouver [68b] dans les enfers, sera fâché de mourir et n’ira pas avec joie dans les lieux où il jouira de ce qu’il aime ? Ah ! mon cher Simmias, il faut croire qu’il ira avec une très grande volupté, s’il est véritablement philosophe ; car il est fortement persuadé que nulle part que dans l’autre monde il ne rencontrera cette pure sagesse qu’il cherche. Cela étant, n’y aurait-il pas, comme je disais tantôt, de l’extravagance pour un tel homme à craindre la mort?

— Il y en aurait une très grande, répondit Simmias.

Jowett

What again shall we say of the actual acquirement of knowledge ? — is the body, if invited to share in the inquiry, a hinderer or a helper ? I mean to say, have sight and hearing any truth in them ? Are they not, as the poets are always telling us, inaccurate witnesses ? and yet, if even they are inaccurate and indistinct, what is to be said of the other senses ? — for you will allow that they are the best of them ?

Certainly, he replied.

Then when does the soul attain truth ? — for in attempting to consider anything in company with the body she is obviously deceived.

Yes, that is true.

Then must not existence be revealed to her in thought, if at all ?

Yes.

And thought is best when the mind is gathered into herself and none of these things trouble her — neither sounds nor sights nor pain nor any pleasure — when she has as little as possible to do with the body, and has no bodily sense or feeling, but is aspiring after being ?

That is true.

And in this the philosopher dishonors the body ; his soul runs away from the body and desires to be alone and by herself ?

That is true.

Well, but there is another thing, Simmias : Is there or is there not an absolute justice ?

Assuredly there is.

And an absolute beauty and absolute good ?

Of course.

But did you ever behold any of them with your eyes ?

Certainly not.

Or did you ever reach them with any other bodily sense ? (and I speak not of these alone, but of absolute greatness, and health, and strength, and of the essence or true nature of everything). Has the reality of them ever been perceived by you through the bodily organs ? or rather, is not the nearest approach to the knowledge of their several natures made by him who so orders his intellectual vision as to have the most exact conception of the essence of that which he considers ?

Certainly.

And he attains to the knowledge of them in their highest purity who goes to each of them with the mind alone, not allowing when in the act of thought the intrusion or introduction of sight or any other sense in the company of reason, but with the very light of the mind in her clearness penetrates into the very fight of truth in each ; he has got rid, as far as he can, of eyes and ears and of the whole body, which he conceives of only as a disturbing element, hindering the soul from the acquisition of knowledge when in company with her — is not this the sort of man who, if ever man did, is likely to attain the knowledge of existence ?

There is admirable truth in that, Socrates  , replied Simmias.

And when they consider all this, must not true philosophers make a reflection, of which they will speak to one another in such words as these : We have found, they will say, a path of speculation which seems to bring us and the argument to the conclusion that while we are in the body, and while the soul is mingled with this mass of evil, our desire will not be satisfied, and our desire is of the truth. For the body is a source of endless trouble to us by reason of the mere requirement of food ; and also is liable to diseases which overtake and impede us in the search after truth : and by filling us so full of loves, and lusts, and fears, and fancies, and idols, and every sort of folly, prevents our ever having, as people say, so much as a thought. For whence come wars, and fightings, and factions ? whence but from the body and the lusts of the body ? For wars are occasioned by the love of money, and money has to be acquired for the sake and in the service of the body ; and in consequence of all these things the time which ought to be given to philosophy is lost. Moreover, if there is time and an inclination toward philosophy, yet the body introduces a turmoil and confusion and fear into the course of speculation, and hinders us from seeing the truth : and all experience shows that if we would have pure knowledge of anything we must be quit of the body, and the soul in herself must behold all things in themselves : then I suppose that we shall attain that which we desire, and of which we say that we are lovers  , and that is wisdom, not while we live, but after death, as the argument shows ; for if while in company with the body the soul cannot have pure knowledge, one of two things seems to follow — either knowledge is not to be attained at all, or, if at all, after death. For then, and not till then, the soul will be in herself alone and without the body. In this present life, I reckon that we make the nearest approach to knowledge when we have the least possible concern or interest in the body, and are not saturated with the bodily nature, but remain pure until the hour when God himself is pleased to release us. And then the foolishness of the body will be cleared away and we shall be pure and hold converse with other pure souls, and know of ourselves the clear light everywhere ; and this is surely the light of truth. For no impure thing is allowed to approach the pure. These are the sort of words, Simmias, which the true lovers   of wisdom cannot help saying to one another, and thinking. You will agree with me in that ?

Certainly, Socrates  .

But if this is true, O my friend, then there is great hope that, going whither I go, I shall there be satisfied with that which has been the chief concern of you and me in our past lives. And now that the hour of departure is appointed to me, this is the hope with which I depart, and not I only, but every man who believes that he has his mind purified.

Certainly, replied Simmias.

And what is purification but the separation of the soul from the body, as I was saying before ; the habit of the soul gathering and collecting herself into herself, out of all the courses of the body ; the dwelling in her own place alone, as in another life, so also in this, as far as she can ; the release of the soul from the chains of the body ?

Very true, he said.

And what is that which is termed death, but this very separation and release of the soul from the body ?

To be sure, he said.

And the true philosophers, and they only, study and are eager to release the soul. Is not the separation and release of the soul from the body their especial study ?

That is true.

And as I was saying at first, there would be a ridiculous contradiction in men studying to live as nearly as they can in a state of death, and yet repining when death comes.

Certainly.

Then, Simmias, as the true philosophers are ever studying death, to them, of all men, death is the least terrible. Look at the matter in this way : how inconsistent of them to have been always enemies of the body, and wanting to have the soul alone, and when this is granted to them, to be trembling and repining ; instead of rejoicing at their departing to that place where, when they arrive, they hope to gain that which in life they loved (and this was wisdom), and at the same time to be rid of the company of their enemy. Many a man has been willing to go to the world below in the hope of seeing there an earthly love, or wife, or son, and conversing with them. And will he who is a true lover of wisdom, and is persuaded in like manner that only in the world below he can worthily enjoy her, still repine at death ? Will he not depart with joy ? Surely he will, my friend, if he be a true philosopher. For he will have a firm conviction that there only, and nowhere else, he can find wisdom in her purity. And if this be true, he would be very absurd, as I was saying, if he were to fear death.

He would, indeed, replied Simmias.


Ver online : Oeuvres complètes (Brisson)


Platão - Fédon (61c-62c) – Suicídio
Platão - Fédon (62c-63e) – Como se justifica a atitude do filósofo
Platão - Fédon (63e-65a) – Definição da morte
Platão - Fédon (65a-68b) – O obstáculo corporal
Platão - Fédon (68b-69e) – A verdadeira virtude